2.22.2010

Curtas mas Boas - acção real

As cinco curtas nomeadas para o Oscar de melhor curta de acção real, depois das cinco curtas de animação.

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The Door de Juanita Wilson (trailer,oficial,imdb)
Esta é a estreia de Juanita Wilson nas artes da realização, no entanto já recebeu 4 prémios em festivais e círculos de críticos, entre eles o Irish Film and Television Awards, do qual podem ver os agradecimentos aqui.
O filme passa-se na Ucrânia (falado em russo) e centra-se na população moderna que ainda vive com as consequências do desastre de Chernobyl. Tudo começa com o roubo de uma porta, coisa absurda e que é mote para seguirmos o ladrão e compreendermos a origem da rapinação.
No link que leva o trailer, na verdade, podem ver dois clips do filme, que são mais do que explicativos.

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Istället för abrakadabra de Patrik Eklund (trailer,imdb)
O realizador que tem nesta, a sua terceira curta, tendo já realizado uma outra e iniciado o seu trabalho na televisão Sueca (país de Lar Von Trier e de onde veio o filme de vampiros revelação- Le The Right One In), que neste trabalho nos trás uma comédia sobre um jovem a quem é dada a oportunidade de entreter a família no aniversário do pai com os seus números de magia (se prometer arranjar um emprego e sair definitivamente de casa dos pais).
Vivendo da situação de anti-herói do protagonista, o humor surge maioritariamente da antecipação que se gera sobre o grande espectáculo.

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Kavi de Gregg Helvey (trailer,oficial,imdb)
Seguindo um pouco a onda se Slumdog Millionaire, esta curta foi filmada na Índia, em Hindi, e que retrata a vida de um rapaz (Kavi) nos trabalhos forçados a que a sua baixa condição social obriga. Gregg Helvely (que é aqui produtor, argumentista e realizador) trabalhou com a BBC e na feitura de documentários, daí que a sua curta (esta é a sua segunda, sendo a primeira um documentário sobre o poder da pornografia na intimidade) esteja banhada de um realismo documental cru.
A compra do DVD com o filme, produz um donativo de 30% para combater a escravização de crianças pelo mundo. Com esta curta, o realizador ganhou a medalha de ouro da Student Academy, assim como outros prémios em diversos festivais.

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Miracle Fish de Luke Doolan (oficial,imdb,completo)
Este é o único dos cinco nomeados, que temos o direito de ver na integra pelos caminhos obscuros da Internet. E seria de facto um crime se assim não fosse, filmes como este tem a obrigação de ser mostrados às pessoas, de uma delicadeza invulgar e recheado da mais saudável tradição americana (o síndrome Colombine e a própria organização da narrativa).
O realizador e argumentista Luke Doolan, tem vindo a ser montador de várias curtas (entre elas Spider que recebeu o prémio em Sundance na sua categoria), assim como director de fotografia em outras tantas. Esta é a sua terceira aventura e a primeira na área do drama (as outras duas eram comédias).
Miracle Fish, que tem ganho uma série de prémios em festivais do género (e não só), trata de um miúdo de 8 anos, que no dia do seu aniversário, vai para a escola como é seu costume, descrevendo os acontecimentos que decorrem nesse dia.

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The New Tenants de Joachim Back (trailer,oficial,imdb)
Tendo como protagonista Vincent D'Onofrio (e outros actores mais conhecidos da televisão), esta é a estreia do realizador Joachim Back, sendo que o seu argumentista Anders Jensen foi nomeado para esta mesma categoria por três vezes, tendo ganho uma delas (sendo também o argumentista do muito antecipado Brothers).
Num dia de mudanças, Jan e Zelko ocupam uma casa, onde todos os vizinhos são estranhos, desde o traficante de drogas, ao religioso, passando pelo adepto de armas de fogo. Naquele que será certamente o pior dia de mudanças, os novos donos do apartamento descobrem que todos os ex-proprietários morreram. Balanceado entre o drama e o humor negro (com toques de romance).

