1.31.2012
1.30.2012
o que tem que ser tem muita força
logo a abrir, uma cena brilhante, a incorporação de imagens de arquivo com as filmadas pelo próprio moretti. uma montagem que percebemos ser jornalística, por culminar num daqueles repetitivos monólogos descrevendo coisa nenhuma. aliás, quando o senhor jornalista em alvoroço espera novas 'informações' do porta voz do vaticano, este reponde dizendo que está na hora das equipas noticiosas se ausentarem do edifício, e como se nos tratássemos de débeis mentais o senhor jornalista repete esta informação para a câmara. é disto que é feito o requintado humor de moretti.
depois, claro, a cena da eleição. a humanização das figuras representantes de deus. sim, é esse o grande trunfo do filme: as figuras religiosas ganham, pelos paramentos e rituais, um estatuto de coisa inumana, estatuto esse que é estimado pela própria instituição religiosa; ora, o que se procede, nessa cena das eleições, quando falham as luzes, ou quando agitam as canetas rezando que não sejam eles os escolhidos, ou o grito desesperado de piccoli aquando do seu anúncio, é a humanização dessas figuras, que pela força dos hábitos (os que se vestem e os outros) se foram afastando da sua natureza carnal.
mas não poderia falar deste filme sem referir a forma (BRILHANTE) como moretti encarou a questão da figura papal como personagem de teatro. cena encantadora, o angustiado papa, confessa-se à sua nova psicanalista (que concluirá que tudo se trata de um trauma sofrido ainda antes do ano) ocultando a sua posição eclesiástica e substituindo-a pela de actor. nada inocente. mas note-se, o crescendo desta posição efectua-se aquando da consagração publica do nosso papam, quando este, numa recatada varanda do teatro que exibe a gaivota, é aclamado pelo público como o papa de todos. nada inocente.
no entanto aquilo que mais (me) marca é o facto de no fundo este papa, escolhido pelo próprio deus e continuando a crer nele seja capaz de admitir que o que não pode ser, não pode ser. isso conclui-se na cena final do filme, quando, depois do discurso, toda a audiência que ocupa a praça agitando as suas bandeiras, as baixa em sinal de aceitação e compreensão. ou seja, o que tem que ser tem muita força.
1.29.2012
1.27.2012
estou de esperanças
Num ano em que a Tobis é finalmente privatizada, que o ICA não abre os concursos como é normal, que o Fica retomará o funcionamento e em que sairá uma nova lei do cinema, o melhor são os filmes.
Muito grandes Expectativas
O gebo e a sombra - Manoel de Oliveira (em quatro filmes que realizou nos últimos anos, quatro filmes gigantes, sempre nos meus tops, não há de falhar agora... e tem o magnífico Luís Miguel Cintra) [as primeiras imagens]
Deste lado da ressurreição - Joaquim Sapinho (passado por Toronto e São Paulo e mais uns sítios e depois de já se ter chamado Guincho, é dos mais esperados pelo que aqui se assina) [posters e trailers]
Tabu- Miguel Gomes (em competição no festival de Berlim que está agora começando) [notícia do público, sítio da produtora]
A Montanha - João Salavisa (o menino que ganhou a palma de ouro com o Arena, e que fez depois uma interpretação do bailado da senhor Pina, Hotel Müller, e ainda Rafa que passa agora em Berlim, atira-se agora às longas, ainda em pre-produção)
Grandes Expectativas
Em câmara lenta - Fernando Lopes (embora muito doente, parece que o filme vai andando, adaptação do romance com o mesmo nome de Pedro Reis; e claro, tem a Maria João Luís) [sítio da produtora] (estreia já em Março)
Vingança de uma Mulher - Rita Azevedo Gomes (passou na competição do Lisbon&Estoril Film Festival e desde então que tenho um desejo imenso por ver esta adaptação de um dos contos do Les Diaboliques) [sítio oficial]
Se eu fosse ladrão... roubava - Paulo Rocha (já se chamou Olhos Vermelhos e já devia ter estrado há uns temps, mas enfim, é o regresso de um dos grandes do cinema português, no que parece ser o seu filme mais pessoal) [excerto]
A última vez que vi Macau - João Pedro Rodrigues (depois de uma larga estadia em Macau, montaram um infinitésimo do material filmado e fizeram a média metragem Alvorada Vermelha, agora vem a longa) (João Pedro Rodrigues terá acabado de receber apoio para um outro filme, de ficção, chamado O Ornitólogo)
