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1.27.2012

estou de esperanças

Num ano em que a Tobis é finalmente privatizada, que o ICA não abre os concursos como é normal, que o Fica retomará o funcionamento e em que sairá uma nova lei do cinema, o melhor são os filmes.

Muito grandes Expectativas

O gebo e a sombra - Manoel de Oliveira (em quatro filmes que realizou nos últimos anos, quatro filmes gigantes, sempre nos meus tops, não há de falhar agora... e tem o magnífico Luís Miguel Cintra) [as primeiras imagens]
Deste lado da ressurreição - Joaquim Sapinho (passado por Toronto e São Paulo e mais uns sítios e depois de já se ter chamado Guincho, é dos mais esperados pelo que aqui se assina) [posters e trailers]
Tabu- Miguel Gomes (em competição no festival de Berlim que está agora começando) [notícia do público, sítio da produtora]
A Montanha - João Salavisa (o menino que ganhou a palma de ouro com o Arena, e que fez depois uma interpretação do bailado da senhor Pina, Hotel Müller, e ainda Rafa que passa agora em Berlim, atira-se agora às longas, ainda em pre-produção)

Grandes Expectativas

Em câmara lenta - Fernando Lopes (embora muito doente, parece que o filme vai andando, adaptação do romance com o mesmo nome de Pedro Reis; e claro, tem a Maria João Luís) [sítio da produtora] (estreia já em Março)
Vingança de uma Mulher - Rita Azevedo Gomes (passou na competição do Lisbon&Estoril Film Festival e desde então que tenho um desejo imenso por ver esta adaptação de um dos contos do Les Diaboliques) [sítio oficial]
Se eu fosse ladrão... roubava - Paulo Rocha (já se chamou Olhos Vermelhos e já devia ter estrado há uns temps, mas enfim, é o regresso de um dos grandes do cinema português, no que parece ser o seu filme mais pessoal) [excerto]
A última vez que vi Macau - João Pedro Rodrigues (depois de uma larga estadia em Macau, montaram um infinitésimo do material filmado e fizeram a média metragem Alvorada Vermelha, agora vem a longa) (João Pedro Rodrigues terá acabado de receber apoio para um outro filme, de ficção, chamado O Ornitólogo)
Fabrica de Nada - Entre cinzeiros e Robots - Jorge Silva Melo (o regresso de Silva Melo ao cinema de ficção é sempre algo a festejar, isso já não acontecia desde 2002 com António, um rapaz de Lisboa) (mas este projecto ainda está em fase de pré-produção, no entanto, quando Silva Melo foi ao programa baseado numa história real, no canal Q informou que estava já a preparar-se para filmar um filme autobiográfico intitulado JSM por JSM, parece que esse projecto mudou de nome e se atrasou uns meses)
Estrada de palha - Rodrigo Areias (estreou em Vila do Conde esta coisa estranha, western musical, só pode ser bom, não se ouvia falar de tal coisa desde o Paint your Wagon com o Eastwood e o Marvin; de lembrar que Areias fez o filme Tebas que andou no circuito dos cineclubes e cineteatros faz uns 3 anos) [artigo do Público, exibições, trailer] (passa dia 1 de Fevereiro no São Luiz)
Linhas de Torres - Valeria Sarmiento (depois da morte do senhor Ruiz, ficou a mulher a carregar o épico, um elenco estupidamente gigante) [sítio da produtora]
Em segunda mão - Catarina ruivo (Catarina Ruivo tinha feito o André Valente e depois o Daqui p'ra frente; agora o último filme de Pedro Hestnes que estava em fase de montagem quando este morreu) [imagens das filmagens]

Expectativas

Operação Outono - Bruno de Almeida (ele trouxe os seus amigos americanos de Os Sopranos para fazer o Lovebirds, agora é John Ventimiglia que vem fazer de Humberto Delgado...)
Paixão - Margarida Gil (o argumento parece algo vulgar, uma obsessão de amor daquelas de todos os dias...) [reportagem do canal 180] (estreia já em Fevereiro)
O que há de novo no amor - vários (filmes de banda são coisa que raramente convencem) [posters e trailer] (estreia já em Fevereiro)
Florbela - Vicente Alves do Ó (depois de um invulgarmente mau, Quinze pontos na alma, a ver vamos...) [poster e trailer, making of]