2.17.2010

Semelhanças - LIX

El Laberinto del Fauno (2006) de Guillermo del Toro

Clash of the Titans (2010) de Louis Leterrier

2.15.2010

Um filme feito de forma c(l)ínica

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Raras foram as vezes na história do cinema em que a fotografia de um filme foi tão decisiva como em Das weisse Band de Micahel Haneke, porque, como é comum, a fotografia é: por um lado apenas descritiva ou por outro esteticamente enquadrada numa conceito de belo que não sai da cepa torta do renascentismo helénico. Verdade seja dita, a beleza não passa (ou pelo menos não devia passar) pela vulgaridade das formas ditas pintadas, dos corpos e dos locais (por isto é que Bright Star não me convenceu, pois, por mais que quiséssemos deixar fluir a narrativa, cada enquadramento era uma tentativa reles de pintar uma bela e bucólica paisagem inglesa). Christian Berger (director de fotografia habitual de Haneke), tem por outro lado uma fotografia vazia em descrição e melhor que isso ausente da 'beleza' convencional.
João Lopes escrevia que este filme era de um realismo não descritivo e é por isso mesmo que a sua consistência na construção é sólida como o mais puro dos diamantes, polido em brilhante numa magnificência caseira e recatada.
Existe por isto um pressuposto ético na própria estética do filme, aquele preto e branco está lá por motivos éticos; para não nos ferir com o verde esburrachado da couves, ou o sangue esvaído, ou o cheiro de uma felação. O preto e branco está lá, daquela forma, para amainar, para revestir tudo e todos de uma fina camada de candura, de inocência; e por outro lado está, daquela forma, para nos dar a possibilidade de efabularmos como será que foi, que esteve, que cheirou. A própria direcção de Haneke está cheia desta ética, veja-se a cena da morte da camponesa (em elipse, assim como a tortura do filho do feitor) e o carpir do marido em plano único e fixo, mostrado apenas os pés, como se esses fossem a última ligação à terra. Claro que depois o miúdo vai espreitar a morte, mas filma-se com carinho e curiosidade infantil, assim como a (deliciosa) conversa sobre a morte e os seus significados, ou o cativeiro do pássaro [na imagem].
Haneke realiza este filme de forma c(l)ínica, tão fria, mas sem no entanto usar as imagens como forma de fazer andar a narrativa, muito pelo contrário, é o narrador que tem esse papel, poucas foram as vezes em que um narrador fez tanto sentido num filme. As imagens são neste filme um comprovativo (como dizer?), como se fossem as provas (de um crime), daí o realismo não descritivo, daí a frieza clínica, onde o narrador funciona como advogado de acusação (num filme que usa como base um crime na sua construção de 'policial'), juntando os elementos do crime; mais do que as imagens, é a palavra que tem sentido narrativo o que é sempre saudável, numa sociedade viciada em pixeis.
Deixo apenas mais uma nota à precisão da montagem (porque montar não é saber cortar, é sim saber quando não cortar) que consegue manter longos takes de vários minutos, sem nunca cair no exercício de estilo ou de exibição das proezas técnicas e estilísticas do seu criador.

P.S.:Cínico costuma ser usado depreciativamente, mas aqui usei a palavra no sentido oposto, pois queria dar a entender que há uma certa perversidade da parte de Haneke em fazer um filme aparentemente tão cândido, encobrindo a própria origem da maldade humana.

2.14.2010

Semelhanças - LVIII

O Pânico com Lagostas é sempre um bom acompanhamento para uma comédia - Annie Hall (1977) de Woody Allen

O Pânico com Lagostas é sempre um bom acompanhamento para uma comédia - Julie & Julia (2009) de Nora Ephron

2.12.2010

Curtas mas Boas - Animação

Como fiz o ano passado, e numa tentativa de não dar mais evidência aos filmes 'grandes' dos Oscars, apresento os nomeados ao Oscar de melhor curta de animação (literalmente pequenos, leia-se em duração), 5 filmes: um francês, outro irlandês, o seguinte espanhol, o quarto americano e o último britânico. Todos os filmes têm links que levam ao filme completo.
Se fosse eu a mandar dava o prémio a Logorama, se não a French Roast, mas para minha infelicidade, o grande concorrente é Wallace and Gromit - A matter of Loaf and Death (que é uma delícia, diga-se de passagem).
Dentro de dias publicarei um artigo semelhante, na categoria de melhor curta de ficção.

