8.29.2009

Cinema Português em Marcha: 6/6 - Co-produções estrangeiras e Longshots

O Último Voo do Flamingo, é um livro de Mia Couto que agora recebe a sua conversão cinematográfica. João Ribeiro, realizador moçambicano dirige esta adaptação, depois de um curta (Tanzana) que já adaptava um conto do mesmo autor e de produzir A costa dos Murmurios. Um thriller sobre a morte misteriosa de combatentes da ONU que pretende reflectir o que foi (e é) Moçambique depois da guerra civil. Co-produção (com arçamento de 1 milhão) entre Moçambique (State One), Portugal (Fado filmes, ICA, RTP), Espanha (Potenza Films), França, Brasil (Videofilmes de Walter Salles) e Itália (Carlo d'Urzi Produzione). Iniciou as rodagens este ano em Março e espera-se que esteja pronto antes do final do ano. Adaptado pelo português Gonçalo Galvão Teles, esta é a segunda longametragem filmada em Moçambique por um moçambicano depois da independência. Para mais informações fica aqui o forum DVD Manias.

Cendres et Sang, é o primeiro filmes da actriz francesa Fanny Ardant (8 femmes), escrito por ela e por Paolo Sorrentino (escritor e realizador da comédia italiana Il Divo), foi um dos filmes seleccionados para Cannes fora de competição. Co-produzido por França (arte, Hirsh, DD Produtions), por Portugal (Alfama filmes do Paulo Branco) e Roménia (Libra Films). Trata da história de uma mulher, separada da sua familia desde que se exilou depois de assassinar o seu marido, que regressa a custo aos seus filhos a propósito do casamento de um deles, sendo que as rivalidade precistem. O sitio oficial contem dois clips, uma pequena galeria de imagens, um sinopse e uma entrevista com a realizadora.

No Meu lugar, primeira longa do crítico brasileiro Eduardo Valente, apresentada em Cannes, 7 anos depois de lá ter ganho o premio da Cinefundation com a sua primeira curta (podem ver aqui uma conversa com o realizador à altura e agora em 2009). Uma co-produção Brasil (Videofilmes e Petrobrás) e Portugal (Fado Filmes), com apoio do ICA. O filme conta a história de um polícia que durante uma situação de refens compreende que as suas acções terão profundas consequencias na sua vida e de mais 2 familias. Fica aqui o Trailer do filme que em Inglês tem o título Eye of the Strom.

Longshots:

Mistérios de Lisboa (filme e mini-serie) de Raul Ruiz
Operação Outono de Bruno de Almeida (The Lovebirds)
Em Segunda mão de Catarina Ruivo (André Valente)
O Estranho Caso de Angélica de Manoel de Oliveira
O Grande Kilapy de Fernando Vendrell
Margarida de Licínio Azevedo

Ver a lista de filmes opiados pelo ICA (1 e 2)

8.28.2009

Cinema Português em Marcha: 5/6

4# How to draw a Perfect Circle, o mais do que esperado regresso de Marco Martins, depois de Alice, o jovem realizador retorna à sala de cinema com um drama sobre a relação (também sexual) entre dois irmãos gémeos (Rafael Morais e Joana Verona - o primeiro fazia do irmão Manuel em Um Amor de Perdição e a segunda veio dos Morangos com Açúcar, tendo participado na Corte do Norte) e a forma como reagem ao desenvolvimento físico e intelectual de cada um. Com Gonçalo Waddington, Beatriz Batarda e Daniel Duval em papeis respectivamente de carteiro, mãe e pai. Podem ver o vídeo do cartaz das artes da Sic noticias, ou ainda ler os artigos sobre o filme do Jornal de Noticias, do Ípsilonflash e da reportagem do Ípsilon 1 e 2 e Diário de Noticias ou visitar o sitio da produtora Ukbar filmes.

3# Morrer como um homem, é a última obra de João Pedro Rodrigues, depois de O Fantasma e Odete, regressa com este filme sobre um travesti - Tonia- que luta pela mudança de sexo (para satisfazer o seu namorado). Esteve presente em Cannes, estará em Toronto e no New York Film Festival, abrirá o Queer Lisboa. Com Alexandre David e Gonçalo Ferreira de Almeida. O site da produtora Rosa Filmes nada adianta, mas enfim, fica aqui para quem quiser consultar.

