Mostrar mensagens com a etiqueta ladainha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ladainha. Mostrar todas as mensagens

4.14.2011

cortes na cultura

L'argent (1983) de Robert Bresson

Há uma aversão do animal político a discutir a cultura. Tudo o que cheire a intelectual (porque intelectual é coisa pestilenta nas terras lusas) é para manter bem longe, pois pode (e note-se agora que isto não é apenas português) tornar o candidato demasiado elitista. Assim, a coisa mais parecida (com uma pergunta sobre a gestão da cultura nacional) que se pergunta a um candidato político é qual a sua música, livro ou filme preferido. Não se discute a relação do indivíduo público (e privado) com a televisão, ou os meios de comunicação em geral (e o agora tão em voga Facebook não é mais que uma plataforma de divulgação política e propagandistica), nem se discute como financiar as artes ou apoiar a divulgação cultural local e nacionalmente (duvido mesmo que muitos dos candidatos tenham sequer opinião ou interesse nos assuntos).
A cultura só é alvo de comentário políticos quando a comunidade (política e/ou jornalística) acham desproporcional o custo com o resultado (basta lembrar a Branca de Neve), aí e só aí se discute de facto o financiamento da arte. O problema é que a coisa é sempre tendenciosa. Vê-se o todo por uma obra singular e julga-se o comportamento de um autor ou produtor como aquele que rege toda a classe (será que se pode aplicar esta expressão?).

Deste modo, nunca, ou muito raramente, um filme, uma peça de teatro ou um livro, levanta na nossa sociedade (civil) uma discussão construtiva sobre nós mesmo. Veja-se por exemplo último filme de Alberto Seixas Santos sobre a relação dos jovens e as telenovelas juvenis. Quem viu? Quem, tendo visto, divulgou? Quem, tendo divulgado, fomentou a discussão pública?
É mais normal verificar que as pessoas comentam as entrevistas mais ou menos brejeiras de Manuela Moura Guedes ou a forma como o Benfica desligou as luzes do estádio, porque razão mentiu Sócrates em relação à reunião do concelho de estado ou a justificação (divina?) do desastre nuclear japonês e nunca o fazem em relação ao novo álbum de Panda Bear, à edição de A single man ou à estreia do filme do Apichatpong Weerasethakul.

Não é de estranhar que a cultura seja aquele reino onde o corte é mais fundo e justificado pela demagogia da cultura como luxo dispensável. Depois de cortes no ICA (e a venda da Tobis) que inicialmente tinham deixado filmes a meio porque o cheque não chegava (lembro-me da interrupção da rodagem do Sangue do meu sangue, último filme de João Canijo), agora a redução aos apoios dos festivais (o fantas e o indie viram as edições deste ano encolhidas em meios) e do orçamento da cinemateca.
A cinemateca era (e é ainda) um reduto do bem-fazer, mas mesmo assim lá chegou a tesoura que, cortando a direito, encerrou a sala Luis de Pina, reduzindo a exibição regular de 5 filmes diários para 3. Na verdade a nossa cinemateca era uma excepção, pois, por toda a Europa as instituições homólogas não têm uma programação tão rica como aquela à qual no tínhamos habituado. Noutros países, a cinemateca funciona (principalmente) como distribuidora, levando cópias restauradas ao exibidores privados para a sua comercialização no circuito normal das salas.
De forma irónica, este mês (em que até o panfleto da cinemateca ficou reduzido) iniciou-se um ciclo intitulado The Color of Money, abrindo com o respectivo filme de Scorsese e encerrando com L'argent de Bresson [na imagem], prova de que as constrições financeiras, apesar de sufocantes, não são incapacitantes. E demonstração óbvia de que não são, nem podem ser, as questões económicas e orçamentais a reger a programação cultural.

[leia-se RTP2 e as justificações do director quanto à insignificante programação de cinema no respectivo canal; esta situação, em que a cinemateca deixa de lado parte significativa da sua actividade, é sem dúvida motivo maior para contestar a programação do canal público, porque, deixando a cinemateca de fazer o seu serviço, algo ou alguém deve ocupar o espaço deixada livre e a televisão publica é o organismo que tem essa obrigação - moral e contractual] 

4.01.2011

Panorama - 5ª Mostra do Documentário Português


Fantasia Lusitana (2010) de João Canijo 
[um dos muitos filmes (revolucionário) que o Panorama acolhe a partir de dia 1]


Tenho que começar por pedir desculpa à Mafalda Melo. Esta menina (ou senhora, não a conheço) visitou este sítio e perguntou-me se estaria disponível para apoiar a divulgação do Panorama - 5ª Mostra do Documentário Português. Eu aceitei. O cinema documental sempre tem sido uma das bandeiras que envergo com orgulho e no que diz respeito ao nacional sou um assíduo espectador em sala. Daí que o Panorama seja um evento que tanto aprecio. A Mafalda enviou-me a informação para eu divulgar há (que) tempos, mas as coisas têm andado apertadas por estes lados e só agora me digno a dar a conhecer essa informação.


