4.12.2008

As sequelas da Guerra

(este título até soa a importate, mas acreditem, a importância se chegou, só cá deve ter deixado uma unhas do pé, ou coisa do género)
Eu não tenho a certeza se isto é verdade ou não, mas encontrei-a num blog (e noutros outros sítios), que não me lembro, da intenção do senhor Michael Moore, de fazer uma sequela do seu documentário que lhe deu a palma de Ouro, sim!!! diziam que sairá uma coisa do género Fahrenheit 911 1/2, parece parvoíce, mas era o que dizia.
Tive o cuidado de ir conferir ao IMDB e não tem nada previsto para 2008, na filmografía do senhor Moore, até ficava contente se acabasse por verificar ser verdade, mas com tanta coisa, o senhor podia muito bem ter novas ideias.
O DVD do Sicko chega no dia 15 ao meu club de vídeo e lá estarei, eu e um colega meu que é fã, para ver a maravilha do activismo, do protesto e por vezes da estupidez. Os documentários de Moore são sempre muito elucidativos, por vezes, mais do que era de esperar ou mesmo mais do que seria possível, não quero com isto dizer que ele inventa coisas, mas que as manipula de modo a entrarem no seu gosto, lá isso é verdade, a propósito disso, até saiu um documentário de um fans canadianos do senhor activista que depois de descobrirem que o seu ídolo não era de facto a maravilha que dele pintavam, resolveram fazer um documentário, utilizando as mesmas técnicas dele (o feitiço virou-se contra o feiticeiro), ou seja correr atrás dele por respostas e cortar os momentos em que ele se decide a responder e uma série de outras malandrices.Está editado em DVD em Portugal e aconselho, nem que seja para retirar um pouco do brilho que se vem criando no redor desta criatura, que apesar de admirar, não deve ser adorada.
Como seria de esperar o filme vem com uma intenção específica e objectiva (a mesma do primeiro), calhar na altura das eleições de modo a tentar favorecer o seu lado, o democrata, que acredito ser o vencedor das eleições deste ano.
Também com data de estreia prevista para esta altura do ano está o novo filme de Oliver Stone, intitulado simplesmente W, é uma caracterização do actual presidente dos EUA, e segundo o que se diz, apesar de calhar logo ali na altura das eleições, não pretende denegrir o Presidente (que não se pode re-candidatar), mas sim ser realista e não colocar qualquer opinião pessoal (quase um documentário em que se ouve a vos do narrador a dizer: "a pantera aproxima-se do gazela e inicia uma corrida a mais de 90 quilómetros por hora, no entanto a pantera não aguenta muito e a gazela foge ilesa, para mais um dia de pastagem" e isto não é nenhuma alusão á guerra do Iraque), mas eu estarei lá na salinha escura para ver, por o senhor Oliver já nos presenteou com filmes sobre presidentes dos estados unidos de grande qualidade como foram: Nascido a 4 de Julho, Nixon ou o hiperbólico e quase paranóico JFK, que nem trata do presidente, mas sim da sua morte.
O elenco terá no papel de senhor presidente: Josh Brolin, como primeira dama, Elizabeth Banks e como Condoleeza Rice estará Thandie Newton e ainda teremos Tony Blair por Iaon Gruffudd (acho que era o senhor elástico do quarteto fantástico).
para se rirem um pouco

lá estarei, para ver ambos, espero eu, e é já um aviso 2009, vai ser um ano de cinema político (2007 também foi com o Peões em jogo, mas os deste ano dão mais nas vistas).

4.09.2008

Refazendo

Todos sabemos que os remakes estão na moda no mundo de Hollywood, em que as ideias escassam, por vezes, e que uma greve dos senhores das ideias, destrona por completo o mundo empresarial do cinema americano, e exemplos desse são ao ponta pés, olha por exemplo, dentre de pouco menos de um mês, estreia Funny Games, remake realizado pelo próprio Haneke, que realizara o primeiro em á dez anos e agora volta a ele num remake plano por plano em que tudo parece ser igual, mesmo no mais ínfimo pormenor (não esquecer que o primeiro foi nomeado para a palma de ouro e venceu o prémio da critica no nosso Fantas), o senhor haneke, para quem não se lembra ganhou melhor realizador no festival de cannes em 2006, por uma maravilhoso filme chamado Caché- Nada a esconder e ainda antes fizera o muito aclamado A Pianista e no festival de cannes, venceu melhor actriz, melhor actor e o prémio do júri tendo uma nomeação para a palma de Ouro e nos spirit awards venceu melhor filme estrangeiro.
por isso proponho, tentem descobrir as diferenças:
o novo com Naomi Watts e Tim Roth (no recente Youth without Youth)

e o antigo com Susanne Lothar e Ulrich Muhe (recentemente falecido, que era a personagem principal do vidas dos outros, que venceu o oscar de melhor filme estrangeiro o ano passado)



