6.26.2009

O mestre é que a sabia toda

Nos dias de hoje, poucos são os filmes comerciais americanos, com resultados visíveis nas bilheteiras, que consigam ser um objecto de arte e, simultâneamente, vendável a uma vasta plateia de indivíduos; podem referir-se Wall.E ou Dark Knight ou mesmo Benjamin Button, mas verdadeiramente há qualquer coisa que sou a estranho quando O cavaleiro das trevas é posto na mesma frase com a palavra obra-prima (sendo que o caso da Pixar se calhar não é o melhor argumento na minha narrativa argumentativa).
Noutros tempos, mais coisa menos coisa, faz já 50 anos, o mestre do suspense estava no auge do seu labor criativo (Stranger on the Train/1951, Rear Window/1954, The man who Knew Too Much/1956, Vertigo/1958, North by Northwest/1959, Psycho/1960, The Birds/1963) fazendo filmes que são marcos incontornáveis na história do cinema e momentos irrepetiveis de perfeição e genialidade, sendo que eram avassaladores sucessos de bilheteira.
A actualidade pauta-se por filmes como o 2º Transformers, o 4º Spider Man, remakes de sequelas de spin-offs, ou então adaptações de monopólio - ou agora do Facebook. Mas mais do que tudo, os filmes de terror são um tiro certeiro nas bilheteiras (Motel, Hostel 1 e 2, Saw 1 ao 5, Sexta Feira 13 incontáveis, Pesadelo em Elm Street, e tantos mais) sendo que estes filmes ignoram o prazer do entretenimento, ou melhor, pervertem-no para o gore oferecido e desmiolado - o plano da perna cortado do Death Proof é uma das mais irónicas e severas críticas à actualidade decadente; diria eu, mas por outro lado é o senhor Tarantino que produz os Hostel - acima de tudo, confunde-se surpresa(leia-se susto) com suspense.
Retomando Hitchcock, este muito bem definiu a diferença entre surpresa e suspense: com a surpresa, os espectadores descobrem algo que não sabiam, com o suspense, os espectadores sabem algo que a personagem não sabe e anseiam por ver como é que a personagem vai reagir à descoberta. O filme que serve de tapete de entrada desta semana (The Man Who Knew Too Much) é disto um exemplo perfeito, Hitchcock lança todos os ingredientes para dentro da forma e ao longo de mais de uma hora prepara o espectador para a (famosíssima) cena da Ópera - a cereja em cima do bolo - sendo que, aí, deixa-se levar e faz com que o seu público espere mais de dez minutos pelo momento fatal, sem usar diálogo algum.

1 comentário:

Victor Afonso disse...

Hitch era o mestre. Ponto.