7.31.2010

Cinema Português em Marcha - 19/23

3# Guerra Civil, é a primeira longa de Pedro Caldas e o único dos 22 filmes que já vi (no Indie, numa sessão com a presença do realizador), assim sendo, para este já não tenho expectativas, no entanto, por ter gostado tanto filme, só vejo que haja mais dois filmes com potencialidades de superar a magnífica experiência que é assistir à projecção deste filme.
Caldas é um realizador que conhecemos de curtas como Pedido de Emprego ou Um Roupão Vermelho Sangue, mas antes de se dedicar à realização, foi técnico de som em filmes como O Sangue de Pedro Costa e Corte de Cabelo do Sapinho.
Pois bem, a história resume-se assim: um rapaz na sua adolescência (no início dos anos 80 com a guerra do Líbano a passar na televisão), passa as férias numa casa de praia com a mãe (e um pai ausente), uns vizinhos e amigos vivem perto e têm uma filha pela qual o rapaz desenvolve uma atracção maioritariamente sexual, essa rapariga será a última hipótese de resgatar o rapaz de uma existência apática.
O que é maravilhoso neste filme é a forma como se desenvolve uma família desconchavada, com uma mulher sedenta da felicidade (sexual), um marido ausente, apesar de bem intencionado e um filho que vive da forma das coisas, que vagueia pelo mato e ouve Joy Division, entre outros; mas o mais extraordinário é como Caldas cria por um lado uma depressão asfixiante em pleno Verão, por outro o realismo que dá ao movimentos, ao gestos, às interacções familiares (há um plano de um revista a ser sacudida da areia da praia que não me sai da memória, ou o beber do leite pela garrafa, ou um jantar silencioso; contemplativo é se calhar a melhor palavra, mas nunca realista no sentido estrito).
Podem ler a crítica da Visão, do Rascunho, um artigo do ípsilon, a sinopse do indie (onde ganhou o prémio para melhor longa nacional) e algumas imagens do filme passadas no Câmara Clara, aconselho ainda a visita ao sítio da Black Maria, a produtora do filme e relembro que o filme esteve presente em Cannes no Marché du Film.

7.30.2010

Cinema Português em Marcha - 18/23

4# O Estranho Caso de Angélica é de todos os 22 filmes aquele que menos apresentações precisa: último filme do mestre Oliveira, presente em Cannes abrindo a secção Un Certain Regard, este é um projecto de há quase 60 anos, escrito em 1952, depois de Aniki-Bobó e antes de O Pintor e a Cidade, este foi a primeira vez que Oliveira pediu ajuda ao SNI (o organismo de propaganda do Estado Novo), de lá nada veio nem dinheiro nem reposta ("Uma história como esta não tinha nada que agradasse ao regime. Não lhe servia, nem do ponto de vista político, nem como distracção para o povo (...). Angélica passava certamente por um projecto niilista. O argumento deve ter-lhes parecido a denúncia velada de um governo totalitário que cortava as asas à liberdade"); passados estes anos todos o ICA, o Ministério da Cultura e a RTP financiam o projecto com 700 mil euros, sendo que o orçamento total está nos 2 milhões (produzido entre Portugal, Espanha e França pelas produtoras Les Films de l'Après-Midi, Eddie Saeta S.A., Filmes do Tejo, Lusomundo).
O argumento é baseado num episódio vivido por Oliveira quando numa viagem de fim-de-semana foi chamado a meio da noite para ir a casa de uma prima que estava a morrer, pediram-lhe que com a sua câmara fotográfica Leica fotografasse a jovem (no entanto, como nos explica Oliveira nesta entrevista, a foto ficou ligeiramente desfocada dando a sensação que a alma da rapariga se libertava do seu corpo). Deste episódio surge um jovem fotografo judeu (Ricardo Trêpa) fotografa uma jovem morta chamada angélica (Pilar López de Ayala, que podem ver nesta conferencia de imprensa em Cannes juntamente com Oliveira ), só que no momento da fotografia, através da objectiva Angélica parece ganhar vida sorrindo para a máquina, depois desse episódio o espírito da morta atormenta o jovem. O filme é tido como actual com carros modernos, mas os guarda-roupas são dos anos 40, conta ainda com Luis Miguel Cintra, Isabel Ruth e Leonor Silveira.
Podem ainda ler uma crítica ao filme (do Ípsilon) que inclui um vídeo da estreia mundial do filme.

