11.23.2008

Há filmes e filmes ... e depois há milagres


Há filmes que são assim. Que me impedem de mexer, só a respiração continua e o bater do coração (oh o bater, que acelera e carrega em força, de forma tão pujante que dilacera o peito), desde o principio, desde o primeiro fotograma que nos enchemos de um fluído; parece que flutuamos num visco (qual peixe em aquário), só que parece que vamos sendo asfixiados na nossa alma.
E, depois em êxtase total, sentimos exalar por todos os poros aquilo que nos matava, purificamos-nos, sentimos a leveza (e a culpa de nos preocuparmos com os nossos insignificantes problemas), tudo isto promovido pelo choro compulsivo, pelo descontrolo, pela contracção dos músculos e então renascemos.

Se mais não fosse, este filme seria um veiculo para a limpeza do espírito, de todos os resíduos que se vão acumulando com o dia-a-dia.
Mas felizmente este filme é mais do que isso, fala tão vivamente de um tema (a perda de um filho) que temos receio de não nos centrarmos unicamente nele, de ver um filme sobre o desespero, sobre a necessidade de controlar o ambiente que nos rodeia, sobre a sociedade das imagens e do que fica registado, da dependência da felicidade, sobre o estereotipo da família, sobre a forma encaixotada de viver e sobre nós - seres humanos- na sua essência.

Um filme absoluto, um filme maravilhosamente construído, em que o som e uma personagem, em que a banda sonora de Sassetti é perfeita, em que Nuno Lopes mostra que é um génio dos pequeninos e Marco Martins dos grandes e em que a fotografia de Carlos Lopes nos obriga a ver tudo azul no que simbolicamente o azul representa nesta história.

10/10 - Soberbo

2 comentários:

Luís disse...

Tenho mesmo de assistir a este milagre!

Ricardo disse...

não acredite muito em mim, que para mim qualquer bom filme é logo um milagre e quem o fez, um milagreiro (não é bem assim, mas em verdade eu tenho para mim que só por um filme existir já merece o meu apreço, por isso daí para a frente é sempre a subir) mas mesmo não confiando muito no que digo, veja.