Ponto primeiro (e mais uma vez peço desculpa): houve um debate com uma série de bloggers [Tiago Mota Saraiva (blog 5dias), Daniel Oliveira (blog Arrastão), João Villalobos (blog Albergue Espanhol) e Rodrigo Moita de Deus (blog 31 da Armada)] moderado pelo Pedro Mexia no dia 25, só que isso agora já não adianta muito.

Ponto segundo: hoje começam as actividades que se inauguram com Cenas da luta de Classes em Portugal de Philip Spinelli e Robert Kramer; seguido de um concerto/festa de abertura.


Ponto terceiro: amanhã (sábado) começa uma maratona de filmes das 5 da tarde às 5 da manhã com tais filmes como Deus, Pátria, Autoridade de Rui Simões, Encoberto de Fernando Lopes, Que farei com esta espada? de César Monteiro, Fantasia Lusitana de João Canijo, Terra de Pão, Terra de Luta de José Nascimento e mais uns quantos.


Ponto quarto: ao longo da semana podem ver dezenas de filmes, entre curtas e longas, sendo que alguns dos títulos apresentados já estrearam no indie ou no Doc do ano passado, sendo por isso uma boa forma de ver os filmes que deixamos escapar, entre eles, Pelas Sombras de Catarina Mourão, Traces of a Diary de Marco Martins e André Príncipe, Parto de António Borges Correia, Quem mora na minha cabeça de Miguel Seabra Lopes e Liké Terra de Nuno Baptista, João Miller Guerra e Filipa Reis.


Ponto último: Várias curtas serão exibidas em estreia e outros títulos maiores do nosso cinema documental serão exibidos, entre eles: Bom Povo Português de Rui Simões, Terra de Abril de Philippe Costantini, Anna Glogowski e Movimento das Coisas de Manuela Serra (filme de encerramento). Não esquecendo dos inúmeros debates com realizadores e temáticos: “Percursos no Documentário Português: Cinema no Pós-Abril” e “Como se relaciona o documentário português com o mundo de hoje?”

3.31.2011

Cinema na RTP2

O que aqui se assina estará presente na mesa e convida desde já todos a comparecerem.

3.27.2011

Será sempre o irmão mais velho

An American in Paris (1951) de Vincente Minnelli

P.S.: No dia em que se comemora o teatro, não posso deixar de confidenciar, que, para mim, o melhor cinema é aquele que vê nas estratégias do palco a sua forma natural; e por isso é que Minnelli é tão grande.

3.22.2011

Tinha um cravo no meu balcão;
Veio um rapaz e pediu-mo
- Mãe, dou-lho ou não?
Sentada, bordava um lenço de mão;
Veio um rapaz e pediu-mo
- Mãe, dou-lho ou não?
Dei um cravo e dei um lenço,
Só não dei o coração;
Mas se o rapaz mo pedir
- Mãe, dou-lho ou não?

Eugénio de Andrade

3.19.2011

Sumo de limão ou como encarar as distribuidoras

Da esquerda para a direita: Chantrapas de Iosseliani, Film Socialisme de JLG e Potiche do Ozon

Desde o início do ano estrearam 9 filmes franceses (num total de 54), se a coisa fosse assim (tão linear) ninguém poderia apontar o dedo, mas a coisa não é só assim.

Não será completamente errado dizer que um filme europeu (e os franceses não são excepção) têm um público tendencialmente mais reduzido que um filme em língua inglesa (note-se que não é a qualidade que aqui oponho, mas sim o público potencial ). Desta forma qual será a lógica macabra que rege as nossas distribuidoras? Se o público é pouco, porque será que Chantrapas, Hors la loi e Jouese tenham estreado os três na segunda semana de Janeiro e nas últimas duas semanas tenham estreado Film Socialism, Deux de la vague, Copacabana, Micmacs, Potiche e Adèle Blanc-Sec. Em vez de tratarem os filmes como obras singulares, tratam a cultura francófona como fardo (barril, palete ...), em vez de programarem, publicitarem e exibirem os filmes por si, apresentam uma enchente de títulos, em vagas (mais ou menos) sufocantes impedindo que os espectadores vejam todos os títulos (sendo que a estreia em cascata não promove o passa-palavra impedindo que certos títulos ganhem público com o tempo).

Mais escandaloso é que neste mês estejam previstas 39 estreias, o mesmo número de títulos que estreou em Janeiro e Fevereiro (segundo o cinema.sapo.pt). Desta forma, filmes como Adèle Blanc-Sec, Splice e The Tempest estrearam, para na segunda semana de exibição estarem apenas com horário nocturno e desaparecem antes da terceira.