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French Roast de Fabrice O. Joubert (completo,oficial, imdb)
Este também de 2008, é sem sombra de dúvidas um dos melhores dos 5 nomeados, na linha da animação europeia e de um humor tão refinado como eloquente. Conseguimos ter em 8 minutos um enquadramento particular da crise económica actual, envolta numa moral, crente na bondade. Sem falas, tudo se passa dentro de um café, onde um senhor distinto não tem dinheiro para pagar o café, em vez de ser humilde e avisar que se esqueceu da carteira, prefere roubar uma velhinha. Sem dúvida um dos meus preferidos. Vencedor do Cordoba Animation Film Festival. O realizador Fabrice O. Joubert tem aqui sua primeira obra singular, apesar de ter participado nos departamentos de animação de filmes com O príncipe do Egipto, O Gang dos Tubarões, Spirit, Por água a Baixo e Wallace e Gromit - A Maldição do Coelho-Homem.

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Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty de Nicky Phelan (completo,oficial, imdb)
Esta é uma animação Irlandesa; divertida forma de encarar as fábulas clássicas e de inverter os clichés. Em vez de uma carinhosa avó que vem ler uma história para que o seu neto adormeça, temos uma avó resingona que obriga o seu neto a ouvir as suas histórias, apesar de ele estar apavorado com as mesma (não conseguindo mesmo dormir com o terror). A bela adormecida é o ponto de partida, só que a avozinha identifica-se com a bruxa má e dá-lhe uma outra dimensão, de renegada. É maravilhoso vermos a forma como se combina sem fricção a animção 2D com a 3D. Vencedor do Irish Film and Television Awards.

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La dama y la muerte
de Javier Recio Gracia (
completo,oficial,imdb)
Esta curta produzida com apoios do governo espanhol, é a prova de que o género está a crescer no nosso país vizinho, feito por alguns dos mesmos técnicos de Planet51, esta animação digital trata da luta entre a vida e a morte (ou melhor, entre o médico e a morte), tocando ao de leve em temas tão duros e frios como a eutanásia ou o suicídio assistido, sempre com um tom leve e divertido, sem falas, mas com uma incisiva aposta no requinte visual. Apenas falha (a meu ver) num excessivo humor que se encontra entre Bennie Hill e Looney Tunes.

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Logorama de Nicolas Schmerkin (completo 1 e 2,oficial,imdb)
Passou por Vila do Conde e pelo Cinemanima, ganhando nos dois prémios o prémio do público e no segundo o do júri. Apresentado em Cannes, esta é a primeira obra do realizador de videoclips Nicolas Schmerkin (Alex Gopher, Massive Attack, Goldfrapp, Röyksopp), que conta com a participação como actor de David Fincher. Um assalto, uma perseguição de carros, uma situação de reféns, um desastre natural, o fim da humanidade, tudo em animação e melhor que isso, tudo usando imagens marcas (Logótipos) como o boneco da Michelin ou o palhaço da McDonalds ou os bigodaças das batatas fritas. Consegue-se falar e forma acutilante da sociedade americana presa num capitalismo tétrico, mas ainda se dá um pozinhos de crítica política com uma reconstituição de Orleans depois do Katrina. Um filme fora de série, de uma originalidade inigualável. Para mim o vencedor por mérito. Os vídeos no youtube, andavam um pouco instáveis.

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A Matter of Loaf and Death
de Nick Park (completo,oficial,imdb)
Wallece and Gromit estão de volta, a Aardman Animations tem nesta dupla a sua imagem de marca, com a qual Nick Park já recebeu o Oscar de melhor longa animada (The Curse of the Were-Rabbit), dois Oscars por melhor curtas animadas (A Close Shave e The Wrong Trousers). A Matter of Loaf foi a curta vencedora nos Annie Awards o ano passado (destronando a curta da Pixar Presto). O link para o filme completo é o melhor que arranjei, mas não é grande coisa, demora muito tempo e no final temos direito à programação da BBC. Os vinte e tantos minutos da curta contam-nos a história de dois padeiros e da paixão de um deles pela figura promocional de uma marca de farinhas; uma divertida história de acção com explosivos e massa de pão.

P.S.: É curioso perceber que quase todas as curtas apresentadas têm o tema da velhice subjacente.

