12.31.2008

Ainda sobre Australia

Se o post anterior se limitava a descarregar de uma série de eventos mais ou menos felizes e de despejar-me daquilo que Australia significa, agora vem a mostra de reflexão, um dia passou e as ideias amadureceram, estão prontas a comer e não se querem podres, por isso estão de facto no ponto, se assim se pode dizer.
Australia é a soberba formulação de cinema, mesmo que caia em clichés, em lugares comuns, em momentos gastos, tudo parece novo, vital, rejuvenescido, e Baz faz magia em forma de película, tanto através das imagens, mas principalmente através da pujança de contar uma história, há neste filme uma ode ao cinema e a tudo o que ele significa, é um hino ao cinéfilo, ao amante da 7ª arte; é um portento.
Podem chamar-lhe uma manta de retalhos, que se perde em diferentes géneros sem escolher a forma mais correcta, podem chamar-lhe desadequado, fora de moda ou simplesmente pretensioso, mas este filme baseia-se na forma lúcida e (quase) perfeita de Luhrman pensar o cinema e para ele, cinema é isso mesmo, algo maior do que a vida, maior do que nós mesmos, larger than life, não se querem realismos frenéticos de novos cineastas com falsos documentários, quer-se força, vida, alegria e emoção, quer-se cinema no seu estado mais puro de contar uma história.

Australia não é perfeito, mas a sua coragem de arriscar, de fazer o que mais ninguém imaginava poder-se fazer, só por ser irreverente, este filme merece os nossos corações, e claro, tudo o resto fá-lo merecer a nossa aclamação.

Obrigado senhor Baz por me fazer separar do mundo, esquecer que estou dentro de uma sala de cinema e levar-me para 'a far away land'.

Muito obrigado.


P.S.:Ler isto e isto do senhor Mourinha, que é o único lúcido crítico de cinema (pelo menos no que a Australia diz respeito) e bom ano de 2009

12.30.2008

Australia e Ladainhas sobre mau comportamento

Acabo de ver Australia. Saí da sala faz menos de meia hora e agora que vos escrevo começo a crer transpor por palavras aquilo que o filme é e me fez sentir, mas há algo mais importante que críticas de filmes, houve durante a sessão (que devo garantir que não foi daquelas muito agitadas - como aconteceu com Bolt) mas no entanto o que aconteceu espelhou de forma clara e evidente o estado que o cinema ocupa na vida da maioria das pessoas.

Hoje em dia as pessoas em vez de irem ao cinema ver um filme, elas vão simplesmente ao cinema, não lhes interessa o que vão ver desde que possam encher as suas matracas de pipocas; quando estas se acabam têm que se ocupar com outra coisa que não ver o filme para o qual pagaram, e isso é normalmente falar e irritar as pessoas que estão interessadas no que está a ser projectado.

Deste modo avaliar as pessoas que vão determinado filme é por si só erróneo, na medida em que uma sessão do Australia (assim como já tinha acontecido com o There will be blood), está pejada de gent(inha) mais interessada em fazer o oposto do que devia: estar calada e sentada a ver o filme.

Nesta última experiência cinematográfica de Baz, as crianças, mesmo que por pouco tempo, tiveram a indecência de usar uma mira laser e aponta-la para a tela. Gosto de imaginar que estas pessoas vão crescer, pouco que seja, mas vão-no e ao fazê-lo pode ser que consigam alcançar alguma estabilidade mental que lhes valha o respeito que costumo oferecer a todos os que conheço.

Pode dizer-se que sou papista no que diz respeito ao cinema, não mexe, não fala, não respira (daí o breath away), mas uma vez que paguei para ver um filme e escolhi a sala em que estou por ser a que considero a que coaduna a melhor relação qualidade-preço-distância de casa e desse modo gosto que a minha escolha e o meu dinheiro dêem frutos; deste modo são poucos os filmes a que vou com amigos, evitando assim os comentários incontroláveis. Só produzo som numa sala de cinema quando sou incapaz de o controlar (e não me refiro a funções corporais), mas sim, e Australia foi um caso extremo, da incapacidade de conter as emoções (já António Damásio disse que parar uma emoção é como parar um espirro) o que quer dizer, de chorar como uma viúva após a morte do seu querido marido.