Fabrica de Nada - Entre cinzeiros e Robots - Jorge Silva Melo (o regresso de Silva Melo ao cinema de ficção é sempre algo a festejar, isso já não acontecia desde 2002 com António, um rapaz de Lisboa) (mas este projecto ainda está em fase de pré-produção, no entanto, quando Silva Melo foi ao programa baseado numa história real, no canal Q informou que estava já a preparar-se para filmar um filme autobiográfico intitulado JSM por JSM, parece que esse projecto mudou de nome e se atrasou uns meses)
Estrada de palha - Rodrigo Areias (estreou em Vila do Conde esta coisa estranha, western musical, só pode ser bom, não se ouvia falar de tal coisa desde o Paint your Wagon com o Eastwood e o Marvin; de lembrar que Areias fez o filme Tebas que andou no circuito dos cineclubes e cineteatros faz uns 3 anos) [artigo do Público, exibições, trailer] (passa dia 1 de Fevereiro no São Luiz)
Linhas de Torres - Valeria Sarmiento (depois da morte do senhor Ruiz, ficou a mulher a carregar o épico, um elenco estupidamente gigante) [sítio da produtora]
Em segunda mão - Catarina ruivo (Catarina Ruivo tinha feito o André Valente e depois o Daqui p'ra frente; agora o último filme de Pedro Hestnes que estava em fase de montagem quando este morreu) [imagens das filmagens]
Expectativas
Operação Outono - Bruno de Almeida (ele trouxe os seus amigos americanos de Os Sopranos para fazer o Lovebirds, agora é John Ventimiglia que vem fazer de Humberto Delgado...)
Paixão - Margarida Gil (o argumento parece algo vulgar, uma obsessão de amor daquelas de todos os dias...) [reportagem do canal 180] (estreia já em Fevereiro)
O que há de novo no amor - vários (filmes de banda são coisa que raramente convencem) [posters e trailer] (estreia já em Fevereiro)
Florbela - Vicente Alves do Ó (depois de um invulgarmente mau, Quinze pontos na alma, a ver vamos...) [poster e trailer, making of]
Já vistos
Swans - Hugo Viera da Silva (um enorme filme, quando chegar a altura hei de escrever qualquer coisa) (estreia já em Março)
É na terra não é na lua - Gonçalo Tocha (muito alarido, mas o filme, embora seja bom, não é nada do outro mundo, aliás, Nossa Forma de Vida, é um exercício de cinema, muito mais interessante)
A propósito de Guimarães teremos curtas de Pedro Costa, Oliveira, Godard, Erice, Greenaway, Kaurismäki, Canijo, Botelho, Rui Simões, Margarida Gil, Edgar Pêra (em 3D), Bruno de Almeida, João Pedro Rodrigues, João Salavisa, João Nicolau, António Ferreira e Rodrigo Areias (programador da área do cinema juntamente com o crítico João Lopes)
(e devia falar do O Cônsul de Bordéus (estreia já em Maio) sobre o Aristides de Sousa Mendes, mas eu tenho um pequeno ódio pessoal ao trabalho do senhor Francisco Manso, e do Teia de Gelo (estreia já em Abril) do senhor Nicolau Breyner, a segunda insistência do actor na realização, e ainda de Bobô, o novo filme de Inês Oliveira, depois de Cinerama, e ainda A Grande Jogado desse grande cineasta que é Leonel Vieira e nem se fala do Balas e Bolinhos 3 )
Muito grandes Expectativas
O gebo e a sombra - Manoel de Oliveira (em quatro filmes que realizou nos últimos anos, quatro filmes gigantes, sempre nos meus tops, não há de falhar agora... e tem o magnífico Luís Miguel Cintra) [as primeiras imagens]
Deste lado da ressurreição - Joaquim Sapinho (passado por Toronto e São Paulo e mais uns sítios e depois de já se ter chamado Guincho, é dos mais esperados pelo que aqui se assina) [posters e trailers]
Tabu- Miguel Gomes (em competição no festival de Berlim que está agora começando) [notícia do público, sítio da produtora]
A Montanha - João Salavisa (o menino que ganhou a palma de ouro com o Arena, e que fez depois uma interpretação do bailado da senhor Pina, Hotel Müller, e ainda Rafa que passa agora em Berlim, atira-se agora às longas, ainda em pre-produção)
Grandes Expectativas
Em câmara lenta - Fernando Lopes (embora muito doente, parece que o filme vai andando, adaptação do romance com o mesmo nome de Pedro Reis; e claro, tem a Maria João Luís) [sítio da produtora] (estreia já em Março)
Vingança de uma Mulher - Rita Azevedo Gomes (passou na competição do Lisbon&Estoril Film Festival e desde então que tenho um desejo imenso por ver esta adaptação de um dos contos do Les Diaboliques) [sítio oficial]
