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3.09.2012

Numa semana em que estreiam 9 filmes (e mais de metade deles mete medo), dou umas sugestões de filmes que bem podiam estrear mas que nenhuma distribuidora parece ter deitado a unha; e uns outros que bem podiam ser estreados mesmo com grande atraso (o Enter the void do senhor Noe vai estrear quase 3 anos depois da sua passagem por Cannes e o ano passado estreou um filme do Panahi de 2006).

Into the Abyss de Werner Herzog
Wuthering Heights de Andrea Arnold
4:44 Last day on earth de Abel Ferrara
People Mountain People Sea de Shangjun Cai
The Sorcerer and the white snake de Siu-Tung Ching (especialmente manhoso, com o Jet Li)
The day he arrives de Hong Sang-soo
Michael de Markus Schleinzer
Hors Satan de Bruno Dumont
Arirang de Kim Ki-duk
Life without principle de Johnnie To (thriller sobre a crise)
Las Acacias de Pablo Giorgelli
Weekend de Andrew Haigh
The Mill and the Cross de Lech Majewski
Margaret de Kenneth Lonergan
L'exercice de l'État de Pierre Schöller
The Flowers of War de Zhang Yimou
Like Crazy de Drake Doremus
Beasts of the Southern Wild de Benh Zeitlin
Circumstance de Maryam Keshavarz
Detective Dee de Tsui Hark (o senhor Hark tem também um novo, The Flying Swords of Dragon Gate, em 3D)

e uns mais antigos
Eu cand vreau sa fluier, fluier de Florin Serban
The killer inside me de Michael Winterbottom
Spring Fever de Lou Ye
Politist, Adjectiv de Corneliu Porumboiu
A Woman, A Gun And A Noodle Shop de Zhang Yimou
White Materials de Claire Denis
HAHAHA de Hong Sang-soo

3.19.2011

Sumo de limão ou como encarar as distribuidoras

Da esquerda para a direita: Chantrapas de Iosseliani, Film Socialisme de JLG e Potiche do Ozon

Desde o início do ano estrearam 9 filmes franceses (num total de 54), se a coisa fosse assim (tão linear) ninguém poderia apontar o dedo, mas a coisa não é só assim.

Não será completamente errado dizer que um filme europeu (e os franceses não são excepção) têm um público tendencialmente mais reduzido que um filme em língua inglesa (note-se que não é a qualidade que aqui oponho, mas sim o público potencial ). Desta forma qual será a lógica macabra que rege as nossas distribuidoras? Se o público é pouco, porque será que Chantrapas, Hors la loi e Jouese tenham estreado os três na segunda semana de Janeiro e nas últimas duas semanas tenham estreado Film Socialism, Deux de la vague, Copacabana, Micmacs, Potiche e Adèle Blanc-Sec. Em vez de tratarem os filmes como obras singulares, tratam a cultura francófona como fardo (barril, palete ...), em vez de programarem, publicitarem e exibirem os filmes por si, apresentam uma enchente de títulos, em vagas (mais ou menos) sufocantes impedindo que os espectadores vejam todos os títulos (sendo que a estreia em cascata não promove o passa-palavra impedindo que certos títulos ganhem público com o tempo).

Mais escandaloso é que neste mês estejam previstas 39 estreias, o mesmo número de títulos que estreou em Janeiro e Fevereiro (segundo o cinema.sapo.pt). Desta forma, filmes como Adèle Blanc-Sec, Splice e The Tempest estrearam, para na segunda semana de exibição estarem apenas com horário nocturno e desaparecem antes da terceira.

O precipício que as distribuidoras parecem adorar é simultaneamente dramático e risível: por um lado estreiam filmes como se descarregassem pacotes de leite, fazendo com que os espectadores não vejam os filmes exibidos (ou nem sequer tenham sabido da sua exibição) e por outro lado acham que isto é a estratégia que lhe dará mais lucro. São incapazes de compreender que este esquema é prejudicial para si e para a (criação/manutenção) do público. Os profissionais dizem-nos que é a ressaca pós-oscars, mas para isso existe o Guronsan e sumo de limão.

