8.29.2009

Cinema Português em Marcha: 6/6 - Co-produções estrangeiras e Longshots

O Último Voo do Flamingo, é um livro de Mia Couto que agora recebe a sua conversão cinematográfica. João Ribeiro, realizador moçambicano dirige esta adaptação, depois de um curta (Tanzana) que já adaptava um conto do mesmo autor e de produzir A costa dos Murmurios. Um thriller sobre a morte misteriosa de combatentes da ONU que pretende reflectir o que foi (e é) Moçambique depois da guerra civil. Co-produção (com arçamento de 1 milhão) entre Moçambique (State One), Portugal (Fado filmes, ICA, RTP), Espanha (Potenza Films), França, Brasil (Videofilmes de Walter Salles) e Itália (Carlo d'Urzi Produzione). Iniciou as rodagens este ano em Março e espera-se que esteja pronto antes do final do ano. Adaptado pelo português Gonçalo Galvão Teles, esta é a segunda longametragem filmada em Moçambique por um moçambicano depois da independência. Para mais informações fica aqui o forum DVD Manias.

Cendres et Sang, é o primeiro filmes da actriz francesa Fanny Ardant (8 femmes), escrito por ela e por Paolo Sorrentino (escritor e realizador da comédia italiana Il Divo), foi um dos filmes seleccionados para Cannes fora de competição. Co-produzido por França (arte, Hirsh, DD Produtions), por Portugal (Alfama filmes do Paulo Branco) e Roménia (Libra Films). Trata da história de uma mulher, separada da sua familia desde que se exilou depois de assassinar o seu marido, que regressa a custo aos seus filhos a propósito do casamento de um deles, sendo que as rivalidade precistem. O sitio oficial contem dois clips, uma pequena galeria de imagens, um sinopse e uma entrevista com a realizadora.

No Meu lugar, primeira longa do crítico brasileiro Eduardo Valente, apresentada em Cannes, 7 anos depois de lá ter ganho o premio da Cinefundation com a sua primeira curta (podem ver aqui uma conversa com o realizador à altura e agora em 2009). Uma co-produção Brasil (Videofilmes e Petrobrás) e Portugal (Fado Filmes), com apoio do ICA. O filme conta a história de um polícia que durante uma situação de refens compreende que as suas acções terão profundas consequencias na sua vida e de mais 2 familias. Fica aqui o Trailer do filme que em Inglês tem o título Eye of the Strom.

Longshots:

Mistérios de Lisboa (filme e mini-serie) de Raul Ruiz
Operação Outono de Bruno de Almeida (The Lovebirds)
Em Segunda mão de Catarina Ruivo (André Valente)
O Estranho Caso de Angélica de Manoel de Oliveira
O Grande Kilapy de Fernando Vendrell
Margarida de Licínio Azevedo

Ver a lista de filmes opiados pelo ICA (1 e 2)

8.28.2009

Cinema Português em Marcha: 5/6

4# How to draw a Perfect Circle, o mais do que esperado regresso de Marco Martins, depois de Alice, o jovem realizador retorna à sala de cinema com um drama sobre a relação (também sexual) entre dois irmãos gémeos (Rafael Morais e Joana Verona - o primeiro fazia do irmão Manuel em Um Amor de Perdição e a segunda veio dos Morangos com Açúcar, tendo participado na Corte do Norte) e a forma como reagem ao desenvolvimento físico e intelectual de cada um. Com Gonçalo Waddington, Beatriz Batarda e Daniel Duval em papeis respectivamente de carteiro, mãe e pai. Podem ver o vídeo do cartaz das artes da Sic noticias, ou ainda ler os artigos sobre o filme do Jornal de Noticias, do Ípsilonflash e da reportagem do Ípsilon 1 e 2 e Diário de Noticias ou visitar o sitio da produtora Ukbar filmes.

3# Morrer como um homem, é a última obra de João Pedro Rodrigues, depois de O Fantasma e Odete, regressa com este filme sobre um travesti - Tonia- que luta pela mudança de sexo (para satisfazer o seu namorado). Esteve presente em Cannes, estará em Toronto e no New York Film Festival, abrirá o Queer Lisboa. Com Alexandre David e Gonçalo Ferreira de Almeida. O site da produtora Rosa Filmes nada adianta, mas enfim, fica aqui para quem quiser consultar.

2# Os Sorrisos do Destino é o regresso do grande Fernando Lopes, desta vez com uma comédia dramática sobre a história de um casal à beira da ruptura, em que o marido enganado descobre o amante da mulher e entre eles cria-se uma bela relação de amizade. O primeiro filme do realizador em Digital que tem como objectivo filmar a forma como as relações humanas são afectadas pelas novas tecnologias da comunicação (fica aqui um vídeo com cenas das filmagens e uma entrevista a Lopes sobre essa tal afectação pelo fotograma). Com Alexandra Lencastre, Rogério Samora, Ana Padrão e Rui Morison. O sitio da clap filmes tem alguma informação sobre o filme.