7.29.2010

Cinema Português em Marcha - 17/23

5# Sangue do meu Sangue; falar deste filme é falar da situação actual de contenção, uma vez que esta foi a primeira e mais visível consequência da redução de 20% do PIDDAC e da redução dos apoios do ICA em 10% para todos os contractos de 2010, pois à sexta semana de rodagem (e com mais duas em falta) o terceiro pagamento do ICA (no valor de 100 mil euros) não chegou e a Midas viu-se obrigada a interromper a rodagem e deixar em águas de bacalhau 46 profissionais entre actores e técnicos. [nos últimos tempos, pelas notícias que ouvi, pareceu-me que a retoactividade dos cortes foi deixada, assim sendo só novos contractos terão o dito corte de 10%, deste modo estou em crer que a rodagem continuará]
João Canijo, o realizador de Noite Escura, Sapatos Vermelhos, Mal Nascida, Ganhar a Vida e Fantasia Lusitana, tem neste filme um projecto com mais de dois anos, escrito em 2008, o argumento foi ensaiado com os actores nessa altura e desde então vem sendo re-escrito e re-ensaiado, o filme conta com uns habitués de Canijo, Rita Blanco, Anabela Moereira e Fernando Luís, assim como Nuno Lopes e Rafael Morais. Tudo se passa no Bairro Padre Cruz (numa casa cedida pela GEBALIS), uma família pobre ("Pareceu-me uma evidência que num meio social onde a luta pela sobrevivência ocupa o tempo todo, não há reflexão consciente sobre os sentimentos, não há uma elaboração intelectual. Donde, os sentimentos saem de uma maneira mais visceral. Daí a escolha da classe social, de um bairro suburbano" ) composta por uma mãe (de dois filhos) e sua irmã, uma é cozinheira e outra cabeleireira, a filha estuda enfermagem e trabalha como caixa e o filho é um traficante de pequena monta, tudo se complica quando a filha se apaixona por um professor (podem ler a sinopse completa no blog do filme).
"Canijo explica que o projecto inicial era um díptico: dois filmes ligados [Sangue do meu Sangue, Sangue da minha Alma], cada um centrado em diferentes elementos da família do subúrbio - um na relação mãe e filha, outro na relação tia e sobrinho (Anabela Moreira e Rafael Marques). No final, uma montagem dos dois filmes resultaria numa série de televisão de quatro episódios. A proposta foi apresentada à RTP, que nunca respondeu, e ao FICA (Fundo de Investimento do Cinema e Audiovisual), que está deficitário, devido a problemas de gestão. Por falta de investimento, o realizador abandonou a ideia."
Podem ainda ver estas imagens da rodagem e ver a reportagem do Janela Indiscreta [a partir do 15º minuto].

7.28.2010

Cinema Português em Marcha - 16/23

6# Olhos Vermelhos é o filme que marca o regresso de um dos nomes sonantes do novo cinema português (novo em 1963 quando estreou Os Verdes Anos), Paulo Rocha. Este é um filme puzzle, como nos informa uma longa reportagem do ípsilon nas filmagens, que retrata aspectos da vida do realizador desde a sua infância à actualidade. Uma co-produção Luso-brasileira com Isabel Ruth e Márcia Breia, filmado em Ovar, Arouca e Porto, que se prevê estar pronto no Outono. A história conta com um casal formado por uma portuguesa convertida ao islamismo e um iraquiano, uma professora que investe numa fábrica de calçado, e um conjunto de camponeses de há dois séculos (que serão os antepassados de Rocha), sendo que as histórias de alguma forma vão desembocar na aldeia onde nasceu o pai do realizador (interpretado por Chandra Malatitsch enquanto novo e o actor brasileiro Lima Duarte quando mais velho).
Produzido pela Gafanha Filmes, este filme recebeu o apoio do ICA (no valor de 600 mil euros) em 2008 conjuntamente com o Religiosa Portuguesa e Duas mulheres (estreados este ano), assim sendo espera-se para breve a estreia.

7.27.2010

Cinema Português em Marcha - 15/23

7# Trans-Europa é a primeira aventura na ficção do Franco-Português Brasileiro Sérgio Trefaut, realizador de Lisboetas (melhor filme nacional de 2004 no Indie), que se mantém no tema da emigração, mas agora pelos desempenhos de Maria de Medeiros (que foi colega de liceu de Trefaut) e Isabel Ruth; a história é inspirada na experiência da professora de russo do realizador, mulher ucraniana, que em 1998, vem passar o natal com o marido senegalês, ambos médicos, que trabalha em Portugal na construção civil, só que por uma série de mal entendidos, ninguém fala russo e a mulher não fala português, acaba por ficar retida no aeroporto durante mais de 36 horas até ser obrigada a embarcar para um país que não o seu (Rússia) em Business Class (era para ser este o título original), pagando do seu bolso a viagem.
O filme foi rodado maioritariamente em Serpa, localidade querida de Trefaut, onde se organiza o Doc's Kingdom e que providenciou estadia, alimentação, transporte e acesso aos edifícios da câmara para as filmagens. Grande parte do aeroporto é de facto a biblioteca municipal de Serpa, que por ser um edifício novo, minimalista, branco, quase asséptico, era o ideal para o realizador, que tenta criar um ambiente em que tudo o que é externo às personagens seja reduzido, para que as emoções venham ao de cima mais puras; segundo o próprio realizador, as fotografias de Richard Avedon, nomeadamente o livro In The American West, foram as maiores influências estéticas.
Com um director de fotografia Brasileiro (Edgar Moura - Jaime, A Outra Margem), Maria de Medeiros que fala seis línguas e teve que aprender russo para este papel, Makena Diop que faz de marido, Lyubyy Mekhaylo que já vinha de Lisboetas, a multicultaralidade é uma marca forte que artigo da visão evidencia.
"É um filme que tenta mostrar como todas as personagens que vivem dentro de uma rotina e convencidas de que estão certas, às vezes, sendo até muito simpáticas, podem destruir a vida de outras pessoas. Sem consciência e apenas pela obediência ao ritmo dos outros, às hierarquias e às funções"; estas são as palavras de Trefaut em relação à inspectora da polícia, papel desempenhado por Isabel Ruth.
Fica ainda um artigo do Alentejo Popular e uma reportagem do Expresso que inclui um vídeo com cenas da rodagem.

