5.30.2008

Cegueira ataca os críticos

De um filme com tanto potencial, a crítica dizimou-o como se tratasse de um realizador qualquer (e não de Meireles), como se tivesse uns actores quais quer (e não Julianne Moore e Mark Ruffalo), como se não fosse baseado num livro de um Nobel, que é o mais internacional dos romancistas portugueses (e não José Saramago). Mesmo tendo tudo isto, a crítica de cá e de lá de fora, disse coisas impensáveis de um filme que tem tudo para resultar.

A este filme disseram ser um filme que mais parecia um anúncio publicitário esticado para duas horas ou um videoclip de música pop ao qual se tinham esquecido de fazer a edição, para os 4 minutos dos costume.
Apenas, porque Meireles decidiu fazer um filme em que os contratastes são poucos e tudo é branco ou muito claro, de modo a imprimir a cegueira de que Saramago fala como se de um mergulho em leite se tratasse, uma cegueira leitosa, branca e quase obra de deus, quase divina.
Depois acusam o filme de não arriscar de ter deixado tudo a perder por causa dos sistemas de Hollywood, uma vez que o flme foi cortado em determinadas cenas de estupro ou violação. Este render ás audiências que acaba por tirar alguma coragem ao filme, é possivelmente a única crítica que aceito com alguma fundamentação, mas não nos podemos esquecer deste video que vi pela primeira vez no blog cinemanotebook e que mostra que o filme é a perfeita tradução do livro em película, que se o filme fosse diferente, estaria a ultrajar e possivelmente a desrespeitar quer o escritor quer a sua obra, vejam e apreciem.



Só por isto já tenho motivo para pagar um bilhete e ver um filme, que apesar de tudo é um dos mais esperados cá por estes lados. o trailer fica aqui

Partir o côco

De todas as expressões portuguesas aquelas que são usadas para descrever uma hilariante situação, são, na sua generalidade más e pouco explicativas, o pior, é sem dúvida a versão reduzida e americana ou simplesmente de língua inglesa que se traduz numa contracção com pouco significado e que a maioria das pessoas que a usa não conhece o seu significado, ela é: LOL.
Como o que este blog trata é de cinema e não de anglicanismos, o que tenho para dizer só pode ser explicado por: se virem isto vão partir o côco a rir (de facto a expressão é desadequada, mas paciência é o melhor que se arranja.
Saíram nestes últimos dias dois trailers em géneros mesmo que muito diferentes, semelhantes na proporção dos risos provocados.
O primeiro, provavelmente um pouco mais burlesco e de humor fácil é o relativamente esperado Step Brothers. Desta dupla muito se pode esperar, eu pelo menos espero. O Trailer está aqui, vale muito a pena.

http://www.worstpreviews.com/images/stepbrothers.gif


O outro, de um humor mais refinado e negro, característico de alguns dos filme anteriores dos irmão, é o Burn after Reading, que é coisa excepcional, com um elenco destes, nem é preciso ir ao museu da cera, porque já se viu metade e em movimento. O trailer está num formato estranho, mas espero que consigam ver.

http://www.worstpreviews.com/images/burnaftereeading.jpg

5.21.2008

Sundance ilumina o panorama

Sundance é de facto um dos mais importantes festivais de cinema da actualidade, e só agora, depois de uns meses, é que se começa a ouvir falar dos filmes que por lá passaram com sucesso e que estão a fazer burburinho, estes são alguns:


Sangre De Mi Sangre A história da imigração, só que aqui contada de pernas para o ar, a ver vamos!


Savage Grace Este é um dos mais esperados, cá para mim, um dos que provavelmente vai ser desprezado pela academia e que provavelmente merecia mais do que vai receber, a notas do rottenetomatoes já começaram e não são as melhores, no entanto esperarei pacientemente.


Up the Yangtze Mais um doco-drama que acompanha esta nova geração de cineastas chineses que tem sede de gravar para sempre este período conturbado da história da china e da sua evolução que chega a ser rápida de mais (um pouco á medida de vencedor do leão de ouro de há dois anos Jia Zhang-ke)


Baghead Este é um daqueles filmes de terror que os indies fazem muito bem e que são sempre bem vindos, já neste último, tinha saído um filme chamado "Teeth" e que em Portugal já teve estreia anunciada, mas que acabou por ser adiada, a tradução era, o maior desastre de sempre da tradução portuguesa "A Vagina Dentada". Comprova-se que uma ideia genial é o que faz um filme de terror, coisa que tem faltado nos últimos tempo, em que só se vê mastigar o que já foi comido, espero ansiosamente.

