7.31.2008

A Pérola do Ano

É raro que um filme checo estreie em Portugal, mas tendo por de trás o nome de Menzel, houve alguém que teve o bom senso de não despachar para uma edição directa em DVD e o deixou estrear.
Um filme, que é sem dúvida uma pérola, de um erotismo, associada a um burlesco totalmente descabido, um filme que brinca com a sua própria forma de filme de época levando tudo ao extremo, em especial nas cenas que são aceleradas, este filme tem também a busca pela perfeita repetição, em que cenas idênticas são repetidas ao longo do filme só que de formas diferentes, mas acima de tudo temos um filme terno, com coração, que descreve todo um o período da historia (mesmo que superficialmente) desde antes da segunda guerra Mundial até à actualidade.


A beleza de certas cenas é incandescente e o sentido estético de Menzel um tanto ou quanto piroso é uma delicia. Aconselho vivamente a todos os que se queiram divertir e ver um filme de derreter o coração


Menzel é um krále

9/10 - Muito Bom

7.30.2008

Próximo Mês

Decidi que na última semana de cada mês e segundo a minha disponibilidade, colocarei aqui neste espaço a tabela seguinte, baseada nas 'próximas estreias' que cada um dos sites a baixo prevê: acompanha dos filmes que mais expectativas me levantam (a cinzento), espero que seja útil o meu trabalho, porque eu costumo fazer isto, mas sempre em papelinhos riscanhados que acabo por perder por isso pode dizer-se que é uma revolução (ou evolução).

A ver:
Cinema2000
Cinema PTGate
Cinema Sapo
Cinecartaz
Zon Lusomundo
Medeia filmes

Devo avisar que já encontrei o poster do Aquele Querido mês de Agosto no El Corte Inglés, assim como o Shotgun Stories no Nimas e claro, Wall.e, Meet Dave, Get Smart, X-files entre outros mais comerciais.
Em relação ao The Hottest State, as expectativas não são muitas, mas são algumas.
Em relação ao X-files, depois de ver o Trailer fiquei mais interessado, mas mesmo assim não chega.
O Hellboy, depois de ver (pela primeira vez) o primeiro, foi como levar com um copo de água fria, porque o primeiro não era nada do que eu esperava que fosse, por isso, ainda não sei bem o que pensar desta sequela.
Rogue pode muito bem ser a pérola deste verão (coisa difícil, mas possível), do realizador de Wolf Creek, este é um filme de terror com crocodilos, espero para ver.

7.29.2008

Baile de Outono

Na vida, como o passar desta (curta para o meu caso), por entre os dedos mais ou menos gastos e cansados dos tantos afazeres que todos temos, vê-mos coisas que nos tocam profundamente e nos marcam como seres humanos, nos definem na nossa forma, no nosso pensar, no nosso verdadeiro ser.

Na vida, temos a possibilidade magnifica de viver, coisa óbvia (e certamente Lapalice ficaria orgulhoso), mas esta existência física e sentimental, é por si só uma vantagem esmagadora que por condução nos enriquece o espírito.

Na vida, podemos seguir (espero e acredito que assim seja) os caminhos que decidimos tomar e podemos percorre-los completamente, ou melhor, podemos percorre-los, até ser-nos impossível continuar, na medida em que perder todos os objectivos é perder a própria vida.

Hoje, vinha no metro com uma colega do curso intensivo de espanhol que fiz neste mês e a senhora, que tinha um filho mais velho que eu um ano, disse-me em tom de despedida (uma vez que o curso acabou hoje), para eu viver a vida, estar e partilhar o tempo com os amigos, fazer-me à aventura, descobrir coisas novas, novas pessoas, novas gentes, culturas, ideias, tal e qual como o seu filho, um ano mais velho que eu, fazia, no exacto momento em que a senhora sua mãe falava.

Eu, depois de ouvir estas palavras, desfiz-me, como tantas vez acontece, em pó. É, como se o meu coração e todas as minhas entranhas desaparecessem e ficasse só um saco com movimento, oco e vazio (eu gosto de repetir sinónimos).

Eu a cada dia que passa, em que veja a felicidade alheia, fico mais mole, viscoso, podre, como se a minha curta idade fosse inversamente proporcional à minha idade sentimental, eu vejo que estou congelado por dentro. Os meus amigos, não são (ou estão) no nível a que a palavra amigo eleva uma pessoa, eu não passo tempo com eles, eu não conheço novas pessoas e se isso acontece a minha atitude é de fugir a sete pés delas, não me faço à aventura, tenho tudo sob controlo, tenho o relógio adiantado 4 minutos com precisão, chego aos locais que quero ir a horas e as restrições que me coloco amordaçam-me.

