10.22.2009
10.20.2009
10.19.2009
10.17.2009
Two Expressos in Separate Cups

O que é que Jarmush faz com Limits of Control? não conta uma história, mas por outro lado também não pinta um quadro (e não é por acaso a comparação deste filme à pintura, quer pelo sentido literal -Museu Rainha Sofia e a fotografia de Christopher Doyle-, quer metafórico).
A ideia de Puzzle é provavelmente a melhor: cria uma situação, um episódio, para cada momento, que leva à progressão lenta do filme; depois junta os momentos e fá-lo de modo a que encaixem com certos rituais e (auto)referências, para depois, no final, termos um monte de peças: soltas na memória, mas juntas pelo limbo da sala escura. Uma personagem diz a certa altura The best films are like dreams you're never really sure you had; e tal qual como nos sonhos, neste filme é difícil recordar tudo e de forma linear.
Limits of Control é como um sonho e por isso deixa de ser cinema para passar a ser arte (conceptual) filmada - o que não é por si uma coisa má.
De poema visual passa a dedicatória ao cinema (se quisermos ser restritivos - ao filme de gangsters) e isso é expresso pela cristalização de rituais, pela metodização dos comportamentos e das estruturas narrativas do filme: os sucessivos pedidos de café, a sessões de Yoga, os vários encontros com as respectivas conversas, as idas ao museu e as caixas de fósforos, as mudanças de roupa e as viagens; tudo repetido à exaustão, como se se pretendesse alcançar a perfeição, transformando hábitos em rituais, tornando cinemático o corriqueiro.
Mas no fim, fica-nos uma ideia de solidão indesejada, fica-se perdido - à deriva -, porque de facto, esta maneira da fazer cinema está perdida (quase só Jarmush se mantém como salvador da espécie) pela sua natureza contemplativa e inumana (Bankolé é literalmente esfíngico). Mais do que uma dedicatória, este filme parece ser um testamento ao cinema independente (se formos pessimistas), ou por outro lado um tratado metafórico sobre a revolta contra o blockbuster, exprimida literalmente pelo assassinato final - porque alguem se atreveu a jogar no centro e esquecer as arestas (o universo não tem centro nem arestas).
Existem Limites para o controlo da grandes produções cinematográficas? Jarmush crê que sim e (segundo ele) isso passa pela revolta do cinema independente (deixar de ser um produto da Fox Searchlight e voltar a ter o peso da contra-cultura, do culto, da reverência estética).
10.15.2009
10.13.2009
10.12.2009
Semelhanças - XL
10.10.2009
We ain't thinking about tomorrow.
Para que se esclareçam as coisas: vi Public Enemies à quase dois meses quando estreou e, até agora, por preguiça e falta de coragem, não escrevi o que quer que seja em relação ao dito, segundo, este é, a meu ver, um dos melhores filmes do ano. Tudo esclarecido, posso começar.O Filme de Gangsters é um género eminentemente americano (grande descoberta!) e um género que tem vindo a perder importância comercial nas produções mainstream americanas. Filmes deste género recentes? que eu me lembre, só American Gangster.
O que há de tão diferente entre o filme de Ridley Scott e o novo de Michael Mann? o primeiro fez um filme a pensar no passado, recuperando (metodicamente) o cinema maior do género, canibalizando The Godfather e afins; o segundo, fez um filme que viu o passado, compreende o presente e mostra que de facto existem muitas pontes entre a actualidade e os anos 30. Mann faz isto a (pelo menos) dois níveis de linguagem, um directo e objectivo, faz de Depp e da sua personagem uma estrela (televisiva?) com todos os tiques das estrelas, a fugacidade da vida, o máximo aproveitamento da mesma - living on the edge; mas por outro lado, Mann mostra-nos ('imageticamente') a actualidade dos anos 30 pela belíssima fotografia digital.
Ou seja, por um lado persegue-se um realismo seco e áspero de uma fotografia documental, em que se sentem os poros dos actores respirarem, por outro, modela-se um mito americano às necessidades actuais de estrelato. Mann consegue fazer valer a sua visão: "quero um filme mainstream, melodrama de acção, que seja plausível, para que isto aconteça, vou dirigir um filme de época com o realismo de Entre les Murs ou Gomorra".
E no choque das coisas, criam-se algumas das mais maravilhosas cenas de acção e por outro lado uma das paixões mais sentidas do cinema comercial americano.
Claro que há uns sub-plots, com a presença do Manhattan Melodrama, um imediatismo na modelação das personagens (bastam alguns segundos de tela e zás, é como se os conhece-se-mos desde sempre - se calhar é da alta definição) e um rigor técnico de meter medo; mas o que interessa mesmo é isto: um filme que não se alimenta da memória, mas capitaliza-a em cinema moderno, de massas, mas com acutilância, inteligência e espírito crítico - coisa rara nesta americanidade do século XXI.
10.08.2009
Semelhanças - XXXIX
10.07.2009
Semelhanças - XXXVIII
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