6.27.2008

As oscilações dos tomates animados

Este título quase parece simultaneamente poético, filosofia barata ou simplesmente pervertido, mas na verdade refiro-me ao site da Internet Rottentomatoes.

Desde a estreia de Wall-e nas salas americanas, as notas que este filme obteve já variaram entre 86 para 92 para depois 98 descendo para os 97 e voltando á posição anterior de 98, espero que estas subidas e descidas tenham estabilizado e sem dúvida alguma 98 é uma nota quase inalcansavel por aquelas zonas.


Por exemplo os There will be blood teve 91 e mesmo o equivalente do ano passado ao Wall-e (Ratatui) teve 95 e os outros de Brad Bird, que se aproximaram: The Incredibles 97 e The IronGiant também 97. O realizador de Wall-e, o senhor Andrew Stanton fez Monters, Inc que teve 95 ou o Finding Nemo que teve também 98 e agora o único superior a wall-e, Toy Story (1 e o 2) ambos com os maravilhosos 100.

Clones Mas não é só Wall-e a animação deste ano, temos Kung Fu Panda (88), Ice age 3 (ainda por sair), o filme descoberta do festival de Cannes Waltz with Bashir, um documentário em animação dos pesadelos de um ex militar israelita que este na guerra com o libano (o filme é auto-biográfico, sendo por isso o realizador a personagem em causa) e ainda o novo filme da saga Star Wars, Thewar também em animação, mas com pior aspecto e interesse que os anteriores.

Muita animação para um verão que se prevê quente.



PS:A Nota do Wall-e voltou a baixar para os 97
PS 2: A Nota do Wall-e voltou a baixar para os 96

6.25.2008

Porque o Verão não é sinónimo de Blockbuster

Este ano o fornecimento de blockbusters é vasto e temos muito por onde escolher, sendo como é habitual a ideia de filme pipoca, este ano teremos certamente resultados fascinantes do novo Batman que já é comparado ao Heat ou ao Godfather 2, no entanto, apesar de não parecer, nem só de filme de heróis se trata o verão, Portugal tem tido o habito de estrear bons filmes europeus, o ano passado lembro-me facilmente de Lady Chaterley, este ano temos já em sala Alexandra, mas os filmes não pipoca que este verão trará e eu espero poder ver serão (conto só com filmes que estreiam depois do inicio oficial do verão):
  1. I served the king of England
  2. Tropa de elite
  3. Funny games
  4. Surveillance
  5. Redbelt
  6. Yella
  7. Rogue (é meio pipoca, mas não é tão publicitado)
  8. Smiley face
PS: Depois em Agosto, não considerei os filmes, porque "já não é bem Verão", mas está marcada a estreia de Savage Grace e Religulous

6.24.2008

A-Lee-anado vezes 2

Se tivesse que escolher entre os Lee's que conheço, e que são poucos:
Ang Lee
Spike Lee
Bruce Lee
Lester Lee (este último descobri por intermédio do tão afável IMDB que é um compositor nomeado para um Oscar, mas que partilha o nome com um actor e também com um argumentista).

Dos quatro poderia restringir as dúvidas aos dois primeiros, que foram os primeiros a surgir na minha cabeça, e de entre os dois a escolha recairia no Ang Lee, primeiro, porque nunca vi nada de importante de Spike Lee (Do the right thing, She hate me, Malcom X, Inside Man, 25th hour), no entanto já vi coisas muito boas do senhor Ang Lee, entre elas (Brokeback Mountain, Hulk, Crouching tiger, Hidden Dragon), por isso a minha escolha recairia no senhor Ang, por desconhecer o trabalho do senhor Spike (erro grave na minha cinefilia).

Ambos, estão prestes as dar-nos, cada um, obras maiores do cinema, Spike Lee, já anda a apresentar o seu mais recente filme, Miracle at St Anna, filme da segunda guerra Mundial, em que uma brigada de soldados Afro-americanos é emboscada no norte de Itália, este é um dos mais esperados aqui por casa, vejam o trailer e deliciem-se:



O outro Lee continua a ser o cineasta sem género, desde uma comédia romântica chinesa (The Wedding Banquet), filme inglês de época (Sense and Sensibility), Drama (Ice Storm), Western Homossexual (Brokeback Mountain), adaptação de DB (Hulk), thriler erótico (Lust,Caution), Artes marciais (Crouching tiger, Hidden Dragon), vem agora uma Comédia musicada (não musical) chamada Taking Woodstock, sobre o homem que sem querer e sem se aperceber cria o concerto que marcou uma geração, espera-se que veja lá para 2009, mas as pulgas já me atacam nesta altura do campeonato.

6.22.2008

Allen vezes 2

Allen é um grande realizador, isso, não é descoberta para ninguém, penso eu, agora que ele faz coisas que não se limitam á comédia já pode ser uma descoberta para alguns dos mais desatentos, o que eu não sabia era que ele, por vezes, mistura as coisas e entregava-nos uma salada de frutas bem saborosa e agridoce, os mais fanáticos possivelmente já saberão do que estou a falar, o filme chama-se Melinda e Melinda.