O precipício que as distribuidoras parecem adorar é simultaneamente dramático e risível: por um lado estreiam filmes como se descarregassem pacotes de leite, fazendo com que os espectadores não vejam os filmes exibidos (ou nem sequer tenham sabido da sua exibição) e por outro lado acham que isto é a estratégia que lhe dará mais lucro. São incapazes de compreender que este esquema é prejudicial para si e para a (criação/manutenção) do público. Os profissionais dizem-nos que é a ressaca pós-oscars, mas para isso existe o Guronsan e sumo de limão.

3.07.2011

uma imagem sozinha é como um cantil no deserto

uma imagem é uma atitude, é um acto criativo de responsabilização ética.
nenhum fazedor de imagens pode sair impune se filmar os asco, pelo asco; o nojo, pelo nojo; o feio, pelo feio.
nenhum cineasta deveria atrever-se a filmar o privado como estética.
nenhum plano deveria estar empapado em sangue, lama, merda ou esperma.
as imagens não são manipuláveis por natureza, assim como os homens não são maus por natureza, mas da mesma forma que há quem nos torne maus, há quem nos manipule as imagens.
o plano é maleável e sacro-santo;
o enquadramento é alterável, mas a sequência é um fim e não um meio;
o conteúdo é o bónus da forma e é a forma que dá origem ao informe, ao imaterial, ao novo e inclassificável limbo que fica depois das imagens.
mas a imagem é multiplicativa - uma puxa outra.
todas as imagens têm significado e todas elas comunicam (independentemente).
uma imagem sozinha é como um cantil no deserto, é pouco e só interessa se estiver cheio.
como filmar a morte com tento e com respeito, mas sem veneração conventual ou vulgaridade televisiva. como filmar o amor, não a paixão ou o desejo, mas sim o amor - genuíno. 

3.02.2011

Geração

Quando se fala de geração há que ter tento na língua. Bater o pé antes de falar. Coçar a testa antes de pensar. Geração não é uma sitaução temporal ou geográfica (nem mesmo nacional), geração envolve uma noção de grupo, com ideais comuns, com motivações concorrentes. O jornalismo que se vem fazendo vê a sociedade que retrata como caricatura de si própria; é incapaz de pensar um acontecimento na sua singularidade de envento particular (mal que afecta toda a ciência social). Deste modo fala-se de geração como se daí se criasse de facto uma unidade entre os indivíduos. Mas isso não acontece.

Os Deolinda escreveram uma música. Ui. A música tem tanto sucesso como qualquer batucada (mais ou menos) electrónica da Lady Gaga, mas em vez de a indiferença ao facto ser a opção tomada (o que é costumeiro), decidiu-se (sujeito desconhecido) empolar um vídeo viral - e se fossem gatinhos fofinhos? - numa manifestação consertada de uma faixa populacional com a coerência de uma gerção. Tudo mentira. O facebook não liga. O facebook não torna uno. O facebook nada mais fará que aquilo que os que por lá navegam fazem.

Não existe gerção facebook, não existe geração à rasca (geração gatinhos fofinhos?), não existe geração. Não existem problemas comuns, é tudo tinta. Litros, conspurcando as páginas dos diários. Existem problemas, sim. Mas cada problema é só, particular. Nunca conheci ninguém da geração Povo-que-lavas-no-rio ou geração Grândola-vila-morena. Acontecimentos como a guerra do ultramar unem de facto as pessoas; pensar que a partilha de vídeos nas redes sociais é algo dessa magnitude é estar a dourar a pílula, ou melhor, dourar as aberturas dos tele-jornais. Não me pronuncio sobre a música em causa, não me pronuncio sobre o facto de haver de facto uma larga faixa populacional em situação de emprego precário, pronuncio-me sobre um tique jornalístico que em nada engrandece a profissão, nem a sociedade que retracta.

2.28.2011

Uma senhora desconhecida veio bater à minha porta, eu abri

Faz já uns meses, uma senhora desconhecida, como são quase todos os que se conhecem pela Internet abordou-me, aqui no blog, convidando-me a participar numa mesa redonda com outros bloggers. O tema era esse que se adivinha, os blogs de cinema; e os convidados eram ilustres bloggers e depois um miúdo - eu. A par desta mesa haveria um pequeno ciclo de filmes propostos pelos senhores cinéfilos, eu propus um série de títulos e deixei nas mãos de Anabela Moutinho (a dita senhora desconhecida que sei, agora, ser a directora do cineclube de Faro) a escolha final - o filme que ficou - foi Wendy & Lucy (para os que seguem este espaço lembrar-se-ão que este foi o filme que ocupou a posição cimeira dos melhores filmes de 2010). Para os Algarvios ou para aqueles de estejam de férias no Algarve, ou para aqueles que quiserem aparecer (vindos de muito, muito longe), sábado, no Teatro Lethes, estarei à vossa disposição; até lá, os filmes passam no mesmo local como se indica a seguir.