Continuando com a minha visita ao passado e a sua reflexão no presente, temos uma exemplo um pouco mais longínquo, que é The day the earth stood still, que agora nos regressa, desta vez o realizador não é o mesmo, uma vez que o do antigo era o grandioso Robert Wise, que fez maravilhas da história dos cinema, com: West Side Story, com a péssima tradução Amor sem barreiras (1961), The Hunting - A Casa Maldita (1963), The Sound of Music - Música no Coração (1965), o tão amado filme sobre a segunda guerra mundial, que teve recente adaptação ao musical cá em Portugal, ou o mais recente Star Treck (1979).
o velhinho com Michael Rennie e Patricia Neal

o mais recente é com Keanu Reeves e Jennifer Connelly, realizado pelo mesmo senhor que fez um filme de encher choriço, mas que não era mau de facto, O Exorcismo de Emily Rose, que se chama Scott Derrickson. em relação a este filme ainda não saiu nada, imagem, trailer, Teaser, nadinha, por isso pacência.

A juntar a estes dois temos ainda o remake já muito falado do The Birds, que todos já sabíamos que está a ser preparado isso não é novidade, agora que a data de estreia está constantemente a ser alterada e que nem a data de início de filmagem está marcada, pode ser para alguns, agora, saber que o realizador do remake de uma das obras primas de Hitchcock é Micheal Bay, é um autentico murro no estômago, calma lá, o senhor do Transformers, Pearl Harbor, A Ilha, O Rochedo e uma série de outros Blockbusters, vai fazer um autentico crime (eu não sou de presságios e oponho-me ao preconceitos, mas há um limite), vamos lá ver, se isto corre bem ou não. o trailer do antigo aqui fica aqui, onde "estrelavam" (stared) Rod Taylor e Jessica Tandy (o Trailer é uma das coisas mais deliciosas que já vi, vejam que vale a apena e o tempo):


Isto tudo para acabar numa das que deve ser a pior ideia do cinema moderno, fazer um remake do Casablanca em que Madonna é a actriz principal e realizadora (não esquecendo como é obvio a sua curta Filth and Wisdom, que até teve boa recepção na Berlinale), mas sejamos correctos, há um limite. Pois veja-se Casablanca é considerado um dos melhores filmes de sempre, (segundo lugar depois de Mundo a seus Pés, nos 100 melhores filme Americanos da AFI), com o incontornável Hunphrey Bogart e a maravilhosa senhora Ingrid Bergman, acalma aí os cavalinhos, as ideias são muito bonitas, mas algumas nunca deviam andar para a frente, ainda para mais sendo o objectivo deste remake, ser feita na época moderna no Iraque, para poder conter uma mensagem política, eu por aqui, espero para ver, mas não começa nada bem.
O trailer do Original

4.03.2008

Fantástico Fantas

Apesar de lá não ter estado, um vez que moro ligeiramente longe (300km) do Porto, não pude, mas se tivesse a disponibilidade de tempo e económica, tenham a certeza que lá estaria de certeza, mas enquanto isso não acontece limito-me a ver o filmes quando estes estreiam no circuito comercial e quando isto não acontece limito-me a barbar, como se isso me desse a possibilidade e a oportunidade de os ver (nem que seja em DVD).deste modo este ano, quando visito a página do sitio dos palmarés do fantas, fico de certo muito empolgado a cada título que vejo e encontro, ver os trailers no youtube é uma prática corrente e muito apreciada por estes lados, por isso espero que apreciem, uma vez que vos faço a papinha toda. O grande vencedor já aqui foi referido e dele não adianta falar muito mais, mas um poster nunca fez mal a ninguém, por isso aqui vamos nós.