2# Os Sorrisos do Destino é o regresso do grande Fernando Lopes, desta vez com uma comédia dramática sobre a história de um casal à beira da ruptura, em que o marido enganado descobre o amante da mulher e entre eles cria-se uma bela relação de amizade. O primeiro filme do realizador em Digital que tem como objectivo filmar a forma como as relações humanas são afectadas pelas novas tecnologias da comunicação (fica aqui um vídeo com cenas das filmagens e uma entrevista a Lopes sobre essa tal afectação pelo fotograma). Com Alexandra Lencastre, Rogério Samora, Ana Padrão e Rui Morison. O sitio da clap filmes tem alguma informação sobre o filme.

1# A Religiosa Portuguesa, primeiro filme em português de Eugéne Green (hà uns anos homenageado no Indie como heroi independente) é um senhor com uma ligação muito estreita a Portugal, propôs-se fazer uma adpatação aos dias de hoje de um dos clássicos da literatura, Cartas Portuguesas de Guilleragues, no entanto, uma nota do realizador no site da Som e Fúria, adverte que essa obra é só mais uma de muitas referências. Também nesse sitío podem ler uma sinopse do filme, ver 3 clip de video e consultar uma breve bibliografia do realizador. O filme passou dia 10 deste mês em Locarno com muito boa recepção. Com Leonor Baldaque, Ana Moreira, Beatriz Batarda e presença especial de Camané (clip 1) e Aldina Duarte. O filme conta a história de uma actriz que vem a portugal filmar uma adaptação do dito livro de Guilleragues (clip 3), no entanto fascina-se durante a sua estadia em lisboa por uma freira.

8.27.2009

Cinema Português em Marcha: 4/6

7# Águas Mil, foi o filme português que esteve quer na secção de competição nacional, quer internacional da última edição do indie, realizado por Ivo Ferreira que faz com este filme a sua segunda longa (depois de Em volta), retrata o pos-25 de abril de 74 abordando os acontecimentos que ficaram escondido pela euforia e alegria de uma revolução tão marcante para Portugal. O artigo do publico aborda o tema e explica que a trama trata de um jovem, na actualidade, que busca pelo pai desaparecido aquando da revolução. Com Gonçalo Waddington no principal papel. Fica aqui o site oficial com um pequeno trailer.

6# Duas mulheres é uma co-produção Luso-Brasileira com a Costa do Castelo filmes, realizado por João Mário Grilo, filme o qual pretende explorar a condição humana deste novo século: a predação, o canibalismo social. O filme será o primeiro de uma trilogia sobre a condição humana, realizada por Grilo. O filme conta a história de um bem sucedido banqueiro e a sua mulhuer que serve de acessório social em jantares e festas, a qual toma conta da sua insignificancia quando conhece um modelo, simbolo de tudo o que podia ter sido; daqui surge uma relação amorosa entre ad duas mulheres, até que o marido descobre. Podem ler uma sinopse no sitio da Castelo Lopes, ou a reportagem do DN, ou ainda ver o video que do expresso publicou sobre um dia de gravações. Com Beatriz batarda no principal papel, Joana Amorim, Virgilio Castelo, Nicolau Breyner e Sofia Grilo.

5# Olhos Vermelhos é o filme que marca o regresso de um dos nomes sonantes do novo cinema português (novo em 1963 quandro estreou Os Verdes Anos), Paulo Rocha. Este é um filme puzzle, como nos informa uma longa reportagem do ipsilon nas filmagens, que retrata aspectos da vida do realizador desde a sua infancia à actualidade. Uma co-produção Luso-brazileira com Isabel Ruth e Márcia Breia, filmado em Ovar, Arouca e Porto, que se prevê estar pronto no Outono. A história conta com um casal formado por uma portuguesa convertida ao islamismo e um iraquiano, uma professora que investe numa fábrica de calçado, e um conjunto de camponese de há dois séculos (que serão os antepassados de Rocha), sendo que as histórias de alguma forma vão desembocar na aldeia onde nasceu o paí do realizador (intrepertado por Chandra Malatitsch enquanto novo e o actor brasileiro Lima Duarte quando mais velho).