Se eu fosse ladrão... roubava - Paulo Rocha (já se chamou Olhos Vermelhos e já devia ter estrado há uns temps, mas enfim, é o regresso de um dos grandes do cinema português, no que parece ser o seu filme mais pessoal) [excerto]
A última vez que vi Macau - João Pedro Rodrigues (depois de uma larga estadia em Macau, montaram um infinitésimo do material filmado e fizeram a média metragem Alvorada Vermelha, agora vem a longa) (João Pedro Rodrigues terá acabado de receber apoio para um outro filme, de ficção, chamado O Ornitólogo)
Fabrica de Nada - Entre cinzeiros e Robots - Jorge Silva Melo (o regresso de Silva Melo ao cinema de ficção é sempre algo a festejar, isso já não acontecia desde 2002 com António, um rapaz de Lisboa) (mas este projecto ainda está em fase de pré-produção, no entanto, quando Silva Melo foi ao programa baseado numa história real, no canal Q informou que estava já a preparar-se para filmar um filme autobiográfico intitulado JSM por JSM, parece que esse projecto mudou de nome e se atrasou uns meses)
Estrada de palha - Rodrigo Areias (estreou em Vila do Conde esta coisa estranha, western musical, só pode ser bom, não se ouvia falar de tal coisa desde o Paint your Wagon com o Eastwood e o Marvin; de lembrar que Areias fez o filme Tebas que andou no circuito dos cineclubes e cineteatros faz uns 3 anos) [artigo do Público, exibições, trailer] (passa dia 1 de Fevereiro no São Luiz)
Linhas de Torres - Valeria Sarmiento (depois da morte do senhor Ruiz, ficou a mulher a carregar o épico, um elenco estupidamente gigante) [sítio da produtora]
Em segunda mão - Catarina ruivo (Catarina Ruivo tinha feito o André Valente e depois o Daqui p'ra frente; agora o último filme de Pedro Hestnes que estava em fase de montagem quando este morreu) [imagens das filmagens]
Expectativas
Operação Outono - Bruno de Almeida (ele trouxe os seus amigos americanos de Os Sopranos para fazer o Lovebirds, agora é John Ventimiglia que vem fazer de Humberto Delgado...)
Paixão - Margarida Gil (o argumento parece algo vulgar, uma obsessão de amor daquelas de todos os dias...) [reportagem do canal 180] (estreia já em Fevereiro)
O que há de novo no amor - vários (filmes de banda são coisa que raramente convencem) [posters e trailer] (estreia já em Fevereiro)
Florbela - Vicente Alves do Ó (depois de um invulgarmente mau, Quinze pontos na alma, a ver vamos...) [poster e trailer, making of]
Já vistos
Swans - Hugo Viera da Silva (um enorme filme, quando chegar a altura hei de escrever qualquer coisa) (estreia já em Março)
É na terra não é na lua - Gonçalo Tocha (muito alarido, mas o filme, embora seja bom, não é nada do outro mundo, aliás, Nossa Forma de Vida, é um exercício de cinema, muito mais interessante)
A propósito de Guimarães teremos curtas de Pedro Costa, Oliveira, Godard, Erice, Greenaway, Kaurismäki, Canijo, Botelho, Rui Simões, Margarida Gil, Edgar Pêra (em 3D), Bruno de Almeida, João Pedro Rodrigues, João Salavisa, João Nicolau, António Ferreira e Rodrigo Areias (programador da área do cinema juntamente com o crítico João Lopes)
(e devia falar do O Cônsul de Bordéus (estreia já em Maio) sobre o Aristides de Sousa Mendes, mas eu tenho um pequeno ódio pessoal ao trabalho do senhor Francisco Manso, e do Teia de Gelo (estreia já em Abril) do senhor Nicolau Breyner, a segunda insistência do actor na realização, e ainda de Bobô, o novo filme de Inês Oliveira, depois de Cinerama, e ainda A Grande Jogado desse grande cineasta que é Leonel Vieira e nem se fala do Balas e Bolinhos 3 )
1.25.2012
Tudo isto é muito novo, um novo pedaço de vida. Ainda há pouco estava numa passagem aérea, por baixo de mim: um troço de auto-estrada para Augsburg. Do meu carro vejo por vezes as pessoas que se detêm na passagem aérea sobre a auto-estrada e ficam a olhar, agora sou uma delas. A segunda cerveja já começa a descer-me aos joelhos. Um rapaz coloca um cartaz entre duas mesas, fixando as duas pontas do fio com fita-cola. Vai à volta, grita o grupo da mesa comum, por quem se tomam, diz a empregada, depois a música recomeça, muito alta. O grupo gostaria de ver o rapaz levantar a saia da empregada, mas ele não arrisca.
