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7.27.2010

Cinema Português em Marcha - 15/23

7# Trans-Europa é a primeira aventura na ficção do Franco-Português Brasileiro Sérgio Trefaut, realizador de Lisboetas (melhor filme nacional de 2004 no Indie), que se mantém no tema da emigração, mas agora pelos desempenhos de Maria de Medeiros (que foi colega de liceu de Trefaut) e Isabel Ruth; a história é inspirada na experiência da professora de russo do realizador, mulher ucraniana, que em 1998, vem passar o natal com o marido senegalês, ambos médicos, que trabalha em Portugal na construção civil, só que por uma série de mal entendidos, ninguém fala russo e a mulher não fala português, acaba por ficar retida no aeroporto durante mais de 36 horas até ser obrigada a embarcar para um país que não o seu (Rússia) em Business Class (era para ser este o título original), pagando do seu bolso a viagem.
O filme foi rodado maioritariamente em Serpa, localidade querida de Trefaut, onde se organiza o Doc's Kingdom e que providenciou estadia, alimentação, transporte e acesso aos edifícios da câmara para as filmagens. Grande parte do aeroporto é de facto a biblioteca municipal de Serpa, que por ser um edifício novo, minimalista, branco, quase asséptico, era o ideal para o realizador, que tenta criar um ambiente em que tudo o que é externo às personagens seja reduzido, para que as emoções venham ao de cima mais puras; segundo o próprio realizador, as fotografias de Richard Avedon, nomeadamente o livro In The American West, foram as maiores influências estéticas.
Com um director de fotografia Brasileiro (Edgar Moura - Jaime, A Outra Margem), Maria de Medeiros que fala seis línguas e teve que aprender russo para este papel, Makena Diop que faz de marido, Lyubyy Mekhaylo que já vinha de Lisboetas, a multicultaralidade é uma marca forte que artigo da visão evidencia.
"É um filme que tenta mostrar como todas as personagens que vivem dentro de uma rotina e convencidas de que estão certas, às vezes, sendo até muito simpáticas, podem destruir a vida de outras pessoas. Sem consciência e apenas pela obediência ao ritmo dos outros, às hierarquias e às funções"; estas são as palavras de Trefaut em relação à inspectora da polícia, papel desempenhado por Isabel Ruth.
Fica ainda um artigo do Alentejo Popular e uma reportagem do Expresso que inclui um vídeo com cenas da rodagem.

7.26.2010

Cinema Português em Marcha - 14/23

8# Operação Outono, é o novo filme de Bruno de Almeida (IMDB, Wiki), realizador de The Loverbirds, Amália - Uma estranha forma de vida, Bobby Cassidy. Para começar há que avisar que este filme é, dos 22 aqui apresentados, aquele cuja presença faz menos sentido, uma vez que o filme recebeu o apoio do ICA (no valor de 600 mil euros) muito recentemente e ainda está apenas da fase de pre-produção, não há rodagem, fotografias, actores, nem página no IMDB, este filme para todos os casos ainda não existe e no entanto é um dos mais antecipados pelo que aqui se assina.
Espera-se que as filmagens se iniciem ainda este ano (em Dezembro), mas o realizador avisou logo que :"Vai demorar os anos que forem precisos, não tenho pressa, porque em Portugal não há muitos filmes com estas características", ainda por cima, prevê-se que para além de Portugal o filme passe por Espanha, Argélia, Marrocos, França e Itália.
O filme basear-se-à no livro de Frederico Delgado Rosa, Humberto Delgado - Biografia do General Sem Medo, e retratará a candidatura do Humberto Delgado durante o regime Salazarista e o consequente assassinato por parte da PIDE em Espanha e respectiva investigação no pós-25 de Abril. Antecipa-se um Thriller político, produzido pela Alfama Films de Paulo Branco; a estreia está prevista para o Outono de 2011.

7.25.2010

Cinema Português em Marcha - 13/23

9# Efeitos Secundários é também a primeira Longa de Paulo Rebelo, argumentista de O Fantasma e Odete, assim como o montador desses dois filmes de João Pedro Rodrigues, assim como de Terra Sonâmbula. Este é um filme apoiado pelo ICA e pela RTP e produzido pela C.R.I.M. (Christine Reeh e Isabel Machado são as fundadoras, às quais se juntou Joana Ferreira), para a qual este projecto também é a primeira longa, sendo que o filme era para estrear em 2008 e isso só virá a acontecer em 2010. O filme conta com as participações de Nuno Lopes, Maria João Luís e Rita Martins. A trama gira em volta de uma mulher, cabeleireira, viúva e solitária, que passa a vida a ajudar os animais abandonados (podem consultar a escola de cães - Azeicão - donde o cão-actor do filme vem, analisando o curriculum do snow-ball, na imagem), quando um dia decide ajudar um miúda (abandonada) seropositiva, deste evento criam-se uma série de complicações ajudadas pela romance com um pescador. No Making Of Europa, podemos ver um vídeo da rodagem, uma entrevista com o realizador, outra com a produtora, uma com a directora de fotografia e ainda duas com Nuno Lopes e Maria João Luís. Podem ainda ler uma entrevista ao realizador do Notícias do Norte onde nos é explicado que da mesma forma como Fassbinder transpôs Tudo o que o céu permite para Munique em O Medo come a Alma, Rebelo propôs-se a passar o filme de Sirk para a Costa da Caparica onde foi inteiramente filmado. O filme também foi seleccionado para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A banda sonora está a cargo da jovem banda 'Os Tornados'.
Podem consultar a página do facebook do filme e descobrir que este já foi seleccionado para o New York International Independent Film and Video Festival, 8º Festival de Cinema da União Europeia, 28º Festival Cinematográfico Internacional do Uruguai e o Bergamo Film Meeting.