As minhas idas ao cinema caracterizam-se ainda pela posição na sala pela qual costumo optar, sento-me normalmente nos lugares mais próximos do ecrã, entre a 3ª e a 5ª fila e ao centro é normalmente a posição preferida, isto não só para poder aproximar-me física e simbolicamente do filme, mas também para evitar ver o que os outros espectadores fazem durante a projecção, desta vez a minha posição não favoreceu, na medida que à saída as pessoas não podiam ausentarsse sem repararem no rapaz ali sentado chorando qual bebé recem-nascido.

No outro dia leu-se aquela curiosa história de um homem que tinha baleado um pai que estava a conversar com o seu filho aquando da visualização de The curious case of Benjamin Button, e que depois de o ter feito (tendo avisado os ditos falantes várias vezes antes) voltou a sentar-se e continuou a ver o filme até que a polícia o prendeu, o mais extraordinário é que no outro dia quando via o Bolt deu-me uma vontade imensa de fazer aquilo pelo qual o personagem de Edward Norton é preso no American History X, claro que eu sou um pacifista e estas coisas não passam de desejos facilmente controláveis pela doçura de Rhino, Mittens e Bolt .

O meu irmão dizia-me que ir ao cinema era mesmo isso: os risos, as tosses, as pipocas e também o filme; pois para mim não, cinema é cinema e um filme é um filme, por acaso entretém, mas não deve ser entretenimento (pelo menos do fácil).

P.S.: Australia, apesar de tudo o que se diz (podendo ter ou não razão), digo-vos que é tão grande filme que supera a esfera do descritível é uma experiência física, visual, emocional e absolutamente transcendente, um filme Bigger than life, com os belíssimos Hugh e Nicole, o estrondoso Baz e a perfeição de querer ser mil e um filmes e conseguir. Um filme moderno há moda antiga que glorifica o cinema e a necessidade de contar história, daquelas que ficam para sempre, tal e qual como esta ficará no meu coração.


12.29.2008

Amblin



Digam me lá que isto não é uma maravilha, se forem capazes de não sentir o bichinho do cinema.
A primeira obra de Spielberg em 35 mm, com um orçamente de 15 mil $ e uma duração de 26 minutos, é uma autentica delicia, foi o filme que permitiu a senhor Steven entrar no mundo dos filmes, deu-lhe um contracto para trabalhar como realizador de TV na Universal.
O filme é praticamente mudo, só com alguns efeitos sonoros e musica de guitarra acústica.

Nota: o chapéu do rapaz é igual ao do senhor Indiana e peço desculpa pela qualidade, mas não se pode fazer melhor.

(ainda mais) Semelhanças - XVII

Doctor Zhivago de David Lean

No country for old men dos irmãos Coen

12.28.2008

(Mais) Semelhanças - XVI

I Ivan Groznyy (Ivan o terrível) de Eisenstein

O Quinto Império de Oliveira

12.25.2008

Semelhanças - XV

Vale Abrão de Manoel de Oliveira

La Graine et le Mulet de Abdel Kechiche

12.24.2008

Uma estranha forma de celebrar o Natal

vendo o Hunger e amando a perfeição que se estabelece a cada plano e que afoga qualquer pensamento numa exactidão divina de fazer arte e por acaso cinema.

FELIZ NATAL com filmes perfeitos

12.23.2008

Não me dês música

Vem a altura dos tops, o dos filmes está a caminho, mas só o poderei apresentar quando achar que vi todos os que devia e ainda não pude (Things we lost in the fire, Shine a light, Australia, Hunger entre tantos outros que me passaram ao lado), mas agora vêm as outras áreas que não o cinema e é aqui que se funda um problema de alguma incultura e desatenção. Desta forma não posso fazer um top, que seja, e manter a minha consciência limpa, assim e em suma, deixo uma série de músicas, pertencentes a vários álbuns deste ano, que comprei/ouvi e que gostei bastante e têm sido a minha companhia musical dos últimos tempos.
Once, a banda sonora de Once o filme, é, tal como o filme, uma obra de formosura encantatória e absoluta em todas as formas que é possível.
Vampire weekend, midnight juggernauts, cut copy e The Ting Tings, são exemplo glamorosos da pop masi desmiolada e despreocupada dos últimos tempos, uma delícia.
Deolinda é o fenómeno português do ano e quem sabe da década, um forma curiosa e popular de ver o fado, também ela despreocupada e muito irónica.
Bloc party e The Killers estão de regresso, party um pouco mais fraquinhos e The killers a recuperarem dos tanto fraco como incompreendido Sawdust
Portishead é ... Portishead, um som atmosférico e depressivo inigualável.