7.26.2010

Cinema Português em Marcha - 14/23

8# Operação Outono, é o novo filme de Bruno de Almeida (IMDB, Wiki), realizador de The Loverbirds, Amália - Uma estranha forma de vida, Bobby Cassidy. Para começar há que avisar que este filme é, dos 22 aqui apresentados, aquele cuja presença faz menos sentido, uma vez que o filme recebeu o apoio do ICA (no valor de 600 mil euros) muito recentemente e ainda está apenas da fase de pre-produção, não há rodagem, fotografias, actores, nem página no IMDB, este filme para todos os casos ainda não existe e no entanto é um dos mais antecipados pelo que aqui se assina.
Espera-se que as filmagens se iniciem ainda este ano (em Dezembro), mas o realizador avisou logo que :"Vai demorar os anos que forem precisos, não tenho pressa, porque em Portugal não há muitos filmes com estas características", ainda por cima, prevê-se que para além de Portugal o filme passe por Espanha, Argélia, Marrocos, França e Itália.
O filme basear-se-à no livro de Frederico Delgado Rosa, Humberto Delgado - Biografia do General Sem Medo, e retratará a candidatura do Humberto Delgado durante o regime Salazarista e o consequente assassinato por parte da PIDE em Espanha e respectiva investigação no pós-25 de Abril. Antecipa-se um Thriller político, produzido pela Alfama Films de Paulo Branco; a estreia está prevista para o Outono de 2011.

7.25.2010

Cinema Português em Marcha - 13/23

9# Efeitos Secundários é também a primeira Longa de Paulo Rebelo, argumentista de O Fantasma e Odete, assim como o montador desses dois filmes de João Pedro Rodrigues, assim como de Terra Sonâmbula. Este é um filme apoiado pelo ICA e pela RTP e produzido pela C.R.I.M. (Christine Reeh e Isabel Machado são as fundadoras, às quais se juntou Joana Ferreira), para a qual este projecto também é a primeira longa, sendo que o filme era para estrear em 2008 e isso só virá a acontecer em 2010. O filme conta com as participações de Nuno Lopes, Maria João Luís e Rita Martins. A trama gira em volta de uma mulher, cabeleireira, viúva e solitária, que passa a vida a ajudar os animais abandonados (podem consultar a escola de cães - Azeicão - donde o cão-actor do filme vem, analisando o curriculum do snow-ball, na imagem), quando um dia decide ajudar um miúda (abandonada) seropositiva, deste evento criam-se uma série de complicações ajudadas pela romance com um pescador. No Making Of Europa, podemos ver um vídeo da rodagem, uma entrevista com o realizador, outra com a produtora, uma com a directora de fotografia e ainda duas com Nuno Lopes e Maria João Luís. Podem ainda ler uma entrevista ao realizador do Notícias do Norte onde nos é explicado que da mesma forma como Fassbinder transpôs Tudo o que o céu permite para Munique em O Medo come a Alma, Rebelo propôs-se a passar o filme de Sirk para a Costa da Caparica onde foi inteiramente filmado. O filme também foi seleccionado para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A banda sonora está a cargo da jovem banda 'Os Tornados'.
Podem consultar a página do facebook do filme e descobrir que este já foi seleccionado para o New York International Independent Film and Video Festival, 8º Festival de Cinema da União Europeia, 28º Festival Cinematográfico Internacional do Uruguai e o Bergamo Film Meeting.

7.24.2010

Cinema Português em Marcha - 12/23

10# América, mas porque razão chamar América a um filme sobre Portugal? Pois bem: Portugal é a América dos pobres, o El dorado que acaba por ser um embuste, um sítio onde ficam presos aqueles que buscavam liberdade. Realizado pelo estreante João Nuno Pinto (vindo da publicidade), este é um projecto que já conta com 6 anos, adaptação de um guião de Luísa Gomes Costa, que conta uma história dramática e irónica sobre um Portugal de imigrantes. Com os portugueses Ivo Canelas, Fernando Luis, Raul Solnado (sendo este o seu último trabalho em cinema) e Dinarte Branco, a russa Chulpan Khamatova, a espanhola María Barranco e o brasileiro Cassiano Carneiro, a banda sonora está entregue aos Dead Combo e a Fotografia a Carlos Lopes (Alice). Filmado na Cova do Vapor, este é uma co-produção (com orçamento de 1.4 milhões) portuguesa (Filmes Fundo, Garage filmes e Ukbar filmes), espanhola (Morena Films, produtora de Che), brasileira (Dezanove) e russa (Urubus e 2Plan2), apoiada pelo ICA, pela RTP, pelo programa IBERmedia, pela ANCINE, pelo ICAA. Podem visitar a rodagem (iniciada no Novembro de 2008) com este vídeo do Fotograma, ou ainda assistir ao casting dos actores chineses do filme.
A história tem como personagem principal Victor (vigarista burlão) que vive com uma jovem russa, até que uma jovem andaluz chega ao seu bairro, por não ser capaz de escolher uma das meninas, junta-as debaixo do mesmo tecto com o seu filho de seis anos, há de aparecer mais uma rapariga de leste e tudo se complicará quando Victor tentará um negócio na falsificação de documentos para os emigrantes.