Já vistos

Swans - Hugo Viera da Silva (um enorme filme, quando chegar a altura hei de escrever qualquer coisa) (estreia já em Março)
É na terra não é na lua - Gonçalo Tocha (muito alarido, mas o filme, embora seja bom, não é nada do outro mundo, aliás, Nossa Forma de Vida, é um exercício de cinema, muito mais interessante)

A propósito de Guimarães teremos curtas de Pedro Costa, Oliveira, Godard, Erice, Greenaway, Kaurismäki, Canijo, Botelho, Rui Simões, Margarida Gil, Edgar Pêra (em 3D), Bruno de Almeida, João Pedro Rodrigues, João Salavisa, João Nicolau, António Ferreira e Rodrigo Areias (programador da área do cinema juntamente com o crítico João Lopes)

(e devia falar do O Cônsul de Bordéus (estreia já em Maio) sobre o Aristides de Sousa Mendes, mas eu tenho um pequeno ódio pessoal ao trabalho do senhor Francisco Manso, e do Teia de Gelo (estreia já em Abril) do senhor Nicolau Breyner, a segunda insistência do actor na realização, e ainda de Bobô, o novo filme de Inês Oliveira, depois de Cinerama, e ainda A Grande Jogado desse grande cineasta que é Leonel Vieira e nem se fala do Balas e Bolinhos 3 )

1.27.2011

From Asia with love

Começando no canto superior esquerdo e rodando no sentido dos ponteiros: Shi, Hahaha, Hanyo, Chun feng chen zui de ye wan, Tuan yuan, Kyatapirâ.

Se olharmos para o ano que passou e procurarmos por bons filmes do continente desconhecido, vemos apenas 24 city, Thirst, Madeo (lembrar que o filmes Tôkyô Sonata que passou pelo indie foi editado directamente em dvd e o vencedor surpresa dos oscars de 2008 nunca chegou a estrear - Okuribito/Departures). Mas ao que parece, este ano será diferente, com muito tempo para as distribuidoras marinarem os filmes que surgiram nos grandes festivais de 2010, este ano parece ser em cheio.


Para começar, prevê-se que estreie logo na primeira semana de Fevereiro, Shi - Poetry, filme de Chang-dong Lee que em 2007 realizou Milyang, candidato coreano ao oscar estrangeiro e em 2002 Oasis, filme que recebeu o prémio da crítica em Veneza. Shi passou por Cannes o ano passado de onde o realizador saiu com o prémio para melhor argumento. Trata-se de uma história de uma senhora que começa a aprender a escrever poesia quando sabe que sofre de alzheimer (trailer).
Temos, logo na semana seguinte, dois filmes de Kôji Wakamatsu, eles são: Jitsuroku rengô sekigun: Asama sansô e no michi (United Red Army) e Kyatapirâ (Caterpillar), um de 2007 o outro de 2010. Eu não faço a mínima ideia quem este senhor é, mas segundo o imdb, desde 1963 já fez mais de 100 filmes, no entanto a sua presença em festivais só começa a ser pronunciada com o filme de 2007, sobre o movimento paramilitar do mesmo nome (trailer). Caterpillar é um filme de época que esteve presente em Berlin do ano passado, onde venceu o prémio para melhor actriz; as história trata de uma mulher que recebe o marido estropiado da guerra (trailer).
Hahaha ganhou o prémio un certain regard em Cannes o ano passado, é o último filme do coreano Sang-soo Hong, o realizador que viu estrear em portugal (no ano passado) o filme Noite e dia/Bam gua nat que tinha estado na secção competitiva de Berlim em 2008. Um crítico de cinema e um realizador de cinema vão passar as férias de verão juntos, dois paspalhos que passam as férias a tentar engatar umas moças, com muito pouco sucesso (trailer).
Quan'an Wang é o realizador do filme que venceu o urso de ouro em 2006, Tuya de hun shi/Tuya's Marriage que nunca chegou a estrear comercialmente em Portugal. Tuan yuan/Apart together é o seu novo filme, que venceu o prémio para melhor argumento no festival da capital alemã. O filme trata de um homem que regressa à sua cidade natal para se encontrar com o seu primeiro (e já esquecido) amor, descobrindo que ela formou família e não poderá regressar com ele como desejava (trailer).
Na última edição do lido, um dos filmes em competição foi Hanyo/The Housemaid, um remake do filme homónimo de 1960 do falecido Ki-young Kim. O filme não convenceu nem crítica nem júris e saiu de mãos vazias, mas lançou-se nos Estados Unidos com uma campanha de marketing intensa. Da mesma forma que o original, temos um thriller erótico entre uma ama e o seu patrão, mas ao contrário do original, este é muito mais explícito (trailer). [realizado por Sang-soo Im que viu o seu Baramnan gajok/A mulher de um bom advogado estrear em portugal em 2003 depois de ter sido seleccionado para a secção competitiva de Veneza]
Este último título é já de 2009, filme sensação de Cannes (e vencedor do prémio de melhor argumento), do realizador Ye Lou, aquele de Yihe yuan/Summer Palace que por abordar a questão da praça de Tiananmen lhe valeu graves problemas com o regime, tendo ficado proibido de filmar. Este novo filme foi filmado às escondidas (em estilo guerrilha), chama-se Chun feng chen zui de ye wan/Sping fever que traduzido à letra seria algo do género Uma noite bêbada na brisa da Primavera. Por tocar de forma crua os temas da homossexualidade na china moderna o filme foi proibido (e pelo andar da carruagem parece que também em Portugal). [trailer]