1 a 5 de Março de 2010 no Teatro Lethes (iniciativa TMF - Carta Branca a Anabela Moutinho)

Dia 1 21h30 Wendy & Lucy Kelly Reichardt, EUA, 2008, 80' escolha de Ricardo Vieira Lisboa

 Dia 2 21h30 Luz Silenciosa Carlos Reygadas, México, 2007, 136' escolha de Carlos Natálio
 Dia 3 21h30 Tetro Francis Ford Coppola, EUA, 2009, 127' escolha de Chico
 Dia 4 21h30 Vem e Vê Elem Klimov, URSS, 1985, 145' escolha de Victor Afonso
 Dia 5 14h30 História(s) do Cinema Jean-Luc Godard, França, 1998, 268' escolha de Cristina Marti
 Dia 5 21h30 Mesa-Redonda com os 5 bloggers


Há um blog sobre o evento, que podem visitar por aqui

2.19.2011

A petição foi ao parlamento...

...acabada a sessão o que ficou foi:

A lei da televisão foi mudada e um dos pontos que mais beneficia a nossa causa é a quota para as produções europeias (como nos foi explicado: a entrada na comunidade não nos permite legislar de forma ao proteccionismo, assim, só as produções da comunidade podem ser privilegiadas), ou seja, não só as quotas se alargaram como o sistema de contagem se alterou. Produções criativas já não são entrevistas, nem debates, nem magazines, esta categoria foi restringida a obras de cariz verdadeiramente criativo, como o filme, tele-novela, tele-filme, série, documentário. Em adição, a possibilidade de repetições infinitas das mesma peças deixa de abonar no preenchimento das ditas quotas. [a TVI e a SIC não serão prejudicas, por ser a sua programação massiva em novelas televisivas, mas a RTP2 ver-se-à obrigada a alterar a sua estratégia de talk-show e magazines culturais/religiosos/desportivos/ecológicos/gastronómicos; mas convenhamos: uma melhor programação nunca se fez por quotas e não será certamente assim que se alcançará a excelência]

Foi-nos garantido que na revisão do contracto de concessão, que se prevê que entre em vigor no primeiro dia de 2012, será tida em conta a nossa causa. Em especial a forma dos relatórios que a RTP fornece à ERC (lembro que a petição enviou uma carta, em Outubro, a esta entidade pedindo os relatórios das auditorias que o contracto de concessão prevê e continuamos sem resposta) são elaborados, que ao que parece são tão insuficientes na informação que transportam que os reguladores só se limitam a confirmar que os dados fornecidos (das quotas) correspondem de facto ao que a lei prevê. Ou seja, a importância da entidade regulador aumentará; mas convenhamos: não será que esta atitude da ERC é mais feitio (?) e que, independentemente da completude dos relatórios, a regulação continuará a ser ausente? Se houvesse de facto interesse em garantir uma boa qualidade do serviço público de televisão, bastava que os senhores reguladores vissem televisão e confirmassem a qualidade (ou falta dela) do serviço prestado (neste caso) pela RTP2.

Para que a causa deste petição chegue a plenário serão precisas 4000 assinaturas (estamos já nas 2739).

Apesar de o contracto prever (na clausula 53) que o parlamento convoque a direcção dos canais públicos para prestar esclarecimentos sobre o cumprimento do dito contracto (algo que acontece, flagrantemente, no caso da RTP2), a deputada Inês de Medeiros considerou que tal acto seria uma intromissão na liberdade programatiza do director. Numa altura em que a utilização dos mecanismos legais é vista com matizes de politiquice tacanha e de preservação partidária, nada posso acrescentar.

Mais nada. Portanto, pouco, muito pouco. Mesmo assim, melhor que nada. A coisa ainda não parou, e não será uma palmada, paternalista, nas costas que nos fará tropeçar.

Assinem a petição aqui, sigam a petição no blog e no facebook.

2.08.2011

Lembro-me desse mês de Janeiro em Tóquio, ou antes, lembro-me das imagens que filmei no mês de Janeiro em Tóquio