7.23.2010

Cinema Português em Marcha - 11/23

11# 15 Pontos na Alma é o primeiro filme do realizador Vicente Alves do Ó, que depois de conhecer pela reportagem do fotograma, me parece um senhor com um ego maior do que é habitual no cinema português e que provocará polémica (diz que já está farto de filmes sobre pobrezinhos), argumentista de Kiss me, Os Imortais e Assalto ao Santa Maria. O seu filme retratará a elite lisboeta (os ditos elegantes) e as suas vidas que não são ausentes de sofrimento. Um filme que se fortalece na fotografia cuidada, nos decors ricos e no guarda roupa 'glamourouso', com a participação de Rita Loureiro e João Reis nos principais papeis, Ivo Canelas, Dália Carmo, Ana Moreira e Rui Morrison em papeis mais secundários. Podem seguir os dias de rodagem (que acabaram em Março do ano passado) no blog do realizador: Desejo e Destino.
Produzido pela Filmes do Fundo com apoios do ICA, MC e RTP, o filme trata de uma Simone que conhece o amor da sua vida momentos antes deste tentar suicidar-se e da relação que daí se estabelece. Podem consultar a página do FaceBook do filme e ver este, este ou este teaser.

7.22.2010

Cinema Português em Marcha - 10/23

12# Perdida Mente/ Paixão, dois filmes e Margarida Gil, realizador de filmes como O Anjo da guarda (seleccionada para a competição no Fantas de 1999) ou Rosa Negra (seleccionado para a competição do festival de Locarno em 1992).
Perdida Mente (trailer) é uma longa curta (media-metragem seria o melhor nome), filme de 63 minutos, foi o vencedor de melhor argumento original no Festival Internacional de Cinema e Vídeo Independente de Nova Iorque (artigo do Correio do Minho), o que levou a que o filme estreasse em Portugal numa sessão da cinemateca (acompanhado de O Espelho Lento de Solveig Nordlund, as duas realizadoras são a fundadoras da produtora Âmbar Filmes, cujo blog podem seguir aqui). Este filme era para ser uma curta metragem, mas acabou por se prolongar, conta a história de uma pai com uma doença mental incapacitante e da filha que tenta tudo por tudo para fixar o pai à terra e evitar a progressão da doença; nas palavras da realizadora: "É um filme sobre alguém que começa a perder o pé (...) ele não sabe onde está, o que quer é a forma das coisas; é esse momento que o filme trata". Podem ver uma entrevista com a realizadora para o Cinemax (os primeiros 5 minutos) onde se visita a rodagem do Paixão, mas que depois desemboca no Perdida Mente.
Quanto a Paixão podem ver a reportagem anterior ou a do Janela Indiscreta (a partir do 18º minuto). Este é um filme sobre uma mulher (Ana Brandão), cantora que aprisiona um escritor novo (Carloto Cotta) e em cativeiro alimenta-se da sua beleza, só que depois perde-se a noção de quem está preso e quem aprisiona.
A realizadora comparou as duas obras, dizendo que se Paixão era uma sinfonia, Perdida Mente era um quarteto de cordas

7.21.2010

Cinema Português em Marcha - 9/23

13# Filme do Desassossego é a adaptação do Livro do Desassossego de Bernardo Soares (compilação de textos deste que é um dos (semi)heterónimos de Fernando Pessoa), o projecto está nas mão de João Botelho, realizador de filmes como Tráfico, A Mulher que acreditava ser Presidente dos Estados Unidos, Quem és tu?, O fatalista, Um adeus Português, Corrupção (não creditado), A Corte do Norte e Conversa Acabada, este último (sua primeira ficção) era já sobre Pessoa, quase 30 anos depois Botelho volta a um dos ícones da Portugalidade.
O ano passado aquando na comemoração dos 120 anos do nascimento de Pessoa, Conversa Acabada foi editado em DVD e anunciou-se este filme, que meses mais tarde ganharia o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, monetário (200 mil euros) e logístico, podem ver um vídeo da assinatura do protocolo com participação de Inês Pedrosa (directora da Casa Fernando Pessoa), do produtor Alexandre Oliveira e do Realizador, assim como do presidente da câmara António Costa.
Botelho justificou-se na realização deste filme com três ideias do livro, uma sobre a luz (a luz que ilumina os sapatos das pessoas deve ser a mesma que ilumina as caras dos santos), sobre o tempo (o tempo no cinema é como nos sonhos, nunca é o tempo real) e por fim sobre a necessidade de ler em voz alta o livro do desassossego para compreender toda a sua essência.
Produzido pela Ar de Filmes (podem visitar o sitio oficial do filme com uma nota de intenção, um sinopse, imagens, informação sobre a produtora, sobre Botelho e sobre Pessoa) com a apoio da Câmara de Lisboa e do ICA. Ficam aqui uma série de fotos da rodagem e uma reportagem.
Prevê-se que estreie nos finais de Outubro deste ano.

7.20.2010

Cinema Português em Marcha - 8/23

14# Águas Mil foi o filme português que esteve quer na secção de competição nacional, quer internacional da edição do indie de 2009 (antes desta estreia nacional, tinha já passado em Roterdão), realizado por Ivo Ferreira que faz com este filme a sua segunda longa (depois de Em volta), retrata o pos-25 de Abril de 74 abordando os acontecimentos que ficaram escondido pela euforia e alegria de uma revolução tão marcante para Portugal. O artigo do publico aborda o tema e explica que a trama trata de um jovem, na actualidade, que busca pelo pai desaparecido aquando da revolução, pelas palavras do autor "Essa fatia da história foi eclipsada. A Revolução dos Cravos foi uma grande festa que deu uma grande ressaca, e eu queria saber o que se construiu depois disso". Com Gonçalo Waddington no principal papel. Fica aqui o site oficial com um pequeno trailer, entrevista ao realizador e fotografias do filmes, assim como a conta do Twitter do filme e uma reportagem da SIC aquando das filmagens da manifestação anual na Avenida da Liberdade.
Produzido pela Filmes do Tejo II com dinheiros do ICA, MC e RTP, foi rodado no Alentejo, em Espanha na zona de Almeria, em Vila Real de Santo António, na Costa da Caparica e em Lisboa.
O filem era suposto ter estreado em sala pouco depois da passagem pelo indie, passou um ano, mais um 25 de Abril e ainda nada, se calhar só para o próximo.