Continuando na onda de Espanha temos os filme que concorreu por Espanha ao Óscar de melhor filme, do produtor Benicio Del Toro e realizado por Bayona temos El Orfanato, um película de terror sobre uma casa abandonada, o trailer explica melhor. No fantas venceu prémio do júri e de melhor actriz. se for tão bom como o labirinto do Fauno então é porque é mesmo bom, se for melhor óptimo.

Permanecendo no pais de nome Espanha, aqui nosso vizinho temos La Habitacion de fermat, um thriler ou um filme de terror não se percebe bem, mas gira em volta de um grupo de matemáticos que têm que resolver um problema se não a sala encolhe e acabam por morrer esborrachados, este foi premiado com o Méliès de Prata e melhor argumento.

Continuando na senda dos vencedores temos a secção Orient Express, sempre muito interessante, este ano, vieram alguns dos filmes mais interessantes que se vêm fazendo no oriente, quer o Triangle com os grandes mestres do cinema de Hong Kong (Ringo Lam, Johnnie To, Tsui Hark), esta obra venceu o prémio de melhor filme da secção, e como podem ver no trailer,

parece simplesmente maravilhoso, no entanto convém referir que uma coisa destas já tinha acontecido: era um filme de terror que em Portugal saiu directamente para DVD, chamado 3 Extremos, uma película também ela por episódios (como esta e tantas outras feitas ao longo da história), só que se perdia no seu engenho, os realizadores envolvidos nessa obra eram - Fruit Chan, Takashi Miike, Chan-wook Park) este último teve um filme também em concurso chamado I’m a Cyborg, but that's OK, que ganhou uma menção Honrosa do júri internacional,

ainda em concurso temos do maravilhoso realizador de Ferro 3: Kim Ki Duk, que nos apresenta Breath que venceu o prémio especial de júri (maravilhosa coincidência, só por isso já merece um maior interesse pelo menos da parte do senhor que vos escreve).

O prémio da crítica assim como o de melhor actor na semana dos realizadores foi para o muito esperado The Band's Visit filme de cooperação Franco-israelita (e não nos devemos esquecer de quão produtivas têm sido estas cooperações) do realizador Eron Kolirin, que no tomatómetro tinha 98% há pouco tempo.

Um outro filme, muito feliz no seu percurso festivaleiro foi Opium, Diary of a Madwoman, um filme Húngaro do realizador Janos Szasz, vencedor de melhor filme da semana dos realizadores e melhor actriz na mesma secção.

4.02.2008

A Cidade do Amor está com corações vazios

Uma meia dúzia de história que podem ou não cruzar-se, ligam numa rede de pessoas e personagens um conjunto imenso de sentimentos, em que o Amor, ou a sua falta é o motivo básico e propulsor do história assim como da própria vida, do próprio desejo de viver.
Esta é a ultima obra de Alain Resnais. Nas salas portuguesas, estreia-se amanhã, quinta feira, o grande mestre de filmes tão intemporais, como O Meu Tio da América ou o clássico Hiroshima, Meu Amor, Noite e Nevoeiro e um outro clássico O Último Ano em Marienbad, trás-nos por fim um filme que mesmo não sendo um obra prima (suponho eu, que ainda não vi), deve ser delicioso, um daqueles filmes que não tem muitos meios, e daquelas comédias requintadas que fazem a maior inveja ás chachadas americanas e se elas não sentem inveja, é porque de facto não são muito dotadas do sentido da visão.
Vejam o trailer (e já agora o filme) é simplesmente um bombom para o enorme bolo de casamento que deve ser o filme e é um das coisas mais saborosas que tenho provado.

