Australia é a soberba formulação de cinema, mesmo que caia em clichés, em lugares comuns, em momentos gastos, tudo parece novo, vital, rejuvenescido, e Baz faz magia em forma de película, tanto através das imagens, mas principalmente através da pujança de contar uma história, há neste filme uma ode ao cinema e a tudo o que ele significa, é um hino ao cinéfilo, ao amante da 7ª arte; é um portento.
Podem chamar-lhe uma manta de retalhos, que se perde em diferentes géneros sem escolher a forma mais correcta, podem chamar-lhe desadequado, fora de moda ou simplesmente pretensioso, mas este filme baseia-se na forma lúcida e (quase) perfeita de Luhrman pensar o cinema e para ele, cinema é isso mesmo, algo maior do que a vida, maior do que nós mesmos, larger than life, não se querem realismos frenéticos de novos cineastas com falsos documentários, quer-se força, vida, alegria e emoção, quer-se cinema no seu estado mais puro de contar uma história.
Australia não é perfeito, mas a sua coragem de arriscar, de fazer o que mais ninguém imaginava poder-se fazer, só por ser irreverente, este filme merece os nossos corações, e claro, tudo o resto fá-lo merecer a nossa aclamação.
Obrigado senhor Baz por me fazer separar do mundo, esquecer que estou dentro de uma sala de cinema e levar-me para 'a far away land'.
Muito obrigado.

P.S.:Ler isto e isto do senhor Mourinha, que é o único lúcido crítico de cinema (pelo menos no que a Australia diz respeito) e bom ano de 2009
