7.24.2010

Cinema Português em Marcha - 12/23

10# América, mas porque razão chamar América a um filme sobre Portugal? Pois bem: Portugal é a América dos pobres, o El dorado que acaba por ser um embuste, um sítio onde ficam presos aqueles que buscavam liberdade. Realizado pelo estreante João Nuno Pinto (vindo da publicidade), este é um projecto que já conta com 6 anos, adaptação de um guião de Luísa Gomes Costa, que conta uma história dramática e irónica sobre um Portugal de imigrantes. Com os portugueses Ivo Canelas, Fernando Luis, Raul Solnado (sendo este o seu último trabalho em cinema) e Dinarte Branco, a russa Chulpan Khamatova, a espanhola María Barranco e o brasileiro Cassiano Carneiro, a banda sonora está entregue aos Dead Combo e a Fotografia a Carlos Lopes (Alice). Filmado na Cova do Vapor, este é uma co-produção (com orçamento de 1.4 milhões) portuguesa (Filmes Fundo, Garage filmes e Ukbar filmes), espanhola (Morena Films, produtora de Che), brasileira (Dezanove) e russa (Urubus e 2Plan2), apoiada pelo ICA, pela RTP, pelo programa IBERmedia, pela ANCINE, pelo ICAA. Podem visitar a rodagem (iniciada no Novembro de 2008) com este vídeo do Fotograma, ou ainda assistir ao casting dos actores chineses do filme.
A história tem como personagem principal Victor (vigarista burlão) que vive com uma jovem russa, até que uma jovem andaluz chega ao seu bairro, por não ser capaz de escolher uma das meninas, junta-as debaixo do mesmo tecto com o seu filho de seis anos, há de aparecer mais uma rapariga de leste e tudo se complicará quando Victor tentará um negócio na falsificação de documentos para os emigrantes.

7.23.2010

Cinema Português em Marcha - 11/23

11# 15 Pontos na Alma é o primeiro filme do realizador Vicente Alves do Ó, que depois de conhecer pela reportagem do fotograma, me parece um senhor com um ego maior do que é habitual no cinema português e que provocará polémica (diz que já está farto de filmes sobre pobrezinhos), argumentista de Kiss me, Os Imortais e Assalto ao Santa Maria. O seu filme retratará a elite lisboeta (os ditos elegantes) e as suas vidas que não são ausentes de sofrimento. Um filme que se fortalece na fotografia cuidada, nos decors ricos e no guarda roupa 'glamourouso', com a participação de Rita Loureiro e João Reis nos principais papeis, Ivo Canelas, Dália Carmo, Ana Moreira e Rui Morrison em papeis mais secundários. Podem seguir os dias de rodagem (que acabaram em Março do ano passado) no blog do realizador: Desejo e Destino.
Produzido pela Filmes do Fundo com apoios do ICA, MC e RTP, o filme trata de uma Simone que conhece o amor da sua vida momentos antes deste tentar suicidar-se e da relação que daí se estabelece. Podem consultar a página do FaceBook do filme e ver este, este ou este teaser.

7.22.2010

Cinema Português em Marcha - 10/23

12# Perdida Mente/ Paixão, dois filmes e Margarida Gil, realizador de filmes como O Anjo da guarda (seleccionada para a competição no Fantas de 1999) ou Rosa Negra (seleccionado para a competição do festival de Locarno em 1992).
Perdida Mente (trailer) é uma longa curta (media-metragem seria o melhor nome), filme de 63 minutos, foi o vencedor de melhor argumento original no Festival Internacional de Cinema e Vídeo Independente de Nova Iorque (artigo do Correio do Minho), o que levou a que o filme estreasse em Portugal numa sessão da cinemateca (acompanhado de O Espelho Lento de Solveig Nordlund, as duas realizadoras são a fundadoras da produtora Âmbar Filmes, cujo blog podem seguir aqui). Este filme era para ser uma curta metragem, mas acabou por se prolongar, conta a história de uma pai com uma doença mental incapacitante e da filha que tenta tudo por tudo para fixar o pai à terra e evitar a progressão da doença; nas palavras da realizadora: "É um filme sobre alguém que começa a perder o pé (...) ele não sabe onde está, o que quer é a forma das coisas; é esse momento que o filme trata". Podem ver uma entrevista com a realizadora para o Cinemax (os primeiros 5 minutos) onde se visita a rodagem do Paixão, mas que depois desemboca no Perdida Mente.
Quanto a Paixão podem ver a reportagem anterior ou a do Janela Indiscreta (a partir do 18º minuto). Este é um filme sobre uma mulher (Ana Brandão), cantora que aprisiona um escritor novo (Carloto Cotta) e em cativeiro alimenta-se da sua beleza, só que depois perde-se a noção de quem está preso e quem aprisiona.
A realizadora comparou as duas obras, dizendo que se Paixão era uma sinfonia, Perdida Mente era um quarteto de cordas

7.21.2010

Cinema Português em Marcha - 9/23

13# Filme do Desassossego é a adaptação do Livro do Desassossego de Bernardo Soares (compilação de textos deste que é um dos (semi)heterónimos de Fernando Pessoa), o projecto está nas mão de João Botelho, realizador de filmes como Tráfico, A Mulher que acreditava ser Presidente dos Estados Unidos, Quem és tu?, O fatalista, Um adeus Português, Corrupção (não creditado), A Corte do Norte e Conversa Acabada, este último (sua primeira ficção) era já sobre Pessoa, quase 30 anos depois Botelho volta a um dos ícones da Portugalidade.
O ano passado aquando na comemoração dos 120 anos do nascimento de Pessoa, Conversa Acabada foi editado em DVD e anunciou-se este filme, que meses mais tarde ganharia o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, monetário (200 mil euros) e logístico, podem ver um vídeo da assinatura do protocolo com participação de Inês Pedrosa (directora da Casa Fernando Pessoa), do produtor Alexandre Oliveira e do Realizador, assim como do presidente da câmara António Costa.
Botelho justificou-se na realização deste filme com três ideias do livro, uma sobre a luz (a luz que ilumina os sapatos das pessoas deve ser a mesma que ilumina as caras dos santos), sobre o tempo (o tempo no cinema é como nos sonhos, nunca é o tempo real) e por fim sobre a necessidade de ler em voz alta o livro do desassossego para compreender toda a sua essência.
Produzido pela Ar de Filmes (podem visitar o sitio oficial do filme com uma nota de intenção, um sinopse, imagens, informação sobre a produtora, sobre Botelho e sobre Pessoa) com a apoio da Câmara de Lisboa e do ICA. Ficam aqui uma série de fotos da rodagem e uma reportagem.
Prevê-se que estreie nos finais de Outubro deste ano.