Tenho que bater em alguém


Já era sabido que se faria um filme que acabaria por ser o remake do [REC] nos estados unidos e que acabaria por se chamar Quarentine, agora o que não se sabia era que o resultado era uma cópia plano por plano em que tudo é igual, até parece que ensinaram os actores a falar inglês, mete medo, não o filme, mas ver que a falta de criatividade chegou a limites máximos e irrecuperáveis.
Lamento muito, mas Hollywood perdeu, pelo menos para mim, grande parte do respeito que por ela tecia.
Vejam e sofram:

[REC]

Quarantine

5.17.2008

Blockbusters também são bom cinema

Este ano, estou a gostar especialmente dos filmes de "rebentar quarteirões" que estão para vir. A excitação é grande, sem dúvida alguma, quanto mais me aproximo da data de estreia, mais nervoso fico. Pode-se dizer que a época dos filmes bombistas começou com Iron Man que vi recentemente e que até não é nada de se virar costas, mas o que me interessa realmente, está ainda por estrear, estes são as minhas cinco grandes propostas:

  1. Wanted (o trailer russo é melhor)

5.06.2008

Scorsese vezes 2

Scorsese é um dos grandes realizadores americanos, com a sorte de estar vivo, e com um conjunto de filmes que podia muito bem ser usado com motivo de chacota para um conjunto de senhores de hollywood que nem aos calcanhares do pior (se há) de scorsese chegam.

Este senhor que sempre me deu dores de cabeça em escrever o nome, mas agora já o faço com maior facilidade, fez filmes maravilhosos, e só á sexta nomeação da academia é que venceu finalmente o seu tão merecido oscar, ainda mais por um filme que sem tirar nem pôr é excelente (para quem não acredita na perfeição, não o é, para quem acredita como eu, é-o sem qualquer dúvida).

Mas o que escrevo hoje não é por The departed, mas sim por um dos seus melhores (e um dos seus nomeados), Raging Bull, com o seu "actor fetiche" (não sei se será o termo indicado), Mtr Deniro, que é de facto uma obra prima inquestionável (eu não gosto de dogmas, mas há coisas que são inegáveis), e de um outro, se calhar mais fraquinho que o anterior, também um na sua colecção de filmes nomeados mas que saíram vencidos (mas no qual a senhora Blanchett venceu o seu oscar de melhor actriz secundária), o por vezes rebaixado, The Aviator.

Com uma diferença de um mês vi os dois, e devo dizer com grande esclamação que Scorsese é sem dúvida genial e que tem um paranoia com lampadas de flash a fundirem:
As duas de cima são imagens do Raging Bull e as duas de baixo são imagens do The Aviator, e pelo que sei, mas nunca tive a sorte de ver, Casino também tem estas maravilhosas sequências de flashs, quase epilépticos. No the aviator são estas sequências que constroem a personagem de Howard Hughes, no Raging Bull, apenas tem uma função decorativa e até certo ponto descritiva da decadência da personagem.

Que ambos são filmes muito bons e que um deles (o mais antigo) uma obra prima, ninguém discorda (suponho eu), em The Raging Bull, cada plano é perfeito, em que tudo é emoção, vida, alma e que a existencia por si só, convoca em nós, espectadores a verdadeira sensação de estar vivo (e isto será o que é para mim uma obra prima, pelo menos ao nível do cinema).