7.19.2010

Cinema Português em Marcha - 7/23

15# Mistérios de Lisboa é uma hiper-produção no valor de 2.5 milhões de euros, produzida por Paulo Branco numa co-produção da Alfama Films, Clap Films, RTP e ARTE, com apoios do ICA, da Câmara de Lisboa e Sintra e do Media Programme, realizado por Raoul Ruiz e com um elenco de mais de 55 actores maioritariamente portugueses (apesar de algumas presenças francesas), filmado em França, Itália, Brasil e claro está Portugal. O produto final será uma série (de 3 episódios de 90 minutos ou 6 episódios de 60, as fontes contradizem-se) que passará no final de 2011 na televisão estatal e mais cedo na ARTE, assim como uma longa metragem de cinema de mais de 4 horas e meia que se espera que seja seleccionada para Cannes e que estreará antes da versão televisiva.
Despachada esta parte, passemos ao que mais interessa, adaptado do romance homónimo de Camilo Castelo Branco, conta-se um romance de cordel com uma senhora num romance impossível que perde o amante e fica sem o filho bebé, encontrando-o anos mais tarde. O que poderá trazer a atenção a este filme, não será o elenco televisivo (Adriano Luz, Maria João Bastos, Rui Morisson, Joana de Veronna, Carloto Cotta, Sofia Aparício, Catarina Wallenstein, Marco d'Almeida, Dinarte Branco, ...), mas sim o realizador chileno, presença habitual dos festivais, apesar de nos últimos dez anos não ter nunca sido agraciado pela crítica (1,2,3).
O que me dá alguma esperança é a crítica que o Les Inrocks fez do filme, o dito foi projectado para uma plateia de luxo com nomes como Cristophe Honoré, Catherine Deneuve, Isabelle Huppert e Fanny Ardant (todos amigos de Paulo Branco), que juntamente com a crítica viram o filme, o resultado ao que parece é encantador, para os que sabem francês, aqui fica.
Podem ler o artigo do Destak, consultar o sitio oficial, o blog da rodagem com dúzias de fotografias, uma reportagem da RTP, outra do Só Visto ou estes episódios da rodagem.

7.18.2010

Cinema Português em Marcha - 6/23

16# Assalto ao Santa Maria/ O Cônsul de Bordéus, estes são os novos filmes de Francisco Manso, homem que desperta controvérsia, realizador de filmes de época como A Ilha dos Escravos e O Último Condenado à Morte, que sempre recebeu pelos filmes que realizou apoios do ICA, sem que, no entanto, os seus filmes tivessem sucesso em festivais, por parte da crítica ou por parte do público. Então porque razão se continua a apoiar o seu cinema?
Quanto ao primeiro, retrata-se um episódio histórico marcante da mitologia recente portuguesa, ou seja, quando Henrique Galvão ocupou um dos mais prestigiados paquetes turísticos portugueses na Venezuela e daí deu a conhecer ao mundo a opressão do regime Salazarista e Franquista. Com Carlos Paulo como Galvão, Leonor Seixas, Pedro Cunha e Victor Norte. Fica aqui uma visita às filmagens em Viana do Castelo (no navio/museu Gil Eannes ancorando em Viana do castelo onde toda a rodagem decorreu) pelo Fotograma e aqui outra semelhante. Produzido pela Take 2000 com apoios do ICA, MC, FICA, RTP e TVGaliza.
O segundo é co-dirigido com João Correa (um dos argumentistas) e tem como figura história o diplomata Aristides de Sousa Mendes, aquele que salvou milhares de judeus falsificando documentos para que estes pudessem fugir aos nazis. Também com Victor Norte, o filme teve rodagem em Outubro do ano passado. As noticias são por demais (Público, JN, IOL, CM, Câmara Municipal de Viana do Castelo, Mundo Português).
Orçamentado em 3 milhões de euros (vindos do ICA, RTP, MC, ICAA, IBERMedia e produzido pela Take 2000), usando mais de 1200 figurantes, filmado em Viana do Castelo, Bordéus e na fronteira entre França e Espanha, esta é uma grande produção que deveria já ter estreado, para assinalar em Junho os 70 anos do episódio retratado.

O Cliché do Bilhete Postal


Doodlebug (1997) de Christophe Nolan

A propósito da estreia de Inception, novo filme de Christopher Nolan, é conveniente lembra ou descobrir as origens deste cineasta que nos trouxe filmes como Memento, Insomnia e Dark Knight. É interessante reparar na presença constante da perturbação mental, mais ou menos patológica, e do papel do subconsciente na narrativa das suas obras, onde DoodleBug (primeira curta do realizador) não é excepção. Como o título indica é sempre um chavão crítico encontrar em primeiras obras as sementes de uma carreira, mas neste caso não só a chave encaixa como seria desconsideração não reparar nisso. Por estas bandas enormes são as expectativas para este novo filme.