7.20.2010

Cinema Português em Marcha - 8/23

14# Águas Mil foi o filme português que esteve quer na secção de competição nacional, quer internacional da edição do indie de 2009 (antes desta estreia nacional, tinha já passado em Roterdão), realizado por Ivo Ferreira que faz com este filme a sua segunda longa (depois de Em volta), retrata o pos-25 de Abril de 74 abordando os acontecimentos que ficaram escondido pela euforia e alegria de uma revolução tão marcante para Portugal. O artigo do publico aborda o tema e explica que a trama trata de um jovem, na actualidade, que busca pelo pai desaparecido aquando da revolução, pelas palavras do autor "Essa fatia da história foi eclipsada. A Revolução dos Cravos foi uma grande festa que deu uma grande ressaca, e eu queria saber o que se construiu depois disso". Com Gonçalo Waddington no principal papel. Fica aqui o site oficial com um pequeno trailer, entrevista ao realizador e fotografias do filmes, assim como a conta do Twitter do filme e uma reportagem da SIC aquando das filmagens da manifestação anual na Avenida da Liberdade.
Produzido pela Filmes do Tejo II com dinheiros do ICA, MC e RTP, foi rodado no Alentejo, em Espanha na zona de Almeria, em Vila Real de Santo António, na Costa da Caparica e em Lisboa.
O filem era suposto ter estreado em sala pouco depois da passagem pelo indie, passou um ano, mais um 25 de Abril e ainda nada, se calhar só para o próximo.

7.19.2010

Cinema Português em Marcha - 7/23

15# Mistérios de Lisboa é uma hiper-produção no valor de 2.5 milhões de euros, produzida por Paulo Branco numa co-produção da Alfama Films, Clap Films, RTP e ARTE, com apoios do ICA, da Câmara de Lisboa e Sintra e do Media Programme, realizado por Raoul Ruiz e com um elenco de mais de 55 actores maioritariamente portugueses (apesar de algumas presenças francesas), filmado em França, Itália, Brasil e claro está Portugal. O produto final será uma série (de 3 episódios de 90 minutos ou 6 episódios de 60, as fontes contradizem-se) que passará no final de 2011 na televisão estatal e mais cedo na ARTE, assim como uma longa metragem de cinema de mais de 4 horas e meia que se espera que seja seleccionada para Cannes e que estreará antes da versão televisiva.
Despachada esta parte, passemos ao que mais interessa, adaptado do romance homónimo de Camilo Castelo Branco, conta-se um romance de cordel com uma senhora num romance impossível que perde o amante e fica sem o filho bebé, encontrando-o anos mais tarde. O que poderá trazer a atenção a este filme, não será o elenco televisivo (Adriano Luz, Maria João Bastos, Rui Morisson, Joana de Veronna, Carloto Cotta, Sofia Aparício, Catarina Wallenstein, Marco d'Almeida, Dinarte Branco, ...), mas sim o realizador chileno, presença habitual dos festivais, apesar de nos últimos dez anos não ter nunca sido agraciado pela crítica (1,2,3).
O que me dá alguma esperança é a crítica que o Les Inrocks fez do filme, o dito foi projectado para uma plateia de luxo com nomes como Cristophe Honoré, Catherine Deneuve, Isabelle Huppert e Fanny Ardant (todos amigos de Paulo Branco), que juntamente com a crítica viram o filme, o resultado ao que parece é encantador, para os que sabem francês, aqui fica.
Podem ler o artigo do Destak, consultar o sitio oficial, o blog da rodagem com dúzias de fotografias, uma reportagem da RTP, outra do Só Visto ou estes episódios da rodagem.

7.18.2010

Cinema Português em Marcha - 6/23

16# Assalto ao Santa Maria/ O Cônsul de Bordéus, estes são os novos filmes de Francisco Manso, homem que desperta controvérsia, realizador de filmes de época como A Ilha dos Escravos e O Último Condenado à Morte, que sempre recebeu pelos filmes que realizou apoios do ICA, sem que, no entanto, os seus filmes tivessem sucesso em festivais, por parte da crítica ou por parte do público. Então porque razão se continua a apoiar o seu cinema?
Quanto ao primeiro, retrata-se um episódio histórico marcante da mitologia recente portuguesa, ou seja, quando Henrique Galvão ocupou um dos mais prestigiados paquetes turísticos portugueses na Venezuela e daí deu a conhecer ao mundo a opressão do regime Salazarista e Franquista. Com Carlos Paulo como Galvão, Leonor Seixas, Pedro Cunha e Victor Norte. Fica aqui uma visita às filmagens em Viana do Castelo (no navio/museu Gil Eannes ancorando em Viana do castelo onde toda a rodagem decorreu) pelo Fotograma e aqui outra semelhante. Produzido pela Take 2000 com apoios do ICA, MC, FICA, RTP e TVGaliza.
O segundo é co-dirigido com João Correa (um dos argumentistas) e tem como figura história o diplomata Aristides de Sousa Mendes, aquele que salvou milhares de judeus falsificando documentos para que estes pudessem fugir aos nazis. Também com Victor Norte, o filme teve rodagem em Outubro do ano passado. As noticias são por demais (Público, JN, IOL, CM, Câmara Municipal de Viana do Castelo, Mundo Português).
Orçamentado em 3 milhões de euros (vindos do ICA, RTP, MC, ICAA, IBERMedia e produzido pela Take 2000), usando mais de 1200 figurantes, filmado em Viana do Castelo, Bordéus e na fronteira entre França e Espanha, esta é uma grande produção que deveria já ter estreado, para assinalar em Junho os 70 anos do episódio retratado.