1# A Religiosa Portuguesa, primeiro filme em português de Eugéne Green (hà uns anos homenageado no Indie como heroi independente) é um senhor com uma ligação muito estreita a Portugal, propôs-se fazer uma adpatação aos dias de hoje de um dos clássicos da literatura, Cartas Portuguesas de Guilleragues, no entanto, uma nota do realizador no site da Som e Fúria, adverte que essa obra é só mais uma de muitas referências. Também nesse sitío podem ler uma sinopse do filme, ver 3 clip de video e consultar uma breve bibliografia do realizador. O filme passou dia 10 deste mês em Locarno com muito boa recepção. Com Leonor Baldaque, Ana Moreira, Beatriz Batarda e presença especial de Camané (clip 1) e Aldina Duarte. O filme conta a história de uma actriz que vem a portugal filmar uma adaptação do dito livro de Guilleragues (clip 3), no entanto fascina-se durante a sua estadia em lisboa por uma freira.

8.27.2009

Cinema Português em Marcha: 4/6

7# Águas Mil, foi o filme português que esteve quer na secção de competição nacional, quer internacional da última edição do indie, realizado por Ivo Ferreira que faz com este filme a sua segunda longa (depois de Em volta), retrata o pos-25 de abril de 74 abordando os acontecimentos que ficaram escondido pela euforia e alegria de uma revolução tão marcante para Portugal. O artigo do publico aborda o tema e explica que a trama trata de um jovem, na actualidade, que busca pelo pai desaparecido aquando da revolução. Com Gonçalo Waddington no principal papel. Fica aqui o site oficial com um pequeno trailer.

6# Duas mulheres é uma co-produção Luso-Brasileira com a Costa do Castelo filmes, realizado por João Mário Grilo, filme o qual pretende explorar a condição humana deste novo século: a predação, o canibalismo social. O filme será o primeiro de uma trilogia sobre a condição humana, realizada por Grilo. O filme conta a história de um bem sucedido banqueiro e a sua mulhuer que serve de acessório social em jantares e festas, a qual toma conta da sua insignificancia quando conhece um modelo, simbolo de tudo o que podia ter sido; daqui surge uma relação amorosa entre ad duas mulheres, até que o marido descobre. Podem ler uma sinopse no sitio da Castelo Lopes, ou a reportagem do DN, ou ainda ver o video que do expresso publicou sobre um dia de gravações. Com Beatriz batarda no principal papel, Joana Amorim, Virgilio Castelo, Nicolau Breyner e Sofia Grilo.

5# Olhos Vermelhos é o filme que marca o regresso de um dos nomes sonantes do novo cinema português (novo em 1963 quandro estreou Os Verdes Anos), Paulo Rocha. Este é um filme puzzle, como nos informa uma longa reportagem do ipsilon nas filmagens, que retrata aspectos da vida do realizador desde a sua infancia à actualidade. Uma co-produção Luso-brazileira com Isabel Ruth e Márcia Breia, filmado em Ovar, Arouca e Porto, que se prevê estar pronto no Outono. A história conta com um casal formado por uma portuguesa convertida ao islamismo e um iraquiano, uma professora que investe numa fábrica de calçado, e um conjunto de camponese de há dois séculos (que serão os antepassados de Rocha), sendo que as histórias de alguma forma vão desembocar na aldeia onde nasceu o paí do realizador (intrepertado por Chandra Malatitsch enquanto novo e o actor brasileiro Lima Duarte quando mais velho).

8.26.2009

Cinema Português em Marcha: 3/6

11# O Assalto ao Santa Maria. Francisco Manso é um homem que desperta controvérsia, realizador de filmes de época como A Ilha dos Escravos e o recentemente estreado O Último Condenado à Morte, teve pelos três filmes que realizou apoios do ICA, no entanto os seus filmes não tiveram sucesso nem em festivais, nem por parte da crítica, nem se quer por parte do público. Então porque razão se continua a apoiar o seu cinema? Deixemos a resposta em branco, mas devo dizer que este poderá ser uma agradável surpresa.
Quanto ao filme em si, retrata um episódio histórico marcante da mitologia recente portuguesa, ou seja, quando Henrique Galvão ocupou um dos mais prestigiados paquetes turísticos portugueses na Venezuela e daí deu a conhecer ao mundo a opressão do regime Salazarista e Franquista. Com Carlos Paulo como Galvão, Leonor Seixas, Pedro Cunha e Victor Norte. Fica aqui uma visita às filmagens em Viana do Castelo (no navio/museu Gil Eannes) pelo Fotograma e aqui outra semelhante.

10# Quinze Pontos na Alma é o primeiro filme do realizador Vicente Alves do Ó, que depois de conhecer pela reportagem do fotograma, me parece um senhor com um ego maior do que é habitual no cinema português e que provocará polémica (diz que já está farto de filmes sobre pobrezinhos), argumentista de Kiss me, Os Imortais e Assalto ao Santa Maria. O seu filme retratará a elite lisboeta (os ditos elegantes) e as suas vidas que não são ausentes de sofrimento. Um filme que se fortalece na fotografia cuidada, nos decors ricos e no guarda roupa 'glamourouso', com a participação de Rita Loureiro e João Reis nos principais papeis, Ivo Canelas, Dália Carmo, Ana Moreira e Rui Morrison em papeis mais secundários. Podem seguir os dias de rodagem (que acabaram em Março) no blog do realizador: Desejo e Destino. O sitio da produtora fica ukbarfilmes.com

9# A Bela e o Paparazzo é o título do novo filme de António Pedro Vasconcelos, depois de Call Girl com Soaria Chaves, a amizade permaneceu e a actriz regressa como protagonista do filme, também com Marco d'Almeida (Equador) e com as participações de Nuno Markl (aqui fica a opinião do comediante no seu blog e aqui algumas das primeiras imagens) e Pedro Laginha. Segundo o realizador, que desde o primeiro dia de filmagens vem escrevendo sobre o filme semanalmente no jornal SOL, este é uma comédia romântica com o seu quê de Praça da Alegria, mas com coreografias em passadeiras, cachorrinhos queridos, anões e cozinheiros de sushi. Para uma melhor compreensão da trama, este excerto do Só Visto da rtp e ainda um outro vídeo da rodagem do Fotograma e ainda um extensa reportagem do ípsilon.