7.17.2010

Cinema Português em Marcha - 5/23

17# O Barão, novo filme de Edgar Pêra, realizador na área do vídeo com filmes como A Janela (nomeado para uma série de Globos de ouro incluindo melhor filme) e Homem Teatro ambos seleccionados para o festival de Locarno, Movimentos Perpétuos (melhor longa portuguesa, prémio do público e melhor fotografia no Indie) ou Rio Turvo adaptado de um livro de Branquinho da Fonseca e seleccionado para o Indie e Fantas. [Podem consultar a filmografia do realizador, o seu canal do youtube ou na BlipTv, nos quais podem ver excertos e algumas curtas].
O Barão é também uma adaptação de Branquinho da Fonseca, de um conto homónimo e de outro, O Involuntário; a adaptação é de Luisa Costa Gomes e o filme conta com 900 mil euros para (sempre em estúdio, o que é raro no cinema português) contar a história de um inspector que vem investigar os estranhos comportamentos de uma professora e é arrastado para os domicílios do Barão, homem poderoso da zona. A descrição dá a entender uma obra surrealista com tunas e rituais dionisíacos.
Produzido pela Cinemate com apoios do ICA e da RTP, foi filmado em Setembro da ano passado, o filme conta com Nuno Melo no papel de Barão. A antena 1 fez uma reportagem que podem ouvir aqui, assim como o DN.

7.16.2010

Cinema Português em Marcha - 4/23

18# Contraluz é um filme todo filmado nos Estados Unidos com Joaquim de Almeida, uma menina da televisão americana, Skyler Day, outro menino do mesmo sítio, Scott Bailey; todo falado em inglês que retrata um futuro em que a humanidade está prestes a extinguir-se.
Faz uns meses, quando António Feio esteve em grandes dificuldades, como foi sabido, fez este vídeo, um pequeno comentário ao trailer que havia circulado na Internet, promovendo o filme que já tinha visto (o que indica que já está pronto), desde então, um videoclip dos Santos e Pecadores com imagens do filmes foi também publicado; Lema é o nome da música que será o tema do filme (cuja banda sonora é do mesmo compositor de Amália - Nuno Maló). Podem ainda consultar o sitio oficial aqui e ver o novo e mais extenso trailer.
Fernando Fragata é um realizador cujo trabalho se enquadra perfeitamente neste filme, quer Sorte Nula, quer Pulsação Zero eram filmes que pretensão a serem filmes de acção (fica aqui uma compilação de cenas de filmes dele), agora, nos States ele tem a oportunidade de fazer isso, mas com meios; produzido pela sua companhia Virtual Audiovisuais e pela Signature Entertainment.
Está previsto que o filme estreie no próximo dia 22 de Julho.

7.15.2010

Cinema Português em Marcha - 3/23

19# Marginais, segunda longa de Hugo Diogo depois de Incógnito (2006) que passou ao lado da maioria, este é um filme que segundo a descrição oficial tem como temas base "Incesto, lutas de rua, redenção, amor, paixão e vingança", temos uma miúda que é violada pelo pai do qual tem um filho, dois irmãos que se desconhecem, um novo vizinho com passado problemático: enfim, em tudo se aproxima de uma telenovela, com o protagonista José Fidalgo e com um argumento baseado numa história do Correio da Manhã (curiosa a notícia que informa que o coreografo das cenas de luta do filme e actor secundário foi considerado suspeito numa série de assaltos e é procurado pela polícia).
Só para que se tenha uma ideia, segundo o Correio da Manhã: "Para o público feminino, tem ainda um José Fidalgo em tronco nu o tempo todo..."
Produzido pela David e Golias e Costa do Castelo com apoios do ICA, MC e FICA, Marginais foi filmado já em 2008 no Seixal e Lisboa. O filme tem trailer e podemos assistir a um pequeno vídeo da rodagem.

7.14.2010

Cinema Português em Marcha - 2/23

20# Quero ser uma Estrela, produzido pela marginal filmes, com apoio da TVI e financiamento do ICA, do FICA (na altura em que ainda não estava bloqueado), do Ministério da Cultura e do Correio da Manhã. É realizado por José Carlos de Oliveira que trabalha desde os anos 90 na realização de séries televisivas, que também é autor do argumento que trata do tema das redes de prostituição em Moçambique, a história resume-se assim: uma rapariga adolescente levada a crer que entrará no negócio da moda como modelo, entre numa rede de tráfico de menores para a prostituição, uma senhora portuguesa (interpretada por Dalila Carmo) descobre o caso e denuncia a rede salvando a dita moça.
Não pretendo ser imparcial, por esse motivo este filme encontra-se no vigésimo lugar de vinte, é aparentemente uma obra de baixíssima qualidade como a TVI nos tem habituado.
O filme foi apresentado em Maputo no passado dia 1 de Julho e espera-se que estreie em Fevereiro, podem consultar a página do filme no Facebook onde várias imagens estão disponíveis, ver a entrevista do Correio da Manhã ao elenco e ainda um pequeno vídeo com imagens da rodagem.

7.13.2010

Cinema Português em Marcha: 1/23 - Introdução

Pelo terceiro ano consecutivo (1 e 2), faço uma antecipação dos filmes portugueses (este ano centrar-me-ei nas longas de ficção, mas haverá um artigo dedicado às curtas e documentários), este ano será o maior dos empreendimentos com 22 longas de 21 realizadores desde novas vozes na longa como Pedro Caladas e Paulo Rebelo a nomes consagrados como Paulo Rocha e Manoel de Oliveira.

