7.09.2009

Posters do Ano - VII

Les Plages D'Agnés


Espero há muito por este filme, descobrir que vai estrear dia 23 deste mês é uma alegria e provavelmente a melhor solução para o marasmo dos blockbusters.

7.08.2009

Hollywood é ultrapassada por Nollywood, que no entanto fica atrás de Bollywood; mas isto parece não ser para durar.

Aconselho o interessante artigo do Ípsilon sobre os riscos que a emergente Industria de Cinema Nigeriano está a sofrer por causa da pirataria de DVD, os quais inicialmente a propulsionaram.

7.04.2009

Incompreensível

De todos os objectos da industria do cinema americano, dois produtos sempre foram de máximo rendimento: primeiro os filmes do género de terror e segundo as comédias. Estranho é descobrir que os primeiros sintomas da - tão afamada - crise (ou da saturação do mercado) começam a surgir, pois, no nosso país, saíram directamente para DVD um conjunto de filmes que costumam ter um público (adolescente) alvo fixo e vasto. (as hiperligações levam aos resultados de bilheteira nos EUA e nos resto do mundo, assim como aos valores do custo de produção)

Role Models
Pineapple Express
Mall Cop
Drillbit Taylor
Observe and Report
Year One
Ghost Town

Por um lado temos um filme indie, como é Ghost Town, que tendo fracos resultados do outro lado do oceano é facilmente aceitável no formato não-comercial, mas escandalosamente temos a omissão das salas de um dos mais lucrativos filmes do ano: Mall Cop, que com um orçamento de pouco mais de 25 milhões, obteve só no país de origem uns 150 milhões (mantendo-se por semanas consecutivas no 1º lugar do top de vendas); curiosamente, os valores fora dos 'states' não chegaram aos 35 milhões. Isto indica então que o cinema americano está a fechar-se no seu público e nos suas fronteiras, e o humor universal é esquecido em detrimento de referências locais incompreensíveis para 'outsiders'.
Pineapple Express é outro exemplo, filme que marcou presença forte nos Oscars - não como nomeado ou vencedor, mas sim como ponto de partida para se louvar as comédias do ano anterior - foi editado directamente para DVD, mais uma vez devido, certamente, aos fracos resultados na bilheteiras não-americanas (menos de 15% dos lucros foram aí feitos).
Mas então um ciclo entra em vigor: os filmes têm maus resultados em alguns países da Europa, então são editados directamente para DVD, impedindo que noutros países os resultados sejam surpreendentes, ainda para mais sabendo que este 'género' é habitualmente sinónimo de sucesso.
Mais incompreensível ainda é o lançamento em sala de certos filmes, sem sucesso dentro ou fora dos Estados Unidos, nem mesmo por parte da crítica profissional ou leiga, basta tomar em conta Bobby Z, Street Fighter ou The Spirit; quando outros filmes 'perdem o lugar' como se vem tornando habitual: Serbis e Tokio Sonata (apresentados no Indie) são editados directamente para DVD e Frozen River parece para lá caminhar, depois de já ter tido data de estreia marcada.

7.03.2009

Semelhanças - XXIX (actualizado)

The Nutty Professor - Jerry Lewis

Play time - Jacques Tati


Pink Panther - Blake Edwards

Um Ano de Cinema(s)

P.S.: a imagem leva ao programa

6.30.2009

Universalizando o formato de Tele-disco


Com a morte de Michael Jackson (MJ), muitas vozes se levantam, exaltando o génio do músico. Há que ter a noção que MJ foi e continuará a ser um símbolo maior no panorama musical, e na instituição na cultura POP massificada do conceito de videoclip, poder-se-á dizer que sem MJ não haveria MTV como a conhecemos, mas verdade seja dita, os seus tempos áureos passaram, e desde a mudança de cor e o escândalo da pedofilia, que as dívidas eram maiores que os rendimentos - ouvi mesmo um comentador dizer que MJ vale mais agora morto do que quando em vida.
Importa pouco perceber se é Thriller, como alguns defendem, o "primeiro teledisco". Um fã dos Queen falará do teledisco de Bohemian Rhapsody, um dylaniano referirá a encenação de Subterranean Homesick Blues no Don't Look Back de Pennebaker, os beatlemaníacos defenderão certas sequências dos filmes que Richard Lester fez com os fab four, e por aí fora até encontrarmos algum cinéfilo a defender que a raiz dos telediscos se encontra nos musicais de Busby Berkeley.

Mas verdadeiramente Thriller não é um videoclip, ou pelo menos não o é segundo os parâmetros actuais, é sim, uma curta-metragem, de um realizador na altura em ascensão (John Landis que há altura já havia realizado An American Werewolf in London, sendo que a sua carreira tem vindo a descer de nível, passando cada vez mais pela televisão e já tendo recebido três nomeações para os Razzies- não que estes sejam um indicador seguro), que por acaso tem uma coreografia lá no meio com o cantor e a música que intitula a curta.

Mas o bom gosto pela tele-disco e a marca de MJ não se ficaram por Thriller, outras músicas mais tarde e já instaurada o conceito de vídeo musical na televisão como 'a' forma de ver música e objecto indispensável na divulgação massificada, veio Bad (1 e 2), realizado por um senhor maior - Martin Scorsese - que mais uma vez fez um curta que lá no meio tem uma música coreografada homóloga ao filme, mas que até parece um anexo, pela negritude de todo o filme em oposição aos pulos coloridos de MJ durante a cantoria.

