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7.17.2012

À Pala de Walsh



A ideia é simples, tão simples que estranho que nunca ninguém a tenha organizado e promovido antes: um espaço, um sítio da internet, dedicado a juntar as vozes das inter-redes que por aí vão escrevendo sobre cinema. Um espaço de congregação cinéfila, onde aqueles que vão escrevendo dispersa e independentemente o passem a fazer num local de verdadeiro amor mas com uma estrutura, uma organização, uma espinha dorsal. Fico feliz por ser um dos membros fundadores deste projecto, juntamente com o Carlos Natálio do Ordet, o João Lameira do Numa paragem do 28 e o Luís Mendonça do Cinédrio. A ideia é vir agregando colaboradores, gente que achemos que partilha o nosso gosto.

À Pala de Walsh é isso mesmo, simultaneamente um local de dedicação (ao Walsh, mas não só) e de bagagem (à pala). Ou seja, um sítio onde o cinema não é apenas coisa de fruição sensitiva, é motivo de pensamento e escrita, é pois local de crítica e de paixão.

7.09.2012

[examining George's bee sting
-That looks bad, have you taken anything for it?
-Ah, yes, I took 4 of your birth control pills, I hope that's okay.
-Try an antihistimine.
-I don't like those, they make me feel pregnant! 


10 (1979) de Blake Edwards

6.12.2012

There are worse things than chastity, Mr. Shannon. 

6.03.2012

 Em câmara lenta - Fernando Lopes

O amor é o amor — e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?...

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor
e trocamos — somos um? somos dois?
espírito e calor!

O amor é o amor — e depois?

Alexandre O'Neill

4.23.2012

já tenho a bolinha vermelha da minha box a indicar a gravação de:

Gesto (passou no indie do ano passado e agora esteve no Panorama)

Para que este mundo não acabe!/ A Terra antes do céu/ Enquanto esta língua for cantada (trilogia sobre trás-os-montes de João Botelho)

Orquestra Geração (dos realizadores de Liké Terra, esteve em competição no último doc)

Yama no Anata (também em competição no último doc, foi o vencedor da competição nacional)

note-se que não gravo a Ilha da Cova da Moura do Rui Simões porque o vi no cinema (e porque também não é nenhuma obra prima), também já vi Lisboa Domiciliária de Marta Pessoa que é um filme extraordinariamente sincero, assim como A nossa forma de vida, este é, com certeza, um dos grandes documentários portugueses recentes, não compreendo todo o sururu em volta do filme do senhor Tocha, quando esta gema existe (melhor primeira obra no último doc e menção especial no cinema do réel).
 

3.30.2012

Abril, àguas mil

Os meus colegas peticionários anunciaram, há já quase uma semana, que as noites de cinema da Rtp2 estavam de regresso com a saudosa rubrica 5 Noites, 5 Filmes. Eu fiquei alegre. Muito alegre. Este era um dos objectivos fundamentais da nossa petição, o regresso da exibição REGULAR de cinema na Rtp2. Mas como já sei o que a casa gasta, resolvi esperar até que a programação da segunda semana de Abril saísse, de modo a confirmar que esta opção da direcção do canal não era resultado de um desejo aleatório de passar filmes. Confirma-se portanto que é para durar. [parece que afinal era só por causa das férias da Páscoa]


Começando Abril, temos uma colecção de 5 filmes sobre a juventude (para simplificar as coisas), um dos quais já exibido na rtp2 no último mês de Dezembro, a propósito de um ciclo dedicado aos vampiros - Let the right one in. A segunda semana será mais difícil de classificar, mas podemos encará-la como um ciclo dedicado à importância da preservação da imagem no compreensão do presente e do passado, com filmes ensaio como This is not a film (já exibido também, numa sessão dupla), Film Socialism, ou Autobiografia de Nicolae Ceausescu. A acompanhar estas 5 noites temos uma sessão dupla com um filme de Olmi (a propósito da retrospectiva que festa do cinema italiano, a cinemateca e Guimarães organizam sobre o realizador) e Noites Brancas, filme recentemente editado em dvd. No fim-de-semana anterior, talvez devido ao sucesso de Hunger Games, é exibido Pleasentville (também já passou pelo canal) do mesmo realizador, e Ben Hur, talvez a fazer parelha com as romanadas que a RtpMemória insiste em repassar todos os fins-de-semana.
O que se percebe é que embora a vontade seja significativa (de passar filmes, de os passar com lógica, de passa-los ainda frescos, de o fazer em parceria com os festivais que se organizam, e reflectindo o que se vai passando no mundo) há coisas que ainda não estão totalmente oleadas na engrenagem do canal.
Por exemplo, durante todo o mês de março, as quintas feiras forma espaço para documentários portugueses, entre os quais Bobby Cassidy e O meu amigo Mike ao trabalho (ambos já exibidos noutros devaneios programativos) mas com o início das 5 Noites, 5 Filmes, esse espaço, que certamente ia ganhando espectadores, desapareceu. Outro caso é por exemplo a estreia do semanário dedicado à literatura - Mar de Letras, que será exibido ao Domingos pelas 7 da manhã (o segundo episódio terá como convidado Miguel Gomes a propósito de Tabu). Outro caso semelhante é a exibição da série sobre músicos - Bravo - nas madrugadas de sexta.[está às madrugadas por ser já repetida]

Se de alguma forma se depreende que a direcção do canal deu ouvidos àquilo que pedíamos (ainda que de forma tão desgarrada do ponto alto da nossa petição que dá a sensação que quiseram dar tempo ao esquecimento) há um aspecto, que vejo como fundamental, que não foi abordado (e não parece que venha a ser). Ele é: a contextualização do filmes exibidos e um desejo de ensinar cinema, programando filmes que não tenham estado em sala nos últimos anos.