Só no cinema tomaria isto tudo por verdadeiro.
Só no cinema tomaria isto tudo por verdadeiro.
Caminhar no Gelo de Werner Herzog, traduzido por Isabel Castro Silva
A propósito de The cave of forgotten dreams
1.24.2012
1.23.2012
1.22.2012
1.21.2012
Semelhanças - LVIII (actualizado)
O Pânico com Lagostas é sempre um bom acompanhamento para uma comédia - Annie Hall (1977) de Woody Allen
O Pânico com Lagostas é sempre um bom acompanhamento para uma comédia - Il Caimano (2006) de Nanni Moretti
O Pânico com Lagostas é sempre um bom acompanhamento para uma comédia - Julie & Julia (2009) de Nora Ephron
P.S.: Publicado há quase dois anos, agora actualizado com o Il Caimano, filme absurdamente gigante, que não me perdoo de ter deixado passar.
1.20.2012
Mas quem? tu?! ah! pois é.
O que encanta em Midnight in Paris de Woody Allen é a proeza de escrita que se concretiza no refinadíssimo humor da referência artístico-erudita. Ou seja. Allen desenvolve um jogo de engodos com o espectador. Leva-nos a um imaginário povoado de personagens maiores da cultura do início do século, mas não nos apresenta o dignos senhores. Sabemos que quem estamos vendo é alguém que conhecemos dos livros ou pelo trabalho, mas ao qual nunca associamos uma corporização. O jogo desenrola-se com o tentar descobrir que é quem. Mas quem? tu?! ah! pois é. Qualquer outro teria caído na esparrela de aprofundar os ícones, dar-lhes profundidade, mas o que interessa é mesmo o boneco, a caricatura espampanante. Enfim, é um jogo do 'Quem é Quem?' edição 1930 - famosos. Uma guloseima.
1.19.2012
Agora é que é...
Macia? A defesa da equipa do Breath Away é o do melhor que há! Oliveira tem mais pernas que qualquer um e aguenta com qualquer Godard. A Varda e o Marker fazem uma parelha forte suficiente para defender o gigante Hitchcock. É difícil mas lá conseguem, se o Resnais descer um pouco e ajudar (sim, são precisos 3 para aguentar com o senhor Alfredo). O Kubrick é que me parece imparável. A questão é que não sendo um jogador que goste de partilhar os seus magníficos talentos, talvez (só talvez), não dê em nada. Mas sim, admito: o ataque da equipa do CINEdrio é inclassificável. Mas para isso está cá a mais educada e elegante defesa do mundo. Ah! ia-me esquecendo do Rohmer: esse (se para aí estiver virado o vento) é capaz de aguentar qualquer um. O meu único receio é mesmo o Albert Serra, esse coitadinho, está na equipa por simpatia... um remate (de quem quer que venha) ele terá muitas dificuldades em defender. Mann não me mete medo, aquele Cimarron... mas Huston é poderosíssimo, claro que o Hawks é suficiente para os dois. Soderbergh é um preferido, um menino querido aqui da casa e por isso levou o tacho de central, ele não ataca nem defende, ele é todo transição, cerebral, enfim, coisa de estratégia. E claro, Carpenter não aguenta com um Peckinpah pela frente, o Murnau está ela por ela com o Ford (já agora, os cenários do Aurora eram tão gigantescos que depois de Murnau filmar, tanto o Ford como o Borzage (re)usaram os cenários e até alguns dos actores). Eastwood e Boetticher são os receios, o primeiro por ser por vezes tão certeiro como um revolver nas mãos de Dirty Harry, o segundo, por não o conhecer e por isso ser uma incógnita.
