2.10.2009

Duas citações que nenhuma relação estabelecem entre si

"Em casa tenho imensa falta de espaço e na vida tenho imenso falta de tempo, e não dou solução nem a um nem a outro. Mas há um realizador português de que gosto muito, o Pedro Costa, que tem um modo de filmar muito correcto. Uma vez, ele disse-me que eu filmava os ricos, ele filmava os pobres. Respondi-lhe que eu filmo as almas - e as almas tanto há nos ricos como nos pobres."
Manoel de Oliveira in versão oline do ipsilon

Mas sucede que, nada tendo contra a sobriedade e a austeridade linguísticas ou estilísticas, alguma da crítica (de hoje e de ontem, em Portugal e no estrangeiro) que mais me entusiasma recorre frequentemente à “insolência” e ocasionalmente ao vernáculo. Exemplos que conheço de cor: Jacques Aumont a chamar a Midnight Cowboy um “filme-puta”, Louis Skorecki a dizer que Breaking the Waves era uma “punheta de freira”. Aumont nos Cahiers, Skorecki no Libération (portanto, directamente comparável ao Público). Não estou habilitado a fazer uma hierarquia da gravidade semântica entre “puta”, “punheta” e “merda”, mas parece-me que venha o diabo e escolha
Luís Miguel Oliveira in Sound + Vision (blog de João Lopes e Nuno Galopim)

2 comentários:

Victor Afonso disse...

Está instalada uma bonita polémica entre João Lopes e Luís Miguel Oliveira!....

Ricardo disse...

entre João Lopes e Luís Miguel Oliveira não é bem assim, mesmo que não concordem, ambos se tratam com simpatia e respeito, o problema advém de uma enchente de comentários indecorosos a um texto de LMO publicado na versão oline do ipsilon em que diz que o filme de Boyle (e transcrevo) "Cheira a merda".
Mas vale muito a pena ler os quatro 'episódios' no Sound + Vision intitulados 'A crítica e as suas merdas'.