Pitt faz de Tati

O senhor Brad Pitt em parceria com o excelente Wes Anderson, faz este anúncio de uns míseros 30 segundos numa recriação divertida em forma de homenagem da personagem de Jacques Tati, o senhor Hulot, para ver e salivar.

O Natal Rejuvenesce

Depois de uma ausência acentuada que me custou bastante, na medida em que não foi um impossibilidade de escrever devida a qualquer problema técnico-informático, mas sim porque a causa de minha ausência era eu mesmo, e a incapacidade de conseguir achar relevante o que quer que fosse, ou em poucas palavras: ser molengão.

Agora que a moleza passou e a juventude me atacou de novo, provavelmente catalizado pelo poder rejuvenescedor do natal, viro-me para os filmes que vi nas últimas semanas, eles foram (e falo só dos que vi em sala): Ensaio sobre a cegueira, A fronteira do Amanhecer, Bolt, 4 noites com Anna e Filho de Rambow.

Cinco filmes, que ainda podem ver, se ainda não o fizeram, no entanto não posso dizer que aconselho todos, começando pelo princípio (que é um belo pleonasmo) devo dizer, que ao contrário do que a maioria das pessoas possa ter pensado (e espero não ser sovado por isto) achei o Ensaio sobre a Cegueira absolutamente genial e um dos melhores filmes deste ano (saltando já para o meu Top 10- mais tarde hei de dedicar um post só ao filme), depois devo dizer que detestei A fronteira do Amanhecer, filme presunçoso e pretensioso que se perde em coisa nenhuma e que se esconde num preto e branco (que verdade seja dita é o que melhor tem o filme) só para não mostrar o seu estado de pseudo-coisa-intelectual sem grande sentido, mal construído e redundante em toda a sua forma (sendo completamente sincero o filme não é assim tão mau, mas irritou-me solenemente ter pago um bilhete e o resultado não ser se quer um quinto do que eu esperava).


Bolt é uma delícia, mas o efeito 3-D só funciona nos primeiros 10 minutos, depois é como se fosse um filme qualquer em 2-D, em tudo o que de bom isso tem, e como dizia o senhor Mourinha é um regresso da Disney aos seus clássicos (é lamentável que a versão em 3-D só exista em Portugal na versão dobrada) e o senhor ratinho é a força cómica do filme. Já agora, é curioso reparar que os filmes cómicos se estão a virar cada vez mais para os meios de produção Hollywoodescos, basta lembrar o Tropic Thunder.


4 noites com Anna é avassalador, não sendo uma obra prima, é qualquer coisa que nos toca profundamente, uma das mais estranhas e atípicas histórias de amor em todo o seu sentido mais dramático, um realismo desolador e uma noção cinematográfica de um mestre como Skolimowski que se ausentou por 17 anos, que espanta pela genialidade.


Por fim o fenómeno, O filho de Rambow é provavelmente 'a' surpresa do ano, um filme que é muito mais do que se podia esperar da premissa (só de pensar que isto podia ter sido feito pelo americanos), um filme sobre a amizade infantil repleto de referências cinéfilas, brinca com os clichés do meio e mostra de forma muito curiosa e de certa forma metafórica as desvantagens das grandes produções quando opostas aos filmes mais indies e mais que tudo: O AMOR PELO CINEMA, dos filmes mais conscientes e mais divertidos do ano.

12.12.2008

Dilemas de quem tem pouco que fazer

Não se poderá dizer que eu faça pouco, nas coisas que faço, mas poder-se-ia dizer que o que faço, por vezes, é a custo, isto é: é necessário que a vontade e criatividade surjam e que se façam sentir; mas não é disso que quero falar, embora faça pouco (menos do que já fiz), não acredito ser mandrião, mas no entanto tenho estes dilemas vãos de quem nada mais tem para fazer.