11.16.2010

É só fazer as contas

Desta vez tenho pouco para dizer. No artigo do JN, Wemans vangloria-se de o canal que dirige passar 17/18 filmes (portugueses) por ano. Como aqui mostrei, a TV5 Monde passa 6 filmes (franceses) por semana em horário nobre. Em três semanas, aquele que é o equivalente francês à RTP Internacional, passa tantos filmes como um ano da criteriosa e completíssima programação da RTP2. Como dizia um ex-senhor-primeiro-ministro, é só fazer as contas.

P.S.:Tenho toda a noção de que não há produção nacional suficiente para uma programação como a francesa

9.30.2010

Pensemos com a cabeça

Pensemos com a cabeça. Faz uns meses um grupo de realizadores, em que Oliveira entrava como cabecilha, escreveu e apresentou esta petição/manifesto. Agora tem mais de 3 mil assinantes. Devido à petição algum burburinho se fez. O Câmara Clara dedicou-lhe um programa. Alguns dos peticionários foram entrevistados. Mas muito pouco se fez. O FICA de facto ganhou nova gerência e deverá estar a começar a carburar. O resto das exigências ficou-se pelo caminho. Curiosamente, uma delas, era exigência de que a RTP cumprisse com o seu contracto para com o estado e passasse cinema português, assim como a contratualização de plataformas de distribuição com os privados.

Agora pensemos com a cabeça. A petição (da qual faço parte) para o regresso da exibição regular de cinema na RTP2 tem cerca de metade dos assinantes que a outra tem (em pouco mais de um mês). Não tem Oliveira, mas tem vindo a ver os sucessivos apoiantes: Mozos, Mexia, Luis Peixoto, Alice Vieira, Mário Grilo, Mário Jorge Torres, Mourinha, Cintra Torres, Rui Morrison, Inês Medeiros, Raquel Freire, Gonçalo Waddington, Lauro António, Vasco Pimentel, entre tantos mais. Não tem tido a atenção mediática que a outra teve. Nunca fará uma aparição no Câmara Claro pelos motivos que são mais do que óbvios.


Agora tenhamos calma. O que esta petição pede é muito mais simples que colocar o FICA, que gere várias dezenas de milhões de euros, a funcionar. O que se pede é simples. Mais cinema na televisão. Verdadeiro serviço público. Como disse o senhor Mourinha, bastava que parte da programação da RTPMemória fosse exibida na RTP2 e parte do problema ficava resolvido. A outra parte era, por exemplo, cancelar a aberração que é o Janela Indiscreta com o Mário Augusto (uma panóplia mal fermentada de trailers e entrevistas assépticas) e gastar esse dinheiro num cadeirão, num green chroma e pôr o João Lopes (que já faz o cartaz de cinema da SICNotícias - serviço publico pelos privados!), ou o Cintra Ferreira ou qualquer outro crítico que saiba alguma coisa digna, a programar, apresentar e comentar os filmes exibidos.

Agora, depois de pensar. Há que agir. A petição tem cerca de 1300 assinantes. São cerca de 1300 vozes. 1300 bocas a falar. 1300 bocas para calar. 1300 bocas que só se calam quando deixarmos de ter 8 horas diárias de desenhos animados, 4 séries americanas diárias (que qualquer privado poderia exibir) e 2 documentários enlatados sobre macacos. É só pensar um bocadinho e ter calma. Não estamos a pedir assim tanto.

6.18.2010

Porque só se morre uma vez e vive-se a vida inteira



A Maior flor do Mundo de Juan Pablo Etcheverryl adaptado de um conto de José Saramago

3.19.2010

Ler - Pensar - Assinar (se assim achar melhor)

MANIFESTO PELO CINEMA PORTUGUÊS

Nunca como nos últimos vinte anos teve o cinema português uma tão grande circulação internacional e uma tão grande vitalidade criativa. E nunca como hoje ele esteve tão ameaçado.
No mesmo ano em que um filme português ganhou em Cannes a Palma de Ouro da curta-metragem e tantos e tantos filmes portugueses foram vistos e premiados um pouco por todo o mundo, o cinema português continua a viver sob a ameaça de paralisação e asfixia financeira.
Desde há dez anos que os fundos investidos no cinema não cessaram de diminuir: a produção e a divulgação do cinema português vivem tempos cada vez mais difíceis.
E a criação de um Fundo de Investimento (e a promessa de um grande aumento de financiamentos), revelou-se uma enorme encenação que na generalidade só serviu para legitimar o oportunismo de uns tantos.
O cinema português vive hoje uma situação de catástrofe iminente e necessita de uma intervenção de emergência por parte dos poderes públicos e em particular da senhora Ministra da Cultura.
O cinema português - o seu Instituto - ao contrário do que é repetido vezes sem conta, é financiado por uma taxa (3,2%) sobre a publicidade na televisão, e não pelo Orçamento de Estado.
O financiamento do cinema português desceu na última década mais de 30% e a produção de filmes, documentários e curtas-metragens, não tem parado de diminuir.
O Fundo de Investimento no cinema, que era suposto trazer à produção 80 milhões de euros em cinco anos, está paralisado e manietado pelos canais de televisão e a Zon Lusomundo, e não só não investiu quase nada, como muito do pouco que investiu foi-o em coisas sem sentido.

