5.11.2009

A Resposta

Desengane-se quem pensar que a resposta à pergunta elaborada anteriormente é dotada de algo digno de nota; nada há de conspirativo, nenhuma rede tentacular que controla toda a produção cinematográfica do mundo, nem mesmo a sorte (ou azar) de haver um certo indivíduo que por infinita impossibilidade probabilística conseguisse pertencer de alguma forma aos cinco filmes em questão.
Não!
A resposta centra-se em mim (coisa que dificultava o trabalho a todas as pessoas que não eu) e na minha experiência para com os filmes em causa; mais do que tê-los visto em salas de cinema comerciais pelo país, o éter ligante dos eventos foi o facto de em todas, e cada uma, das exibições eu ter estado completamente sozinho na sala escura - fui o único espectador da(s) dita(s) sessão(ões).
Provavelmente já vos terá acontecido (não creio que a 'sorte grande' me tenha calhado por cinco vezes e nunca tenha batido às vossas portas), se sim, ficaria curioso de saber em que filmes.

Tendo o conhecimento epistemológico do problema da indução: é me impossível fazer um enunciado verdadeiro, partindo de casos específicos (neste caso o meu), mas como o sentido não é a criação de conhecimento sustentado e científico, mas sim crítico e opinativo, não há problema de falaciar com conta, peso e moderação; não querendo com isto indicar que a falácia é comum aos meus textos. Prosseguindo, podemos notar (através de casos como o especificado ou através do estudo dos resultados de bilheteira) que tem havido uma diminuição no número de espectadores, proporcionalmente inversa ao número de filmes estreados a cada semana, cuja proporcionalidade é mais uma vez inversa (ou seja é directa em relação à primeira) ao tempo de exibição das películas (certos filmes não duram duas semanas em Lisboa - veja-se o caso de 'A Corte do Norte' do senhor Botelho).
O ano que passou foi bem sucedido para as distribuidoras a operar no nosso país, uma vez que os lucros foram em média superiores aos do ano anterior, isto devido, não ao aumento de espectadores, mas sim ao aumento do preço dos bilhetes.
Agora questiono-me: Será que a profusão de sessões (que vejo como muito vantajosas no meu caso que vou ao cinema de tarde) e a projecção em condições que o número de espectadores é ínfimo são as causadora do aumento anual do preço dos bilhetes?
Certamente que um indivíduo não pode suportar com 5 euros o funcionamento de uma máquina projectora durante duas horas e os respectivos funcionários do estabelecimento, daí o surgimento dos Multiplexs nos anos 70', mas não será melhor ser um pouco revivalistas (e pessimista, já agora) e pedir (por muito que custe) pelo hábito de devolver o dinheiro aos compradores, sempre que o seu número não for rentável, acabando por não haver sessão, mas reduzindo as despesas e mantendo os preços da bilheteira reduzidos, apesar de todas as desvantagens que uma deslocação falhada ao cinema envolve (?)

3 comentários:

ângela disse...

No caso destes filmes creio que não me aconteceu nenhuma vez ter o prazer de estar sozinha na sala. Provavelmente o Na outra Margem foi o que mais se aproximou (só não aconteceu porque passava no Porto, penso eu).
Quanto ao preço, lembro-me de que há três anos pagava 3,5€ com cartão jovem, e agora pago 4,8€. Parecendo que não é um aumento que pesa na minha carteira.
Apesar de tudo, acho que isso de devolverem o dinheiro às pessoas e não exibirem o filme não daria bom resultado, imagina, as tuas sessões da tarde basicamente deixavam de existir. Pelo menos com a minha experiência de cinema à tarde, estou quase sempre lá sozinha. Penso que a solução seria arranjar uma espécie de cartão acumulável (como de resto fazem nos cinemas Castello Lopes) que sempre te ajudam a poupar algum dinheiro através dos pontos. O que se sabe é que é mais barato fazer um click ali num download qualquer do que ir ao cinema, com os custos que essa deslocação envolve ;)
Beijinho*

ângela disse...

A outra margem*

Ricardo disse...

Dependendo dos cinemas, pago entre 4.20 a 5.00 euros com cartão jovem e todos os anos os preços aumentam!
Mas faz me muito impressão é ver que estreiam 5 filmes por semana (quando não são mais), os filmes não estão em exibição mais de 3 semanas e depois queixam-se que os público se distancia do cinema e prefere ver no computar, claro! ir ao cinema é caro, implica disponibilidade de tempo e implica deslocarmo-nos largas distâncias num espaço curto de tempo para ver-mos um filme que só está em duas sala no país durante míseras semanas, quando é mais fácil (como muito bem disseste) clicar num link e resolver o problema -coisa que repudio ferozmente.
Claro que eu não sou apologista das devoluções (e a ideia do cartão é bem boa) mas de todos os males que venha o melhor.