Semelhanças - LVII
























Duas 'mafiosas' revestidas de pelo: Esquerda temos Marion Cotillard (vencedora de oscar por La vie en Rose) em Public Enemies (2009) de Michael Mann e à direita Bryce Dallas Howard (a menina de The Village) temos em Manderlay (2005), sequela de Dogville, filme de Lars Von Trier

2.08.2010

Tomar atenção: 3 de 3

Numa época de prémios, que invariavelmente prestigiam os filmes comerciais, ou, que pelo prestigio, vão ter mais sucesso comercial, é importante virar os olhos para aqueles objectos mais longínquos, também vencedores de prémios, mas a uma escala mais pequena, e que por isso não recebem a visibilidade que outros títulos auguram.

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Only (rottentomatoes,imdb)
O quê:Um menino de 12 anos vive com os pais no hotel da família onde a sua relação com as pessoas é temporária como seria de esperar, até que um dia uma hóspede da mesma idade o cativa; aproveitando o único dia que poderão passar juntos, este casalinho vai construir uma amizade, partilhando segredos e descobrindo as convulsas estradas do primeiro amor.
Porquê: Apresentado em Toronto na penúltima edição e na secção competitiva de Slamdance do ano seguinte, este é a primeira longa da parelha Simon Reynolds e Ingrid Veninger (ambos actores, ele de filmes como Traitor ou Saw IV ela de objectos mais alternativos e de séries de televisão como a The Taking of Pelham One Two Three) a dupla é também argumentista nesta pequena gema com péssimo sucesso de distribuição. Filme de festivais e ciclos de crítica, foi seleccionado pelo prémio do público em alguns. Com sorte é seleccionado pelo Indie.

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Van Diemen's Land (imdb,rotten71,variety)
O quê: Em 1882 um grupo de homens foge da prisão para o meio do mato em busca de liberdade (e saindo de uma vida de trabalhos forçados no corte de madeira), só que o grupo não tem a capacidade de caçar a fauna local nem conhece a flora, sendo que, na impossibilidade de regressar, viram-se para o canibalismo. Ao que parece é uma história verídica nos primórdios de uma Austrália despovoada.
Porquê: Jonathan auf der Heide é neste filme actor, realizador, argumentista e produtor, apesar de ser a sua estreia em todas as áreas menos a da representação. O filme ganhou o prémio New Visions em Stiges e a crítica tem sido unânime em elogiar ao lado do argumentista que criou um ponto de partida corajoso e inteligente, apesar de alguns criticarem o facto de o filme cair em moralismos e vulgaridades cinematográficas. A Variety comparou-o a um certo cinema de Herzog no que diz respeito à concepção da natureza como personagem em si, a qual foi captada (ao que parece com grande destreza) pelo director de fotografia Ellery Ryan.

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Sin Nombre (imdb,rotten88,filmcritic2.5,variety,RogerEbert4)
O quê: Uma adolescente hondurenha sonha com uma vida nos estados unidos, para que esse sonho se torne realidade tem que entrar no perigosos mundo da emigração clandestina, acompanhada do pai e tio. Sendo que a sua mudança para o México é apenas o primeiro passo de uma atribulada viagem, onde um gang mexicano os assalta e onde conhece um dos jovens meliantes.
Porquê: Há uns dias atrás teria afirmado a pés juntos que este seria um dos nomeados pela academia na categoria de filme estrangeiro (a meu ver com Los Abrazos Rotos, La Nana, Das weise Band e Un Prophet) teria errado, no entanto, o interesse por esta obra que tem vindo a ganhar tudo e mais alguma coisa não esmoreceu. Nomeado para os British Independet Film Awards (melhor estrangeiro), Independet Spirit Awards (realizador, filme e fotografia), vencedor em Sundance de melhor fotografia e realização e vencedor de vários ciclos de críticos na categoria de melhor estrangeiro. O realizador estreante é director de fotografia e tem desenvolvido trabalhos nessa vertente (assim como guionista) em projectos da realizadora de Treeless Mountain (apresentado no episódio anterior desta rúbrica)