4.01.2008

Música noutra Dimensão



É verdade, existe outra dimensão para além daquelas que estamos habituados a ver no cinema (até pareço um vendedor de um conjunto de facas que cortam borracha de pneus e logo a seguir sem afiar cortam um tomate maduro sem o danificarem, extraordinário!!!!), mas disso provavelmente já a maioria está a par (para quem não estão dou-vos uma noticia fabulosa, aquelas coisas que pensávamos serem exclusivamente atracções de parques temáticos, está no cinema, os filme em 3D, com óculos especiais e tudo- e não são aquelas coisas horríveis de papel, que vinham da mesma fábrica que faz óculos para os eclipses, não, são uns óculos todos pipis, que até dá para andar na rua e dizer um "olá jeitosa" [piada de Nuno Markl todos os direitos reservados]), e agora para alem do interessante Beowulf, que passou pelas nossas salas nas duas versões, a normal e a em 3D, chegam logo dois concertos exclusivamente em 3D, Hannah Montana (acho que é assim que se escreve) e o U2 3D, o concerto ao vivo dos U2 em 3D (como se pode perceber pelo título), um deles deve ser muito bom, o outro nem por isso, um deles foi apresentado no festival do senhor Redford (Sundance) e outro não fazia a mínima ideia até ser referenciado no Deuxieme, um vou deixar por ver, lá na sala, ou outro vou ver com muita urgência.

Sem dúvida que ver um filme com mais uma dimensão é, pelo menos por agora, um experiência pouco usual e por isso qualquer objecto deste género é motivo de atracção, mas sinceramente, se me perguntassem que filme concerto eu preferia ver, agora nos próximos tempo, não seria nenhum destes com novas dimensões, mas sim um filme de um realizador que parece vindo de outra dimensão, devido á sua genialidade, que é Scorsese, com o seu recentemente apresentado no festival de Berlim, Shine a Light.

Mas como esse não tem mais dimensões pelo menos as visíveis assim a olho nu, se calhar o cinema cá da minha terrinha não vai receber e por isso vou ter de me deslocar a Lisboa para ver essa maravilha, ainda por descobrir.

Por entanto satisfaço-me com um filme dos U2, mas o que eu queria mesmo ver era o outro. O da senhor Hannah, não me parece.

3.31.2008

DiViDi filmes

É absolutamente extraordinário o que se vem passado nestes últimos dias na publicação de DVD, ou seja, nestes últimos dias temos podido assistir a uma serie de lançamentos de filmes maravilhosos no formato caseiro e digital que é a oitava maravilha do mundo chamada DVD (e ainda não vi nenhum blue-ray, mas quando tiver uma televisão de alta definição, aquilo é que vai ser, até parece que estou a olhar pela janela), mas continuando, um conjunto de maravilhosos tem, vai ter ou já teve lançamento em DVD, então vejam a colecção:

Control (o muito falado biopic do vocalista dos Joy Division- Ian Curtis), realizado pelo fotografo Anton Corbjin, também ele realizador de pelo menos um dos videoclips dos joy Division.

Zidane, um retracto do século XXI (maravilha da técnica, a filmagem de uma partida de futebol -90 minutos- em que a câmara só se interessa em Zidane e este é o alvo de todas as filmagens). segundo alguns este filme é uma obra de museu, o uso preciso da técnica da criação de cinema, que deixa quase de o ser apenas pela técnica como é obtido. Filmado em digital por um batalhão de câmaras (acho que eram doze, mas já não me lembro)

As Canções de Amor (filme do maravilhoso Honoré que fez o perfeito (Em, Paris) e que nos trás este filme que segue até certo ponto o estilo de Demy (jacques), que fazia o filme músical, mas nos quais a música era o processo de se avançar na história e não apenas um momento de entertenimento, como acontecia e acontece nos filmes musicais americanos- salvo raras excepções.)

The Savages (sai directamente para DVD em portugal, mas ainda não sei a data), este filme foi um dos mais tristemente abandonados pelas destribuidoras portuguesas e termos o prazer de o ver em DVD já é uma grande sorte, se um filme que é nomeado para melhor actriz principal e melhor argumento original nos oscars não fosse editado era um crime, até faz lembrar o também renegado para DVD, Longe Dela (também com dias nomeações para os oscars, incluindo o de melhor actriz e melhor argumento adaptado).

O Palácio de Verão (Yihe yuan, filme que fez grande sucesso no festival de Cannes, sai também directamente para DVD, este é mais um daqueles filmes chineses que começãm a aparecer agora que versam sobre a liberdade sexual, o amor romantico e neste caso um pouco sobre politica, uma vez que a paixão se inicia aquando da revolta dos estudantes na praça de Tian a men)

E agora agora vai mais um, este filme cá por nós estreou-se, ao inicio por três salas em todos os pais mas depois devem ter percebido que aquilo estava a ter sucesso e fizeram render o peixe, alargando para mais duas salas, nomeado para melhor documentário, o novo filme de Moore é Sicko, um ataque forte ao sistema de saúde norte americano, uma obra deveras fascinante e como é costume do senhor Moore (até parece que o conheço) hilariante, mas sempre muito esclarecedora (nem sempre esclarece tudo, nem o mais importante, mas o que se pretende esclarecer é muito bem esclarecido- gosto muito desta palavra, esclarecer).