P.S.: Também esquecido ficou o vencedor de Locarno em 2009, She, a Chinese. E o filme surpresa de Veneza, Jiabiangou/The Ditch primeira obra de ficção do realizador Wang Bing. 
P.S.: O filme Tokyo! que conta com 3 curtas, respectivamente de Gondry, Carax e do Joon-ho Bong (o do The Host e Mother), tem data de estreia prevista para 17 de Fevereiro. 

8.02.2010

Cinema português em Marcha - 21/23

1# Embargo. O filme português mais antecipado do ano está previsto para estrear a 30 de Setembro; no King Triplex já estão afixados posters e o trailer já passa nas salas. O filme foi apresentado em Janeiro no Fantas (faltava à data o trabalho do som) sendo que ficou pronto em Abril deste ano, passados mais de 6 meses não só a informação abunda (FaceBook, Twitter, IOL, JN, Diário de Coimbra, Rua de Baixo) como o mercado estrangeiro começa a olhar para o filme com curiosidade (o Twitch film fez um artigo sobre o filme, comparando-o aos filmes dos Coen); aconselho a visita ao sitio oficial, ao contrário da maioria dos projectos nacionais este é deveras completo, traduzido em várias línguas, com vídeos, galerias de fotos, biografias dos envolvidos, entre outros. [e já agora o sítio da produtora].
Este filme tem uma série de pontos positivos, a começar pelo facto de receber do estado um minúsculo apoio destinado a uma curta (43 mil euros, comparando com os 700 mil euros do último filme do Oliveira), tem um orçamento total de uns míseros 250 mil euros (o dinheiro vem em parte de Espanha pela Vaca Filmes e do Brasil pela Diler & Associados e claro está, Portugal pela Persona non grata Pictures e pela Zed Filmes) e a sua produtora não está nem em Lisboa nem no Porto, descentranlizando os centros de produção nacional para Coimbra (mais propriamente Cernache). Além disto, este é um filme realizado por António Ferreira que depois da longa (para televisão que acabou por passar positivamente nos cinemas) Esquece tudo o que te disse e da multi-premiada curta (que também passou em sala) Deus não quis - maravilhosa se me é permitido frisar, tem agora a sua segunda longa adaptada de um conto de Saramago, projecto que vem elaborando desde os tempos de estudante e que com a greve dos camionistas em 2008 lhe pareceu ser mais actual que nunca.
A história de Saramago é curtíssima, por isso a longa será algo mais complexo; a descrição oficial apresenta-nos um homem, Nuno (Filipe Costa) que inventa uma máquina que revolucionará a industria do calçado, só que fá-lo numa crise petrolífera quando por algum motivo estranho se sente incapacitado de sair do seu carro. [Podem ver o trailer e o teaser]
Podem ainda ver uma visita à rodagem feita pela equipa do Fotograma, ver uma extensa entrevista de meia hora (em três episódios, 1,2,3), ler uma entrevista com o realizador para o ípsilon, uma crítica da Visão e ainda ver o videocilp de uma música que J. P. Simões fez para para o filme.