Isto tudo para dizer que de vez em quando sou assolado por uma tristeza avassaladora e sufocante.

No entanto tenho o cinema, e é ele a minha droga de eleição (não que eu tenha outra), na medida em que não consigo passar muito tempo sem ir ao cinema, alugar um DVD, ou ver um que tenha comprado, não consigo passar sem visitar os sítios do costume e é o cinema que me faz ser o que sou, o cinema formou e forma a minha pessoa, os filmes que vejo acabam por ser parte da mim, integram-se dentro do que eu sou e não saem, no entanto, mesmo que pudessem, eu não lhes permitiria tal escape, porque aí ficaria realmente um saco vazio e oco.

O cinema é a minha vida, não que eu viva disso, uma vez que por agora vivo à custa dos progenitores, mas é a minha vida, o meu ópio, a minha dependência, porque a seguir a um qualquer filme há uma libertação do mundo exterior, há um flutuar, mesmo que manco, num éden paradisíaco.

Por isso ao longo destes ano eu criei uma dependência mais agravada e quase mórbida com filmes tristes (não pensem que sou preconceituoso, eu vejo tudo o que posso e me interessa, mas sinceramente, são poucas as comédias que têm lugar nos meus Tops), morbidamente tristes, e são da minha eleição os filmes que me façam chorar com uma criança a quem tiraram os chupa-chupa, este ano, chorei como nunca antes havia chorado com um filme (ou qualquer outra coisa) quando vi o Into the Wild, um outro terá sido Mio Fratelo é Fligio único, mas há outros filmes (caso do Couers) em que a tristeza se impregna na carne e, sem a fazer vacilar, corroí-lhe as forças. Este masoquismo da minha parte é derivado de um gosto inquestionável de sofrer (num ambiente controlado que é o filme e o cinema), uma vez que o sofrimento profundo se traduzirá num verdadeiro júbilo de proporções amplas e vastas (lá estou eu de novo), mas com o passar do tempo e do escorrer da vida por entre os dedos, vejo que se calhar esta queda para a tortura pessoal seja mais prejudicial que benéfica.

Espero ansiosamente o Baile de Outono.

Peço desculpa se incomodei, aborreci ou estraguei o dia a alguém mas isto tinha que vir cá para fora e, mais uma vez peço desculpa, se o que veio cá para fora não devia.

Joker the Master of Disguise



Os dois melhores planos do Dark Knight

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O que é que estes 5 filmes têm em comum (?)





7.27.2008

DiViDi

Nestes últimos dias comprei três filmes, todos eles por preços inferiores a 11 €, (10.95, 8.95, 5.95), eu pessoalmente penso que um filme com preço superior a 20€ é desproporcionado, e recuso-me a dar tal quantia pelo DVD de que filme seja, no entanto admito que colecções ou edições especiais (como aquela cabeça de Alien com todos os filmes da saga, mais as versões de realizador e três discos de extras mereciam o dinheiro que valiam, ou por outro lado a colecção especial do aniversario do Blade Runner, ou ainda os 20 filmes do Senhor Bond), no entanto são poucas e raras as vezes que compro filmes com preço superior a 15€ (a ultima vez foi quando comprei a edição de coleccionador do Les Chanson de Amour com a banda sonora incluída), mas desta vez, dos filmes que comprei, nenhum é francês nem edição especial, são (respectivamente ao preços) O Orfeu Negro, Maria Madalena e Do the right Thing.

O primeiro, o filme de Cammus, que ganhou a palma de Ouro, o oscar de melhor filme estrangeiro e o globo de ouro na mesma categoria é um filme marco no cinema brasileiro, escrito por Vinicius de Moraes com música de Tom Jobim, este filme é uma pérola do outro lado do atlântico, não há à venda em Portugal no circuito normal, eu tive que comprar uma edição de importação (mas como o filme é em brasileiro não haverá problema).


Maria Madalena, um dos grandes vencedores do seu ano no festival de Veneza (que está quase a iniciar mais uma edição- assunto que abordarei mais tarde), arrebatando o prémio especial do júri, o prémio do júri ecuménico, a nomeação para o leão de ouro, trata da história de três personagens que através da figura de Maria Madalena culminam. Filme de Abel Ferrara com a senhora Binoche, o senhor Whitaker, a senhora Cotillard, entre outros.

