5.29.2009

Linguas libertadas cantando


Peço mais uma vez desculpa pela ausência, se de desculpas preciso de pedir, e continuo com a actividade característica deste espaço digital.
Agradeço a atenção do senhor Fifeco de me lembrar que o DVD de Les Chanson d'amour está à venda com o público amanhã, por mais 1.95€ , e verdadeiramente, tinha planeado falar sobre o filme, na véspera da venda do dito - hoje -, com vista a convencer algum incauto cibernauta a comprar o filme que me tem apaixonado pelas últimas semanas. Assim sendo, prossigo o objectivo que me aqui trouxe.

Pois bem: Les Chanson d'amour é um filme de um magnifico, e ainda novo realizador, Christophe Honoré, que já nos havia presenteado com Dans Paris e que agora passou pelo Indie com o La Belle Personne (em sessões sempre esgotadas, sendo me impossível vê-lo) que certamente virá a estrear em sala comercial.
Pois bem: Les Chanson d'amour é um filme verdadeiramente apaixonante - se fosse mau seria um guilty pleasure, como não o é, limita-se ao pleasure - de uma harmonia cadenciada em baquetadas suaves no coração, pulsante de jovialidade e vida, sincero e original, sem nunca esquecer o passado e tomando-o como ponto de partida para si (Demy).
Pois bem: Les Chanson d'amour é um filme politicamente interventivo e reaccionário às políticas conservadoras da França de Sarkozy, critica a conceptualização de uma juventude violenta e anarquista, mostrando-a como humana e ideológica (como em todo o mundo o é). Verdadeira Libertação sexual, mesmo que utópica, é o que se retrata: ficam para trás noções arcaicas de casamento ou ligação singular, perene e contractual; fica sim: a paixão e amor pelos indivíduos pelo seu ser, independentemente do seu género ou sexualidade (é maravilhoso ver-mos um personagem de 17 anos assumidamente homossexual, que não tem os dilemas da saída do armário - como é cliché de algum cinema - mas simplesmente quer ser feliz com aquele que ama).
Pois bem: Les Chanson d'amour é um filme sobre a perda, da forma como lidamos com ela e das forças resilientes da motivação humana; terno e realista, usando as canções como processo estilístico tanto interno (prossegue na narrativa), como externo (artificio estético), balanceando-os com minúcia.
Pois bem: Les Chanson d'amor é um filme hipnótico, divertido e sentido, pulverizado pelas características do realizador, a cidade como entidade de convulsão e até opressora, mas crente na viabilidade da felicidade. Como dizia o crítico Tendinha: Dans Paris é um filme orgulhosamente francês; mentira não seria dizer que Les Chanson d'amour é um filme do mundo e (também) intrinsecamente francês.

P.S.: Todas as músicas que constituem a banda sonora do filme foram publicadas neste blog, a consulta do título do filme na barra superior, facilmente levará aos videos.

5.19.2009

(Dois mil e) nove

Chegamos ao final da década, ano de 2009, é curioso que por questões de marketing, surjam vários filmes com o número 9 no título, uns por acaso (creio eu) outros por simples oportunismo, vejam-se 4 filmes que corroboram esta ideia (os títulos levam aos trailers):

9

Filme produzido pelo grande Tim Burton e pelo novo menino de ouro de Hollywood, Timur Bekmambetov (o senhor do Wanted). O filme é realizado por um estreante nas áreas movediças da longa metragem, no entanto foi com a mesma ideia e o mesmo título que em 2005, Shane Acker foi nomeado para o oscar de melhor filme de animação (um pouco à imagem de Sky Captain que originalmente também era uma curta e que depois passou a longa por motivos comercias). Com um elenco bem apetrechado: Elijah Wood, John C. Reily, Jennifer Connely e Cristopher Plummer; conta-se a história de um boneco de trapos (9) que tenta salvara a vida num mundo apocalíptico; uma história de aventura, como seria de esperar. Estreia 9-9-09 nos EUA, por cá ainda não se sabe. Podem visitar o site oficial aqui.