8# América, mas porque razão chamar América a um filme sobre Portugal? Pois bem: Portugal é a América dos pobres, o El dorado que acaba por ser um embuste, um sítio onde ficam presos aqueles que buscavam liberdade. Realizado pelo estreante João Nuno Pinto (publicidade), este é um projecto que já conta com 6 anos, adaptação de um guião de Luisa Gomes Costa, que conta uma história dramática e irónica sobre um Portugal de imigrantes. Com os portugueses Fernando Luis, Raul Solnado e Dinarte Branco, a russa Chulpan Khamatova, a espanhola María Barranco e o brasileiro Cassiano Carneiro, a banda sonora está entregue aos Dead Combo e a Fotografia a Carlos Lopes (Alice). Filmado na Cova do Vapor, este é uma co-produção (com orçamento de 1.4 milhoes) protuguesa (Filmes Fundo, Garage filmes e Ukbar filmes), espanhola (Morena Films, produtora de Che), brasileira (Dezanove) e russa (Urubus e 2Plan2), apoiada pelo ICA, pela RTP, pelo programa Ibermedia, pela ANCINE, pelo ICAA (espanha). Podem visitar a rodagem (que se iniciou o ano passado em Novembro) com este vídeo do Fotogrma

8.25.2009

Cinema Português em Marcha: 2/6

15# A esperança está onde menos se espera é um filme de Joaquim Leitão sobre o qual li o ano passado por volta do natal, a semana passada, quando fui ver o filme do senhor Mann, deparei-me com um enorme cartaz (enorme não só para um filme português) publicitando a estreia já em Setembro. O sitio oficial é muito completo, só que o trailer é quase impossível de ver, por isso fica aqui o trailer do youtube. O trailer tem o narrador mais horrível da história do cinema português e tudo indica que isto seja um produção muito televisiva. Com Virgilio Castelo e Ana Padrão e uma trupe de jovens actores Carlos Nunes, Alcida Vaz e José Carlos Cardoso.

14# Quero ser uma estrela é uma produção da Marginal filmes e da TVI o que logo dá a entender um pouco do que poderá ser o filme. Realizado por José Carlos de Oliveira, trata das redes de escravatura sexual que são um problema crescente; filmado em Moçambique e África do Sul durante o mês de Julho e Agosto deste ano, prevê-se uma estreia para Dezembro. Com Dália Carmo no papel principal e vários actores Moçambicanos. Fica um vídeo de um programa da televisão moçambicana Fike com entrevistas durante o primeiro dia de rodagem.

13# Backlight, Fernando Fragata (realizador do Sorte Nula) volta com um filme mainstream, em inglês, com actores estrangeiros e com um género que atrai muita gente, um filme de acção apocalíptico, em que toda a humanidade corre o risco de se extinguir. Com Joaquim de Almeida, uma menina da televisão americana Skyler Day, outro menino do mesmo sítio, Scott Bailey. O trailer pode ser visto no sapo e o site oficial também mostra o trailer (o outro é mais rápido) e o poster.

12# Uma Aventura na Casa Assombrada, adaptação cinematográfica da série de literatura infanto-juvenil de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada que teve direito a umas séries televisivas e agora salta para o grande ecrã pelas mãos do realizador português, possivelmente de maior sucesso comercial, Carlos Coelho da Silva (Crime do Padre Amaro, Amália e alguns episódios da dita série). A história é relativamente fiel ao livro, tem que ver com um diamante inca com poderes mágicos que se esconde numa casa assombrada. Os protagonistas são formados nos Morangos com Açucar, mas são acompanhados de alguns nomes mais sonantes como Ricardo carriço, Ana Padrão, Sofia Grillo e Sandra Barata Melo. Fica aqui o storyboard das cenas incas, o sitio da Valentim de Carvalho Filmes (que se mostra na senda de produzir sucessos comerciais), ainda uma notícia do cinema-sapo e uma reportagem da sic (canal que apoia financeiramente o filme) sobre a rodagem do filme.