Por isso se torna imperioso e urgente
a) normalizar o funcionamento desse Fundo e multiplicar as verbas disponíveis para investimento na produção de cinema, nomeadamente multiplicando as receitas do Instituto de Cinema, e tornando as suas regras de funcionamento transparentes e indiscutíveis;
b) normalizar a relação da RTP (serviço público de televisão) com o cinema português, fazendo-a respeitar a Lei e o Contrato de Serviço Público, assinado com o Estado Português;
c) aumentar de forma significativa o número de filmes, de primeiras-obras, de documentários, de curtas-metragens, produzidos em Portugal;
d) e actuar de forma decidida em todos os sectores – não apenas na produção, mas também na distribuição, na exibição, nas televisões (e em particular no serviço público), e na difusão internacional do cinema português.

Depois de mais de seis anos de inoperância e desleixo dos sucessivos Ministros da Cultura, que conduziram o cinema português à beira da catástrofe, impõe-se:
1. Normalizar o funcionamento do FICA (Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual) reconduzindo-o à sua natureza original: um fundo de iniciativa pública, tendo como objectivo o aumento dos montantes de financiamento do cinema e da ficção audiovisual original em língua portuguesa e o fortalecimento do tecido produtivo e das pequenas empresas de produção de cinema. E fazer entrar nos seus participantes e contribuintes os novos canais e plataformas de televisão por cabo (meo, Clix, Cabovisão, etc), que inexplicavelmente têm sido deixados fora da lei;
2. Multiplicar as fontes de financiamento do cinema português, nomeadamente junto da actividade cinematográfica, recorrendo às receitas da edição DVD (a taxa cobrada pela IGAC, cuja utilização é desconhecida, e que na última década significou dezenas de milhões de euros); à taxa de distribuição de filmes (que há décadas não é actualizada) e à taxa de exibição. As receitas das taxas que o Estado cobra ao funcionamento da actividade cinematográfica devem ser integralmente reinvestidas na produção e na divulgação do cinema português (produção, distribuição, edição DVD, circulação internacional);
3. Aumentar as fontes de financiamento do Instituto de Cinema, para aumentar o número, a diversidade, a quantidade e a qualidade, dos filmes produzidos. Filmes, primeiras-obras, documentários, curtas-metragens, etc.
4. Apoiar os distribuidores e exibidores independentes, e estimular o aparecimento de novas empresas nesta actividade, de forma a que o cinema português, o cinema europeu e o cinema independente em geral, possam chegar junto do seu público. E apoiar os cineclubes, as associações culturais e autárquicas, os festivais e mostras de cinema, que um pouco por todo o país fazem já esse trabalho;
5. Fazer cumprir o Contrato de Serviço Público de Televisão por parte da RTP, que o assinou com o Estado Português, e que está muito longe de o respeitar e às suas obrigações, na produção e na exibição de cinema português, europeu e independente em geral. E contratualizar com os canais privados e as plataformas de distribuição de televisão por cabo, as suas obrigações para com a difusão de cinema português.