District 9

Produzido por Peter Jackson, esta é uma nova aposta da sci-fi americana: mockumentary, ou seja, falsos documentários, com orçamentos reduzidos, sem estrelas, mas com publicidade viral e conceitos arrojados e efeitos especiais curiosos. Exemplo da publicidade é o site oficial, que se divide entre a versão para humanos e a versão para não-humanos, é divertido explorar.
Realizado por Neill Blomkamp, também ele na sua estreia, já havia trabalhado com Jacksom como assistente de realização numa curta (Crossing the line), esteve envolvido nos efeitos especiais do Senhor dos anéis e em várias séries de ficção-científica (Dark Angel, Stragate SG-1, Smalville).
O plot é estranho e misterioso, mas ao que parece, existe uma espécie de alienígena que se instalou no nosso planeta e é suportada pelo estado contra a vontade da população humana, criando-se um fosso de culturas; quem sabe uma metáfora para a discriminação racial, sexual e étnica.

$9,99

Verdadeiramente, este filme é de 2008, mas a estrear no nosso país só o será este ano, 18 de Junho é a data prevista. Produção Franco-israelita, o filme é uma animação de stop-motion da estreante realizadora Tatia Rosenthal.
A tag line é das coisas mais deliciosas: The meaning of life is in sale, Now!
Trata as vidas de um conjunto de vizinhos num bloco de apartamentos que buscam o sentido para as suas vidas, tendo como protagonista um rapaz que compra um livro sobre o significado da vida por 9,99 dollars, sendo que há ainda um homem com asas que é um pombo gigante.
Podem visitar o site oficial aqui.

Nine

Dos quatros, este é aquele pelo qual tenho um gosto especial.
Mesmo tendo como realizador e coreografo Rob Marshall que nos habituou a desilusões, entre elas Chicago e Memórias de uma Gueixa, este é possivelmente o melhor elenco que um filme pode alguma vez ter tido: Daniel Day-Lewis (que era para ser Javier Bardem), Marion Cotillard, Penelope Cruz (que era para ser Renée Zellweger), Judi Dench, Nicole Kidman, Kate Hudson, Sophia Loren e Stacy Fergunson (mais conhecida por Fergie).
O argumento é um labirinto, não no que respeita à narrativa, mas sim à sua origem: o argumento é da autoria do recentemente falecido Anthony Minghella e do não creditado Michael Tolkien, que se baseia no livro de Arthur Kopit, o qual se inspirava na peça teatral de Mario Fratti cuja inspiração se originou no filme autobiográfico de Federico Fellini, 8 1/2.
Segundo o imdb esta é a história de um realizador de cinema e das suas relações com a mulher, a amante, a musa, a agente e a mãe.
Nine (nove) provém do 8 1/2, mais um meio e estreia-se nos EUA a 25 de Novembro.

5.17.2009

Posters do Ano - V

Brüno


As peças vão-se lentamente juntando e no final teremos um filme que se espera tão bom ou melhor que o genial Borat; brincando com os preconceitos (primeiro racistas com Borat e agora Homofóbicos com Bruno), exagerando ao máximos os estereótipos que estão na base de tanta discriminação, mostrando que estes são descabidos.

5.15.2009

O Brando Movimento do seu Leque Chinês


Singularidades de uma rapariga Loira - leitura próxima, enquanto não acabo Amor de Perdição - é uma obra de primorosa perfeição. Há que fazer referência ao PRIMOR, porque só este adjectivo consegue transcrever uma perfeição como aquela que ficou registada em película para todo o sempre nuns míseros 64 minutos.
Oliveira é dono e senhor de si e do seu cinema; disso poucos poderiam ter dúvidas; no entanto eu sou o primeiro a admitir que nem sempre a forma dos seus filmes têm alcançado a mensagem por vezes deficitária nas suas narrativas: filmes que são impecáveis, de uma arrojo na montagem e no enquadramento, caiem por vezes numa forma estranha de (auto)contemplação que se perdia dentro de si mesma, veja se o caso de Francisca (independentemente se foi ou não o filme que o projectou internacionalmente), estrondoso como paródia social dos amores e desamores, mas que não tinha ritmo e tornava-se numa experiência penosa para o espectador; claro que são filmes como Vale Abraão que merecem destaque numa filmografia imensa.
Singularidades ... é um caso particular de humor, coisa rara em Oliveira ou sub-reconhecida, sarcástico, ácido, corrosivo, perspicaz e acutilante, este é um filme que nunca perde o espectador, que o agarra desde o primeiro segundo até ao fim, que concilia a magistral inteligência na adaptação à actualidade de um conto de Eça e o comentário politico-social (sou tão pobre como os bancos diz a certa altura Macário), equilibrando o desespero (das personagens) tão comum ao nosso autor com o sua característica perversão (sempre na forma feminina).
O que é mais admirável no cinema de Oliveira é a sua perversidade - daí que Belle Toujour fosse a maravilha que era - e este filme é um dos seus exemplos mais fulgurantes. O Brando Movimento do seu Leque Chinês, frase perfeita na descrição do filme; é este leque chinês, que vai e volta, torce e retorce, em movimento perpétuo contínuo, roçando a face de rapariga loira, que olha através das plumas azuis; é este leque que impregna em cada segundo que Catarina Wallenstein aparece uma sensualidade recatada pelas cortinas da sua janela, e é entre sucessivas ondas de pano e pluma que surge uma cabeleira Loura e um olho, que nos olha, a nós espectadores, como que nos hipnotizando na sua infinita pureza e perversidade.

