7.13.2009

Posters do Ano - VIII


Precious


Haverá mais algo para dizer depois disto!

7.11.2009

Videoclip!

Como todos os anos (desde 2004), o festival de curtas de Vila do Conde tem uma secção para os videoclips (Competição de Vídeos Musicais), este ano não é portanto excepção. Como já se institucionalizou, os telediscos são uma forma de video-arte ou mesmo cinema (para não usar esse nome tão depreciativo que é, Televisão) tão importante, criativa e inovadora como qualquer outra; são espelhos da actualidade, das necessidades do público e sustentam-se em conceitos originais e/ou experimentais.
Dos 16 filmes em competição, os que estão em grande e a negrito correspondem àqueles que mais me agradam, o tamanho decrescente é directamente proporcional ao meu gosto. De lembrar a presença dos Radiohead - nomeadamente com Nude e House of cards, cuja hiperligação leva também ao making of - por três vezes (numa secção tão pequena) o que indica um bom gosto da banda ou simplesmente uma produção musical muito inspiradora, assim como os divertido Who's gonna save my soul e Toe Jam e os quase documentários Nothing to worry about e stress, sendo que o segundo já havia provocado a sua dose de controvérsia no verão do ano passado.
(as hiperligação levam aos respectivos videoclips no youtube)

P.S.:O vencedor desta secção do festival foi Toe Jam

7.09.2009

O Helicóptero


Há uma força iconográfica e portanto simbólica, na figura de um helicóptero, sendo que no cinema isso é mais do que visível: todos se lembram na perfeição da cena inicial de Apocalipse Now em que os ditos meios de transporte eram o primeiro sinal da demência provocada pela luta armada (especificamente no Vietname) que o filme tão bem explorou; por outro lado sempre se associaram estes objectos voadores a grandes cenas de acção como nos lembraria Die Hard ou grande parte dos filmes de domingo à tarde.
O que vos venho escrever hoje nada tem que ver com filme de pipocas nem mesmo sobre a insanidade que se associa a qualquer guerra, venho sim escrever-vos sobre o muitíssimo competente thriller-político-jornalistico, State of Play.
State of play, como muito bem nos informou o crítico João Lopes é um regresso ao certo cinema liberal americano que vem recuperado os tempos áureos dos anos 70 (Syriana, Michael Clayton) nomeadamente do dito 'filme de jornalistas' dos quais Deadline USA é uma referência certa.
Mas mais do que isso, o realizador Kevin MacDonald tem a mestria suficiente, para em certos momentos, criar um ambiente icónico pessoal e profundamente inspiradores. Mesmo que se perca por vezes nos formatos já adquiridos e numa direcção pouco mais que escorreita, o filme tem momentos de pura criatividade. É então que o dito Helicóptero surge (ver imagens).

O Helicóptero é uma figura constante durante todo o tempo da película, quer por aparições ao longe, quer como real meio de transporte para algum personagem, quer simplesmente como pillow-shot (uma delas, a imagem em que se vê um helicóptero sobre uma bandeira, ou outra em que se vê o seu reflexo nas janelas de um edifício de escritórios -não consegui publicar- são de uma enorme força simbólica) ou ainda como efeito sonoro.
As aparições indicam-nos numa direcção de pensamento: por uma lado temos a figura opressora do dito transporte bélico criando uma ambiente claustrofóbico (também pelo seu som ensurdecedor) na moderna Washington, quer por outro lado a criação de uma mensagem marcadamente política em que se mostra a industria bélica americana como propulsara da corrupção e do crime estendendo os seus tentáculos ao governo (o helicóptero sobre a própria bandeira dos EUA) de forma dissimulada, através de empresas fantasma (o dito reflexo do helicóptero no edifício de negócios o qual não consegui publicar), conspiração sobre a qual se desenvolve a narrativa.

Assim sendo convém não encarar este filme com tanta leviandade como tem acontecido (vendo-o como mais um sub-produto de uma industria sem ideias); verdadeiramente é um caso cada vez mais raro de criatividade na produção mainstream americana.

Posters do Ano - VII

Les Plages D'Agnés


Espero há muito por este filme, descobrir que vai estrear dia 23 deste mês é uma alegria e provavelmente a melhor solução para o marasmo dos blockbusters.

7.08.2009

Hollywood é ultrapassada por Nollywood, que no entanto fica atrás de Bollywood; mas isto parece não ser para durar.

Aconselho o interessante artigo do Ípsilon sobre os riscos que a emergente Industria de Cinema Nigeriano está a sofrer por causa da pirataria de DVD, os quais inicialmente a propulsionaram.

7.04.2009

Incompreensível

De todos os objectos da industria do cinema americano, dois produtos sempre foram de máximo rendimento: primeiro os filmes do género de terror e segundo as comédias. Estranho é descobrir que os primeiros sintomas da - tão afamada - crise (ou da saturação do mercado) começam a surgir, pois, no nosso país, saíram directamente para DVD um conjunto de filmes que costumam ter um público (adolescente) alvo fixo e vasto. (as hiperligações levam aos resultados de bilheteira nos EUA e nos resto do mundo, assim como aos valores do custo de produção)

Role Models
Pineapple Express
Mall Cop
Drillbit Taylor
Observe and Report
Year One
Ghost Town