Apesar do número surpreendente de produções poder dar a ideia errada, estes são momentos difíceis para o cinema português, depois do manifesto, da paralisação do FICA e agora com os cortes cegos do Ministério da cultura, 20% do PIDDAC, 10% do ICA e a alienação do património social do estado na TOBIS (adoro este eufemismo de privatização) o cinema nacional geme neste preciso momento com rodagens paradas, pós-produções em espera, sendo que muitos dos filmes que vos apresento poderão mesmo nunca chegar a estrear por os subsídios já contratualizados pelo estado nunca virem a ser pagos.

Há que compreender que o cinema em Portugal vive dos apoios estatais e será sempre não-lucrativo do ponto de vista unicamente financeiro, daí que seja de facto extraordinária a ideia peregrina de que se iria construir uma industria audiovisual sustentável com o FICA (não que eu seja contra o fundo, mas poucos são o filmes de lá vindos que merecem esse nome). No entanto a ideia de que o estado deve ser responsável pelo cinema é demagógica e perigosa (não esquecer que os júris do ICA não são propriamente imparciais e são de uma incompetência extraordinária a analisar orçamentos ou a justificar o porquê das suas decisões), há que acreditar no sector privado da mesma forma que o cinema do Brasil vem fazendo (lembrar que em Portugal a percentagem do PIB para a cultura é de 0.4% e no Brasil é de 1%), isto é, através de benefícios fiscais para as empresas que apoiem projectos culturais, sendo que a Petrobras é mesmo a maior 'produtora' de cinema no Brasil; cá caminha-se no sentido oposto, com a redução dos benefícios fiscais para os privados e empresas.

Um Funeral à Chuva, apesar de todas as suas dificuldades técnicas e do argumento, é sintomático de uma situação em que o desejo de fazer cinema é superior àquele que o estado tem de o apoiar e através de investimentos dos próprios e auxílios de inúmeras empresas do zona da Covilhã, surgiu um filme independente e despretensioso que conseguiu mais nas bilheteiras que muitas [trampas, leia-se 100 volta e Fascínio] obras financiadas.

Mas vamos aos filmes que é isso que importa, pão e circo.

P.S.:A partir de amanhã, e diariamente, será feita a antecipação, em 20 publicações, de 22 longas, ordenadas pelo interesse que tenho por elas (começa com as mais fraquinhas e vai aumentando), no final sairá um artigo sobre os documentários e as curtas mais antecipadas e depois uma conclusão.

7.12.2010

A RTP2 não será nem Lixo nem Luxo - II

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No Público de 23 de Abril deste ano:

”O leitor não poderá ver na RTP2 os dois filmes que hoje critico. Foram censurados. A direcção da RTP2, chefiada por Jorge Wemans, recusou apresentar, sem dar explicações, dois filmes de qualidade, Michael Biberstein: O Meu Amigo Mike ao Trabalho, de Fernando Lopes, e Aldina Duarte: Princesa Prometida, de Manuel Mozos, ambos produzidos por uma empresa, a Midas, que, em comunicado, acusa a RTP2 de desrespeitar o contrato de concessão e de fazer uma “afronta sistemática ao cinema português”, denunciada antes pelo DocLisboa e pelo Manifesto pelo Cinema Português que Manoel de Oliveira encabeçou. (…) Se o país se regesse pela lei, pelo pudor, pela autoridade democrática, há muito que esta direcção da RTP2 teria sido varrida dos lugares públicos que insulta.”
Eduardo Cintra Torres

comunicado da Midas:

"(...) Esta atitude por parte da actual Direcção da RTP2 vem confirmar aquilo que há muito é dito sobre a sua orientação de desrespeito do Contrato de Concessão de Serviço Público de Televisão e da sua afronta sistemática ao cinema português, denunciada pelo festival DOCLisboa de forma taxativa em Outubro passado, e que ainda recentemente foi recordada no “Manifesto pelo Cinema Português” divulgado por 14 realizadores e 8 produtores, que chamam a atenção da Ministra da Cultura para a necessidade de fazer cumprir o CCSPTV por parte da RTP.
Partiu aliás da Direcção da RTP2 a única reacção significativa a esse Manifesto, ao enviar a vários produtores correspondência em que os ameaçava de quebrar a sua relação de trabalho com eles, pelo facto de se terem associado a esse documento."

7.11.2010

A RTP2 não será nem Lixo nem Luxo

O senhor Luís Mendonça do blog CINEdrio iniciou recentemente uma série de publicações (I,II,III,IV,V,VI) sobre a programação da RTP2 no que diz respeito ao cinema, daqui surgiu um movimento que está em fase de angariação de membros e forças, com vista a peticionar por um melhor serviço publico. Para além de mim (que sou mais tardio), estão já Miguel Domingues do In a Lonely Place (I,II), Carlos Natálio do Ordet (I), Paulo Palhares do Cine Resort e João Paulo Costa do CinePt. Para quem quiser juntar-se, o mail petiçãortp2@hotmail.com está disponível, agradece-se que enviem pelo menos nome completo, idade, mail e residência.