Allen faz das suas, quando junta um quarteto de amigos num café para passarem um bom serão de divagações artísticas e sociais, de uma lado o dramaturgo de dramas e do outro um de comédias, a apaziguar os ânimos temos uma amiga conciliadora e do outro lado um amigo que gosta de pôr mais achas na fogueira.
E tudo parece bem, e é de facto, cada um inicia a sua história, começando de um momento comum, a chegada de alguém inesperado no meio de um jantar importante, para um isto é o inicio da desgraça, para o outro o inicio de uma espiral cómica divertidíssima, e tudo junto dá um prato fora do vulgar e de sensacional sabor.
Melinda e Melinda pode não ser dos melhores filmes de Allen na comédia nem no drama, mas deve ser certamente o melhor na conciliação dos dois, um filme que quer queiramos quer não vive do seu estilo fragmentado, que acaba por retirar um pouco da força dramática e um pouco do humor alleniano, mas a junção das coisas é feliz e vale a pena.




O outro filme que vi do senhor Allen, de modo a que possa fazer esta x2, foi o seu maior trabalho, não em duração, mas sim em importância profissional (prémios, como o Oscar) e em importância social, na medida em que ninguém que diga ter vivido nos anos 70' e não viu o filme é alguém de respeito (estou a brincar, como é obvio).

Este foi um filme que estive para ver durante muito tempo e que faz parte de todos os livros de cinema e da história do cinema, por isso ver este filme pela primeira vez, foi uma experiência diferente, porque havia cenas que eu já conhecia sem nunca as ter vistos, caso da fila para a entrada do cinema e a cena das lagostas, dois momentos maravilhosos da história do cinema.
Annie Hall é sem dúvida um dos melhores filmes que Allen fez e uma das coisas mais maravilhosas, penso que devia ser obrigatório ver este filme na aulas de filosofia no Secundário, porque tenho certeza que muita gente se sente tocado por um filme como este, é certo que uma boa parte da humanidade que viu este filme ficou com alguma marca e se o viu numa fase de formação de personalidade sem dúvida que foi influenciado (de modo positivo) por Allen e pelos ser maneirismos.
A Piada inicial, o monólogo inicial diz tudo sobre o filme:
Duas senhoras, já de certa idade estão a almoçar no restaurante de um hotel, provavelmente n
uma dessas excursões que as pessoas de Terceira Idade fazem, e uma comenta para a outra: A comida aqui é muito má, não achas?
A outra senhora responde prontamente: Sim! E as porções são tão pequenas!

E isto é a vida para Allen, esta necessidade de viver, mesmo que isso seja um processo penoso.
A componente romântica do filme é enternecedora, quase juvenil, como as paixões de miúdos da primária, só que desta vez as piadas são de cariz sexual, coisas tão brejeiras, como: vamos jogar ao ‘Esconde o Salame’.
Os momentos musicais são soberbos a vida escorre pelos fotogramas do filme e cada instante é sincero, verdadeiro e fraterno.
7.5 /10 - Bom
10/10 - Obra-prima

6.20.2008

Posters Do Ano - I

vicky-christina-barcelona.jpg
Vicky Cristina Barcelona

What Just Happened?

Se me perguntassem o que é que tinha acabado de ver eu também não sabia, só sabia que tinha acabado de ver o trailer de um filme chamado o que tinha acabado de ver, por isso ainda estou pouco baralhado.
a imagem explica alguma coisa (click nas imagem e veja o trailer)

imdb ajuda a compreender melhor as coisas



Não posso prometer, mas este, quando estrear por cá, vai estar na minha lista dos must see.

Eu não quiz acreditar

Alguém se lembra de um filme que estreou no final do ano passado, realizado por um senhor que tinha sido elevado pela crítica com o filme "A Lula e a Baleia", chamado Noah Baumbach, que é argumentista habitual do maravilhoso Wes Anderson, nomeado para o Oscar de melhor argumento original pelo a lula e a baleia, fez um filme que era um dos mais aguardados do ano passado, mas que na verdade acabou por não ter a melhores notas no rottentomatoes 51% mas os "top critics" deram-lhe 62%.

Deve ser daqueles dramas indies de cortar á faca, de fazer chorar as pedras da calçada, mas sem dúvida deve ser um dos mais antecipados filmes que aqui o Ricardo, tinha, lá para o final do Verão princípios do Outono.

Mas as minhas esperanças caíram por terra quando vi o dito filme, em DVD, no meu club de vídeo (ironicamente quando fui alugar o The Savages, filme indie que também foi lançado directamente para DVD em Portugal, mas que teve críticas muito mais agradáveis e duas nomeações para o Oscar), assim já sei que tenho filme para ver num dia em que não me apetece fazer nada e que tenho garantia da qualidade da obra, mas é pena não poder ver filmes como este no cinema, e ter como única (ou quase) opção no cinema da terrinha, o Street Kings, já com três semanas de atraso.

Aqui fica o trailer que vale a pena ver para abrir a apetite.

Realmente Portugal não é bom na distribuição dos filmes e pelos vistos nem no football, como se pensava.