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Maria Larssons eviga ögonblick (imdb,rotten89,filmcritic3,variety,RogerEbert4)
O quê: Nos anos 60, na Suíça, uma mulher de um alcoólico e violento homem que apesar de tudo a ama, ganha numas rifas uma máquina fotográfica, sendo que através deste seu brinquedo consegue esquecer a sua vida de dificuldades e olhar o mundo com esperança.
Porquê: Este já é de 2008, mas como deste então nada se falou do dito, só me resta fazer a minha parte na divulgação. Nomeado (o ano passado) para melhor estrangeiro nos Globos, assim como nos Independet Film Awards, este é um filme de época de Jan Troel (que é argumentista e também director de fotografia neste filme) o realizador suíço de The Emigrants filme de 71 nomeado para o Oscar de melhor estrangeiro e melhor argumento original, vencedor de Urso de Prata por Il Capitano (1991) e de ouro por Ole dole doff (1968). O site cinema 2000 que tem os arquivos de tudo o que estreia ou é editado em dvd desde à quase 12 anos não tem qualquer registo do realizador, por isso esta seria uma oportunidade de dar a conhecer um realizador obscuro no nosso panorama comercial.


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Samson and Delilah (imdb,rotten100,variety)
O quê: Dois jovens aborígenes do deserto Australiano, depois de um desastre na sua comunidade isolada, fogem, para embarcar numa viajem de descoberta pessoal. Uma história de amor, crua e carinhosa. Vale a pena ler as críticas do rottentomatoes.
Porquê: Este é dos mais antecipados filmes do ano que cessou, principalmente depois Warwick Thornton ter ganho a Golden Camera (prémio de Cannes atribuído a primeiras obras de realizadores estreantes; Jim Jarmush, Mira Nair, Bruno Dumont, Porumboiu e Spike Lee são alguns dos premiados; o vencedor do ano anterior foi Steve McQueen com Hunger). O filme também ganhou Australian Writer's Guild e o Asia-Pacific Film Festival. Thornton já tinha ganho o urso de cristal (pela sua curta Nana) e uma menção honrosa da AFI Fest pela curta Green Bush.

2.07.2010

Semelhanças - LVI

The Old Mill (1937) de Wilfred Jackson

Sleepy Hollow (1999) de Tim Burton

P.S.:Podem ver no final deste excerto do making of de Sleepy Hollow o director artístico a dizer que nunca houve no cinema um moinho como o que Burton criou (é divertida a ironia). Fica aqui The Old Mill (uma das curtas da Disney, vencedora de Oscar)

2.06.2010

Conversa a dois

A propósito de uma publicação sobre as traduções dos títulos em Portugal, o blogger Daniel autor do recentemente falecido Fim do Mundo e do recentemente criado Critica Desconstrutiva fez a participação que se segue, dando origem a uma agradável e cordial conversa sobre o tema.

Daniel:

Realmente, é muito curioso o critério que tanta gente usa para dizer mal das traduções do que lhe aparece à frente. Ora imagine-se que há muita gente que pensa que traduzir bem um título é apenas decalcar para outra língua cada palavrinha que aparece! Nada mais absurdo. Pergunto-me se achas então que a correcta tradução para português de "All the boys love mandy lane" seria "Todos os rapazes gostam de mandy lane"?! Ou se calhar que "Borboleta numa roda" faria muito mais sentido! Bom, "Nuvem 9" diz quase tanto para um português como o título original em alemão "Wolke 9". É claro que traduzir não tem nada que ver com palavras, mas sim com significados. Traduzir deve ser encontrar a palavra (ou a expressão) da língua para onde se traduz que melhor capta o significado daquilo que o título original quer dizer. E, se virmos as coisas por esse prisma, muitas das traduções que dizes que são más, ou atentados, parecem perfeitamente adequadas. Poucas coisas devem ser tão más como traduções literais.