Por um lado temos um filme indie, como é Ghost Town, que tendo fracos resultados do outro lado do oceano é facilmente aceitável no formato não-comercial, mas escandalosamente temos a omissão das salas de um dos mais lucrativos filmes do ano: Mall Cop, que com um orçamento de pouco mais de 25 milhões, obteve só no país de origem uns 150 milhões (mantendo-se por semanas consecutivas no 1º lugar do top de vendas); curiosamente, os valores fora dos 'states' não chegaram aos 35 milhões. Isto indica então que o cinema americano está a fechar-se no seu público e nos suas fronteiras, e o humor universal é esquecido em detrimento de referências locais incompreensíveis para 'outsiders'.
Pineapple Express é outro exemplo, filme que marcou presença forte nos Oscars - não como nomeado ou vencedor, mas sim como ponto de partida para se louvar as comédias do ano anterior - foi editado directamente para DVD, mais uma vez devido, certamente, aos fracos resultados na bilheteiras não-americanas (menos de 15% dos lucros foram aí feitos).
Mas então um ciclo entra em vigor: os filmes têm maus resultados em alguns países da Europa, então são editados directamente para DVD, impedindo que noutros países os resultados sejam surpreendentes, ainda para mais sabendo que este 'género' é habitualmente sinónimo de sucesso.
Mais incompreensível ainda é o lançamento em sala de certos filmes, sem sucesso dentro ou fora dos Estados Unidos, nem mesmo por parte da crítica profissional ou leiga, basta tomar em conta Bobby Z, Street Fighter ou The Spirit; quando outros filmes 'perdem o lugar' como se vem tornando habitual: Serbis e Tokio Sonata (apresentados no Indie) são editados directamente para DVD e Frozen River parece para lá caminhar, depois de já ter tido data de estreia marcada.

7.03.2009

Semelhanças - XXIX (actualizado)

The Nutty Professor - Jerry Lewis

Play time - Jacques Tati


Pink Panther - Blake Edwards

Um Ano de Cinema(s)

P.S.: a imagem leva ao programa

6.30.2009

Universalizando o formato de Tele-disco


Com a morte de Michael Jackson (MJ), muitas vozes se levantam, exaltando o génio do músico. Há que ter a noção que MJ foi e continuará a ser um símbolo maior no panorama musical, e na instituição na cultura POP massificada do conceito de videoclip, poder-se-á dizer que sem MJ não haveria MTV como a conhecemos, mas verdade seja dita, os seus tempos áureos passaram, e desde a mudança de cor e o escândalo da pedofilia, que as dívidas eram maiores que os rendimentos - ouvi mesmo um comentador dizer que MJ vale mais agora morto do que quando em vida.
Importa pouco perceber se é Thriller, como alguns defendem, o "primeiro teledisco". Um fã dos Queen falará do teledisco de Bohemian Rhapsody, um dylaniano referirá a encenação de Subterranean Homesick Blues no Don't Look Back de Pennebaker, os beatlemaníacos defenderão certas sequências dos filmes que Richard Lester fez com os fab four, e por aí fora até encontrarmos algum cinéfilo a defender que a raiz dos telediscos se encontra nos musicais de Busby Berkeley.

Mas verdadeiramente Thriller não é um videoclip, ou pelo menos não o é segundo os parâmetros actuais, é sim, uma curta-metragem, de um realizador na altura em ascensão (John Landis que há altura já havia realizado An American Werewolf in London, sendo que a sua carreira tem vindo a descer de nível, passando cada vez mais pela televisão e já tendo recebido três nomeações para os Razzies- não que estes sejam um indicador seguro), que por acaso tem uma coreografia lá no meio com o cantor e a música que intitula a curta.

Mas o bom gosto pela tele-disco e a marca de MJ não se ficaram por Thriller, outras músicas mais tarde e já instaurada o conceito de vídeo musical na televisão como 'a' forma de ver música e objecto indispensável na divulgação massificada, veio Bad (1 e 2), realizado por um senhor maior - Martin Scorsese - que mais uma vez fez um curta que lá no meio tem uma música coreografada homóloga ao filme, mas que até parece um anexo, pela negritude de todo o filme em oposição aos pulos coloridos de MJ durante a cantoria.

Anos mais tarde e já com uma cor diferente, MJ chamou Spike Lee para filmar no Rio de Janeiro They Don't Care about us, que se enquadra na perfeição nas conhecidas posições políticas do realizador quanto ao racismo e discriminação.

Michael Jackson marcou perfundamente a forma como se 'vê' música, universalizando o formato de Tele-disco, e daí, mudou completamente a forma como se passou a fazer televisão e cinema, basta ver Moulin Rouge ou Requiem for a Dream. Por isto o seu desaparecimento é um grande golpe na história do século XX e na história da música e do cinema.

Mais do que Grandes Expectativas - X

Vencedor do prémio da crítica internacional no ano passado no festival de Toronto, este é a adaptação cinematográfica do livro Disgrace - Booker Prize de 1999 - escrito pelo prémio Nobel (2003) J. M. Coetzee, escritor Sul Africano que neste romance trata a dramática história de um professor Universitário e da sua filha, sofrendo as repercussões de anos e anos de escravatura e Apartheid, numa África moderna mas envolta de racismo e violência.
Recentemente li o livro e devo aconselhar a todos os que me lêem, portanto, é com alguma nostalgia que vejo o trailer e identifico cenas marcantes do romance.
Pena é ter quase a certeza que este filme (que de momento tem 100% no rotten tomatoes) certamente não verá a luz do dia (ou do projector) em Portugal, no entanto o IMDb indica com data de estreia no nosso país dia 1 de Outubro, mas os sites cinema-Ptgate e Sapo-cinema não fazem qualquer referência à película em causa.