8.01.2010

Cinema Português em Marcha - 20/23

2# A Espada e a Rosa, é um filme de família (no sentido sanguíneo e cinematográfico - Som e a Fúria, a produtora), realizado e escrito por João Nicolau, realizador de Rapace e Canção de Amor e Saúde (que tem um cameo de Miguel Gomes), curtas de vencedoras de Vila do Conde e presentes em Cannes, co-escrito pela sua irmã Mariana Ricardo (argumentista do Aquele querido mês de Agosto de Gomes), produzido por Sandro Aguilar, realizador de curtas como Corpo e Meio ou mais recentemente Voodoo e da longa A Zona onde Nicolau aparece como actor, assim como já tinha aparecido na primeira longa de Gomes, A cara que mereces. O filme conta com actores como Hugo Leitão e Manuel Mesquita ambos de Rapace e dois veteranos: Luis Miguel Sintra e José Mário Branco.
A presença de José Mário Branco não deve ser surpresa, uma vez que o filme aparece no IMDB como um musical de aventuras, conta a história de um rapaz da Lisboa moderna que um dia decide abandonar o seu trabalho de free-lancer e lançar-se à aventura pelos mares numa caravela pirata do século XV (Caravela Vera Cruz), onde no meio de umas desavenças se perderá algo muito importante e que dará o mote para uma busca ao longo do filme: "A partir daí é um desenrolar de aventuras, com reféns, com mapas, para recuperar essa substância. No fundo é uma interpretação autobiográfica do princípio do universo [risos]".
O filme contou com o apoio do ICA para primeiras obras no valor de 500 mil euros, subsídio que foi atribuído com os últimos filmes de Joaquim Leitão, Marco Martins que estrearam recentemente, deste modo espera-se para breve a estreia, uma vez que se sabe estar já pronto, uma vez que foi apresentado no Marché du Film em Cannes. Podem ainda consultar a página do filme no sítio da produtora ou ver estas imagens da rodagem.

7.31.2010

Cinema Português em Marcha - 19/23

3# Guerra Civil, é a primeira longa de Pedro Caldas e o único dos 22 filmes que já vi (no Indie, numa sessão com a presença do realizador), assim sendo, para este já não tenho expectativas, no entanto, por ter gostado tanto filme, só vejo que haja mais dois filmes com potencialidades de superar a magnífica experiência que é assistir à projecção deste filme.
Caldas é um realizador que conhecemos de curtas como Pedido de Emprego ou Um Roupão Vermelho Sangue, mas antes de se dedicar à realização, foi técnico de som em filmes como O Sangue de Pedro Costa e Corte de Cabelo do Sapinho.
Pois bem, a história resume-se assim: um rapaz na sua adolescência (no início dos anos 80 com a guerra do Líbano a passar na televisão), passa as férias numa casa de praia com a mãe (e um pai ausente), uns vizinhos e amigos vivem perto e têm uma filha pela qual o rapaz desenvolve uma atracção maioritariamente sexual, essa rapariga será a última hipótese de resgatar o rapaz de uma existência apática.
O que é maravilhoso neste filme é a forma como se desenvolve uma família desconchavada, com uma mulher sedenta da felicidade (sexual), um marido ausente, apesar de bem intencionado e um filho que vive da forma das coisas, que vagueia pelo mato e ouve Joy Division, entre outros; mas o mais extraordinário é como Caldas cria por um lado uma depressão asfixiante em pleno Verão, por outro o realismo que dá ao movimentos, ao gestos, às interacções familiares (há um plano de um revista a ser sacudida da areia da praia que não me sai da memória, ou o beber do leite pela garrafa, ou um jantar silencioso; contemplativo é se calhar a melhor palavra, mas nunca realista no sentido estrito).
Podem ler a crítica da Visão, do Rascunho, um artigo do ípsilon, a sinopse do indie (onde ganhou o prémio para melhor longa nacional) e algumas imagens do filme passadas no Câmara Clara, aconselho ainda a visita ao sítio da Black Maria, a produtora do filme e relembro que o filme esteve presente em Cannes no Marché du Film.