6.04.2008

Is my directing interfering with your phone call?

hoje depois de ter visto o filme que tem a pior tradução de sempre da história dos cinema português (consegue estar á frente de "The General" que ficou "Pamplinas o Maquinista") e como é normal neste género de filmes e nesta altura do ano, metade da sala estava cheia de miudos pouco graudos, que nada mais faziam do que falar e dizer piadas de cariz sexual sobre as mulheres que viam na tela, felizmente foram poucas e comedidas no baixo nível, no entanto acredito que se isto passase antes de todos os filmes em portugal, as pessoas deixavam de atender os telefones dentro do cinema e possivelmente deixavam os comentários desnecessários

Kar Way vezes 2


O primeiro filme que alguma vez vi deste senhor, foi a obra-prima "In mood to Love", um filme extraordinário que me fez apaixonar instantaneamente por este génio do cinema, depois vi 2046, obra de uma poesia abstracta fabulosa.
Mas o que me leva a escrever foram os dois últimos filme que dele vi, num espaço de um mês, vi "Fallen Angels" e o recente "My Blueberry nights".
Fallen Angels, é kar way, na sua pujança máxima, com uma força quase irreconhecível, com vida, traduzida em belíssimas sequencias de tiroteio, mas que mantém uma ingenuidade dos contos chineses e aquelas relações amorosas que não se traduzem por beijos ou palavras, mas sim por passeios de mota ou olhares. Um filme maravilhoso de facto que não se consegue descrever por letras ou palavras.
O segundo, esse já perde um pouco. Quando a crítica portuguesa acusa o Way de na viagem para a América ter perdido qualquer coisa pelo caminho, se calhar não estão a mentir, porque há uma diferença visível, que se sente, não parece Kar Way, com aquela força sobre-humana de filmar as emoções de forma violenta e visceral, aqui o filme é passivo, deixa-se levar ao sabor da corrente, um filme com o género mais americano, o road movie, que faz um filme tão delicioso como uma trate de mirtilos, e que mesmo não cheirando a kar way sabe a kar way.
Um filme sentido, que vê o amor como o motor da vida, feito cara a cara com o espectador e que derrete qualquer coração, mesmo os mais empedernidos da crítica portuguesa.


10/10 - Maravilhoso
9.5/10 - Muito Bom

6.03.2008

Porque o Pollack não morreu

Acredito piamente que o artista é aquele que, pela sua arte retracta a vida, sua e dos outros, e que retrata o que é superior á própria vida, faz do metafísico o físico, transforma os sentimentos em matéria e a matéria em sentimento.
O artista vê o mundo e transfigura-o de modo a que este se torne sensível, visceral e verdadeiro na sua essência.
A obra mostra o sentimento, mostra a vida e a existência, mostra que se criou durante o tempo em que se esteve activo, o actor, realizador, o pintor, o escultor o músico, o arquitecto, todos fazem parte de nós porque a todos a arte afecta e ninguém passa indiferente a obras grandes da nossa história, por este motivo:
o artista não morre, porque só a arte pode prolongar a sua existência, mesmo que não seja de forma física, a arte prolonga a vida, uma vez que o artista mesmo não estando vivo, continua-o na mesma proporção que o espectador o mantêm na sua memória.
Não esqueçamos os que já partiram e marcaram os nossos dias, com as sua obra.


Para que a sua memória não seja esquecida, e para que o artista se mantenha imortal, vi hoje mesmo uma das sua obras mais consagradas (e não foi o Africa Minha) foi o maravilhoso "Os cavalos também se abatem" tradução do They shoot horses, don't they? (possivelmente uma das traduções mais felizes para a nossa a língua).
Depois de ver uma obra como esta é impossível alguém, no mundo, dizer que Pollack morreu, porque eu hoje vi o que ele viu, senti o que ele sentiu e recebi-o sob a forma das imagens do vídeo (que relíquias são essas "videocassetes") e ele estava lá, aqueles fotogramas eram e são parte de Pollack e ver a sua obra rejuvenesce quem a vê e quem a fez, mesmo já não estando presente.

Que filme maravilhosa eu vi!
Fazia muito tempo, que não via um filme que me tocasse tanto a nível sentimental (e devo confessar que sou muito lamechas e por isso é normal chorar em doses consistentes), mas este filme, teve quase o mesmo nível que o recente Into the Wild que também me fez chora por mais de um quarto de hora (esse fez-me chorar quase uma hora), no entanto, este filme é, ao contrario dessoutro. Faz sofrer pelo sofrimento e não pela alegria, faz sofrer pela dor e não pela ingenuidade, é um filme, mesmo que não sendo cru é violento, principalmente nas cenas de corrida, em que as caras suadas e esgazeadas e mortas dos nossos actores/dançarinos são algumas das coisas mais perturbantes (muito mais que um filme de terror).
O quebrar das ideias ingénuas de alguém que ainda não viveu, é simultaneamente um crime e uma palmada no ombro, agradeço a palmadinha e desculpo o crime, porque Pollack ainda não morreu para mim.
10/10- Maravilhoso