7.17.2010

Cinema Português em Marcha - 5/23

17# O Barão, novo filme de Edgar Pêra, realizador na área do vídeo com filmes como A Janela (nomeado para uma série de Globos de ouro incluindo melhor filme) e Homem Teatro ambos seleccionados para o festival de Locarno, Movimentos Perpétuos (melhor longa portuguesa, prémio do público e melhor fotografia no Indie) ou Rio Turvo adaptado de um livro de Branquinho da Fonseca e seleccionado para o Indie e Fantas. [Podem consultar a filmografia do realizador, o seu canal do youtube ou na BlipTv, nos quais podem ver excertos e algumas curtas].
O Barão é também uma adaptação de Branquinho da Fonseca, de um conto homónimo e de outro, O Involuntário; a adaptação é de Luisa Costa Gomes e o filme conta com 900 mil euros para (sempre em estúdio, o que é raro no cinema português) contar a história de um inspector que vem investigar os estranhos comportamentos de uma professora e é arrastado para os domicílios do Barão, homem poderoso da zona. A descrição dá a entender uma obra surrealista com tunas e rituais dionisíacos.
Produzido pela Cinemate com apoios do ICA e da RTP, foi filmado em Setembro da ano passado, o filme conta com Nuno Melo no papel de Barão. A antena 1 fez uma reportagem que podem ouvir aqui, assim como o DN.

7.16.2010

Cinema Português em Marcha - 4/23

18# Contraluz é um filme todo filmado nos Estados Unidos com Joaquim de Almeida, uma menina da televisão americana, Skyler Day, outro menino do mesmo sítio, Scott Bailey; todo falado em inglês que retrata um futuro em que a humanidade está prestes a extinguir-se.
Faz uns meses, quando António Feio esteve em grandes dificuldades, como foi sabido, fez este vídeo, um pequeno comentário ao trailer que havia circulado na Internet, promovendo o filme que já tinha visto (o que indica que já está pronto), desde então, um videoclip dos Santos e Pecadores com imagens do filmes foi também publicado; Lema é o nome da música que será o tema do filme (cuja banda sonora é do mesmo compositor de Amália - Nuno Maló). Podem ainda consultar o sitio oficial aqui e ver o novo e mais extenso trailer.
Fernando Fragata é um realizador cujo trabalho se enquadra perfeitamente neste filme, quer Sorte Nula, quer Pulsação Zero eram filmes que pretensão a serem filmes de acção (fica aqui uma compilação de cenas de filmes dele), agora, nos States ele tem a oportunidade de fazer isso, mas com meios; produzido pela sua companhia Virtual Audiovisuais e pela Signature Entertainment.
Está previsto que o filme estreie no próximo dia 22 de Julho.

7.15.2010

Cinema Português em Marcha - 3/23

19# Marginais, segunda longa de Hugo Diogo depois de Incógnito (2006) que passou ao lado da maioria, este é um filme que segundo a descrição oficial tem como temas base "Incesto, lutas de rua, redenção, amor, paixão e vingança", temos uma miúda que é violada pelo pai do qual tem um filho, dois irmãos que se desconhecem, um novo vizinho com passado problemático: enfim, em tudo se aproxima de uma telenovela, com o protagonista José Fidalgo e com um argumento baseado numa história do Correio da Manhã (curiosa a notícia que informa que o coreografo das cenas de luta do filme e actor secundário foi considerado suspeito numa série de assaltos e é procurado pela polícia).
Só para que se tenha uma ideia, segundo o Correio da Manhã: "Para o público feminino, tem ainda um José Fidalgo em tronco nu o tempo todo..."
Produzido pela David e Golias e Costa do Castelo com apoios do ICA, MC e FICA, Marginais foi filmado já em 2008 no Seixal e Lisboa. O filme tem trailer e podemos assistir a um pequeno vídeo da rodagem.

7.14.2010

Cinema Português em Marcha - 2/23

20# Quero ser uma Estrela, produzido pela marginal filmes, com apoio da TVI e financiamento do ICA, do FICA (na altura em que ainda não estava bloqueado), do Ministério da Cultura e do Correio da Manhã. É realizado por José Carlos de Oliveira que trabalha desde os anos 90 na realização de séries televisivas, que também é autor do argumento que trata do tema das redes de prostituição em Moçambique, a história resume-se assim: uma rapariga adolescente levada a crer que entrará no negócio da moda como modelo, entre numa rede de tráfico de menores para a prostituição, uma senhora portuguesa (interpretada por Dalila Carmo) descobre o caso e denuncia a rede salvando a dita moça.
Não pretendo ser imparcial, por esse motivo este filme encontra-se no vigésimo lugar de vinte, é aparentemente uma obra de baixíssima qualidade como a TVI nos tem habituado.
O filme foi apresentado em Maputo no passado dia 1 de Julho e espera-se que estreie em Fevereiro, podem consultar a página do filme no Facebook onde várias imagens estão disponíveis, ver a entrevista do Correio da Manhã ao elenco e ainda um pequeno vídeo com imagens da rodagem.