3.30.2008

Reposicionando

Em Portugal as reposições não são comuns como eu gostaria que fossem, pois é de longe mais interessante e marcante ver um filme no cinema que ver o mesmo numa televisão, por muito grande que seja nunca chega a um ecrãn e o mesmo se passa com os novos sistemas de home cinema que apesar de virem melhorar a experiência do cinema em casa, deixam sempre a desejar em relação á sala escura.
Mas não nos limitemos ás componentes técnicas da projecção, ir ao cinema é um experiência única, revigorante, em que o expectador se dirige de propósito a um local para admirar a arte que é o cinema, ou seja cria-se um atmosfera em redor da pessoa que confere um experiência diferente, única e indescritível, que é ir ao cinema, este tipo de actividade tem ao longo dos anos vindo a ser banalizada tendo com isso óbvias vantagens, que são a possibilidade de qualquer pessoa de qualquer extracto social em qualquer local do país (esta ultima parte já não é tão verdadeira), poder experienciar uma das actividades culturais que mais alegria me dá e a qual pratico com mais regularidade. por outro lado vemos que hoje em dia as salas de cinema estão cheias de miúdos que não respeitas o que vêm, que não admiram e que pior que isso, preferem estragar a actividade cultural de um outro ser humano apenas pelo gozo que lhes dá passarem um sessão inteira a conversarem, desrespeitando o filme que vêm, as outras pessoas que assistem e desrespeitando-se a sim mesmos, pois preferem continuar ignorantes a admirarem grandes obras da cinematografia actual.
Por outro lado temos a cinematografia mais antiga que passa em Portugal (salvo raras excepções) no circuito comercial única e quase exclusivamente no cinema Nimas, lá podemos, de tempos a tempos ver grandes obras do cinema de outrora, o ano passado foi especialmente rico neste género de projecção, podemos deleitar-mo-nos com filmes tais, como o Meu Tio, que tive a possibilidade de ver, No Céu tudo é perfeito, filme que também pude ver, obra de estreia do génio Lynch, Mala Noche, filme de estreia do grande e sempre agradável e maravilhoso (que fez um perfeito Paranoid Park) Gus Van Sant, a acresecentar tivemos ainda Imitação de Vida, o único dos quais não consegui ver, mas o pelo qual lamento imensamente, porque sempre gostei de filmes de fazer chorar baba e ranho.
Mas o que me leva a escrever este post não é simplesmente a alegria de poder rever ou ver pela primeira vez filmes que fazem parte dos livros da história do cinema, ou a felicidade que apreendo por saber que novas gerações vão poder as grandes maravilhas, o verdadeiro motivo que me leva a escrever é a reposição do BLADE RUNNER no cinema a propósito do seus 25 anos de estreia, lá estarei para recordar um dos filmes mais mal tratados da história do cinema a quando do seu lançamento, mas que se tornou uma obra de culto com o sucesso do VHS, felizmente que cá em Portugal alguém ainda tem olhos na cara para perceber que vale a pena fazer esta reposição.

3.29.2008

Double Feature

Primeiro o grande vencedor no festival fantasporto e no Festival SITGES, chama-se [REC] e deve ser absolutamente maravilhoso, é filme espanhol que em certa medidade se assemelha em muito ao Cloverfield (filme interessante já agora, que vale o dinheiro que custa o bilhete, mas que deixa um pouco a desejar no que toca a interpretações e aquela parte inicial e um logo um mau princípio, mas depois o filme acelera e nunca mais para e esse ritmo é que é muito louvável, as ligações ao 11 de Setembro não completamente desnecessárias e erradas, o filme tem como objectivo ser super-realista e vender o máximo, ter o maior lucro, não quer fazer um tratado sobre o medo pós-11 de Setembro, devo ainda acrescentar que as cenas no prédio torto são uma das coisas mais empolgantes e de maior suspense que vi desde há muito tempo), mas como não é deste que estamos a falar, voltemos a REC (tirei os parênteses porque dá muito trabalho), este filme tem tudo para dar certo, e como já vão poder ver no trailer e nas reacções do público no festival, é sem dúvida alguma um dos melhores filme de terror deste ano que nos está a achegar, desfrutem. Estreia já no tão próximo 10 de Abril, até é difícil esperar duas semanas.