Poderá considerar-se errado comparar duas obras uma melhor e uma pior para elevar a melhor e rebaixar a pior (leia-se ligeiramente inferior em qualidade), mas neste caso, não se pode dizer que The aviator é um filme mau, para começar porque não o é, mas segundo e mais importante, é um grande filme, quase o Citizen Kane de Scorsese (pelo menos na vertente de biografia de um génio com as suas particularidades), no entanto já não se pode comparar Orson Welles a Dicaprio (na representação, como é óbvio). Tenho que confessar que não sou um dos maiores amantes de Dicaprio, concordando inequivocamente que se trata de um bom actor, acho-o bonito de mais e isso faz-me pensar, erradamente, que ele só faz o que faz: não pelo talento mas pela beleza, claro que este preconceito estúpido da minha parte desaparecerá quando lhe puserem uma maquilhagem horrível e ele fizer um papelão de tirar o folego.
8/10 -Muito bom
10/10- Genial

5.04.2008

O que se espera nem sempre acontece


O que eu esperava era mais um filme, o que acabou por acontecer foi uma mudança de ponto de vista, de paradigma, como se uma vala se tivesse aberto debaixo dos meus pés e eu para lá caísse por vontade própria e regozijo de palerma alegre que vê o que sempre esperou ver.
Podem achar que é demais, mas não. Donnie Darko é maravilha, pureza e estonteante construção visual associada a uma das mais inventivas história, que na verdade é uma alegoria ao profeta que se sacrifica em prol dos que ama.


Se há coisa boa neste filme é a componente visual, em que não são precisos efeitos muito maravilhosos, basta um coelho com uma cara metálica e ligeiramente aterrorizadora, que não seria de estranhar num dia das bruxas, mas que é na verdade é o "único" amigo.
Para quem acredita no verdadeiro amor, mesmo que em condições estranhas, para quem acredita no sacrifício pessoal pelos outros, para quem acredita que não somos só nós, que existe algo mais para alem do ser humano (e não me refiro a extraterrestres como é obvio).



9/10 - Muito Bom

5.03.2008

Um mestre em acção

Se há realizador europeu de que gosto é Lars Von Trier, o senhor Dinamarquês que é um dos fundadores do tão amada e detestado (simultaneamente) Dogma 95, corrente de cinema que já nos deu a possibilidade de ver filmes maravilhosos como os de von Trier assim como um filme que estive para comprara no outro dia que é Italiano para Principiantes, ou o estreado o ano passado Dear Wendy.

Mas esquecendo o Dogma e lembrando o mestre, este senhor fez uma coisa que nunca será igualada e que é sem dúvida um dos meus filmes favoritos: Dancer in the Dark, com a senhora Bjork, com o qual ganhou a palma de ouro (ele e ela).

Se não virem, vejam, é perfeição, é cinema, é arte em estado puro.


E é memorável a todos os níveis, quer pelas musicas maravilhosas (dizem maravilhas do senhor Dario Marianelli, que este ano até pôs uma máquina de escrever como instrumento musical - e honra lhe seja feita, porque é de facto maravilhosa a banda sonora -, no entanto Dancer in the Dark não tem banda sonora, ele é a banda sonora, todo o filme é música, e por isso há uma cena de assassínio á pancada na cabeça em que as pancadas fazem parte da música, ou melhor a música faz parte das pancadas), quer pelo contorcer dos géneros e fazer de um argumento de telenovela uma obra-prima.

Mas pelo escrevo hoje é pelo facto de ter descoberto que o período de depressão (coisa comum daquele senhor) do senhor Trier já passou e que sua criatividade tomou rumo e que tem dois filmes previstos:
Antichrist, que é o seu retomar do terror que tinha deixado na série The Kingdom, volta agora com um filme que o IMDB prevê que estreie ainda este ano e que tem como resumo:
A couple mourning the loss of their child retreat to a cabin in the woods, where they soon encounter strange, terrifying occurrences.

A par desse tem ainda o fim da trilogia que iniciou com Dogville e continuo com Manderlay sobre os EUA (ambos editados em DVD em Portugal), chama-se Wasington e prevê-se que saia para 2009.

Sabendo que uma das frases citáveis de Trier é:
"A big part of our lives has to do with America. In our country it is overwhelming. I feel there could just as well be an American military presence in Denmark. We are a nation under a very bad influence, because I think Bush is an asshole and doing a lot of really stupid things. America is sitting on the world and therefore I am making films about it. I'd say 60% of the things I have experienced in my life are American, so in fact I am an American. But I can't go there and vote. That's why I am making films about America."
Ou então:

"A film should be like a rock in the shoe."
Podemos adivinhar que género de filme nos espera, ainda para mais tão perto das eleições americanas.