O dilema desta vez, e como tantas outras, está relacionado com a arte que se posiciona na sétima posição, e nos itens seus relacionados, que estão ao nosso dispor nas lojas respectivas.

O dilema, passou-se numa loja da Fnac (belo estabelecimento, esse) , a do Vasco da Gama, da qual desconhecia a existência, e lá dentro, o meu corpo, por obras de estranha magia foi arrastando-se para a prateleira das pechinchas, na secção do DVD, lá chegado, deparou-se (o corpo e eu também) com várias obras de elevado valor para um cinéfilo a reduzido valor monetário e delas seleccionou uma panóplia mais reduzida, de onde teria de escolher, eventualmente, uma obra única e adequada à sua carteira, que havia sofrido uma facada do capitalismo agressivo do Natal.

Por muitas voltas e pensares, a escolha reduziu-se a duas obras singulares da produção americana de outros tempos, de dois conceituados realizadores, de épocas diferentes, mas que deixaram, ou deixam ainda, uma marca no panorama cinematográfico, eles são: Frank Capra e Martin Scorsese, respectivamente com Do céu caiu uma estrela e Cavaleiros do Asfalto, cada um pela quantia de 7.95€, não sei se módica ou não, mas um deles comprei.

























Tentem adivinhar.

Darei a resposta dentro em breve

Não olhe para mim assim, que não penso dar-lhe.

O chocolate, dediquei-lho, mas sou eu que o como. Para além disso podia fazer-lhe mal e isso ninguém quer.

Parabéns e espero por ver Angélica e Singularidades.

P.S.: Ver post anterior

12.09.2008

Dia 11 ou dia 25 (?)

Desde de muito pequeno que a minha mãezinha me comprava destes calendários de natal, recheados de chocolates (uma para cada dia), agora, alguns anos passaram, mas o hábito mantém-se. Já sem o ritual de antecipação do dia de Natal, este ano, por mais estranho que pareça, o quadradinho de chocolate que mais me interessa é o de dia 11, já o marquei e tudo.

Quando chegar o dia, o chocolate vou comer e dedica-lo a Oliveira é tarefa fundamental (é pena não poder dedicar-se mais coisas a este génio da cinematografra mundial, nem uma casa-múseu!)

12.08.2008

PORQUÊ ?

Porque será que este filme está constantemente a ser adiado (sabemos que até ao final do ano estreia)? A resposta oficial é, que estão a tentar que dali saia a melhor coisa que eles conseguirem fazer, se essa é a razão, então eu sou capaz de esperar mais umas semanas por um trailer e um meses pelo filme (em Portugal, espero eu).


P.S.: este atraso está a prejudicar seriamente a campanha para os oscars, na medida em que ainda ninguém o viu, no entanto quero acreditar que terá potencial para chegar a algumas nomeações (pelo menos) e quem sabe concorra para as melhores categorias. Já aqui tinha falado do The road

12.01.2008

As previsões aqui do estaminé

Com base nas nomeações dos Satelites recentemente divulgadas, aqui ficam as minhas previsões, que não se baseiam em nada mais no que as opiniões de outros, dos burburinhos e dos feelings que todos temos.

Os 'vencedores' Certos:

  • Milk
  • Revolutionary road
  • Doubt
  • Slumdog Millionaire







Os que estão assim-assim:

  • The curious case of Benjamin Button
  • Australia
  • The visitor
  • The Duchess
  • The Dark Knight
  • Hunger
  • The road





Os outros:

  • Brideshead Revisited
  • Nick and Norah's infinite playlist
  • Tropic Thunder
  • Vicky Crsitina Barcelona
  • Cadilac Records
  • Burn After reading



Os que estão bem:

  • Frost/ Nixon
  • The reader
  • Changelling
  • Gran Torino
  • The Wrestler



Aqueles que se vão aguentar pelos actores:

  • Frozen River
  • Happy-go-lucky
  • W.
  • Rachel Getting married
  • Elegy
  • I've loved so long
  • Wendy and Lucy

Os das categorias específicas:

  • Man on Wire
  • Wall.e
  • Watz with bashir
  • Bolt
  • Quantum of solace
  • Iron Man
  • Let the right one in
  • The Class