6.28.2010

Videoclip! - II

Desde 2004 que o festival de curtas de vila do conde tem uma secção competitiva de videoclips, o ano passado fiz uma publicação sobre esta secção competitiva apresentando todos os concorrentes (o viedoclip é uma forma de arte vídeo que abunda na internet, sendo por isso mais fácil de aceder que as curtas), este ano faço o mesmo e da mesma forma que organizei a secção por interesse (meu), a negrito e em maiores dimensões estão aqueles que creio serem melhores, sendo que os outros decrescem proporcionalmente.

A salientar a presença contínua de Romain Gravas, que o ano passado esteve com o muito polémico clip dos Justice e agora se apresenta com o não menos chocante clip de Mia (um dos melhores). OK GO que tinham um muito divertido clip com passadeiras de corrida entram em competição com um divertido jogo de dominó; os Papercutz têm um dos mais cativantes videos (em parte português) que combina habilmente a música com a imagem num sentido quase hipnótico. O clip dos Massive Attack (banda que não falta um ano em Portugal) tem também um video musical em forma de documentário sobre o cinema pornográfico e uma das suas caras mais conhecidas. David Fonseca é uma das poucas participações portuguesas, ele que antes de se dedicar à musica se licenciou em cinema, realiza o seu próprio clip. Os Coldplay têm um vídeo divertidíssimo que provavelmente já conheciam da televisão. Synesthesia é um dos mais curiosos, assim como o Bop e Look, respectivamente de Brand Brauer Frick e Sebastien Tellier.

2.08.2010

Tomar atenção: 3 de 3

Numa época de prémios, que invariavelmente prestigiam os filmes comerciais, ou, que pelo prestigio, vão ter mais sucesso comercial, é importante virar os olhos para aqueles objectos mais longínquos, também vencedores de prémios, mas a uma escala mais pequena, e que por isso não recebem a visibilidade que outros títulos auguram.

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Only (rottentomatoes,imdb)
O quê:Um menino de 12 anos vive com os pais no hotel da família onde a sua relação com as pessoas é temporária como seria de esperar, até que um dia uma hóspede da mesma idade o cativa; aproveitando o único dia que poderão passar juntos, este casalinho vai construir uma amizade, partilhando segredos e descobrindo as convulsas estradas do primeiro amor.
Porquê: Apresentado em Toronto na penúltima edição e na secção competitiva de Slamdance do ano seguinte, este é a primeira longa da parelha Simon Reynolds e Ingrid Veninger (ambos actores, ele de filmes como Traitor ou Saw IV ela de objectos mais alternativos e de séries de televisão como a The Taking of Pelham One Two Three) a dupla é também argumentista nesta pequena gema com péssimo sucesso de distribuição. Filme de festivais e ciclos de crítica, foi seleccionado pelo prémio do público em alguns. Com sorte é seleccionado pelo Indie.

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Van Diemen's Land (imdb,rotten71,variety)
O quê: Em 1882 um grupo de homens foge da prisão para o meio do mato em busca de liberdade (e saindo de uma vida de trabalhos forçados no corte de madeira), só que o grupo não tem a capacidade de caçar a fauna local nem conhece a flora, sendo que, na impossibilidade de regressar, viram-se para o canibalismo. Ao que parece é uma história verídica nos primórdios de uma Austrália despovoada.
Porquê: Jonathan auf der Heide é neste filme actor, realizador, argumentista e produtor, apesar de ser a sua estreia em todas as áreas menos a da representação. O filme ganhou o prémio New Visions em Stiges e a crítica tem sido unânime em elogiar ao lado do argumentista que criou um ponto de partida corajoso e inteligente, apesar de alguns criticarem o facto de o filme cair em moralismos e vulgaridades cinematográficas. A Variety comparou-o a um certo cinema de Herzog no que diz respeito à concepção da natureza como personagem em si, a qual foi captada (ao que parece com grande destreza) pelo director de fotografia Ellery Ryan.

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Sin Nombre (imdb,rotten88,filmcritic2.5,variety,RogerEbert4)
O quê: Uma adolescente hondurenha sonha com uma vida nos estados unidos, para que esse sonho se torne realidade tem que entrar no perigosos mundo da emigração clandestina, acompanhada do pai e tio. Sendo que a sua mudança para o México é apenas o primeiro passo de uma atribulada viagem, onde um gang mexicano os assalta e onde conhece um dos jovens meliantes.
Porquê: Há uns dias atrás teria afirmado a pés juntos que este seria um dos nomeados pela academia na categoria de filme estrangeiro (a meu ver com Los Abrazos Rotos, La Nana, Das weise Band e Un Prophet) teria errado, no entanto, o interesse por esta obra que tem vindo a ganhar tudo e mais alguma coisa não esmoreceu. Nomeado para os British Independet Film Awards (melhor estrangeiro), Independet Spirit Awards (realizador, filme e fotografia), vencedor em Sundance de melhor fotografia e realização e vencedor de vários ciclos de críticos na categoria de melhor estrangeiro. O realizador estreante é director de fotografia e tem desenvolvido trabalhos nessa vertente (assim como guionista) em projectos da realizadora de Treeless Mountain (apresentado no episódio anterior desta rúbrica)

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Maria Larssons eviga ögonblick (imdb,rotten89,filmcritic3,variety,RogerEbert4)
O quê: Nos anos 60, na Suíça, uma mulher de um alcoólico e violento homem que apesar de tudo a ama, ganha numas rifas uma máquina fotográfica, sendo que através deste seu brinquedo consegue esquecer a sua vida de dificuldades e olhar o mundo com esperança.
Porquê: Este já é de 2008, mas como deste então nada se falou do dito, só me resta fazer a minha parte na divulgação. Nomeado (o ano passado) para melhor estrangeiro nos Globos, assim como nos Independet Film Awards, este é um filme de época de Jan Troel (que é argumentista e também director de fotografia neste filme) o realizador suíço de The Emigrants filme de 71 nomeado para o Oscar de melhor estrangeiro e melhor argumento original, vencedor de Urso de Prata por Il Capitano (1991) e de ouro por Ole dole doff (1968). O site cinema 2000 que tem os arquivos de tudo o que estreia ou é editado em dvd desde à quase 12 anos não tem qualquer registo do realizador, por isso esta seria uma oportunidade de dar a conhecer um realizador obscuro no nosso panorama comercial.