8.24.2009

Cinema Português em Marcha: 1/6 - Introdução

Neste Bloco de 6 capítulos, serão apresentados um total de 15 filmes (longos) portugueses de realizadores nacionais a estrear ainda este ano ou no princípio do próximo, ordenados por ordem crescente de interesse (meu claro, o que torna subjectiva), sendo que espero não ter deixado nenhum título de fora. Apresentarei ainda 3 co-produções estrangeiras com o apoio português e ainda citarei 7 projectos que iniciarão a sua produção dentro em breve e que se espera estarem prontos para o ano, ou ainda para o outro.
Quanto às curtas metragens, publiquei recentemente um artigo sobre as curtas nacionais que se esperam que estreiem em sala este ano, fica só o acrescento: Arena de João Salaviza estreia dia 17 de Setembro, acompanhando a longa Taking Woodstock de Ang Lee (também apresentada em Cannes).
No Blog O Homem que sabia Demasiado, Victor Afonso escreveu sobre o facto de 2.6 milhões de euros terem sido distribuídos por quatro filmes (O Curioso Caso de Angélica de Oliveira, Operação Outono de Bruno de Almeida, Em Segunda Mão de Catarina Ruivo e Mistérios de Lisboa de Raul Ruiz), sobre o qual se iniciou uma pequena discussão sobre o cinema português e os apoios estatais, ao qual acrescentei o meu comentário que deixo a seguir:

Pois bem: quando se diz que o cinema português é mau, está-se a mostrar alguma ignorância, aceitável pela fraca e desconsiderada distribuição em sala dos filmes nacionais (lembremos o primeiro filme longo de Sandro Agilar -A Zona- que esteve só uma semana numa só sala em todo o país e por isso não chegou a ter mais de 500 espectadores).
Por outro lado, basta ver o último filme de Oliveira (Singularidades de uma Rapariga Loira) e perceber porque é que ele é o maior cineasta português, cheio de inovação e destreza narrativa, sem ceder ao facilitismo do populismo comercial (Lembro-me de Corrupção), mantendo o seu estilo e portanto dando alma ao filme (coisa que Michael Bay não deve saber se quer o que é, no entanto gasta 200 milhões nos seu último filme e ,pelos resultados das bilheteiras, o público parece adorar - com um orçamento daqueles, Portugal tinha dinheiro de sobra para apoiar o cinema nacional durante mais de uma década).
Tenho ainda que acrescentar que é também um mito a ideia de que novos cineastas não têm dinheiro: Vicente Alves do Ó acabou de filmar a sua primeira longa (Quinze pontos na Alma), obra com um orçamento de 900 mil euros, assim como João Nuno Pinto filmou a sua primeira longa (América) com um orçamento de 1.4 milhões, ou ainda Ivo M. Ferreira que filmou recentemente a sua primeira Longa (Águas Mil) ou ainda Marco Martins que vai na sua segunda longa (depois de Alice vem How to draw a perfect circle).
Acredito que haja espaço para todos, novos cineastas, grandes nomes (como Oliveira, Fernando Lopes, Vasconcelos, Paulo Rocha, João Mário Grilo, Botelho) e ainda para o cinema comercial (Contraluz de Fernando Fragata ou Uma Aventura na casa Assombrada de Carlos Coelho da Silva são filmes que chegarão dentre em breve às salas portuguesas).
Não me alongando mais devo acrescentar que de facto a atribuição de subsídios pelo ICA é irregular (vejam-se os filmes de Francisco Manso - A ilhas dos escravos e O Último condenado à morte- obras sem sucesso de público, nem crítico, nem em festivais, e no entanto tem apoios para um terceiro filme). Há que lembrar a criação do FICA administrado por uma instituição privada (lobbies ficam em casa) em colaboração com os canais televisivos de sinal aberto ou ainda as novas produtoras como Filmes Fundo ou Ukbar filmes que se têm vindo a destacar-se pela qualidade e ainda a existência de fundos internacionais como o Ibermédia para os países de língua portuguesa e espanhola.

Peço desculpa pela extensão do comentário, mas há coisas que me incomodam e dizerem mal do cinema português é uma delas.

8.22.2009

Posters do Ano - X

I Love You Philip Morris


Brilhante!!!

8.21.2009

Semelhanças - XXXV

Filme de terror com uma bela banhoca - Teeth de Mitchell Lichenstein
A imagem pertence ao poster

Filme de Terror com uma bela banhoca - The Uninvited dos Irmãos Guard
A imagem pertence ao trailer

8.20.2009

Brüno: 4/4


O Labor Kamikaze
Cohen é força deste filme, sem ele nada existiria e se existisse não teria metade da piada, mas para além da sua naturalidade humorística e tendência para criar as situações o mais embaraçosas e confrangedoras, Cohen conseguiu instituir na cinematografia moderna um noção 'nova' (com aspas porque na verdade já se havia feito parecido, mas nunca com a globalidade e actualidade deste) de 'cinema' (com aspas porque Brüno não é propriamente cinema, apesar de ser projectado), ou seja, democratizou a labor kamikaze do humorista como forma corrente, assim como explorou uma mina riquíssima de potencial cómico: o transeunte. Se os contemporaneos entrevistavam pessoas na rua e isso tinha piada, é porque Cohen explorou o filão com Borat. Com Brüno a coisa é diferente, pois a personalidade aparvalhada do reporter do filme anterior foi substituida por uma misantropia que se pauta pela noção de superioridade ('olhem como eu gozo com esta gente ignorante'), o que não fica tão bem.