8.26.2009

Cinema Português em Marcha: 3/6

11# O Assalto ao Santa Maria. Francisco Manso é um homem que desperta controvérsia, realizador de filmes de época como A Ilha dos Escravos e o recentemente estreado O Último Condenado à Morte, teve pelos três filmes que realizou apoios do ICA, no entanto os seus filmes não tiveram sucesso nem em festivais, nem por parte da crítica, nem se quer por parte do público. Então porque razão se continua a apoiar o seu cinema? Deixemos a resposta em branco, mas devo dizer que este poderá ser uma agradável surpresa.
Quanto ao filme em si, retrata um episódio histórico marcante da mitologia recente portuguesa, ou seja, quando Henrique Galvão ocupou um dos mais prestigiados paquetes turísticos portugueses na Venezuela e daí deu a conhecer ao mundo a opressão do regime Salazarista e Franquista. Com Carlos Paulo como Galvão, Leonor Seixas, Pedro Cunha e Victor Norte. Fica aqui uma visita às filmagens em Viana do Castelo (no navio/museu Gil Eannes) pelo Fotograma e aqui outra semelhante.

10# Quinze Pontos na Alma é o primeiro filme do realizador Vicente Alves do Ó, que depois de conhecer pela reportagem do fotograma, me parece um senhor com um ego maior do que é habitual no cinema português e que provocará polémica (diz que já está farto de filmes sobre pobrezinhos), argumentista de Kiss me, Os Imortais e Assalto ao Santa Maria. O seu filme retratará a elite lisboeta (os ditos elegantes) e as suas vidas que não são ausentes de sofrimento. Um filme que se fortalece na fotografia cuidada, nos decors ricos e no guarda roupa 'glamourouso', com a participação de Rita Loureiro e João Reis nos principais papeis, Ivo Canelas, Dália Carmo, Ana Moreira e Rui Morrison em papeis mais secundários. Podem seguir os dias de rodagem (que acabaram em Março) no blog do realizador: Desejo e Destino. O sitio da produtora fica ukbarfilmes.com

9# A Bela e o Paparazzo é o título do novo filme de António Pedro Vasconcelos, depois de Call Girl com Soaria Chaves, a amizade permaneceu e a actriz regressa como protagonista do filme, também com Marco d'Almeida (Equador) e com as participações de Nuno Markl (aqui fica a opinião do comediante no seu blog e aqui algumas das primeiras imagens) e Pedro Laginha. Segundo o realizador, que desde o primeiro dia de filmagens vem escrevendo sobre o filme semanalmente no jornal SOL, este é uma comédia romântica com o seu quê de Praça da Alegria, mas com coreografias em passadeiras, cachorrinhos queridos, anões e cozinheiros de sushi. Para uma melhor compreensão da trama, este excerto do Só Visto da rtp e ainda um outro vídeo da rodagem do Fotograma e ainda um extensa reportagem do ípsilon.

8# América, mas porque razão chamar América a um filme sobre Portugal? Pois bem: Portugal é a América dos pobres, o El dorado que acaba por ser um embuste, um sítio onde ficam presos aqueles que buscavam liberdade. Realizado pelo estreante João Nuno Pinto (publicidade), este é um projecto que já conta com 6 anos, adaptação de um guião de Luisa Gomes Costa, que conta uma história dramática e irónica sobre um Portugal de imigrantes. Com os portugueses Fernando Luis, Raul Solnado e Dinarte Branco, a russa Chulpan Khamatova, a espanhola María Barranco e o brasileiro Cassiano Carneiro, a banda sonora está entregue aos Dead Combo e a Fotografia a Carlos Lopes (Alice). Filmado na Cova do Vapor, este é uma co-produção (com orçamento de 1.4 milhoes) protuguesa (Filmes Fundo, Garage filmes e Ukbar filmes), espanhola (Morena Films, produtora de Che), brasileira (Dezanove) e russa (Urubus e 2Plan2), apoiada pelo ICA, pela RTP, pelo programa Ibermedia, pela ANCINE, pelo ICAA (espanha). Podem visitar a rodagem (que se iniciou o ano passado em Novembro) com este vídeo do Fotogrma

8.25.2009

Cinema Português em Marcha: 2/6

15# A esperança está onde menos se espera é um filme de Joaquim Leitão sobre o qual li o ano passado por volta do natal, a semana passada, quando fui ver o filme do senhor Mann, deparei-me com um enorme cartaz (enorme não só para um filme português) publicitando a estreia já em Setembro. O sitio oficial é muito completo, só que o trailer é quase impossível de ver, por isso fica aqui o trailer do youtube. O trailer tem o narrador mais horrível da história do cinema português e tudo indica que isto seja um produção muito televisiva. Com Virgilio Castelo e Ana Padrão e uma trupe de jovens actores Carlos Nunes, Alcida Vaz e José Carlos Cardoso.