3.23.2012

Houve hoje um acidente em Tondela com um autocarro de transporte escolar. As televisões fizeram notas de roda-pé coloridas a avisar da proximidade do facto e da sua gravidade, pouco depois das 8 da noite os três canais noticiosos portugueses informavam respectivamente:

SicNotícias: 1 morto e 13 feridos
RTPInformação: 10 Feridos
TVI24: 2 feridos graves e 7 ligeiros

Mais tarde a notícia ganhou relevo de comunicação verbal, onde se anunciava (na SicNotícias) que o resultado de mortos e feridos era 1 e 13, embora a legenda corrigisse para 12 o número de feridos.

O que isto revela é que numa inabalável cede de noticiar - Última Hora - os jornalistas tentam criar facto jornalístico pelo colorido do quadro que envolve a imagem, fazem-no porque são modernos, desta época em que o agora vale mais que tudo. Imediato, sim, já. E cometem-se os erros da mais vulgar incompetência só com vista a alcançar essa marca da audiometria televisiva. Enfim, há que saudar o Público por compreender que a informação ruidosa e imediatista pode passar a viver neste meio, por vezes peçonhento, que é a rede e o jornalismo fica para os espaços de confiança, o papel (e a televisão?).

3.20.2012

Maria Bonita, de olhos extraordinários, casada com um sapateiro, Maria Bonita tinha simplesmente mandado dizer a Lampião que, mesmo sem nunca o ter visto, o amava até à locura.
Intrigado, Lampião apareceu um dia, acompanhado do seu bando na casa do sapateiro, e Maria Bonita, ao abrir a porta e ver quem era, disse em voz alta para que não houvesse dúvida sobre as suas intenções:
- É a ele que eu amo. - E dirigindo-se ao estupefacto Lampião: - Tu me quer levar?
- Eu quero o que tu quiseres, Maria Bonita.
Petrificado e mudo, descrendo os seus olhos, o pobre sapateiro viu a mulher encher dois sacos com roupa, enrolar um cobertor e finalmente, atentando nele, dizer-lhe por única despedida:
- Adeus, José.

Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia - A Aranha, J. Rentes de Carvalho, Quetzal, 2011

3.05.2012

A lagarta gorda e a cabra estéril

3.04.2012


But you're not even wearing any loafers

3.02.2012

O amor segundo Carpenter

Há um aspecto muito curioso em They Live do senhor Carpenter. Nos momentos em que nos parece que os personagens estão desenvolvendo algo de especial, isto é, nas cenas de amor, Carpenter bate na mão dos meninos e diz, feios! Na primeira cena romântica, em que casa dela, Carpenter atira-o pela janela quando o beijo se aproximava. Depois na casa dos clandestinos quando um chocho se prepara, Carpenter rebenta uma parede e entra uma batelada de polícias armados até aos dentes a matar tudo o que mexe. Claro, no fim ele espeta-lhe um tiro nos cornos.

2.26.2012

exponencial invertida

1978
1998
2005
2011
2012
2012
2013
2013

20 anos de Days of Heaven para The Thin Red Line, depois 7 para The New World, 6 para Tree of Life, 1 para Voyage of Time, meio para um projecto ainda sem título (a estrear este ano), e depois mais dois para o ano (Lawless e Knight of cups). [em 2014 faz três filmes e uma curta e em 2015 faz duas trilogias], [daqui]

2.06.2012

não que concorde totalmente com a posição meio derrotista, meio extremista do senhor Fonseca e Costa, mas creio que é uma boa forma de levantar a questão e lembrar que a nova proposta de lei está em discussão pública, pode ler o texto da lei e enviar as proposta por aqui.

1.19.2012

Agora é que é...


Macia? A defesa da equipa do Breath Away é o do melhor que há! Oliveira tem mais pernas que qualquer um e aguenta com qualquer Godard. A Varda e o Marker fazem uma parelha forte suficiente para defender o gigante Hitchcock. É difícil mas lá conseguem, se o Resnais descer um pouco e ajudar (sim, são precisos 3 para aguentar com o senhor Alfredo). O Kubrick é que me parece imparável. A questão é que não sendo um jogador que goste de partilhar os seus magníficos talentos, talvez (só talvez), não dê em nada. Mas sim, admito: o ataque da equipa do CINEdrio é inclassificável. Mas para isso está cá a mais educada e elegante defesa do mundo. Ah! ia-me esquecendo do Rohmer: esse (se para aí estiver virado o vento) é capaz de aguentar qualquer um. O meu único receio é mesmo o Albert Serra, esse coitadinho, está na equipa por simpatia... um remate (de quem quer que venha) ele terá muitas dificuldades em defender. Mann não me mete medo, aquele Cimarron... mas Huston é poderosíssimo, claro que o Hawks é suficiente para os dois. Soderbergh é um preferido, um menino querido aqui da casa e por isso levou o tacho de central, ele não ataca nem defende, ele é todo transição, cerebral, enfim, coisa de estratégia. E claro, Carpenter não aguenta com um Peckinpah pela frente, o Murnau está ela por ela com o Ford (já agora, os cenários do Aurora eram tão gigantescos que depois de Murnau filmar, tanto o Ford como o Borzage (re)usaram os cenários e até alguns dos actores). Eastwood e Boetticher são os receios, o primeiro por ser por vezes tão certeiro como um revolver nas mãos de Dirty Harry, o segundo, por não o conhecer e por isso ser uma incógnita.

P.S.: Aqui ao lado podem votar na equipa cá de casa