8.19.2009

Brüno: 3/4


O Agente Didáctico

Brüno não é um filme a favor, nem contra a homossexualidade, melhor dizendo, Brüno não é sequer um filme sobre a homossexualidade; é sim um filme sobre o american way (que se propagou por todo o mundo ocidental), é sim sobre a forma como cada individuo lida com a sua sexualidade (e dos outros), é sim um filme sobre a vulgarização televisiva das mentalidades.
Começando por uma ponta, crítica-se a forma americana de viver pela estupidificação das estrelas (também e principalmente do cinema) com o caso do sketch bebé OJ, ou a visão castrada da realidade das igrejas que pretendem 'curar' a homossexualidade, ou ainda a futilidade do mundo da moda. Seguindo, o filme mostra por a+b que a noção (protelada pelas novelas de adolescentes e efabulada pela pornografia) de que a sexualidade é um assunto tão simples, óbvio e descomplicado é falsa, mostrando-nos que, de facto este é um tema que ainda nos põe em desconforto. Por fim este filme joga com a formatação de mentalidades do qual a televisão é também responsável, demonstrado pela situação final do 'combate' de Wrestling, em que a intolerância infantil se demonstrou pela violência física dos participantes surpreendidos, formatação ideológica machista e preconceituosa.

8.18.2009

Brüno: 2/4


A Dicotomia Realidade/Ficção
Bruno, mais ainda que Borat, é um objecto estranho, híbrido entre o cinema e a televisão (ou melhor, televisão em cinema) que vive à base de uma noção (muito televisiva) do humor gráfico e imediato facilmente transmissível pelos apanhados (na televisão é mais uma necessidade que uma opção, pois há que prender o espectador, mas na sala de cinema, quem paga o bilhete normalmente fica até ao fim), o que aparece como um sintoma da infantilização dos públicos alvo (adolescentes MTvisados que veêm no cinema um forma mais dispendiosa e espalhafatosa de televisão). No entanto há uma noção concreta sobre a essência do apanhado, ou seja, tem muito mais graça ‘apanhar’ o espectador do que este ver alguém ser ‘apanhado’. Com este intuito, a fronteira que separa a realidade da ficção no pseudo-documentário que é Brüno é o que introduz no espectador a dúvida entre querer acreditar que algo tão repugnante foi criado ou é de facto uma realidade: basta lembrar a sequência em que pais admitem fazer cirurgia de emagrecimento aos seus filhos (bebés) para que estes possam aparecer numa campanha publicitária. Será que acredito que isto é verdade ou terá sido tudo uma actuação encenada por Cohen/Charles? Da dúvida surge uma forma muito retorcida de … humor.

8.17.2009

Brüno: 1/4


O Agente Provocador
Sasha Baron Cohen/ Larry Charles (Borat, Brüno) são os descendentes/ dissidentes directos do estilo de Michael Moore, ou seja: o agente provocador (andar na rua a perseguir congressistas de microfone na mão), no entanto, Moore pretende fazer documentários, pretende dar a verdade ao público, pretende usar a palavra como arma política. Cohen/Charles não querem nada disso. Têm poucos objectivos sociais; para eles o que interessa é parodiar estereótipos e preconceitos, servindo-se de personagens (televisivas) sendo que através delas podem afectar o comum cidadão incauto e espremer-lhe as ideias (pre)formadas sobre determinados assuntos, mostrando (aos outros e a ele mesmo) quão erradas essas ideias são. Claro que toda esta noção pedagógica (quase Aristotélica) de dar a luz aos que se encontram nas trevas da clarividência é sem dúvida um resultado a longo prazo e nada óbvio.

8.16.2009

Como na Vida.


Quando procurava nos confins da Internet por informações sobre Two Lovers, descobri uma crítica de um senhor americano que dizia que era uma pena que este filme (e os outros de Gray) ficasse tão pouco na memória dos seus espectadores. A verdade é que este senhor não mentiu. Os filmes de James Gray evaporam-se rapidamente da memória (ou então sou eu que já estou a ficar velho), não que isso seja prejudicial em qualquer forma, sendo que é explicável por uma consciência fílmica característica deste realizador, ou seja, a crença que: mais do que a memória imagética, deve permanecer no espectador uma recordação emocional - melhor: Humana.
O que se perde em estilismos barrocos (como os de um outro novo realizador americano: Wes Anderson, que muito me agrada) ganha-se em profundidade emocional.

No Blog Os Novos Pornógrafos, citava-se Eastwood - outro (neo-)classissita - que dizia: Como espectador não gosto que se exiba a realização. James Gray segue esta premissa ao longo da sua obra cinematográfica, filma para que ninguém admire, preza verdadeiramente a história e a trama, nunca se sobrepondo com esbanjamentos criativos ou demonstrações excessivas de vigor estético.

Eu digo que: Two Lovers é o melhor de Gray. Pirmeiro, é aquele em que mais liberdade teve. Segundo, é aquele que não se esconde por de baixo do filme de género (Gangsters, Mafiosos, Policial, em suma Thrillers). Terceiro, é aquele que mais me agrada - encanto-me mais facilmente com história de amor impossível, que com intrigas familiares.

Tal qual como Eastwood (a comparação não é assim tão forçada), há uma profunda sapiência na forma de filmar de Gray, uma paz interior imensa (como escreveu Luís Mendonça do Cinedrio: è um filme dócil). Gray distingue-se pela precocidade, um realizador que até agora só fez quatro longas-metragens tem já um conhecimento do mundo, das relações humanas e da sua complexidade que costuma ser característica de mestres de idade avançada (lembro-me de Resnais, Lumet ou Rohmer), conhecimento originário numa cinefilia profunda e adulta, em que não só se compreende o cinema através da realidade, como se interpreta a dita realidade através do cinema.