Se a maioria dos senhores propulsionadores desta petição podem olhar para a programação da RTP2 com saudosismos, eu, pela minha tenra idade não o posso fazer, porque desde que me lembro a RTP2 só passa filmes ao sábado à noite nas sessões duplas; 5 noites, 5 filmes só conheço de ouvido e Os filmes da minha vida é coisa desconhecida. Pode dizer-se que sou dessa geração das internets, mas na verdade nem sou, não me vejo a ver cinema num ecrã de computador, pois convenhamos, cinema vê-se no cinema, televisão na televisão, mas na internet não se vê internet.

O meu gosto pelo cinema veio em grande parte pelas pessoas, pelo interesse que outros tinham por esta arte; apesar do filme do Resnais, o gosto pelo cinema e a sua compreensão não cresce como as ervas daninhas, tem que ser cultivado, cuidado, desenvolvido. Para isto existem os livros de história do cinema, de compilações de filmes ou biografias de realizadores (que foram e são a minha escola), depois há o DVD e a televisão, aparecendo em complemento a Internet. [não existe numa pesquisa pelo google um única imagem com mais de 600 pixels do Os Canibais do Oliveira e a informação sobre a produção actual do nosso país é próxima do zero, a internet acaba por ser uma falsa questão].

Há que fazer mais pela formação no cinema, não é com aberrações como Janela Indiscreta do Mário Augusto que é são junket interviews coladas com cuspo que se faz alguma coisa (o cinemax na RTPN é um bocadinho melhor), há necessidade de alguém, um crítico, um jornalista cinéfilo, um programador de festivais, um convidado semanal que para além de escolher meia dúzia de filmes, os apresente, os enquadre histórica e esteticamente ou mesmo pessoalmente, para que não tenhamos uma televisão asséptica.

Por outro lado de nada vale à televisão do estado apoiar dezenas de filmes (longas e curtas de ficção, documentais ou animadas) se depois não não os passa, como, aquando da sua estreia, quase não os promove. Os documentários são mesmo uma caso de demência, por um lado apoia-se a produção nacional, por outro compra-se ao peso os pacotes de National Geografic ou Discovery, vindo a ironia final no slogan: RTP2 a televisão do documentário, ou pior ainda, Tudo o que se passa, passa na RTP2.

Quanto aos horários, eu sou o primeiro a gritar ao lado Miguel Domingues, que passem os filmes às 5 da manhã, eu eu ponho o meo a gravar e é uma maravilha, mas não nos esqueçamos que isto devia ser serviço publico e mais do que isso, o cinema não deve ser equiparado às televendas ou às meninas das palavras cruzadas, a RTP2 como serviço (de qualidade?) devia ver no cinema um produto de horário nobre em vez de comprar as séries americanas que podemos ver noutro qualquer privado.

Eu proponho:
  • Segunda Feira às 23:30 Cinema Documental, apresentado pelos próprios realizadores (se estrangeiros, apresentados por um programador do Doc, sei lá)
  • Terça Feira às 23:30 Cinema Português (desde as velhas comédias da ditadura, passando pelo novo cinema português ao mais actual de Pedro Costa, apresentado por um realizador português que falasse da importância do filme e/ou realizador na sua obra)
  • Quarta Feira às 23:30 Cinema do Mundo (as cinematografias menos conhecidas, orientais, africanas, sul-americanas)
  • Quinta Feira às 22:40 O Cinema Europeu (desde o Expressionismo Alemão ao cinema russo, passando pela nova vaga francesa, o realismo italiano, ao recente cinema checo e romeno)
  • Sexta Feira às 22:40 Os clássicos do Cinema Americano (filmes dos Hawks, Fords, Wilders e tantos outros, podia ser introduzido por uma reportagem em que adolescentes que fossem ver à cinemateca com as escolas falassem dos filmes)
  • Sábado às 22:40 Filmes Convidados (um convidado escolhia dois filmes)
  • Domingo às 23:30 Onda Curta alargada para hora e meia com apresentação dos realizadores
E não nos esqueçamos que é necessária a discussão, palestras de cineastas convidados, noticias de novos filmes, crítica (quem sabe interactiva), proximidade com os festivais, e tanto mais que uma cabeça só não pode inventar tudo sozinha.

P.S.:Como é óbvio a RTP2 não podia usar todos os seus horários nobres em cinema, mas podia sim usar três ou quatro noites por semana em vez de apenas uma como faz agora; o título desta publicação é uma citação de Frenando Lopes um dos fundadores da RTP2, aquando da criação do canal - aquele deveria ser o mote do RTP2 e não uma frase incómoda.

Semelhanças - LXIII

Vertigo (1958) de Hitchcock [Kim Novak]

Io sono l'amore (2009) de Luca Guadagnino [Tilda Swinton]

P.S.:Devo notar que esta descoberta não é minha, foi o crítico João Lopes que a apresentou no seu blog sound + vision, artigo que muito aconselho.

7.10.2010

O pagão prazer dos prados

Io sono l'amore (2009) de Luca Guadagnino

7.09.2010

O poder sexual da comida

Io sono l'amore (2009) de Luca Guadagnino

7.08.2010

Olhos nos Olhos

Io sono l'amore (2009) de Luca Guadagnino

7.04.2010

A.M.O.R.

I'm Here (2010) de Spike Jonze
[A propósito de Vila do Conde, onde esta curta estará presenta, antecipo-me aqui com um lindíssimo trabalho de Jonze, uma história de amor entre dois robôs, que vive do mais puro dos amores - precioso]

P.S.: Para quem quiser ficam aqui (1,2,3) em episódios do youtube