7.30.2010

Cinema Português em Marcha - 18/23

4# O Estranho Caso de Angélica é de todos os 22 filmes aquele que menos apresentações precisa: último filme do mestre Oliveira, presente em Cannes abrindo a secção Un Certain Regard, este é um projecto de há quase 60 anos, escrito em 1952, depois de Aniki-Bobó e antes de O Pintor e a Cidade, este foi a primeira vez que Oliveira pediu ajuda ao SNI (o organismo de propaganda do Estado Novo), de lá nada veio nem dinheiro nem reposta ("Uma história como esta não tinha nada que agradasse ao regime. Não lhe servia, nem do ponto de vista político, nem como distracção para o povo (...). Angélica passava certamente por um projecto niilista. O argumento deve ter-lhes parecido a denúncia velada de um governo totalitário que cortava as asas à liberdade"); passados estes anos todos o ICA, o Ministério da Cultura e a RTP financiam o projecto com 700 mil euros, sendo que o orçamento total está nos 2 milhões (produzido entre Portugal, Espanha e França pelas produtoras Les Films de l'Après-Midi, Eddie Saeta S.A., Filmes do Tejo, Lusomundo).
O argumento é baseado num episódio vivido por Oliveira quando numa viagem de fim-de-semana foi chamado a meio da noite para ir a casa de uma prima que estava a morrer, pediram-lhe que com a sua câmara fotográfica Leica fotografasse a jovem (no entanto, como nos explica Oliveira nesta entrevista, a foto ficou ligeiramente desfocada dando a sensação que a alma da rapariga se libertava do seu corpo). Deste episódio surge um jovem fotografo judeu (Ricardo Trêpa) fotografa uma jovem morta chamada angélica (Pilar López de Ayala, que podem ver nesta conferencia de imprensa em Cannes juntamente com Oliveira ), só que no momento da fotografia, através da objectiva Angélica parece ganhar vida sorrindo para a máquina, depois desse episódio o espírito da morta atormenta o jovem. O filme é tido como actual com carros modernos, mas os guarda-roupas são dos anos 40, conta ainda com Luis Miguel Cintra, Isabel Ruth e Leonor Silveira.
Podem ainda ler uma crítica ao filme (do Ípsilon) que inclui um vídeo da estreia mundial do filme.

7.29.2010

Cinema Português em Marcha - 17/23

5# Sangue do meu Sangue; falar deste filme é falar da situação actual de contenção, uma vez que esta foi a primeira e mais visível consequência da redução de 20% do PIDDAC e da redução dos apoios do ICA em 10% para todos os contractos de 2010, pois à sexta semana de rodagem (e com mais duas em falta) o terceiro pagamento do ICA (no valor de 100 mil euros) não chegou e a Midas viu-se obrigada a interromper a rodagem e deixar em águas de bacalhau 46 profissionais entre actores e técnicos. [nos últimos tempos, pelas notícias que ouvi, pareceu-me que a retoactividade dos cortes foi deixada, assim sendo só novos contractos terão o dito corte de 10%, deste modo estou em crer que a rodagem continuará]
João Canijo, o realizador de Noite Escura, Sapatos Vermelhos, Mal Nascida, Ganhar a Vida e Fantasia Lusitana, tem neste filme um projecto com mais de dois anos, escrito em 2008, o argumento foi ensaiado com os actores nessa altura e desde então vem sendo re-escrito e re-ensaiado, o filme conta com uns habitués de Canijo, Rita Blanco, Anabela Moereira e Fernando Luís, assim como Nuno Lopes e Rafael Morais. Tudo se passa no Bairro Padre Cruz (numa casa cedida pela GEBALIS), uma família pobre ("Pareceu-me uma evidência que num meio social onde a luta pela sobrevivência ocupa o tempo todo, não há reflexão consciente sobre os sentimentos, não há uma elaboração intelectual. Donde, os sentimentos saem de uma maneira mais visceral. Daí a escolha da classe social, de um bairro suburbano" ) composta por uma mãe (de dois filhos) e sua irmã, uma é cozinheira e outra cabeleireira, a filha estuda enfermagem e trabalha como caixa e o filho é um traficante de pequena monta, tudo se complica quando a filha se apaixona por um professor (podem ler a sinopse completa no blog do filme).
"Canijo explica que o projecto inicial era um díptico: dois filmes ligados [Sangue do meu Sangue, Sangue da minha Alma], cada um centrado em diferentes elementos da família do subúrbio - um na relação mãe e filha, outro na relação tia e sobrinho (Anabela Moreira e Rafael Marques). No final, uma montagem dos dois filmes resultaria numa série de televisão de quatro episódios. A proposta foi apresentada à RTP, que nunca respondeu, e ao FICA (Fundo de Investimento do Cinema e Audiovisual), que está deficitário, devido a problemas de gestão. Por falta de investimento, o realizador abandonou a ideia."
Podem ainda ver estas imagens da rodagem e ver a reportagem do Janela Indiscreta [a partir do 15º minuto].