"(...) Importa atender em termos: O que Chris Marker acba implicitamente por fazer a demonstração é que a objectividade é ainda mais falsa que dois pontos de vista partidários. (...) Geralmente é a imagem o elemento propriamente cinematográfico que constitui a matéria-prima de um filme. A orientação é dada pela escolha e a montagem, o texto acabando de organizar o sentido assim dado ao documento. Chris Marker procede de maneira diferente. Diria que a matéria prima é a inteligência, a sua expressão imediata a palavra, e que a imagem não reenvia à que precede ou à que se lhe segue, mas lateralmente de alguma maneira ao que é dito. (...) O elemento primordial é a beleza sonora e é dela que o espírito deve saltar para a imagem. A montagem faz-se da orelha ao olho". Uma concepção de "montagem vertical", portanto.
(...)
Memorizar o passado para não reviver foi a ilusão do século XX. Marker trabalha o tempo, as suas estratégias, canais e redes que não são a sua parte de desagregação. Há nele uma verdadeira arte da aproximação, entre factos, memórias e tempos, que é uma arte de inteligência e da imaginação.
(...)
'Lembro-me desse mês de Janeiro em Tóquio, ou antes, lembro-me das imagens que filmei no mês de Janeiro em Tóquio. Agora elas substituíram-se à minha memória, são elas a minha memória' (Sans Soleil).
(...)
Apesar de uma nostalgia comum pelo cinema, Godard e Marker apresentam posições radicalmente diferentes - Godard concede à imagem um privilégio ontológico ao contrapor a reprodução da realidade a sua 'ressurreição' em filme - vide as Histoire(s) du Cinéma. Marker, por seu lado, concebe no cinema uma mais ampla cultura de imagens, cuja tragédia reside na morte que encarna, no esforço de memória de que é portadora.
(...)
'Contudo o meu principal desejo é que haja aqui códigos familiares suficientes (a fotografia da viagem, o álbum de família, o animal-fétiche) para que, insensivelmente, as minhas imagens sejam substituídas pelas do leitor-visitante, as minhas recordações pelas suas e para que a minha Immemory lhes sirva de trampolim para assim realizarem a sua própria peregrinação para o Tempo Reencontrado' (Marker). (...)"

Augusto M. Seabra comissário de Chris Marker, Memórias dos Tempos

2.06.2011

O Código Hays da actualidade é o comércio

Dr. Jekyll and Mr. Hyde (1932) de Rouben Mamoulian e Dr. Jekyll and Mr. Hyde (1941) de Victor Fleming


Em 1972 o humorista George Carlin tornou publico as Seven Words You Can Never Say on Television, elas eram: shit, piss, fuck, cunt, cocksucker, motherfucker e tits; para além da polémica, o que se pretendia era dar a conhecer uma certa hipocrisia que reinava, uma vez que através do bom interesse da comunidade e do serviço público, castrava-se as possibilidades artísticas de muito cineastas. Mas em 72 o código Hays ou Motion Picture Production Code já havia ido ao ar (1968) depois de mais de 30 anos de funcionamento. O código proibia qualquer forma de cinema que apresentasse cenas de nudez, podia haver crimes, assassínios, tiroteios, mas um coxinha era impensável. O código vinha prevenir um certo cinema dos anos trinta, filmes de conteúdo sexual fortíssimo; a título de exemplo, repare-se as diferenças entre o Dr. Jekyll and Mr. Hyde de 1932 por Mamoulian e a versão de 1941 de Victor Fleming, uma feita antes da implementação do código e outra depois.
Hoje em dia, as Américas têm a MPAA uma espécie de agência de rating do cinema, em que filmes recebem classificações que podem tanto atrair como repudiar os investidores. Este último ano vários casos de autoritarismos foram notícia, por exemplo, Blue Valentine (com Michelle Williams nomeada para o Oscar de melhor actriz) que por ter uma cena de sexo demasiado gráfica para os censores foi classificado de tal forma que os multiplexs americanos não exibem o filme, restringindo as hipóteses do filme ser visto por um público vasto (o realizador e produtor contestaram esta decisão e acabaram por ganhar o recurso), outro caso foi o filme The Kids are All Right (nomeado para melhor filme nos Oscars) que teve que reduzir de forma significativa as cenas de sexo entre Mark Ruffalo e Julianne Moore (que tinham um intuito puramente cómico).
O que me leva escrever esta longa introdução é a recente notícia que indica que o produtor do filme The King's Speech, Harvey Weinstein, se prepara para censurar com um apito as 42 vezes que se diz fuck no filme de Tom Hooper, para evitar que o filme que agora recebeu 12 nomeações para os Oscars perca público com uma classificação restritiva. De forma idêntica, um dos trailer do último filme David Fincher que usa a música Creep dos Radiohead, vinha em duas versões, uma para a Europa onde a estrofe You're so fuckin' special aparecia integral e outra, para o público americano.[notícia aqui]
O que me incomoda é o facto de, pelas perversão do sistema de classificação americano, os realizadores e produtores se auto-censurem sem necessidade de indicações externas e simplesmente por motivos comerciais castrem os próprios filmes. Aqueles que são os pais e mães das suas obras são aqueles que não hesitam em amputar-lhes a essência. Alguma vez nos passaria pela cabeça que Scorsese ou Tarantino seguissem este caminho comercialista?   