Ricardo:
a questão não é de perto nem de longe se os títulos captam ou não o significado, do filme na língua em que se traduzem (claro que em Portugal se achava que Buster Keaton era o Pamplinas e por isso qualquer filme seu, como The General tem o tristíssimo título de Pamplinas- O maquinista, claro que o publico identificava o personagem, transmitia a noção de que o filme tinha comboios, mas se esse fosse o objectivo, certamente que Keaton, não teria escolhido The General para título original), da mesma forma que as pessoas não traduzem os nomes umas às outras, as obras de arte (de cinema ou não), são produto de criação, como todos nós, e foram nomeadas pelo seu criador, com certo intuito ou simples acaso, não cabe portanto ao tradutor, desligar-se desse aspecto (onde o título faz parte inerente da criação artística - será por acaso que o último filme estreado de Mozos se chama 4 copas, podia muito bem ser qualquer coisa como amores cruzados, ou o jogo do amor, mas perdia-se a essência que o título incute na própria significação da narrativa.
Eu sou contra a Tradução de títulos de uma forma generalizada (prefiro sem dúvida o título original acompanhado de um subtítulo esclarecedor).
Mas tenho que concordar que uma tradução literal é tão má como uma aleatória, só que ao menos ficamos com a sensação que houve um cuidado em não adulterar a ideia do artista, por muito prejudicial que seja, pelo menos teve boa vontade.
Sou o primeiro a admitir que nem todos os casos que apresentei são assassínios, crimes ou brutalidades, mas todos, sem excepção, são exemplos de que muito melhor se podia fazer.

Daniel:
Que um título tenha um sentido por detrás e que ele venha de quem o escolheu para passar uma determinada mensagem, tudo bem, e não contesto isso. Agora, o que é certo, é que uma boa tradução é quase nunca uma tradução literal. O que eu estou a dizer é que a tradução deve ser feita para a língua de quem recebe a obra (no nosso caso é o português) de tal maneira que se conserve a intenção do autor em dar à sua obra o título que deu. E dou-te um exemplo muito simples para perceberes porque é que acho até mesmo estúpido não traduzir um título. Imagina o "Wolke 9". É um título alemão. Ora, em Portugal não há muita gente que saiba falar alemão, pelo que manter o título original é apenas uma forma de não informar as pessoas que não sabem alemão (que são a maioria!) do que é que consta no título do autor que, supostamente, foi escolhido pelo autor para simbolizar alguma coisa. Portanto, privam-se as pessoas, numa atitude elitista, de aceder a informação relevante. Bom, quando este exemplo é alargado a filmes chineses, japoneses, checos ou etc. estás a ver o ridículo que seria manter o título original! E mais, até mesmo manter um título original que seja em inglês é uma atitude elitista porque as pessoas que não sabem inglês não vão perceber nada, e muitas delas se calhar nem têm culpa disso! O cinema, como toda a cultura, deve estar construído de tal maneira que aproxime as pessoas em vez de as afastar, e a tradução para outras línguas faz parte disso. Mais uma vez, se traduzires "Spread" para "Espalhado", "Disperso", ou "Dado", certamente não vais passar para os portugueses o que o realizador queria dizer com "Spread" (que era simplesmente a noção de que havia um gajo que se "espalhava" por todas, ou apostava em todas); mas "Playboy americano" já passa essa mensagem entre nós. E a palavra "playboy" só resulta entre os portugueses porque é nome de revista, e sobejamente conhecida, porque senão também não dava.

Ricardo:
Devo começar por referir que lhe dou toda a razão no que a Spread diz respeito, e por esse motivo, quando ler este comentário, o título em causa já não fará parte da lista.
Fico feliz por perceber a ideia de que um título é escolhido por um autor com um intuito apertado e que essa parte da criação artística não deve ser renunciada.
E concordo, como é óbvio, que títulos chineses, checos, alemães e até ingleses sejam traduzidos, (no entanto) reafirmo a minha posição do subtítulo português (acompanhante do original). Lembro por exemplo The Fountain - O Último Capítulo.
No que diz respeito ao elitismo da não-tradução, só posso retorquir da seguinte forma: se alguém escolhe os filmes que vê simplesmente pelo título que lhes é atribuído, então se calhar tudo é elitismo.
Agradeço imenso a sua participação e a saudável argumentação (que tantas vezes falta na Internet) e pedia-lhe que me autoriza-se a publicar esta pequena conversa.