Quando um Leque faz um filme é porque temos uma obra-prima comandada por um génio.

Como o senhor José Oliveira do Touro Enraivecido referia, há um travelling que não existe: foi oliveira que o inventou. Nesse instante o mundo desaba e só existem uns metros de película e uma tela na nossa frente, e depois chega a arpa. Toca. O mundo volta e o filme continua, para depois vir Luis Miguel Cintra declamar Caeiro em plano afastado, tendo em primeiro um jogo de cartas, quem faz isto, quem faz cinema assim, chama-se Oliveira e nunca será igualado.
Desde o inicio no comboio, em que as personagens à boa moda 'oliveiriana' nunca se olham nos olhos e numa imensa teatralidade libertam as suas falas, completamente desconexas no meio que as rodeia - a actualidade. Actualidade a qual é feita de computadores, e barulhos de carros por janelas abertas. A não actualização das falas de Eça, mas a actualização do meio envolvente à trama conferem ao filme um delicioso contraste entre o moderno e o antigo e reveste todas as sequências de uma noção de fábula ou conto, repudiando (felizmente) noções enjoativas de novo-realismo (Gomorra e Entre les Murs). O que se vê é literatura filmada, é ficção tal e qual; acreditar depende de nós e não da verosimilhança das representações ou dos diálogos.
Filma-se ali a cidade sempre com o mesmo plano, em vários momentos do dia, não é preciso outro, porque aquele é perfeito. Lisboa é tida aqui, como Paris era em Belle Toujour, como cidade imaginária, surreal, só possível num conto, sem espaço, nem tempo.
Poucas vezes se sentiu tanta compaixão com as personagens de Oliveira, a felicidade da paixão ou a tristeza da desilusão, nunca foram tão fortes num cineasta que se pauta pela racionalidade e frieza - um final em que um comboio se afasta deixando tudo em aberto é uma raridade no soturnismo do nosso autor.
Para terminar, lembrar que o filme é todo digital (e pensar que um senhor com 100 anos filma em HD e Spielbergh ainda não consegue), de um (primor) visual, de uma economia de meios (à boa moda do cinema português) mas sem nunca cair nas facilidades de se vender ao público por questões económicas de rentabilidade.

5.12.2009

Semelhanças - XXVII

Live and let Die - Baron Samedi

The princess and the frog - Witch doctor

P.S.: Imagem retirada do novo trailer do filme da Disney, que podem ver aqui.

5.11.2009

A Resposta

Desengane-se quem pensar que a resposta à pergunta elaborada anteriormente é dotada de algo digno de nota; nada há de conspirativo, nenhuma rede tentacular que controla toda a produção cinematográfica do mundo, nem mesmo a sorte (ou azar) de haver um certo indivíduo que por infinita impossibilidade probabilística conseguisse pertencer de alguma forma aos cinco filmes em questão.
Não!
A resposta centra-se em mim (coisa que dificultava o trabalho a todas as pessoas que não eu) e na minha experiência para com os filmes em causa; mais do que tê-los visto em salas de cinema comerciais pelo país, o éter ligante dos eventos foi o facto de em todas, e cada uma, das exibições eu ter estado completamente sozinho na sala escura - fui o único espectador da(s) dita(s) sessão(ões).
Provavelmente já vos terá acontecido (não creio que a 'sorte grande' me tenha calhado por cinco vezes e nunca tenha batido às vossas portas), se sim, ficaria curioso de saber em que filmes.