O cinema português, que vale a pena, tem hoje em dia, apesar da paralisia, quando não da hostilidade, dos poderes públicos, um indiscutível prestígio internacional. Os seus realizadores, actores, técnicos, produtores, não deixaram de trabalhar apesar de tudo o que se tem vindo a passar. Está na altura de os poderes públicos assumirem as suas responsabilidades.
É necessária uma nova Lei do Cinema, mas é urgente uma intervenção de emergência no cinema português.

os realizadores
Manoel de Oliveira
Fernando Lopes
Paulo Rocha
Alberto Seixas Santos
Jorge Silva Melo
João Botelho
Pedro Costa
João Canijo
Teresa Villaverde
Margarida Cardoso
Bruno de Almeida
Catarina Alves Costa
João Salaviza

e os produtores
Maria João Mayer (Filmes do Tejo)
Abel Ribeiro Chaves (OPTEC)
Alexandre Oliveira (Ar de Filmes)
Joana Ferreira (C.R.I.M.)
João Figueiras (Black Maria)
João Matos (Terratreme)
João Trabulo (Periferia Filmes)
Pedro Borges (Midas Filmes)

Os signatários
PARA ASSINAR CLICAR AQUI

P.S.: Quero só lembrar que o Bobby Cassidy teve direito a uma semana de exibição com horário completo, assim como Cinerama (estreado na semana passada, está agora com apenas uma sessão diária), se os filmes não ficam em sala mais do que uma semana, como é que acham que vão ser vistos. Lembrar ainda que Bela e o Paparazo custou cerca de 3 milhões de euros e teve pouco mais de 80 mil espectadores [cerca de 500 mil euros], não convém, no entanto, encarar o cinema português (exclusivamente) do ponto de vista do lucro, mas sim da produção de qualidade, essa versão economicista da arte tem sido a motivadora de grandes desastres nos últimos anos. Mas nem tudo é mau, produtoras como a Ukbar filmes e a rosa filmes, ou distribuidoras como Midas e a Alambique têm dado cartas. Começam finalmente a aparecer filmes produzidos sem apoios do estado, a solução a meu ver não passa (tanto) pelos financiamentos estatais, mas sim pelos privados, porque quando a expressão do artista está limitada pela rédea monetária do estado, alguma coisa não está bem.

1.11.2010

Porque Rohmer não morreu

Já não havia um dia em que achasse que o mundo do cinema tivesse ficado tão pobre, assim de um momento para outro, como hoje (da última vez, acho que foi aquando da morte de Pollack), a morte de Rohmer é coisa inqualificável!, faz espécie, pensar que indivíduos de tamanha genialidade sejam mortais como cada um de nós, mas sabe sempre bem perceber que afinal não é bem assim, alguns, mais do que outros, mantêm-se vivos enquanto houver memória (que é sempre refrescada pelas edições em dvd, as quais são bastantes completas no que a Rohmer diz respeito) da sua obra.
Rohmer nunca morrerá!, ou pelo menos enquanto eu viver, se há cineasta que me tocou a um nível que é raro acontecer esse senhor é Eric Rohmer, um brilhante ensaísta, director da mais prestigiada revista de cinema, um dos fundadores da nouvelle vague e dono da mais pura, singela e (convenhamos) perfeita cinematografia.
Apesar da sua idade (faria os 90), há dois anos estreou um filme (Les Amours d'Astree et Celadon, na imagem) que é sinal da enorme radicalidade do seu autor, tudo filmado ao primeiro take, sem ensaios nem nada, cinema puro, virgem, cru. Filme cheio de ALMA, tão imberbe e ao mesmo tempo a escorrer lições de vida, tão aparentemente simples e ao mesmo tempo cheio de inovação (basta lembrar o trabalho digital de A Inglesa e o Duque).
Não só por estas coisas, mas também, até algumas horas Rohmer era o meu cineasta (vivo) de eleição, agora, por imposição biológica perdeu o posto, mas nunca perderá um adorador (ou pelo menos enquanto eu viver, e desta forma manter-se-há vivo, no matter what - ou usando o idioma francês, para que ele, onde quer que esteja, perceba melhor - quel que soit)

1.06.2010

Um ano passou: o que a memória não apagou - II

A Piores traduções do ano

Slumdog Millionaire - Quem Quer ser Bilionário?


