Esqueçamos a simplicidade telenovelesca do Amor, ou a noção de destino (It was written) de filmes como Slumdog Millionaire. Two Lovers é eminentemente complexo, compreende que as emoções não são objectos polidos e lineares, mas sim materiais por explorar que se moldam às necessidades do criador, cheios de caracteristicas únicas e indespensáveis à sua verdadeira compreensão. Esqueçamos a vulgaridade dos locais comuns; cada momento de Two Lovers é cheio de uma vida; cada quarto, pátio, sala, café, está impregnado de formas, objectos únicos, privados: espelhos físicos e visíveis da alma das personagens que os habitam.

Há ainda a infantilidade pueril (mesmo imberbe) em Leonard, um amor espelhado entre o desejo (Gwyneth) e a paixão (Vinessa Shaw), uma aplicação anti-cliché da teoria das cores (quentes para cenas mais leves e frias para outras mais emocionais), e tanto mais que não me lembro: porque de um filme de James Gray as sensações ficam e as imagens vão, como na vida.

8.13.2009

Male Bonding

Há qualquer coisa naquilo que me encanta profundamente, não é só o entretenimento de uns bons 45 minutos, como é o House ou o CSI ou grande parte da produção televisiva americana. Há ali, naquela forma constantemente irrequieta e grande parte das vezes burlesca (leia-se brejeira) uma verdadeira noção de serviço público. Primeiro porque Boston Legal é a versão televisiva dos filmes de advogado da onda liberal dos anos setenta do cinema americano, sendo que a cada episódio, se batalha por princípios éticos, por ideais, que deveriam ser basilares numa sociedade moderna crescentemente ‘desprincipiada’ (desculpem o neologismo), princípios os quais têm direito a umas alegações finais que são, sem excepção, de estarrecer. Segundo, porque mantendo o seu liberalismo (embora tenha como personagem principal, um tal de Crane (Shatner é grande) que é o mais conservador dos republicanos com todos os defeitos destes [e diga-se também as virtudes]) é profundamente crente numa noção humana muito mais vasta que a concepção normalizada (que a televisão também e 'tão bem' propaga); ou seja, desenvolve-se ao longo de 5 séries a mais terna, complexa e verdadeira relação entre dois homens (sem ceder directamente à homossexualidade): male bounding é o que lhe chamam, eu simplesmente tenho a acrescentar que o machismo dominante de muitas séries (sendo que nesta é simplesmente um acessório qual comic relief) é redutor da complexidade humana e prejudica profundamente a noção de amizade que se vem institucionalizando na nossa consciência social.

Tudo isto, porque num episódio, Crane propôs a Alan (James Spader é grande) que se casassem como forma de legitimarem a sua amizade. Metáfora perfeita.

8.11.2009

Preparando Veneza


Este ano, como sempre, Veneza tem uma grande colecção de filmes, desde grandes realizadores, passando pelo cinema mais comercial e dando espaço às primeiras obras de jovens artistas ou de criadores de outras áreas que não o cinema.
De 2 a 12 de Setembro muitos filmes passarão por Veneza, sendo que este ano o presidente do júri é Ang Lee (na imagem), vencedor do Leão de Ouro por duas vezes com Brokeback Mountain e Lust, Caution.
Como sempre, este é um espaço, onde algumas obras americanas tentam o salto para os Oscars (o qual engrandece se o filme também passar por Toronto), este ano temos a adaptação cinematográfica de The Road (do senhor Comarc MacCarthy - No country for old men), assim como o filme de Michael Moore (Capitalism: The love Story) ou ainda o novo de Herzog, remake do The Bad Lieutenant de Abel Ferrara, que também está em Veneza com Napoli Napoli Napoli (fora de competição).
Ainda dos Estados Unidos temos fora de competição Up (como é sabido este ano, em vez de se homenagear um realizador, a Pixar é a homenageada, daí que haja uma retrospectiva e se exibam as versões em três dimensões dos dois filmes Toy Story). A ajudar à festa temos ainda Brooklyn's Finest do realizador de Training Day (Antoine Fuqua) com Richard Gere, Don Cheadle, Ethan Hawke e Wesley Snipes. The Hole de Joe Dante (realizador de Gremilns e Piranha) estará também presente concorrendo a um prémio especial para filmes com mais uma dimensão. A minha atenção vira-se no entanto para um filme de Grant Heslov que faz a sua segunda longa, no entanto tem já a experiência de ter produzido vários filmes com George Clooney, nomeadamente aqueles que ele realizou (Good Night and Good Luck e Letherheads). O filme conta com a participação de Clooney como protagonistas assim como de Kevin Spacey, Jeff Bridges e Ewan McGregor; uma comédia sobre um militar com poderes para-normais, chama-se The Men Who Stare at Goats.
Continuando no 'país da Liberdade' temos o novo de Romero Survival of the dead ou o novo de Todd Solondz (Life During Wartime).
Por outro lado Veneza acolhe sempre muito bem os filmes italianos (que mais seria de esperar), este ano está carregadinha com: o novo de Tornatore (Baarìa, filme de abertura), La doppia Ora do estreante Capotondi, Lo spazio Bianco de Francesca Comencini e Il Grand Sogno do actor tornado realizador Michele Placido (o actor que fazia de Berlusconi no Il Caimano do Moretti).
O cinema francês aparece com Persécution de Patrice Chéreau (La reine Margot, Intimacy e Son Frère), o novo de Claire Denis (Chocolat e Beau Travail) Withe Material com a belíssima Isabelle Huppert e com o enigmático Bankolé; ainda Mr. Nobody, filme de Jaco Van Dormael (Totó le herós) com Diane Kruger e Jared Leto.
Temos ainda Rivette com 36 Vues du pic Saint Loup ou fenómeno Faith Akin (o senhor de O outro lado) com o filme Soul Kitchen, ou mesmo o novo Tetsuo, desta vez com o subtítulo The Bullet Man do senhor Tsukamoto.
Alguma atenção para um filme em competição, alien absoluto, chama-se A Sigle Man e é realizado por Tom Ford, o designer de moda da Gucci. O senhor decidiu escrever o argumento (adaptado do romance de 1964 de Christopher Isherwood autor de literatura gay e o romancista dos contos de Cabaret que deram origem o filme de Bob Fosse), realizar e produzir o seu primeiro filme que conta com Colin Firth, Mathew Goode e Julianne Moore como protagonistas.
Depois há uma trupe de filmes que estão fora dos meus conhecimentos (e alguns mesmo fora dos conhecimentos do IMDB), entre eles Accident de Pou-Soi Cheang e também da china Prince of Tears de Yonfan, Between two Worlds do Sri Lanka, The Traveller do Egipto, Lebanon de Israel, da Alemanha vem Women without men e da Áustria Lourdes.