Tendo o conhecimento epistemológico do problema da indução: é me impossível fazer um enunciado verdadeiro, partindo de casos específicos (neste caso o meu), mas como o sentido não é a criação de conhecimento sustentado e científico, mas sim crítico e opinativo, não há problema de falaciar com conta, peso e moderação; não querendo com isto indicar que a falácia é comum aos meus textos. Prosseguindo, podemos notar (através de casos como o especificado ou através do estudo dos resultados de bilheteira) que tem havido uma diminuição no número de espectadores, proporcionalmente inversa ao número de filmes estreados a cada semana, cuja proporcionalidade é mais uma vez inversa (ou seja é directa em relação à primeira) ao tempo de exibição das películas (certos filmes não duram duas semanas em Lisboa - veja-se o caso de 'A Corte do Norte' do senhor Botelho).
O ano que passou foi bem sucedido para as distribuidoras a operar no nosso país, uma vez que os lucros foram em média superiores aos do ano anterior, isto devido, não ao aumento de espectadores, mas sim ao aumento do preço dos bilhetes.
Agora questiono-me: Será que a profusão de sessões (que vejo como muito vantajosas no meu caso que vou ao cinema de tarde) e a projecção em condições que o número de espectadores é ínfimo são as causadora do aumento anual do preço dos bilhetes?
Certamente que um indivíduo não pode suportar com 5 euros o funcionamento de uma máquina projectora durante duas horas e os respectivos funcionários do estabelecimento, daí o surgimento dos Multiplexs nos anos 70', mas não será melhor ser um pouco revivalistas (e pessimista, já agora) e pedir (por muito que custe) pelo hábito de devolver o dinheiro aos compradores, sempre que o seu número não for rentável, acabando por não haver sessão, mas reduzindo as despesas e mantendo os preços da bilheteira reduzidos, apesar de todas as desvantagens que uma deslocação falhada ao cinema envolve (?)

5.09.2009

O que é que estes filmes têm em comum?

A Outra Margem - Luís Filipe Rocha

U2 3D - Catherine Owens e Mark Pellington

Cztery noce z Anna (4 noites com Anna) - Jerzy Skolimowski

The Golden Compass - Chris Weitz

The Wrestler - Darren Aronofsky

Convido quem quer que seja que esteja a ler este post a descobrir qual é o denominador comum entre esta mistela de cinema indie e comercial, filme-concerto e cinema europeu, nomeadamente português. Aviso desde já que a resposta não é: terem estreado nas salas portuguesas nos últimos tempos, como seria de esperar.

A resposta será introduzida no post que se seguir a este e será o mote para uma reflexão sobre o estado da exibição de cinema nas salas portuguesas (já é uma pista).

5.07.2009

O Cepo


Gran Torino já foi visto, aqui pelo dono do estaminé, faz já algumas semanas, o que implica um desbotar natural da memória em relação ao dito, mas sempre que escrevo, gosto que se passe algum tempo, que tudo arrefeça e seja de cabeça fria que escrevo, o que quer que seja, para garantir uma certa idoneidade nas minhas opiniões; no que perdem em emoção e efusão, ganham em sentido e racionalidade.
Gran Torino (como podem observar na barra ao lado) é para mim o melhor filme que este ano já se viu em salas comerciais portuguesas (apesar de Singularidades de uma Rapariga Loura lhe estar a fazer concorrência). Como tem sido meu hábito, gosto de centrar a minha atenção num momento particular do filme que me tenha atingido pela perfeição técnica, criativa e poética do realizador, neste filme foi um momento ao qual chamaria: 'O Cepo'.