Daniel :
Ricardo, claro que te autorizo a publicar esta conversa (só agora é que vi a tua resposta, desculpa-me o atraso!). Mas não me podes é tratar por "você", que é coisa que eu detesto. É sempre um gosto conversar com alguém que nos escuta, e que esteja suficientemente disponível para discutir o que for preciso. Isso só revela a inteligência que há da outra parte! Agora, só uma nota final quanto ao elitismo (que tanto abunda por esta internet, e em especial, segundo tenho visto, pelos meios cinéfilos): por muito não-elitista que eu seja, vou sempre ligar ao nome dos filmes: primeiro, porque toda a gente os trata pelo nome e é assim que são conhecidos e difundidos, depois porque existem carradas de filmes e nós temos de nos orientar por algum lado, e finalmente porque existem tantos filmes e tantos realizadores, e sendo cada realizador um universo em si mesmo, era simplesmente impossível conhecer todos o suficiente para compreender tudo o que está por detrás de cada filme. Se a isto juntarmos a falta de tempo quotidiana para nós próprios, as exigências de um emprego (quando o há!), das pessoas com quem temos relações, da família, etc., as coisas complicam-se. E, mais a mais, nem toda a gente tem tempo livre e dinheiro para poder ir ao cinema ou sentar-se calmamente em casa a ver um filme, e menos gente ainda tem cultura suficiente para perceber Fellini ou Bertolucci, ou até o Manoel de Oliveira (porque não dizê-lo de uma vez por todas?!). Ou acham muito estranho que haja tanta gente a dizer mal do Oliveira? Nada mais natural! Então se a maneira de contar uma história é completamente diferente daquilo a que as pessoas estão habituadas, o natural é que estranhem! A questão é que a culpa nem sempre é das pessoas, como tantas vezes se esforçam por apregoar. Tenho eu culpa que sejamos bombardeados com a globalização económica, uma televisão publicitária, escolas militarizadas e desemprego em massa?! É que tudo isso age sobre as pessoas, quer elas queiram quer não, e a vontade em lutar contra todas estas máquinas que são bem maiores que nós não é toda a mesma para todas as pessoas. O que é importante não esquecer é que o mundo é bem mais vasto que a nossa cómoda situação, e que há muita miséria por aí...

Semelhanças - LV

The Ice Storm (1997) de Ang Lee

Revolutionary Road (2008) de Sam Mendes

P.S.:Estes dois filmes sobre uma mesma temática (a decadência dos valores americanos envoltos pela depressão do American way suburbano) partilham uma série de pontos estéticos, dramáticos e narrativos de extrema sensibilidade humana e não só o figurado em cima.

2.05.2010

Tomar atenção: 2 de 3

Numa época de prémios, que invariavelmente prestigiam os filmes comerciais, ou, que pelo prestigio, vão ter mais sucesso comercial, é importante virar os olhos para aqueles objectos mais longínquos, também vencedores de prémios, mas a uma escala mais pequena, e que por isso não recebem a visibilidade que outros títulos auguram.

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J'ai tué ma mère (imdb ,rotten,variety)
O quê:Um adolescente tem uma relação de amor/ódio com a mãe. Não consigo escrever muito mais, mas vejam o trailer que vale a pena e esclarece bastante.
Porquê: Xavier Dolan, canadiano, estreante nas artes da realização (onde também escreve e produz), este foi actor, participando em televisão e várias produções independentes canadianas (entres elas Martyrs, filme que passou no MoltelX); aparece agora com um filme (onde também é actor- principal) que arrasou os prémios da Vancouver Film Festival ganhando melhor filme canadiano, assim como em Cannes tinha ganho o prémio DCAD (da quinzena dos realizadores) e o Prix Regards Jeune, tendo passado por diversos festivais, entre eles São Paulo e Bangkok. Foi o filme escolhido como candidato aos Oscars pelo Canada.