P.S.:Rec 2 a sequela do filme de zombie de Jaume Balaguéro e Paco Plaza estará também presente, assim como Chengdu, I Love you (filme de encerramento), do realizador Fruit Chan, segundo o Twitch este é o primeiro filme de ficção científica que se produz na china desde a revolução comunista.

8.10.2009

Semelhanças - XXXIV

Quando uma galeria de espelhos nos mostra a vida -Obsluhoval jsem anglického krále (I Served the King of England) de Jirí Menzel

Quando uma galeria de espelhos nos mostra a vida - Les plages d'Agnés de Agnés Varda

8.08.2009

O Ano da Morte dos Heróis

Deve ser da minha vista, mas este ano tem sido muito prolífico (mais do que é normal) na criação de filmes sobre a decadência dos ícones (melhor dizendo, não terá sido este ano, mas sim o ano anterior, só que, só este ano se estreiam os filmes em causa na nossa praia lusitana), marcados por umas poucas (mais ou menos) excelentes obras: The Wrestler, Che, Watchmen, Gran Torino.
Quando encaramos a destruição pessoal e familiar em The Wrestler a par de uma força esperançosa profundamente inspiradora, ou por outro lado a forma brilhante como Eastwood constrói a partir da sua persona violenta (Dirty Harry) um homem dorido pela vida com a possibilidade social de resiliência (em Gran Torino), ou por outro lado temos ainda a distópica história de Alan Moore adaptada ao cinema por um Zack Snyder que vê todo o mundo em câmara lenta, e por fim temos ainda a construção do mito e símbolo icónico da cultura popular - Che Guevara - e a perfeita desconstrução do mito na segunda parte do épico de Soderberg (há aquela cena em que Del Toro olha, num barco, para Fidel fumando o seu charuto, como se já nada daquilo fosse dele, como se a glória não lhe ficasse bem).

Ponto comum a todos estes filmes: o envelhecimento

Pessoalmente devo admitir que se de alguma coisa tenho verdadeiramente medo é de envelhecer, neste filmes este é um denominador comum (Walt é um veterano da Coreia, Randy é um lutador fora do seu tempo em desgraça tentando ser 'normal', os guardiões são perseguidos pelos políticos como bode expiatória da sociedade, e Che simplesmente é infrutífero em todas as suas tentativas na Bolívia) isto indica duas noção sobre a sociedade de hoje em dia: por uma lado temos a noção de que as figuras míticas são de carne e osso (afastando o seu 'endeusamento') que vivem como nós; mas por outro lado, mostra a consciência de um estrutura social exponencialmente mais envelhecida, em que temas como a aceitação da condição temporal, a noção de esperança em idade avançada ou a compreensão da necessidade de 'fazer as pazes com o mundo', são cada vez mais frequentes e até certo ponto mais populares no cinema de massas.

P.S.: Curioso é que surja também este ano um filme repleto de novos actores, Star Trek, que encara o cinema na sua vertente mais lúdica, mais desmiolada e , portanto, mais imberbe (ou contrário da corrente).

8.05.2009

Um Ano de Cinema(s) - de 01/08/08 a 31/07/09

No ano passado, pelo mês de Agosto decidi apontar os filmes que havia visto e publicar essa lista aqui no blog. Desde então que o hábito se tornou mais do que esporádico, vindo portanto apontando os filmes que vejo há quase um ano. Não sei até que ponto isto possa ser interessante para os que por aqui passam.
A lista de cerca de 190 títulos que povo(ar)am a minha imaginação durante os últimos doze meses fica de seguida, com a respectiva classificação:

Agosto
Tsotsi (5.5)
The Apartment (10)
The Others (7.5)
Lost in Translation (9)
American History X (6)
Mary (10)
Blackmail (7)
Minority Report (10)
La Messa é Finita (6.5)
Casino Royal (7)
HellBoy II (6.5)
Le Grain et le Mulet (8.5)
House of the flying Daggers (8)
Wall.E (9.5)
Happy Together (10)
Crash (Cronenberg) (10)
Do the right Thing (10)
Beetlejuice (7.5)
Get Smart (6)
In Valley of Elah (8)
Sygis Ball (8)