6.30.2009

Mais do que Grandes Expectativas - X

Vencedor do prémio da crítica internacional no ano passado no festival de Toronto, este é a adaptação cinematográfica do livro Disgrace - Booker Prize de 1999 - escrito pelo prémio Nobel (2003) J. M. Coetzee, escritor Sul Africano que neste romance trata a dramática história de um professor Universitário e da sua filha, sofrendo as repercussões de anos e anos de escravatura e Apartheid, numa África moderna mas envolta de racismo e violência.
Recentemente li o livro e devo aconselhar a todos os que me lêem, portanto, é com alguma nostalgia que vejo o trailer e identifico cenas marcantes do romance.
Pena é ter quase a certeza que este filme (que de momento tem 100% no rotten tomatoes) certamente não verá a luz do dia (ou do projector) em Portugal, no entanto o IMDb indica com data de estreia no nosso país dia 1 de Outubro, mas os sites cinema-Ptgate e Sapo-cinema não fazem qualquer referência à película em causa.

3.07.2009

Mais do que Grandes Expectativas - IX



Jarmusch é daqueles senhores acerca dos quais não vale a pena escrever, porque o seu cinema é tão particular e inexplicável que qualquer palavra dita a respeito da sua obra encurta as possibilidades infinitas da mesma, Jarmusch é Jarmusch, assim como Lynch é Lynch ou Rhomer é Rhomer e podia continuar por toda a história dos grandes realizadores, mas acho que a ideia já passou (assim como Kubrick é Kubrick).
Há que fazer referência a um excelente elenco com Tilda Swinton (irreconhecível), Bill Murray (que já tinha trabalhado com Jarmusch no milagroso Broken Flowers), Gael Garcia Bernal, John Hurt e Isaach de Bankolé, podem visitar a página oficial do filme, o site de Jarmusch e em baixo têm um cheirinho do filme que já tem estreia nacional para 10 de Setembro, distribuído pela Castello Lopes.

1.15.2009

Mais do que Grandes Expectativas - VIII




As expectativas são enormes e não há ainda nenhuma imagem oficial do que quer que seja, para além deste conjunto de fotos que não mostram nada para além de James Cameron (Terminator, Titanic, Aliens) e o actor principal do seu próximo filme - AVATAR.

Esta técnica não se pode dizer inovador, mas para além de funcionar na perfeição irrita pela rareza e pelas pulgas que se vão acumulando, ou seja não só está a funcionar como eu estou a cair que nem um patinho.

Provavelmente este tem sido um dos grandes problemas das campanhas de filmes na internet, a praga que são os spoilers e pior que isso a saturação que qualquer um de nós adquire (como foi o caso de The Dark Knight) ao fim de pouco tempo.

Não mostrar nada, dizer nada é não só mais eficiente, mais barato e mais simpática para aqueles que gostam de ir a uma sala de cinema para se surpreenderem e não para verem aquilo que já sabiam que ia acontecer, só que ainda não lhes tinha sido escarrapachado na frente dos olhos.

Este filme será mais um dos grandes blockbusters do ano, previsto para Dezembro, sairá em IMAX 3D e está em produção há mais de dez anos e especula-se que o orçamento será qualquer coisa de 200 milhões de dolars (não que isso seja sinónimo de qualidade) por que para o filme novas maquinas digitais e novas técnicas de 3D foram criadas por Cameron e seus compinchas.


O Trailer Teaser que não mostra nada mas que 'irritantemente' cria mais expectativas que a maioria dos que mostram muito.