2.04.2011

Cine-ermita: um animal educado


O ermitismo (suponho que seja o acto de ser ermita) é coisa cobiçada e de grande apreciação, basta lembrar o Black Narcissus para perceber que o velho ermita tem oferendas todos os dias, comida regular e apreço da população local. Tem só uma desvantagem: deixar-se ficar, imóvel, durante horas e dias em meditação contínua e sonolenta.
O bom cinéfilo, aquele que com elegância constrói as pontadas mais letais para aplicar na próxima crítica, será um indivíduo que se deixará levar por essa saída fácil que é a vida solitária, desgarrada dos outros e de si mesmo, alimentando-se de refeições leves e película (ao contrário dos comunistas, as dietas à base de natimorti são com certeza indigesta), sendo que esta última terá que ser cozinhada pelo tempo em especiarias exóticas, de preferência soviéticas ou latino-americanas. Claro que o cine-ermita é ser de mau trato e ocasionais boutades afiadas, que lança um esgar ao mendigo e vendedor de produtos financeiros e/ou de telemóveis e afins apetrechos; mas é também um animal educado, fumador, bebedor, leitor ávido de textos de leste com obscuras traduções em francês feitas a partir da versão hebraica, consome café com cheirinho e queques de cenoura e cobertura de queijo mascarpone. Tanto aprecia a mulher como o homem (sexualmente, entenda-se; i.e. depende da profundidade dos óculos) e com os seus maneirismos, voz colocada e frases espirituosas conquista a sua presa de forma custosa. As relações são curtas porque os tratos são secos e embrutecidos pelos filmes de verão ou ocasionais comédias românticas e/ou filmes de horror a que o cine-ermita se vê obrigado a frequentar pelos deveres da relação e necessidade de contacto.
Uma vida só, idas sós ao cinema, ansiando que a sala esteja vazia; coisa que o conforta: saber que mais ninguém na sua cidade (sim, o bicho é de cidade) teve a ideia de ir ver tão rara película em tão infecta sala de exibição. Talvez um encontro, mais ou menos satisfatório, na casa-de-banho do cinema? (Good Bye, Dragon Inn)

P.S.: é tarde quando escrevo isto (já madrugada), era suposto fazer um comentário ao facto de ter ido ver os dois documentários portugueses em corrente exibição nas salas e das duas vezes ter sido o único espectador, só que as palavras foram saindo, resultado de vários meses de aprisionamento por testes e exames impraticáveis. o texto não ofende ninguém por ninguém ter sido usado como inspiração. raramente escrevo  amargamente, este momento é simplesmente um interstício de texto, uma pausa na partitura, enfim, uma bebida para tirar o sabor do caril.

1.27.2011

From Asia with love

Começando no canto superior esquerdo e rodando no sentido dos ponteiros: Shi, Hahaha, Hanyo, Chun feng chen zui de ye wan, Tuan yuan, Kyatapirâ.

Se olharmos para o ano que passou e procurarmos por bons filmes do continente desconhecido, vemos apenas 24 city, Thirst, Madeo (lembrar que o filmes Tôkyô Sonata que passou pelo indie foi editado directamente em dvd e o vencedor surpresa dos oscars de 2008 nunca chegou a estrear - Okuribito/Departures). Mas ao que parece, este ano será diferente, com muito tempo para as distribuidoras marinarem os filmes que surgiram nos grandes festivais de 2010, este ano parece ser em cheio.


Para começar, prevê-se que estreie logo na primeira semana de Fevereiro, Shi - Poetry, filme de Chang-dong Lee que em 2007 realizou Milyang, candidato coreano ao oscar estrangeiro e em 2002 Oasis, filme que recebeu o prémio da crítica em Veneza. Shi passou por Cannes o ano passado de onde o realizador saiu com o prémio para melhor argumento. Trata-se de uma história de uma senhora que começa a aprender a escrever poesia quando sabe que sofre de alzheimer (trailer).
Temos, logo na semana seguinte, dois filmes de Kôji Wakamatsu, eles são: Jitsuroku rengô sekigun: Asama sansô e no michi (United Red Army) e Kyatapirâ (Caterpillar), um de 2007 o outro de 2010. Eu não faço a mínima ideia quem este senhor é, mas segundo o imdb, desde 1963 já fez mais de 100 filmes, no entanto a sua presença em festivais só começa a ser pronunciada com o filme de 2007, sobre o movimento paramilitar do mesmo nome (trailer). Caterpillar é um filme de época que esteve presente em Berlin do ano passado, onde venceu o prémio para melhor actriz; as história trata de uma mulher que recebe o marido estropiado da guerra (trailer).
Hahaha ganhou o prémio un certain regard em Cannes o ano passado, é o último filme do coreano Sang-soo Hong, o realizador que viu estrear em portugal (no ano passado) o filme Noite e dia/Bam gua nat que tinha estado na secção competitiva de Berlim em 2008. Um crítico de cinema e um realizador de cinema vão passar as férias de verão juntos, dois paspalhos que passam as férias a tentar engatar umas moças, com muito pouco sucesso (trailer).
Quan'an Wang é o realizador do filme que venceu o urso de ouro em 2006, Tuya de hun shi/Tuya's Marriage que nunca chegou a estrear comercialmente em Portugal. Tuan yuan/Apart together é o seu novo filme, que venceu o prémio para melhor argumento no festival da capital alemã. O filme trata de um homem que regressa à sua cidade natal para se encontrar com o seu primeiro (e já esquecido) amor, descobrindo que ela formou família e não poderá regressar com ele como desejava (trailer).
Na última edição do lido, um dos filmes em competição foi Hanyo/The Housemaid, um remake do filme homónimo de 1960 do falecido Ki-young Kim. O filme não convenceu nem crítica nem júris e saiu de mãos vazias, mas lançou-se nos Estados Unidos com uma campanha de marketing intensa. Da mesma forma que o original, temos um thriller erótico entre uma ama e o seu patrão, mas ao contrário do original, este é muito mais explícito (trailer). [realizado por Sang-soo Im que viu o seu Baramnan gajok/A mulher de um bom advogado estrear em portugal em 2003 depois de ter sido seleccionado para a secção competitiva de Veneza]
Este último título é já de 2009, filme sensação de Cannes (e vencedor do prémio de melhor argumento), do realizador Ye Lou, aquele de Yihe yuan/Summer Palace que por abordar a questão da praça de Tiananmen lhe valeu graves problemas com o regime, tendo ficado proibido de filmar. Este novo filme foi filmado às escondidas (em estilo guerrilha), chama-se Chun feng chen zui de ye wan/Sping fever que traduzido à letra seria algo do género Uma noite bêbada na brisa da Primavera. Por tocar de forma crua os temas da homossexualidade na china moderna o filme foi proibido (e pelo andar da carruagem parece que também em Portugal). [trailer]