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Samson and Delilah (imdb,rotten100,variety)
O quê: Dois jovens aborígenes do deserto Australiano, depois de um desastre na sua comunidade isolada, fogem, para embarcar numa viajem de descoberta pessoal. Uma história de amor, crua e carinhosa. Vale a pena ler as críticas do rottentomatoes.
Porquê: Este é dos mais antecipados filmes do ano que cessou, principalmente depois Warwick Thornton ter ganho a Golden Camera (prémio de Cannes atribuído a primeiras obras de realizadores estreantes; Jim Jarmush, Mira Nair, Bruno Dumont, Porumboiu e Spike Lee são alguns dos premiados; o vencedor do ano anterior foi Steve McQueen com Hunger). O filme também ganhou Australian Writer's Guild e o Asia-Pacific Film Festival. Thornton já tinha ganho o urso de cristal (pela sua curta Nana) e uma menção honrosa da AFI Fest pela curta Green Bush.

2.05.2010

Tomar atenção: 2 de 3

Numa época de prémios, que invariavelmente prestigiam os filmes comerciais, ou, que pelo prestigio, vão ter mais sucesso comercial, é importante virar os olhos para aqueles objectos mais longínquos, também vencedores de prémios, mas a uma escala mais pequena, e que por isso não recebem a visibilidade que outros títulos auguram.

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J'ai tué ma mère (imdb ,rotten,variety)
O quê:Um adolescente tem uma relação de amor/ódio com a mãe. Não consigo escrever muito mais, mas vejam o trailer que vale a pena e esclarece bastante.
Porquê: Xavier Dolan, canadiano, estreante nas artes da realização (onde também escreve e produz), este foi actor, participando em televisão e várias produções independentes canadianas (entres elas Martyrs, filme que passou no MoltelX); aparece agora com um filme (onde também é actor- principal) que arrasou os prémios da Vancouver Film Festival ganhando melhor filme canadiano, assim como em Cannes tinha ganho o prémio DCAD (da quinzena dos realizadores) e o Prix Regards Jeune, tendo passado por diversos festivais, entre eles São Paulo e Bangkok. Foi o filme escolhido como candidato aos Oscars pelo Canada.

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Trucker (imdb,rotten58,filmcritic2,variety,RogerEbert4)
O quê: Era uma vez uma camionista, mulher no meio de homens, com uma vida solitária pelos estados unidos , com relações fugazes em moteis e fechada no seu casulo (leia-se camião) e depois um ex namorado com o qual teve um filho adoece e tem que cuidar do seu filho de 11 anos durante a recuperação, jornada de descoberta interior, blá, blá blá, aquelas coisas que um certo cinema independente americano parece estar preso .
Porquê: Michelle Monoghan é a produtora deste filme que é a primeira obra do seu realizador e argumentista James Mottern. Ao que parece supôs que com este filme ganharia as graças da crítica e conseguiria sair da série de papeis secundários que a tinham condenado; por um lado temos (grande) parte da crítica a dizer que o filme é um melodrama inconsistente, cheio de clichés e cambalhotas narrativas, por outro lado temos Roger Ebert (o supremo crítico) a dar nota máxima à película. No entanto, parece que um certo olhar do realizador para com os hábitos de pequenas localidades e o retrato inicial da vida de um camionista são de extraordinária beleza e simplicidade.

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The Last Station (imdb,roten64,filmcritic2.5,variety)
O quê: The Last Station é uma adaptação do romance de Jay Parini, pela mão de Michael Hoffman, sobre os últimos tempos do escritor Leo Tolsty, quando, já depois de aceitação internacional da sua obra, gere no campo, o seu estatuto de génio literário, circundado de admiradores e da sua relação conflituosa, mas espirituosa com a mulher. O filme acompanha o secretário pessoal de Tolstoy e da sua relação com o génio.
Porquê: A crítica é unânime, este não é certamente o melhor filme alguma vez feito, nem nada que se aproxime, no entanto, é digno de nota, pela presença de Hellen Mirren (como mulher de Tolstoy) e de Cristopher Plummer (como Tolstoy, ambos nomeados para os Globos de Ouro pelos seus papeis nesta película e para os oscars). Serão mesmo os actores que sustentam o filme de época e sem folgo e repleto de artifícios (televisivos), entre eles Paul Giamatti e James Mcavoy (como Secretário).

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Treeles Mountain (imdb,rotten86,filmcritic4,variety)
O quê: Depois da mãe ter partido em busca do pai, as duas irmãs ficam a viver com a tia, sendo que o regresso da progenitora se daria quando as duas conseguissem encher um porquinho mealheiro, o porco enche-se e mãe não chega, a tia já não pode tomar conta delas e o seu destino vira-se para os avós que vivem no campo.
Porquê: Vencedor do prémio Ecuménico em Berlin e nomeado para John Cassavetes Award, este é uma obra que tem vindo a ter o melhor acolhimento da crítica. Realizado pela quase estreante So Yong Kim (realizou apenas In Between Days, pelo qual foi considerada uma artista em ascensão depois de ganhar o FIPRESCI em Berlim e o prémio especial do júri em Sundance), que produz e escreve, esta é uma realizadora de extrema velocidade produtiva, pois já acabou Chinatown Film Project e tem já outro trabalho na calha, tendo produzido dois outros entretanto.