11.25.2008

Mais do que Grandes Expectativas - VII



O novo filme de Woody Allen (e não é o Vicky Cristina Barcelona) mas sim Whatever Works, o regresso do mestre ao seu Habitat natural que se chama New York, mas desta vez volta ás comédias românticas com a ajuda de Larry David (da séria Curb Your Enthusiasm) acompanhado por Evan Rachel Wood.
Larry torna-se a figura de Allen, um homem psicótico, excêntrico e um tanto egocêntrico (o dito anti-herói), que se encontra com uma rapariga simples do sul, que com uma série de estranhos acontecimentos se envolvem numa altamente improvável relação romântica.

10.08.2008

Mais do que grandes expectativas - VI



O video em cima é do site da MTV e para que possam ver os 5 pedaços de 1-3 minutos cada, só têm que aguentar com os anúncios (de 30s cada).

O mais interessante, e que veio confirmar uma informação que eu tinha lido algures, é que Eastwood está já a acabar o seu novo projecto (não o Changeling, mas sim um tal de Gran Torino - onde ele volta aos papeis de actor/realizador) e segundo as más linguas, diz-se que ele decidiu apreçar este, para poder estrear ainda este ano, porque apercebeu-se que este novo projecto tinha ainda mais hipóteses para os oscars e assim, com duas fitas a concurso as probabilidades aumentam.
Fala-se também de Human Factor que estreará para 2009

Tal vitalidade com tanta idade só mesmo o senhor Oliveira, que consegue 2 em 1

O poster leva ao trailer

9.21.2008

Mais do que grande expectativas (Poster do ano - XI) - V





Rarely does a film transcend its genre in the way that Tomas Alfredson’s Let The Right One In does. Based on a novel by John Ajvide Lindqvist, this must see Swedish coming of age vampire film is about a twelve year old boy who befriends a girl in the apartment next to him. But little does he know, she’s actually a vampire. Don’t let that scare you away. The movie is not a traditional horror film, it’s a relationship story about an introverted girl who teaches a shy bullied kid how to stand up for himself. It’s sweet in every way you wouldn’t expect. Beautiful and haunting, Let The Right One In is a film you must see.

O Poster leva ao trailer

9.14.2008

Mais do que Grandes Expectativas - IV


A imagem leva ao Teaser de The Imaginarium of Doctor Parnassus o último filme com Heath Ledger que acabou por ser substituído (continuado), não por um actor, não por uma actriz, mas sim por 3 actores (e não 3 quaisquer) o senhor Depp, Jude Law e Colin Farrell, o filme sairá só para o ano mas já sinto as formigas a mexerem cá dentro.

7.24.2008

Mais do que grandes expectativas - III



O novo filme de Lucrecia Martel, é uma das grandes expectativas para o próximo ano, uma vez que não acredito que estreia este ano (nem para o ano, sinceramente).
A autora argentina de A Rapariga Santa, fez agora um dos filmes revelação do ano, no festival de Cannes na secção de competição, o seu filme sobre uma senhora que pensa ter atropelado alguém e fugido e dos remorsos que isso lhe causa, mas numa espiral de loucura comparável aos filmes de Lynch (pai).

7.12.2008

Mais do que grandes expectativas - II




Forzen River passou, faz algum tempo pelo festival de Sundance e foi o vencedor do prémio do Júri, trata do drama de uma dona de casa que é atraída a traficar emigrantes ilegais através de um rio congelado na bagageira do seu carro.
Pare simplesmente genial, e falo só do trailer, sem dúvida um filme que mesmo tendo poucas hipóteses no nosso mercado, é um dos mais antecipados por aqui.
Tem estreia marcada para os estados unidos para o 1 de Agosto, mas já recebeu meia dúzia de notas no tomatometro que lhe dão até agora 80%.

6.27.2008

Mais do que grandes expectativas - I



El Cant Dels Ocells, filme de Albert serra, realizador do Honor de Cavalaria (filme estriado o ano passado e do qual fiquei com a mais estranha sensação), apresentado pela primeira vez no festival de Cannes com bons resultados perante a crítica, conta a viagem dos Reis Magos em busca de Jesus, mas com o estilo de Serra, poucos diálogos, uma ligação estreita com a natureza e filmado em Mini-Dv.