14# Quero ser uma estrela é uma produção da Marginal filmes e da TVI o que logo dá a entender um pouco do que poderá ser o filme. Realizado por José Carlos de Oliveira, trata das redes de escravatura sexual que são um problema crescente; filmado em Moçambique e África do Sul durante o mês de Julho e Agosto deste ano, prevê-se uma estreia para Dezembro. Com Dália Carmo no papel principal e vários actores Moçambicanos. Fica um vídeo de um programa da televisão moçambicana Fike com entrevistas durante o primeiro dia de rodagem.

13# Backlight, Fernando Fragata (realizador do Sorte Nula) volta com um filme mainstream, em inglês, com actores estrangeiros e com um género que atrai muita gente, um filme de acção apocalíptico, em que toda a humanidade corre o risco de se extinguir. Com Joaquim de Almeida, uma menina da televisão americana Skyler Day, outro menino do mesmo sítio, Scott Bailey. O trailer pode ser visto no sapo e o site oficial também mostra o trailer (o outro é mais rápido) e o poster.

12# Uma Aventura na Casa Assombrada, adaptação cinematográfica da série de literatura infanto-juvenil de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada que teve direito a umas séries televisivas e agora salta para o grande ecrã pelas mãos do realizador português, possivelmente de maior sucesso comercial, Carlos Coelho da Silva (Crime do Padre Amaro, Amália e alguns episódios da dita série). A história é relativamente fiel ao livro, tem que ver com um diamante inca com poderes mágicos que se esconde numa casa assombrada. Os protagonistas são formados nos Morangos com Açucar, mas são acompanhados de alguns nomes mais sonantes como Ricardo carriço, Ana Padrão, Sofia Grillo e Sandra Barata Melo. Fica aqui o storyboard das cenas incas, o sitio da Valentim de Carvalho Filmes (que se mostra na senda de produzir sucessos comerciais), ainda uma notícia do cinema-sapo e uma reportagem da sic (canal que apoia financeiramente o filme) sobre a rodagem do filme.

8.24.2009

Cinema Português em Marcha: 1/6 - Introdução

Neste Bloco de 6 capítulos, serão apresentados um total de 15 filmes (longos) portugueses de realizadores nacionais a estrear ainda este ano ou no princípio do próximo, ordenados por ordem crescente de interesse (meu claro, o que torna subjectiva), sendo que espero não ter deixado nenhum título de fora. Apresentarei ainda 3 co-produções estrangeiras com o apoio português e ainda citarei 7 projectos que iniciarão a sua produção dentro em breve e que se espera estarem prontos para o ano, ou ainda para o outro.
Quanto às curtas metragens, publiquei recentemente um artigo sobre as curtas nacionais que se esperam que estreiem em sala este ano, fica só o acrescento: Arena de João Salaviza estreia dia 17 de Setembro, acompanhando a longa Taking Woodstock de Ang Lee (também apresentada em Cannes).
No Blog O Homem que sabia Demasiado, Victor Afonso escreveu sobre o facto de 2.6 milhões de euros terem sido distribuídos por quatro filmes (O Curioso Caso de Angélica de Oliveira, Operação Outono de Bruno de Almeida, Em Segunda Mão de Catarina Ruivo e Mistérios de Lisboa de Raul Ruiz), sobre o qual se iniciou uma pequena discussão sobre o cinema português e os apoios estatais, ao qual acrescentei o meu comentário que deixo a seguir:

Pois bem: quando se diz que o cinema português é mau, está-se a mostrar alguma ignorância, aceitável pela fraca e desconsiderada distribuição em sala dos filmes nacionais (lembremos o primeiro filme longo de Sandro Agilar -A Zona- que esteve só uma semana numa só sala em todo o país e por isso não chegou a ter mais de 500 espectadores).
Por outro lado, basta ver o último filme de Oliveira (Singularidades de uma Rapariga Loira) e perceber porque é que ele é o maior cineasta português, cheio de inovação e destreza narrativa, sem ceder ao facilitismo do populismo comercial (Lembro-me de Corrupção), mantendo o seu estilo e portanto dando alma ao filme (coisa que Michael Bay não deve saber se quer o que é, no entanto gasta 200 milhões nos seu último filme e ,pelos resultados das bilheteiras, o público parece adorar - com um orçamento daqueles, Portugal tinha dinheiro de sobra para apoiar o cinema nacional durante mais de uma década).
Tenho ainda que acrescentar que é também um mito a ideia de que novos cineastas não têm dinheiro: Vicente Alves do Ó acabou de filmar a sua primeira longa (Quinze pontos na Alma), obra com um orçamento de 900 mil euros, assim como João Nuno Pinto filmou a sua primeira longa (América) com um orçamento de 1.4 milhões, ou ainda Ivo M. Ferreira que filmou recentemente a sua primeira Longa (Águas Mil) ou ainda Marco Martins que vai na sua segunda longa (depois de Alice vem How to draw a perfect circle).
Acredito que haja espaço para todos, novos cineastas, grandes nomes (como Oliveira, Fernando Lopes, Vasconcelos, Paulo Rocha, João Mário Grilo, Botelho) e ainda para o cinema comercial (Contraluz de Fernando Fragata ou Uma Aventura na casa Assombrada de Carlos Coelho da Silva são filmes que chegarão dentre em breve às salas portuguesas).
Não me alongando mais devo acrescentar que de facto a atribuição de subsídios pelo ICA é irregular (vejam-se os filmes de Francisco Manso - A ilhas dos escravos e O Último condenado à morte- obras sem sucesso de público, nem crítico, nem em festivais, e no entanto tem apoios para um terceiro filme). Há que lembrar a criação do FICA administrado por uma instituição privada (lobbies ficam em casa) em colaboração com os canais televisivos de sinal aberto ou ainda as novas produtoras como Filmes Fundo ou Ukbar filmes que se têm vindo a destacar-se pela qualidade e ainda a existência de fundos internacionais como o Ibermédia para os países de língua portuguesa e espanhola.

Peço desculpa pela extensão do comentário, mas há coisas que me incomodam e dizerem mal do cinema português é uma delas.

8.22.2009

Posters do Ano - X

I Love You Philip Morris


Brilhante!!!

8.21.2009

Semelhanças - XXXV

Filme de terror com uma bela banhoca - Teeth de Mitchell Lichenstein
A imagem pertence ao poster

Filme de Terror com uma bela banhoca - The Uninvited dos Irmãos Guard
A imagem pertence ao trailer

8.20.2009

Brüno: 4/4


O Labor Kamikaze
Cohen é força deste filme, sem ele nada existiria e se existisse não teria metade da piada, mas para além da sua naturalidade humorística e tendência para criar as situações o mais embaraçosas e confrangedoras, Cohen conseguiu instituir na cinematografia moderna um noção 'nova' (com aspas porque na verdade já se havia feito parecido, mas nunca com a globalidade e actualidade deste) de 'cinema' (com aspas porque Brüno não é propriamente cinema, apesar de ser projectado), ou seja, democratizou a labor kamikaze do humorista como forma corrente, assim como explorou uma mina riquíssima de potencial cómico: o transeunte. Se os contemporaneos entrevistavam pessoas na rua e isso tinha piada, é porque Cohen explorou o filão com Borat. Com Brüno a coisa é diferente, pois a personalidade aparvalhada do reporter do filme anterior foi substituida por uma misantropia que se pauta pela noção de superioridade ('olhem como eu gozo com esta gente ignorante'), o que não fica tão bem.

8.19.2009

Brüno: 3/4


O Agente Didáctico

Brüno não é um filme a favor, nem contra a homossexualidade, melhor dizendo, Brüno não é sequer um filme sobre a homossexualidade; é sim um filme sobre o american way (que se propagou por todo o mundo ocidental), é sim sobre a forma como cada individuo lida com a sua sexualidade (e dos outros), é sim um filme sobre a vulgarização televisiva das mentalidades.
Começando por uma ponta, crítica-se a forma americana de viver pela estupidificação das estrelas (também e principalmente do cinema) com o caso do sketch bebé OJ, ou a visão castrada da realidade das igrejas que pretendem 'curar' a homossexualidade, ou ainda a futilidade do mundo da moda. Seguindo, o filme mostra por a+b que a noção (protelada pelas novelas de adolescentes e efabulada pela pornografia) de que a sexualidade é um assunto tão simples, óbvio e descomplicado é falsa, mostrando-nos que, de facto este é um tema que ainda nos põe em desconforto. Por fim este filme joga com a formatação de mentalidades do qual a televisão é também responsável, demonstrado pela situação final do 'combate' de Wrestling, em que a intolerância infantil se demonstrou pela violência física dos participantes surpreendidos, formatação ideológica machista e preconceituosa.