Anos mais tarde e já com uma cor diferente, MJ chamou Spike Lee para filmar no Rio de Janeiro They Don't Care about us, que se enquadra na perfeição nas conhecidas posições políticas do realizador quanto ao racismo e discriminação.

Michael Jackson marcou perfundamente a forma como se 'vê' música, universalizando o formato de Tele-disco, e daí, mudou completamente a forma como se passou a fazer televisão e cinema, basta ver Moulin Rouge ou Requiem for a Dream. Por isto o seu desaparecimento é um grande golpe na história do século XX e na história da música e do cinema.

Mais do que Grandes Expectativas - X

Vencedor do prémio da crítica internacional no ano passado no festival de Toronto, este é a adaptação cinematográfica do livro Disgrace - Booker Prize de 1999 - escrito pelo prémio Nobel (2003) J. M. Coetzee, escritor Sul Africano que neste romance trata a dramática história de um professor Universitário e da sua filha, sofrendo as repercussões de anos e anos de escravatura e Apartheid, numa África moderna mas envolta de racismo e violência.
Recentemente li o livro e devo aconselhar a todos os que me lêem, portanto, é com alguma nostalgia que vejo o trailer e identifico cenas marcantes do romance.
Pena é ter quase a certeza que este filme (que de momento tem 100% no rotten tomatoes) certamente não verá a luz do dia (ou do projector) em Portugal, no entanto o IMDb indica com data de estreia no nosso país dia 1 de Outubro, mas os sites cinema-Ptgate e Sapo-cinema não fazem qualquer referência à película em causa.

6.29.2009

Semelhanças - XXVIII

Malcom McDowell de olhos bem abertos em A Clockwork Orange de Stanley Kubrick


Cruise de Olhos bem abertos em Minority Report de Steven Spielberg

6.28.2009

Des-emocionalização ou como matar a arte pela exposição


Em relação ao mais equilibrado filme de Assayas, L'heure d'été, podemos considerar o domínio, inteligente e sólido, das dramaturgias clássicas do cinema (também) francês, sendo que este [domínio] se afasta deliberadamente (e felizmente) das vulgaridades da tele-ficção. Acabada a minha sentença, que mais parece uma transcrição de um qualquer texto do crítico João Lopes, posso adiantar, que existem dois pontos fundamentais neste filme que merecem alguma atenção:

1. Sendo que a trama se centra em três irmãos (dois irmãos e uma irmã) que decidem as partilhas da casa de campo, anteriormente habitada pela sua mãe e por eles mesmos na sua infância; e que este filme foi proposto pelo Museu d'Orsay para uma curta conjunta com as de outros realizadores, temos um filme singular. Desta vertente museológica do filme surge portanto o aspecto mais interessante do dito: quando um objecto (neste caso uma secretária) é vivido e usado, cresce - da mesma forma que um filme cresce com o seu público - pois desmultiplica-se em perspectivas e memórias, torna-se vivo/orgânico, imortal; no entanto, todo o filme trabalha sobre a ideia da libertação da dita secretária para o dito museu, ou seja, à sua 'des-humanização'. Há um plano oposto ao acima, em que se mostra a secretária exposta como mais uma peça, no meio de tantas outras; morta de significado, simplesmente como objecto exemplificativo da obra de um certo designer, nada mais. Daí o título.

2. Outro aspecto curioso é a forma como o filme termina, isto é, antes da casa ser vendida, os netos adolescentes aproveitam os últimos dias de posse da mesma e dão uma festa dos diabos. Que quererá isto simbolizar? A forma como as novas gerações encaram o passado é numa vertente (unicamente) utilitária, ou será o desprezo pela memória passada, pela marca das coisas, ou seja, o usa-e-deita-fora dos dias de hoje?

Então: a arte ganha pela sua exposição, mas perde pela sua sobre-exposição, ou melhor, perde pela descaracterização das suas origens e ambientes formativos (da mesma forma que um ser humano se perde sem as suas referências) e por outro lado verifica-se a relação que diferentes gerações têm para com os objectos e indutivamente para com a memória. Conseguir um filme tão naturalista como este, uma abordagem tão verdadeira sobre as relações entre gerações é obra.

6.27.2009

Ce petit coup au coeur quand la lumière s'éteint et que le film commence

De 35 realizadores, fizeram-se 33 curtas de 3 minutos que tivessem obrigatoriamente alguma referência a salas de cinema (lugar comum a praticamente todas), sendo que o mote era a comemoração dos 60 anos do festival de Cannes. Na cópia portuguesa, eu não me lembro de ter encontrado a curta dos irmão Coen nem a de Michael Cimino (se alguém souber o contrário, agradeço o reparo). As seguintes curtas são as 5 que eu considero melhores, por ordem decrescente, sendo que a última é simplesmente uma menção honrosa.

At the Suicide of the Last Jew in the World in the Last Cinema in the World - David Cronenberg

Dans l'Obscurité - Irmão Dardenne

Where is my Romeo? - Kiarostami

Occupations - Von Trier

Artaud Double Bill - Egoyan

'Menção Honrosa'
The Electric Princess House - Hsiou-Hsien Hou

P.S.: Ficam ainda os merecidos parabéns para o filme de Oliveira, Van Sant, Moreti, Tsai Ming Liang, Walter Salles e Chen Kaige. No entanto nem tudo são rosas, o filme de Jane Campion e o de Wim Wenders são muito (mesmo muito) a baixo do seu nível.