Setembro
Aquele Querido mês de Agosto (10)
Punch Drunk Love (9.5)
Away from her (9)
La soledad (9.5)
Margot at the Wedding (7.5)
Inside Man (9)
Goldfinger (6)
Capote (7.5)
Gomorra (7)
Before the devil knows you're dead (10)
Die Hard 2 (5.5)
Bring Up Baby (10)
Tootsie (6.5)
Serpico (7.5)
Anatomy of a Murder (8.5)
Treasure of Sierra Madre (10)
Young Mrs Lincon (9.5)

Outubro
Chinatown (8)
Some like it Hot (9.5)
Tropic Thunder (8)
I'm not there (9.5)
Blood Diamond (8)
Eternal sunshine of the spotless mind (8.5)
3:10 to Yuma (7.5)
Walk the line (8)
On the waterfront (10)
Ali (9)
Monster (7.5)

Novembro
Burn after reading (9.5)
Quantum of Solace (6)
W. (7)
Entre les murs (7)
Syriana (7.5)
The death of a president (7)
Alice (9.5)
Breakfast at tifany's (10)
Shawn of the dead (6)
We own the night (8.5)

Dezembro
Contos de Verão (10)
Joana d'arc (Luc Besson) (6)
Lust, caution (9)
Cristovão Colombo - O Enigma (6.5)
Coisa Ruim (7)
Golden eye (5.5)
Blindness (9.5)
Frontiere de l'oube (4.5)
Bolt (5.5)
4 noites com anna (8)
Son of rambow (7)
25th hour (9.5)
Hunger (9.5)
Y tu madre también (7.5)
Abre los ojos (8.5)
Australia (9)

Janeiro
3 macacos (7.5)
Dead Man (10)
West Side Story (8)
Mãe e filho (7.5)
K-19 (8)
The break-up (4.5)
Cashback (5.5)
Seven Pounds (5.5)
La cience des rêves (7)
21 gramas (10)
Waltz with bashir (9.5)
The curious case of Benjamin Button (9)
Taking lives (5)
Taste of cherry (9.5)
Revolutionary road (9.5)
Vale Abraão (10)

Fevereiro
Changeling (7.5)
Vicky cristina Barcelona (8)
American Graffity (10)
Requiem of a dream (10)
Little marcian (4.5)
A vida privada de Salazar (tele-filme) (5.5)
Good Will Hunting (7.5)
Verda Drake (9)
Rachel Getting Married (10)
Happy-go-lucky (8.5)
I am Sam (6.5)
Milk (9)
Doubt (8)
The reader (7)
Wallace and Gromit (5)
The visitor (8.5)
Lether Heads (6)
Gosford Park (10)
Jarhead (7)

Março
In Bruges (7.5)
A noiva estava de luto (9)
Paths of Glory (10)
Il buono, il brutto, il cattivo (10)
The wrestler (10)
Man on wire (6.5)
Watchmen (6.5)
Imitation of life (10)
La cienaga (7.5)
Imitation of Life (34) (6)
Tráfico (Botelho) (8.5)
O lugar do Morto (8)
L'heure d'été (8.5)
El cant des occells (8.5)

Abril
Duplicity (5.5)
Slumdog Millionaire (4.5)
Che part 1 (7)
Che part 2 (9.5)
Papillon (7.5)
Sunset Blv. (10)
Lost Highway (8.5)
Mulholand Drive (9.5)
Les Chanson d'amour (10)
Gran Torino (10)
O dia dos desespero (7.5)
Os Mutatntes (10)
Pi (6.5)
La femme de l'aviateur (7.5)
Drugstore cowboy (7)
La niña santa (9.5)
The Elephant Man (9)
Conte d'outoumme (9)
Francisca (5.5)

Maio
This is England (5)
Dernier Maquis (6.5)
Ricky (9.5)
Singularidades de uma rapariga loira (10)
La mujer sin cabeza (10)
Ashes of time Redux (7)
Um Amor de Perdição (8)
Encounters at the end of the world (10)
Strangers on a train (9.5)
THX 1138 (9.5)
Volver (8)
O conto dos crisântemo tardios (10)

Junho
Red Belt (7.5)
The color of money (9.5)
Star Trek (5)
Dogma (4.5)
Milagre segundo Salomé (7)
Breaking the waves (10)
Orpheu Negro (6)
The fly (9)
The man who knew too much (10)
Pranzo di ferragosto (6.5)
Chacun son Cinema (7.5)
Let the right one in (9)
Casa de Lava (7.5)
Splendor in the Grass (9)

Julho
The nutty professor (lewys) (7)
New York, New York (9)
Control (10)
Children of men (9.5)
Shootgun Stories (7.5)
Home (Meier) (9.5)
Incendiary (7)
Tesis (8)
Brüno (7.5)
Lawrence of Arabia (10)
City of Ember (6.5)
The Great Escape (8)
Pursued (9)
The African Queen (9.5)
Daguerreotypes (10)
The Lusty Men (9.5)
Five Minutes of Heaven (8.5)
To Have and to have not (10)
Transsiberian (7.5)
Les Plages d'Agnés (9.5)
Home from the Hill (10)