P.S.: Também esquecido ficou o vencedor de Locarno em 2009, She, a Chinese. E o filme surpresa de Veneza, Jiabiangou/The Ditch primeira obra de ficção do realizador Wang Bing. 
P.S.: O filme Tokyo! que conta com 3 curtas, respectivamente de Gondry, Carax e do Joon-ho Bong (o do The Host e Mother), tem data de estreia prevista para 17 de Fevereiro. 

1.24.2011

Bruxaria

Amanhã saem os nomeados para os oscars e não há ninguém que fique indiferente, por muito que se queira disfarçar; enfim, eu envergonho-me me lhe dar tanta atenção, mas na verdade faço-o com grande prazer. Como tenho a mania que sou bruxo, vou adivinhar os 5 nomeados para a categoria de melhor longa documental e estou em crer que não vou errar um que seja, mas por segurança, vou atrelar um candidato suplente. Aqui vamos nós:

The Tillman Story
Waiting for 'Superman'
Inside Job
Restrepo
Exit through the gift shop
[Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer]

Não me aventuro quanto ao vencedor mas apostaria num dos dois primeiros. Amanhã fazemos contas.

P.S.: em letras muito pequeninas digo que GasLand, Waste Land e Precious Life têm também algumas hipótese, podem consultar a lista dos 15 filmes elegíveis aqui.

1.23.2011

Um presidente como aquele é que não

All the President's Men (1976) de Alan J. Pakula

1.05.2011

Um ano em partes - 3ª Parte

Eu e os filmes

Neste ano que agora acabou fui 126 vezes ao cinema, das quais, 14 à cinemateca, 6 ao IndieLisboa e 7 ao DocLisboa, fui ver um dos filmes do ciclo da culturgest dedicado ao Chris Marker e fui ver o Goodbye Dragon Inn a um ciclo organizado pelo Cinema City Alvalade, sendo que os outros 97 bilhetes são de exibições comerciais; apenas duas antestreias, uma delas do Shutter Island (curiosamente nesse mesmo dia, passou na cinemateca o Goodfellas e eu aproveitei a sessão dupla). Quanto aos filmes vistos por casa não tenho a mais pequena ideia (só sei estes porque guardo religiosamente todos os meus bilhetes de cinema).
De todos os filmes, posso salientar facilmente os maus: Nine, The Lovely Bones, Precious, Humpday, Antichrist e Embargo, não é que sejam de facto péssimos, mas os dois primeiros ainda me causam calafrios. Claro que me desiludi com bons filmes, por esperar demais deles: Social Network, The time that remains, Kynodontas, Vincere, Away we go, Invictus, A Serious Man, Where the wild things are e Bright Star.
Um top há de ser publicado (não que seja segredo algum, ao longo do ano, a lista que se encontra à vossa esquerda, veio sendo actualizada), posso no entanto salientar alguns filmes que embora não sejam os meus preferidos merecem uma atenção especial; a começar por Irene, filme de Alain Cavalier, que é das coisas mais sentidas que os projectores nacionais tiverem o prazer de rodar, assim como o último filme de Rivette - 36 vues du pic saint-loup -, coisa encantada e encantatória; Mammuth é outro exemplo de um filme que toca todos os que a ele se chegam. Podem ser mancos, tortos, estropiados, mas são peças de verdadeiro cinema. [curiosamente tinham que ser todos franceses]
Antes de colocar o ponto final, tenho apenas que lançar umas faiscas para o monte de palha:
- Shirin é a coisa mais pretensiosa que tive o (des)prazer de ver este ano, nem o Albert Serra lhe consegue fazer frente.
- Fazer um top que ponha em primeiro lugar Inception e em segundo Shutter Island (e são muitos) é não perceber que se Scorsese usa o digital com propósito humano e a memória do cinema clássico americano como ponto de partida, enquanto que Nolan usa o digital como forma de encher o olho e a memória do heist movie dos anos 80 como fonte de inspiração.