Por fim, a bagatela do conjunto (5.95 é de facto uma ninharia, quase o mesmo que um bilhete de cinema), o filme que abriu portas ao grande Spike Lee, mas ele já havia feito boa figura com Joe's Bed-Stuy Barbershop: We Cut Heads no festival de Locarno e no seu seguinte filme She's Gotta Have it que lhe deu o prémio para a juventude em Cannes e os prémios principais no Spirit Awards, o filme em causa conta com Ruby Dee, Danny Aiello, o próprio Lee entre outros. Ganhou a Palma de Ouro.

7.26.2008

Os génios também se enganam (?)

O que pensa dos cineastas da nouvelle vague?
Gostava muito de ver os filmes deles! Não fui ver a maior parte deles porque tenho medo que me possam inibir. Quando faço um filme, não gosto de fazer referências a outros filmes; gosto de pensar que estou a inventar tudo pela primeira vez. Falo com os Cahiers du Cinema sobre cinema em geral porque lhes estou muito agradecido por gostarem dos meus filmes. Assim que eles me querem submeter a um das suas grandes conversas intelectuais, digo logo que não. Mas tudo isto é ficção. Sou um impostor: chego ao ponto de falas da 'arte do cinema'. Nunca falarei da arte do cinema com os meus amigos: preferia ficar sem cuecas no meio da Times Square.


Que sensação lhe causam os filmes de Antonioni?
Segundo os jovens críticos americanos, uma das grandes descobertas do nosso tempo é o valor do tédio enquanto um tema artístico. Se isso é verdade, então Antonioni merece estar entre os pioneiros desta tendência como pai fundador. Os filmes dele são telas de fundo perfeitas para manequins de alta costura. Talvez não existam telas assim tão perfeitas, nem mesmo na Vogue. No entanto, era com estas que se deviam assemelhar. Deviam contratar Antonioni para as projectar.

E o que pensa de Fellini?
Tem talento, tal como todos os que fazem cinema hoje em dia. O limite dele- que é também a fonte do seu encanto- tem a ver com de ele ser essencialmente muito provinciano. Os filmes dele representam o sonho da grande cidade alimentada por um rapaz de província. A suas sofisticações funcionam porque são criadas por alguém que não sofisticado. No entanto, ele parece muitas vezes ser, perigosamente, um artista superlativo que tem tão pouco a dizer.


E de Ingmar Bergman?
Não partilho nem os seus interesses nem as suas obsessões, É-me mais estranho que um japonês.

E o que pensa dos cineastas americanos contemporâneos?
Stanley Kubrick e Richard Lester são os dois únicos que me fascinam, à excepção dos velhos mestres. Falo de John Ford, John Ford e John Ford. Não considero Alfred Hitchcock um cineasta americano, apesar de ter trabalhado em Hollywood durante todos estes anos. Parece-me terrivelmente inglês na melhor tradição de Edgar Wallace, e nada mais. Há sempre qualquer coisa de anedóticos no seu trabalho, os seus artifícios não passam de artifícios, pouco importa a forma grandiosa como foram concebidos e utilizados. Sinceramente, penso que Hitchcock é um cineasta cujos filmes não irão suscitar o menor interesse daqui a um século. No melhor de Ford, o filme vive e respira um mundo verdadeiro, mesmo se tivesse sido escrito por Mamma Machree. O mundo de Hitchcock é um mundo de espectros.


Extracto de Kenneth Tynan, Les Entretiens de Playboy: Orson Welles, 1967

Semelhanças - III

A nossa personagem principal de Once (em português na péssima tradução- No mesmo tom), interpretado pelo actor e músico Glen Hansard.

Hugh Laurie, o nosso conhecido House M.D.

Damien Rice cantor Irlandês (por proposta de Cataclismo Cerebral)

Semelhanças - II


Filme em pos-produção assinado pela vencedora da academia Diablo Dody, que nos trás um filme de terror, ficção científica, tudo em tom de comédia, a sinopse diz algo como:
A newly possessed cheerleader turns into a killer who specializes in offing her male classmates. Can her best friend put an end to the horror?


Este segundo já aqui tinha falado, série da HBO, escrita pelo argumentista galardoado pela academia por Beleza Americana e autor de Sete Palmos de Terra.