Butterfly on a wheel - Atormentados


















The Unborn - Espírito do Mal


















Knowing - S1nais do Futuro


















Fireflies in the Garden - Um Segredo Muito Nosso



















New in town - De Malas Aviadas
















All the boys love Mandy Lane - Sedução Mortal


















State of play - Ligações Perigosas

















The life before her eyes - Sem Medo de Morrer


















The Haunting in Connecticut - O Mensageiro dos Espíritos


















Wolke neun (Cloud 9) - Nunca é tarde Demais para Amar


















The Ugly Truth - ABC da Sedução

















Ghosts of girlfriends past/As minhas adoráveis ex-namoradas


















What doesn't kill you /As teias do crime

















Deception/ No limite da Ilusão



















What just Happened/ Pânico em Hollywood


















The Hurt Locker/ O Estado de Guerra


















Personal effect/ Por Amor


















Beyond a Reasonable Doubt/A Verdade e o Medo


















Major Movie Star/ Batom... e Botas da Tropa


















Last Chance Harvey/a um Passo do Amor


















Nuit de Chien/Esta Noite


















P.S.:Como já tinha feito o ano passado, este ano juntei aqueles que pareceram os maiores atentados que as nossas salas de cinema viram no último ano (no que traduções diz respeito), não inclui títulos por si maus (como A Esperança está onde menos se espera), nem subtítulos (como Religulous- que o céu nos ajude). Há que salientar State of Play e The Hurt Locker que não são péssimas traduções, não fosse, por um lado nada haver no título original que justifique a versão portuguesa, mas por outro lado, já haver filmes com esses título (no caso de Ligações Perigosas esta é já a terceira edição). O Próximo ano não nos augura nada de positivo:
  • Os homens que matam cabras só com o olhar (The men who stare at goats)
  • Tudo pode dar certo (Whatever works)
  • Chovem Almondegas (Cloudy with a chance of Meatballs)

9.15.2009

O que ficou de Veneza

Depois dos prognósticos: os diagnósticos.


Acabado o Festival de Veneza percebemos que:
  • Herzog está em mais do que forma, apresentando dois filmes em competição (Bad Lieutenant e My son, my son, what have you done?), assim como Brillante Mendoza, que depois de ter ganho o prémio para a realização este ano em Cannes, apresenta novo filme em Veneza - Lola
  • O cinema italiano continua a ter mais parra que uva (desde 1998 que um filme italiano não ganha o festival), sendo que Báaria tem tudo em quantidade menos a qualidade, Il grande sogno é ainda muito politicamente correcto (uma vez que é produzido por uma das produtoras de Barlusconi assim como Báaria). Não esquecer La Doppia Ora e Lo Spazio Bianco que são exemplos de cinema conspurcado pela televisão, sem defeitos, mas também sem virtudes.
  • Quem sabe, sabe. E os americanos sabem. Michael Moore apresentou Capitalism: A love story, Todd Solondz apresentou uma derivação de Happiness - Life During Wartime, de Herzog (que já é mais americano que Alemão) já se falou, Romero não desiludiu e Tom Ford surpreendeu tudo e todos com um melodrama lento e frio, fechado hermeticamente no seu mundo, A single Man. Ainda pela americanidade não esquecer The man who stare at goats.
  • Mas a americanidade nem sempre é coisa que se cheire, The Informant (Soderberg parece não estar ao nivel) e The Road de John Hillcoat parece morninho.
  • Política foi tema de combate, The informant parece feito directamente para a crise, Capitalism não parece, é-o. O novo de Oliver Stone, South of the border não fica atrás no que respeita a polémica, pateado e apupado.
  • Mas mais do que tudo, este foi um festival do médio-oriente, Lebanon de Samuel Maoz, Women without Men (na imagem) de Shirin Neshat, Tehroun de Nader T. Homayoun, Green Days de Hana Makhmalbaf, The Traveller de Ahmed Maher e Soul Kitchen de Faith Akin. O primeiro sobre a guerra entre israel e o Libano, o segundo sobre o golpe de Estado, para o qual juntaram esforços o xá e a CIA, que derrubou o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh, ou seja, aquele que foi o último momento de democracia no país, o terceiro sobre os bairros de lata do Teerão, o quarto é um documentário sobre a candidatura presidencial de Mir-Hossein Mousavi, o quinto é um filme sobre um homem, em três dias da sua vida, cada um separado por cerca de 20 anos e por último é um filme que a única ligação que tem àquela parte do globo é o realizador, Alemão de origem Turca.
  • África também bateu o pé através do White Materials de Calire Denis que põem a branquinha Isabel Huppert no meio dos conflitos africanos, ou ainda Between Two Worlds, que parece coisa doutro mundo, filme como torrente, coisa de oralidade filmada.
  • Fica ainda a atenção redobrada para Lourdes, Accident e Mr Nobody.
  • Rivette passou ao lado!