1.04.2011

Um ano em partes - 2ª Parte

As distribuidoras

Este ano foi de bradar aos céus, por um lado não se estreou o vencedor do oscar de melhor actor principal - Crazy Heart - sendo o filme enviado para a edição directa para dvd (fenómeno não exclusivamente português). Mas pior que isto foi a passagem de Fantastic Mr. Fox e Girlfriend Expirience pelo festival do Estoril com presença do realizador do primeiro e actriz do segundo para depois ser o dvd o seu destino único. Para não falar de Kinatay de Mendoza e o Old Joy da Reichardt, que indo para dvd conseguiram arrastar para as salas os filmes mais recentes dos respectivos realizadores.
Nem tudo é mau e a nova edição restaurada digitalmente de Aniki-Bobó e a respectiva reposição são pontos de orgulho assim como a edição, simultânea com a estreia em sala, do dvd de Lola pela Alambique; ou ainda a estreia de Ruínas juntamente com Canção de Amor e Saúde.
Mas 2010 teve algo que só pode ser explicado pela força dos espíritos malignos ou a profunda incompetência dos profissionais da distribuição de cinema: Whisky e Bombón el Perro são dois filmes de 2004, Inimigo sem Rosto foi filmado em 2006 e claro Wendy & Lucy e $9.99 são de 2008 sendo que o primeiro havia passado no indie Lisboa um ano antes de estrear em sala; porque raio hão de passar seis anos para termos direito a ver os filmes em sala? E por que raio teremos que esperar seis anos para depois termos o filme exibido em apenas uma ou duas salas (em Lisboa e no Porto) por pouquíssimas semanas?

1.03.2011

Um ano em partes - 1ª Parte

Os portugueses

2010 foi um ano curioso, como todos vão sendo à sua maneira. Mas não estou a começar por uma frase vazia de significado, muito pelo contrário; 2010 foi o ano em que mais documentários estrearam em sala (certamente na última década, para não dizer 'de sempre' pois não tenho dados para me basear), nomeadamente documentários portugueses (aliás, José e Pilar é o quinto filme português mais visto do ano e o terceiro documentário português mais visto de sempre), sendo que títulos portugueses (só considerando longas) em sala foram 24 (o máximo nos últimos 5 anos) e curtas foram 8. Podem consultar uma lista dos resultados dos filmes portugueses aqui, apesar de lá faltar o Bobby Cassidy. [congratulo-me de ter visto o paparazzo do Vasconcelos, Desassossego do Botelho, Mistérios do Ruiz, Jose e Pilar,  Funeral à chuva,  Embargo,  Fantasia Lusitana,  Pare, escute e olhe,  Duas mulheres,  Ruínas,  Círculo Perfeito do Marco Martins, Cova da moura do Rui Simões, Lisboa Domiciliária e Vai com vento, sendo que Bobby Cassidy está na box do meo à espera de ser visto]
Mas as curiosidades continuam, dois dos filmes nacionais estreados foram produzidos sem dinheiros públicos, Um funeral à chuva como é sobejamente conhecido e Lisboa Domiciliária, longa documental sobre os idosos lisboetas presos em casa que é dos filmes mais ternos do ano. Além disto, a estratégia de distribuição do Filme do Desassossego mostrou-se um sucesso, fazendo dele o terceiro filmes português mais visto (claro que com uma diferença de mais de 60 mil espectadores para o segundo lugar). Será que se está a verificar uma alteração quer na produção (angariaçãode fundos) quer na distribuição do cinema nacional? E será que o exemplo do Tebas que rondou apenas os cineclubes é a solução a seguir para evitar alguns dos baixos resultados de um certo cinema português?

12.28.2010

Para lá dos filmes ...

... há sempre os livros e a música. Aqui ficam alguns dos livros que me fizeram companhia neste ano e também uma dúzia de álbuns deste ano, e de outros mais antigos, que têm ocupado os meus tempos mortos. [esqueci-me, porque quando fui à prateleira não o vi, de A Máquina de fazer espanhóis do valter hugo mãe. Já agora, comecei a ouvir o Carlos do Carmo & Bernardo Sassetti depois de os ter visto ao vivo na fnac e ando a ler Suttre, um épico do Cormac McCarthy]