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In the Loop
(Filmcritic3.5,Variety,Rotten93,imdb)
O quê: As tramas da política (trans-atlântica) na vésperas da invasão do Iraque, onde as forças e influências politicas têm mais que ver com as aparências na televisão do que o bom senso. Mais uma vez digo, veja-se o Trailer que diz mais do que eu consigo.
Porquê:Quando escolhi os 15 filmes que iam fazer parte desta lista, tinha posto Crazy Heart, porque não me passava pela cabeça, que ele fosse ganhar o globo para melhor actor (tirei-o), agora saíram os nomeados para os Oscars e In The Loop está nomeado para melhor argumento adaptado (na mesma categoria nos BAFTA e nos British Independet Film Awards, à semelhança de happy-go-lucky, também britânico, também moderadamente cómico), mas desta vez não o tiro. Já tem data de estreia nas nossas salas (com o título Em Inglês S.F.F.), no entanto quero apenas lembrar que este filme foi comparado a Dr. StangeLove e Spinal Tap. De uma acutilancia política e de um humor ácido - o argumentista é o mesmo de uma das mais delirantes Britcoms (entre outras) Peep Show. O realizador Armando Iannucci também vem da televisão (em facto esta é a sua primeira aventura no cinema), onde teve um programa com o seu nome.

2.01.2010

Tomar atenção: 1 de 3

Numa época de prémios, que invariavelmente prestigiam os filmes comerciais, ou, que pelo prestigio, vão ter sucesso nessa área, é importante virar os olhos para aqueles objectos mais longínquos, também vencedores de prémios, mas a uma escala mais pequena, e que por isso não recebem a visibilidade que outros títulos auguram.

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La Nana (imdb,variety,rotten95)
O quê: Raquel é uma empregada, doméstica e ama de uma família há mais de 25 anos, passando a fazer (mais ou menos) parte da família, isto, até que uma nova empregada é contratada, e Raquel que era uma santa, mostra as suas garras.
Porquê: Nomeado para melhor filme estrangeiro nos Globos (e quase certo na mesma categoria dos Oscars, grande concorrente de Los Abrazos Rotos e Das weisse Band), vencedor de melhor filme e melhor actriz em diversos festivais e círculos de críticos, este foi vencedor do Grande prémio do jurí em Sundance (para o World Cinema) e prémio especial do júri para o desempenho de Catalina Saavedra. Além disto, um filme com uma tagline como: She's more or less family, vale a pena só por isso.

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The Messenger (imdb,rotten90,filmcritic3,variety,Roger Ebert3.5)
O quê: Acompanhamos um militar destacado para uma equipa que anda pelos estados unidos a dar as condolências às famílias dos militares mortos na guerra.
Porquê: Apresentado em Berlim, onde ganhou prémio da paz e leão de ouro para melhor argumento, ficou em águas de bacalhau até ao final do ano até ser estreado nos EUA onde tem vindo a ganhar grande notoriedade, com 3 nomeações nos Independent Film Awards, uma nomeação para os Globos e vencedor de melhor actor secundário e spotlight award pela National Board of review. Woody Harrelson tem vindo a ser o mais homenageado (apesar do realizador Oren Moverman ser digno de nota, que apesar de ser estreante nestas andanças, foi o argumentista de I'm not There), neste ano que é de ouro para o actor que depois do sucesso comercial de Zombieland e 2012, da antecipação de Defendor, este filme indie que lhe vai dar (quase certo) uma nomeação para o Oscar de melhor secundário.

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Humpday
(imdb,rotten79,filmcritic3.5,variety,RogerEbert3.5)
O quê: Dois amigos de faculdade reencontram-se passados vários anos e por uma série de eventos azarados, inscrevem-se num concurso de vídeos pornográficos; depois de muito pensar consideram que a única coisa que lhes resta fazer é ter sexo, apesar de ambos serem heterossexuais e um deles casado.
Porquê:Vencedor do prémio especial do Júri em Sundance (o ano passado) e nomeado para o prémio Cassevetes pelo seu realizador/argumentista/produtor Lynn Shelton. O filme tresanda (no bom sentido, se isso é possível) a comédia indie, filmada sem artifícios, baseia-se exclusivamente na química que os actores conseguem gerir; como é normal tenta-se brincar com os tabus de forma adulta e descomplexada (podemos pensar que é a versão indie e gay de Zack and Miri make a porno), retorcendo os clichés que quase automaticamente surgem no género. Lembrar apenas que o filme é em grande parte fruto de improviso. Tem andado nos calendários com data de estreia há mais de três meses, tendo sido adiado consecutivamente, quem sabe o indie lhe pegue.

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Bronson (imdb,rotten78,filmcritic3,variety,RogerEbert3)
O quê: Bronson é o nome do alter-ego de Michael Peterson, um jovem de 19 que vai parar à prisão e lá cresce para se tornar o mais perigoso presidiário inglês, sentenciado a 7 anos, passa lá 34, 30 dos quais na solitária. Acompanha-se um homem desequilibrado e a sua sede por notoriedade. O filme passeia-se pelo filme de terror, humor negro, gore, sendo no fundo um tratado sobre uma personalidade perturbada.
Porquê: Ao que se conta, Tom Hardy faz uma papel de partir paredes (literalmente), na pele de um presidiário louco; venceu melhor actor nos British Independent Film Awards. O filme foi nomeado para o prémio do Júri em Sundance o ano passado. Realizado por Nicolas Winding Refn (realizador da Trilogia Pusher) e que desde este filme já fez Valhalla Rising (apresentado em Toronto com pouca aceitação), este realizador pelo que se percebe tem um gosto especial por violência (gratuita ?), sendo que Bronson não é excepção.