Quando o rapaz se quer redimir da sua tentativa de furto, fá-lo propondo-se como ajudante de Walt por uma semana, este não tem interesse nos serviços do dito, mas lembra-se que poderia levá-lo a fazer 'trabalho comunitário' recuperando uma casa degradada do bairro. Nada de especial se passa durante os momentos de bricolage, mas (e aí sim) aparece 'o' momento: durante uma grande chuvada (simbolismo da redenção e aprendizagem, sem qualquer ponta de cliché) o rapaz tenta sucessivamente e sem qualquer sucesso arrancar do solo um tronco de uma árvore morta. A metáfora é óbvia: o cepo, o velho (tronco) recusa-se a sair do seu sítio, persiste em manter-se como está, intransigente e racista; por mais força que se tenha, por mais que se tente, o cepo não sairá do sítio e Walt permanecerá; felizmente que o filme vai correr no sentido oposto.
O filme é (independentemente da cena referida, pois outras se poderiam nomear) uma das mais belas e didácticas obras de cinema, uma autêntica Lição de Vida para qualquer um e nomeadamente para um jovem como Thao, assim como eu. Raras são as vezes que se conciliam um aspecto social do choque de culturas tão profundo, a par de um retrato psicológico de um ex-combatente, associado a uma crítica social sobre a igreja e o modo como os filhos tratam os pais em idades avançadas, tudo isto envolvido em humor de rir à gargalhada (a cena do telefone com números gigantes ou a introdução do rapaz à linguagem de 'homem') e sobriedade que só o conhecimento de ancião pode criar, (e ainda) a desmistificação de Dirty Harry e todos os seus comparsas dos outros tempos de Eastwood.

Perfeito, maravilhoso, tocante, candido, inteligente, sóbrio, divertido, redentor, sentido, agudo e corrosivo (é melhor parar com os adjectivos).

5.06.2009

Um fim-de-semana alucinante

Peço desculpa pela ausência.
Desculpas não vou inventar para esconder o meu relaxamento.
O cinema sim! merece ser celebrado, não as minhas desculpas esfarrapas.
Celebrar o cinema foi então o que fiz no fim-de-semana prolongado que passou.
Obrigado Indie Lisboa pelos momentos.
3 dias, 8 filmes (nem todos no Indie, claro).























Seguem-se apontamentos soltos:

#3 dias (1,2 e 3 de Maio), 8 filmes (This is England, Dernier Maquis, Ricky, Singularidades ... , La Mujer sin Cabeza, Ashes of Time Redux, Amor de Perdição, Encounters at the end of the World)

#Mais do que os filmes que vi, foram os filmes que me passaram ao lado (Tokio Sonata, Ballast, Wendy and Lucy, La Belle Persone, Of time and the city, The pleasure of being robbed, Tony Manero, The Happiest girl in the world, Águas Mil, Ruinas, Waiting for Sancho, Breathless, Un autre homme, os de Herzog e de os Nolot)

#Adorei Ricky (que já está garantido nas nossas salas por uma nova distribuidora portuguesa de filmes independentes - Pantheon que também tem os direitos de Tyson e Dernier Maquis) filme que hei de falar aqui neste espaço, posso dizer no entanto que é daquele género que se gosta ou se odeio (um pouco à la Shyamalan), junta uma visão soturna e depressiva das vidas de trabalhadores fabris em França com a fantasia de uma criança com capacidades invulgares. Para mim um Primor. Em baixo à esquerda

#Tive o prazer de depois da exibição de Dernier Maquis conversar ( mais todos os outros espectadores na sala) com o realizador, Rabah Ameur-Zaimeche, que pertencia ao juri da competição internacional. Curioso e mais que tudo inteligente filme, realizador já experimentado no indie; conclusão: melhor do que ir ver às salas comerciais.

#O último documentário de Herzog (nomeado para os Oscar) é sublime - bem melhor que Man on wire, filme intenso mas vulgar - cheio de acidez social, cheio de ideais, cheio de humor, cheio de intimismo. Em baixo à direita

#O novo filme de Oliveira é uma nova obra-prima. EXTRAORDINÁRIO.

#Amor de perdição é um verdadeiro filme do meio, cheio de contenção, inteligência e exactidão, mas nunca reduzindo a sua plateia a conhecedores exímios ou adolescentes desmiolados; peça muito vendável sem nunca perder o que a caracteriza especificamente. Nunca cai no facilitismo do romance de cordel televiso, nem num tele-cinema sexualizado e incorporado por modelos e actrizes subaproveitadas. Pode não ter a garra que devia, mas vale muito a pena. É disto que Portugal precisa para reaproximar o público dos filmes nacionais - filmes que todos gostem. Em cima à direita

#Ainda não tenho 'palabras' para La Mujer sin Cabeza.

#Ashes of Time Redux é curioso, mas não mais do que isso. Para um realizador como Kar Way é um filme menor, mas para a maioria é uma pérola. Pena ter sido exibido por um projector digital com tão má definição. Em cima à esquerda

#Não gostei especialmente de This is England - a desilusão do fim-de-semana