7.27.2010

Cinema Português em Marcha - 15/23

7# Trans-Europa é a primeira aventura na ficção do Franco-Português Brasileiro Sérgio Trefaut, realizador de Lisboetas (melhor filme nacional de 2004 no Indie), que se mantém no tema da emigração, mas agora pelos desempenhos de Maria de Medeiros (que foi colega de liceu de Trefaut) e Isabel Ruth; a história é inspirada na experiência da professora de russo do realizador, mulher ucraniana, que em 1998, vem passar o natal com o marido senegalês, ambos médicos, que trabalha em Portugal na construção civil, só que por uma série de mal entendidos, ninguém fala russo e a mulher não fala português, acaba por ficar retida no aeroporto durante mais de 36 horas até ser obrigada a embarcar para um país que não o seu (Rússia) em Business Class (era para ser este o título original), pagando do seu bolso a viagem.
O filme foi rodado maioritariamente em Serpa, localidade querida de Trefaut, onde se organiza o Doc's Kingdom e que providenciou estadia, alimentação, transporte e acesso aos edifícios da câmara para as filmagens. Grande parte do aeroporto é de facto a biblioteca municipal de Serpa, que por ser um edifício novo, minimalista, branco, quase asséptico, era o ideal para o realizador, que tenta criar um ambiente em que tudo o que é externo às personagens seja reduzido, para que as emoções venham ao de cima mais puras; segundo o próprio realizador, as fotografias de Richard Avedon, nomeadamente o livro In The American West, foram as maiores influências estéticas.
Com um director de fotografia Brasileiro (Edgar Moura - Jaime, A Outra Margem), Maria de Medeiros que fala seis línguas e teve que aprender russo para este papel, Makena Diop que faz de marido, Lyubyy Mekhaylo que já vinha de Lisboetas, a multicultaralidade é uma marca forte que artigo da visão evidencia.
"É um filme que tenta mostrar como todas as personagens que vivem dentro de uma rotina e convencidas de que estão certas, às vezes, sendo até muito simpáticas, podem destruir a vida de outras pessoas. Sem consciência e apenas pela obediência ao ritmo dos outros, às hierarquias e às funções"; estas são as palavras de Trefaut em relação à inspectora da polícia, papel desempenhado por Isabel Ruth.
Fica ainda um artigo do Alentejo Popular e uma reportagem do Expresso que inclui um vídeo com cenas da rodagem.

2 comentários:

Carlos Natálio disse...

Tou curiosíssimo para ver como se porta o Treffaut na ficção. Já agora, excelente série sobre cinema português!

Ricardo Vieira Lisboa disse...

muito obrigado, faço o meu melhor.