em segundo e estando em primeiro na lista dos filmes mais desejados, está o filme que já tinha sido tirado na agenda de estreias mas que agora para meu agrado foi colocado para estrear no dia 1 de Maio, é de um dos mais maravilhosos realizadores vivos e um dos meus preferidos sem dúvida, o grandioso Wong Kar-wai, realizador de filmes tão bons como Chunking Express, In the Mood To Love, Happy Together e o mais recente 2046, estes dois últimos os únicos que tive a oportunidade de ver e pelos quais me apaixonei incondicionalmente, que me deram energia para muitos meses, que me fizeram acordar com um sorriso nos lábios e um brilhozinho nos olhos. agora chega-nos o seu primeiro filme filmado nos EUA como a senhor Norah Jones, é intitulado de My Blueberry Nights e em português tem o nome de o Sabor do Amor (título adequado á grande maioria dos filmes do senhor Kar Way, apreciem a beleza, o amor, o desejo e a felicidade suprema.

O Regresso

Quando comecei este blog tinha ideias muito grandiosas para o seu conteúdo, depois percebi que isto ia dar trabalho como sei lá o quê e que demorava quase uma hora para fazer um post sobre um filme, por isso vou remodelar a minha ideia, quero que este post seja quase como aquele tratado que o maravilhoso Orson Welles faz no seu perfeito Citizen Kane aos leitores do seu jornal prometendo uma serie de coisas que acaba por quebrar (esta ultima parte espero que não aconteça) e espero também não vir a ser atormentado pela grandiosidade da minha vida a proferir a marca do meu trenó quando morrer (há que dizer que não tenho nem nunca tive um trenó, mas isso é secundário!!).
Por isso quero afirmar aqui e para quem venha ler isto que este blog é produto de mim mesmo, é sangue do meu sangue, é um irmão e é dessa modo quer pretendo trata-lo, por isso vou deixar de me limitar á escrita de critica de filmes, pretendendo abranger outros temas, dentro do cinema e não só, mas que me ocupem menos tempo de modo a que possa escrever neste espaço mais frequentemente do que tem vindo a acontecer, por outro lado quero que este espaço, como propus nas sua criação seja um libertador, um destruidor de grilhões e das amarras e que me dê felicidade, que me satisfaça tanto a mim como aqueles que o venham ler e sem duvida que a minha felicidade e satisfação será proporcional ao número de pessoas que cá venham e acrescida pela participação dessa mesmas pessoas que passo desde já a agradecer pela visita.

2.21.2008

Maria Antonieta (Marie Antoinette)

Muito se falou deste filme no ano da sua estreia em 2006, muitos dos críticos, cá e não só, dividiam-se entre o fantástico/genial e o péssimo/exercício de estilo sem bases nem objectivos, um desperdício do palácio de Versalhes e uma perda de tempo.

Como já fiz ver, este tipo de filmes que provoca disputas e críticas acesas são os meus preferidos, uma vez que eu normalmente gosto sempre de meter a colher e opinar um pouquinho, e como normalmente acontece, eu fico do lado dos aduladores, que homenageiam e amam o título em causa, desta vez não escapou á regra.


Mais tarde, o filme acabou por ter um sucesso comedido, nos oscars ganhando a sua única nomeação, a qual era para melhor guarda roupa.

Mas verdade seja dita, este é um dos melhores filmes de já algum tempo. Não via um filme com um formalismo técnico, um coerência tão grande e um preciosismo, com um estilo perfeito, interessante e mais que isso absolutamente delicioso.

Sofia Coppola é sem dúvida uma das grandes da sua geração, dessa geração de cineastas que vai agora no terceiro filme que começaram nos anos 90 e que trazem atrelados a si uma genialidade criativa que supera em grande parte a geração que a antecedeu, e que também deu e dá muitos frutos. Quem duvida-se do seu bom tecnicismo, direcção de artistas e sentido estético, acompanhado de uma necessidade intrínseca e que agora se vê profícua de criar algo diferente do que se estava habituado, apercebe-se que o motivo da sua dúvida era desnecessário.