P.S.: Aqui ao lado podem votar na equipa cá de casa
1.10.2012
Que comece a copa
1.º confronto: numa paragem do 28 (a preto) vs. Cine Resort (a azul)


3.º confronto: Breath Away (a preto) vs. A Sombra do Elefante (a azul)

4.º confronto: Modern Times (a preto) vs. CINEdrio (a azul)

P.S.: podem votar aqui na equipa do Breath Away na barra lateral, as votações terminam na próxima segunda feira.
1.08.2012
Equipa de sonho
O senhor Luís Mendonça decidiu iniciar uma copa cinéfilo-futebolistica e pediu participantes. Eu, não tendo grandes aptidões futebolísticas (perto do zero), e as cinéfilas são as que por aqui se vão espalhando: interessadas mas muito esburacadas, decidi envolver-me. Na imagem vê-se a equipa que achei ser a mais dotada para vencer a copa (copo/taça), as justificações ficam em baixo.
guarda-redes: Albert Serra (espero que não adormeça no posto, mas pelo menos está sempre concentradíssimo), mas caso haja algum problema, tenho o Wiseman ali no banco já a fazer o aquecimento (porque esse percebe muito bem a dinâmica de jogo)
defesas: Varda, Rhomer, Macker e Oliveira. A Varda porque tem um penteado que compete no descolorido com o do Abel Xavier e porque é uma senhora toda espevitada e é a que coordena os outros três. O Oliveira porque tem três pernas, isto é, sendo uma de pau, pode ser sarrafeiro e provocar grandes estragos nos adversários, além disso o seu número de Charlot deixa toda a gente embasbacada e isso pode ser usado como estratégia de distracção. Macker, porque sendo ermita ninguém sabe se ele está em jogo ou não. Rhomer porque se houver alguma falta, ele consegue sempre dar a volta ao árbitro e porque filme tudo à primeira. Note-se que está retaguarda é toda formada por senhores e senhoras de grande experiência, por isso, já têm muito cinema no papo, e estão preparados para o que vier
médios: Resnais (porque sabe muito, elegantíssimo, pai de um cinema que não envelhece nunca, enfim, é vê-lo jogar para perceber), Soderberg (porque domina todas as áreas, desde o mais main stream ao mais indie, ou seja é boa a atacar e defender) e Hawks (porque dá uma perninha em tudo se for preciso, é um verdadeiro tarefeiro, faz o que lhe mandam e nunca faz mal)
Atacantes: Tarantino (faz uns cruzamentos de génio, tem ali todas as tácticas estudadas, é obviamente o capitão de equipa, o ponta de lança, aquele que tem um remate tão forte que parece uma injecção de adrenalina), Murnau (porque sendo um senhor do oculto, e muito calado, consegue sempre passar os defesas sem ser visto: com um suave plano sequência), Peckinpah (o parte pernas, é isso mesmo, ele estilhaça tudo o que lhe passa pelos dentes)
A equipa que me defrontará será conhecida amanhã, por isso preparem-se...
1.03.2012
O final deste ano que agora terminou trouxe-nos uma figura curiosa, um monstro medonho e terrível. Primo da troika, só que desta vez, mais do que a desmaterialização dos mercados, a questão centra-se no género da coisa, temos um animal hermafrodita: merkozy. A merkozy. O merkozy. Mas quem é essa coisa. Não é humana por ter pensamentos diferentes e estar em locais diferentes em simultâneo. Por não representar nem uma política nem sequer uma ideologia comum. Não tem nacionalidade, apesar de se poder denominar europeu. Merkozy é uma solução jornalística na onda do cartonesco que é de uma ridicularia invulgar. Mais triste é o facto de este não ser um fenómeno nacional, é coisa que se reproduz em Espanha, França, Itália e certamente noutros países periféricos. Mais uma figuração demoníaca dos males europeus que afectam as economias mais expostas e que consegue, de forma singularmente cruel, retirar tudo aquilo que de humano há em cada um dos senhores dirigentes: Merkel e Sarkozy. O mais ridículo é que passada a maldade ingénua da aniquilação do pessoal, merkozy ganha luzes de bicho concreto. Torna-se um termo usado pelos comentadores e por transitividade pelos jornalistas, como se estivesse associado a algo palpável. Mesmo que o poder da Europa esteja em grande parte nas mãos do presidente francês e da chanceler alemã, não quer isso dizer que os seus desaires sejam coadjuvantes. O que entristece verdadeiramente não é o facto de Merkel e Sorkozy serem chacoteados pelos jornais (isso seria o menos), a questão é que nestas figurações voláteis agregam-se tantos ódios e desculpabilizações que eventualmente hão de dar azo a acções físicas e irreparáveis.
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