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Panique au village (imdb,rotten86,filmcritic2,variety,RogerEbert3.5 )
O quê: A história de três bonecos de plástico, chamados vaca, cowboy e índio respectivamente, e das suas aventuras na sua aldeia, onde vivem numa casa rural que atrai todos os mais estranhos acontecimentos, entre eles o ataque de pinguins mecânicos. Tudo isto envolto numa história de amor entre o cavalo e uma égua. Há ainda que lembrar que todas as vozes do filme são aceleradas.
Porquê:Este é um filme sobre o qual tenho um interesse desmesurado, primeiro porque já estou farto de cinema de animação, todo repinocado (a pixar apesar de tudo é uma excepção), segundo, porque é fruto de uma liberdade criativa invulgar e de um humor invulgar (só alcançável pelo auxílio de drogas, creio eu). Sem actores famosos, sem história comoventes, sem efeitos de computador, um filme divertido e despretensioso. Ainda mais, é o primeiro filme de stop-motion apresentado em Cannes e vencedor do Audience Award no Fantastic Fest em 2009.

P.S.:Os títulos levam aos trailers

1.27.2010

Um ano de filmes

Menções Honrosas (por ordem alfabética): 4 Copas, Changeling, Coco Chanel & Igor Stravinsky, Home (Ursula Meier), Låt den rätte komma in, Sinecdoche, New York, The Visitor, Um Amor de Perdição, Up, Waltz with Bashir, Welcome

Top 15

15 - Rachel Getting Married de Jonathan Demme
14 - Les Plages d'Agnés de Agnés Varda
13 - Happy-go-Lucky de Mike Leight, ex aequo com L'heur d'été de Oliver Assayas, ex aequo com Un Prophete de Jacques Audiard
12 - The Curious case of Benjamin Button de David Fincher,
11 - Milk de Gus van Sant

10 - Revolutionary Road de Sam Mendes,

9 - Limits od Control de Jim Jarmush, ex aequo com Ne Change Rien de Pedro Costa

8 - Guerrilla de Steven Soderbergh

7 -Gake no ue no Ponyo de Hayao Miyazaki

6 -The Hurt Locker de Katherine Bigelow

4 - Afterschool de Antonio Campos , ex aequo com La Mujer sin Cabeza de Lucrecia Martel, ex aequo com Public Enemies de Michael Mann

5 -The Wrestler de Darren Aronofsky

3 -Two Lovers de James Gray

2 -Aruitemo aruitemo de Hirokazu Kore eda, ex aequo com Singularidades de uma Rapariga Loura de Manoel de Oliveira, ex aequo com Gran Torino de Clint Eastwood

1 -Inglourious Basterds de Quentin Tarantino

P.S.: Devo acrescentar apenas que não vi: Valkiria, Frost/Nixon, Go Go Tales, Julia, Un Conte de noel, Religulous, Patti Smith, Adam Resurrected, A Corte do Norte, A Zona, Taking Woodstock, Morrer como um homem e A Christmas Carol.

9.14.2009

Cinema Português em Marcha: O Anexo

Nos seis capítulos apresentados anteriormente (1, 2, 3, 4, 5 e 6), dei a conhecer 15 filmes portugueses (organizados por ordem crescente de interesse) e mais três co-produções estrangeiras.
Agora tomei conhecimento de mais dois filmes já terminados ou em fase de pos-produção que estrearão em breve: Cinerama de Inês Oliveira e Efeitos Secundários de Paulo Rebelo.

Cinerama é uma primeira obra de Inês Oliveira, realizadora da multi-premiada curta O Nome e o N.I.M. (Vison Globale, Grande Prémio do Festival de Angers, Melhor curta portuguesa em Vila do Conde, Prémio Revelação no 7º Festival Luso-Brasileiro), que agora se estreia nas longas com a produção da Clap filmes de Paulo Branco. Diogo Dória, Ricardo Aibéu e Sofia Marques constituem os protagonistas do filme que estará presente na secção competitiva para novos realizadores da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, sendo que a estreia se prevê para 2010. Depois do suicídio de um amigo, um conjunto de amigos querem que a empresa onde o amigo trabalhava assuma a sua responsabilidade pelo acontecimento, num gesto desesperado raptam o director da dita empresa; ao que parece a história não é linear e tudo se passa num mundo alternativo, por exemplo os estafetas da empresa em vez de entregarem as encomendas numa carrinha, fazem 'parkour' (fica aqui o depoimento do grupo de 'traceurs' que participou no filme como estafetas e ainda um vídeo disponibilizado pelo mesmo grupo com algumas cenas da rodagem).

Efeitos Secundários é também a primeira Longa de Paulo Rebelo, argumentista de O Fantasma e Odete, assim como o montador desses dois filmes de João Pedro Rodrigues, assim como de Terra Sonâmbula. Este é um filme apoiado pelo ICA e pela RTP e produzido pela C.R.I.M. (Christine Reeh e Isabel Machado são as fundadoras, às quais se juntou Joana Ferreira), para a qual este projecto também é a primeira longa, sendo que o filme era para estrear em 2008 e isso só virá a acontecer em 2010. O filme conta com as participações de Nuno Lopes, Maria João Luís e Rita Martins. A trama gira em volta de uma mulher, cabeleireira, viúva e solitária, que passa a vida a ajudar os animais abandonados (podem consultar a escola de cães - Azeicão - donde o cão-actor do filme vem, analisando o curriculum do snow-ball, na imagem), quando um dia decide ajudar um miúda (abandonada) seropositiva, deste evento criam-se uma série de complicações ajudadas pela romance com um pescador. No Making Of Europa, podemos ver um vídeo da rodagem, uma entrevista com o realizador, outra com a produtora, uma com a directora de fotografia e ainda duas com Nuno Lopes e Maria João Luís. Podem ainda ler uma entrevista ao realizador do Notícias do Norte onde nos é explicado que da mesma forma como Fassbinder transpôs Tudo o que o céu permite para Munique em O Medo come a Alma, Rebelo propôs-se a passar o filme de Sirk para a Costa da Caparica onde foi inteiramente filmado. O filme também foi selecionado para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A banda sonora está a cargo da jovem banda 'Os Tornados'.