Vinha nos extras do DVD que aluguei um comentário de um dos actores muito secundários que dizia algo como: "Sofia queria fazer um bombom, mas acabou por ficar um bombom sexy" e pensar nisto que é tão simples, nós ficamos deslumbrados com um resumo de um filme tão bom em duas palavras, BOMBOM SEXY, é que se alguém duvida, veja ou reveja, aquilo é um bombom delicioso, que satisfaz todas os nossos desejos, que preenche todos os nossos queres e que simultaneamente é adolescentemente sexy, um produto directo da MTV e que se coaduna com uma história de filmes biográficos de personagens históricas, tão habitual do cinema americano. Esta mistura quase explosiva entre a coquete francesa do barroquismo e os All Star MTV são uma das mais belas e quase subversivas ideias que o cinema alguma vez provocou e produziu.

Pois agora vejam esta pequena demonstração, aqui por baixo está o poster do filme que tem a mesma imagem que a capa do DVD, e olhem para aquela cara de menina reguila, adolescente mimada, de rapariga que passa o dia inteiro nas cuscuvelhices e a mandar mensagens de telemovel, mas que vive em França, na altura das revoluções francesas, que é casada com o rei sol com 14 anos e que tem nas suas costas a função de manter uma relação amistosa entre França e o seu país de origem, a Áustria, sendo por isso alvo de toda a socialite francesa e sendo um filho seu e do rei, uma das coisas mais esperadas e para a qual é empurrada/obrigada. Digam-me lá que isto não é genial., esta interligação entre duas épocas diferentes, afastados por espaços de tempo tão longos, mas que no filme parecem quase simultâneos, como se houvessem teenagers a passear por ai vestidas à século XVIII, cheias de folhos e com um cabelo do tamanho de uma antena parabólica.

Mas depois de ver o filme é isso que ficamos a pensar. A agrupar a esta série de elogios, acrescento ainda uma fotografia linda que tira proveito de um dos locais mais bonitos do mundo, que é o palácio de Versalhes, que aqui nos é apresentado como quase um reino de fantasia em que tudo é de uma estranheza, de um formalismo, cheio de maneirismos, normas absurdas e simplesmente estúpidas. Veja-se o rital do acordar em que uma menina de 14 anos se vê observado por mais de 20 pessoas que consoante a sua importância social, têm o privilégio de lhe dar a roupa, mas sempre sem lhe tocar, nem no mais ínfimo milímetro quadrado de pele, assim como as refeições como o pequeno almoço, e quando ela pergunta porque razão tem que se sujeitar a tão abstrusos rituais, a resposta é simples: "ISTO É VERSALHES". continuando os elogios, venha a tão famigerada banda sonora, que a todos parecia incomodar ou maravilhar, Coppola escolheu new order, the cure, the stockes, entre outras bandas pop/rock da geração MTV, e o ambiente criado por esta banda sonora neste filme de época faz toda a diferença.

Tudo começa quando a pequena menina tem que ir para França casar-se com os seu noivo arranjado e que só conhece por retratos, e no momento em que passa a fronteira tudo o que tinha deixa de ser seu, tudo o que lhe era íntimo desaparece, até a roupa que tinha no corpo, como se a partir daquele momento passa-se a ser outra pessoa, coisa que acaba por acontecer. a ingenuidade que Kristen Dunst transpira para o filme é extraordinária, bruta, viva, sincera, é um papelão, que provavelmente lhe marcará a vida. a acompanha-la está o seu marido interpretado de uma forma muito contida o senhor Jason Shawrtzman.

A par disto e da pressão social para ter um filho e da estranha relação que tem com o seu marido, que simplesmente é estranha, mas a partir da qual eles aprendem a amar-se profundamente, a par disto está o seu relacionamento extraconjugal, com um militar de alta patente que combatera nos estados unidos pela na guerra da independência. Este é o período do filme mais maravilhoso, porque nos enche de emoções que não conseguimos explicar, entender, mas que sentimos, que nos tocam, nos perturbam, nos afectam e em suma nos fazem amar este filme.