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Trucker (imdb,rotten58,filmcritic2,variety,RogerEbert4)
O quê: Era uma vez uma camionista, mulher no meio de homens, com uma vida solitária pelos estados unidos , com relações fugazes em moteis e fechada no seu casulo (leia-se camião) e depois um ex namorado com o qual teve um filho adoece e tem que cuidar do seu filho de 11 anos durante a recuperação, jornada de descoberta interior, blá, blá blá, aquelas coisas que um certo cinema independente americano parece estar preso .
Porquê: Michelle Monoghan é a produtora deste filme que é a primeira obra do seu realizador e argumentista James Mottern. Ao que parece supôs que com este filme ganharia as graças da crítica e conseguiria sair da série de papeis secundários que a tinham condenado; por um lado temos (grande) parte da crítica a dizer que o filme é um melodrama inconsistente, cheio de clichés e cambalhotas narrativas, por outro lado temos Roger Ebert (o supremo crítico) a dar nota máxima à película. No entanto, parece que um certo olhar do realizador para com os hábitos de pequenas localidades e o retrato inicial da vida de um camionista são de extraordinária beleza e simplicidade.

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The Last Station (imdb,roten64,filmcritic2.5,variety)
O quê: The Last Station é uma adaptação do romance de Jay Parini, pela mão de Michael Hoffman, sobre os últimos tempos do escritor Leo Tolsty, quando, já depois de aceitação internacional da sua obra, gere no campo, o seu estatuto de génio literário, circundado de admiradores e da sua relação conflituosa, mas espirituosa com a mulher. O filme acompanha o secretário pessoal de Tolstoy e da sua relação com o génio.
Porquê: A crítica é unânime, este não é certamente o melhor filme alguma vez feito, nem nada que se aproxime, no entanto, é digno de nota, pela presença de Hellen Mirren (como mulher de Tolstoy) e de Cristopher Plummer (como Tolstoy, ambos nomeados para os Globos de Ouro pelos seus papeis nesta película e para os oscars). Serão mesmo os actores que sustentam o filme de época e sem folgo e repleto de artifícios (televisivos), entre eles Paul Giamatti e James Mcavoy (como Secretário).

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Treeles Mountain (imdb,rotten86,filmcritic4,variety)
O quê: Depois da mãe ter partido em busca do pai, as duas irmãs ficam a viver com a tia, sendo que o regresso da progenitora se daria quando as duas conseguissem encher um porquinho mealheiro, o porco enche-se e mãe não chega, a tia já não pode tomar conta delas e o seu destino vira-se para os avós que vivem no campo.
Porquê: Vencedor do prémio Ecuménico em Berlin e nomeado para John Cassavetes Award, este é uma obra que tem vindo a ter o melhor acolhimento da crítica. Realizado pela quase estreante So Yong Kim (realizou apenas In Between Days, pelo qual foi considerada uma artista em ascensão depois de ganhar o FIPRESCI em Berlim e o prémio especial do júri em Sundance), que produz e escreve, esta é uma realizadora de extrema velocidade produtiva, pois já acabou Chinatown Film Project e tem já outro trabalho na calha, tendo produzido dois outros entretanto.

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In the Loop
(Filmcritic3.5,Variety,Rotten93,imdb)
O quê: As tramas da política (trans-atlântica) na vésperas da invasão do Iraque, onde as forças e influências politicas têm mais que ver com as aparências na televisão do que o bom senso. Mais uma vez digo, veja-se o Trailer que diz mais do que eu consigo.
Porquê:Quando escolhi os 15 filmes que iam fazer parte desta lista, tinha posto Crazy Heart, porque não me passava pela cabeça, que ele fosse ganhar o globo para melhor actor (tirei-o), agora saíram os nomeados para os Oscars e In The Loop está nomeado para melhor argumento adaptado (na mesma categoria nos BAFTA e nos British Independet Film Awards, à semelhança de happy-go-lucky, também britânico, também moderadamente cómico), mas desta vez não o tiro. Já tem data de estreia nas nossas salas (com o título Em Inglês S.F.F.), no entanto quero apenas lembrar que este filme foi comparado a Dr. StangeLove e Spinal Tap. De uma acutilancia política e de um humor ácido - o argumentista é o mesmo de uma das mais delirantes Britcoms (entre outras) Peep Show. O realizador Armando Iannucci também vem da televisão (em facto esta é a sua primeira aventura no cinema), onde teve um programa com o seu nome.

2.04.2010

Notas de Rodapé

Olhando de frente para a lista dos nomeados aos Oscars deste ano, percebemos que se procederam as duas operações estéticas.

Primeira: o alargamento da categoria de melhor filme, que tinha como objectivo não excluir títulos (comerciais) que noutros anos haviam sido postos de parte (nomeadamente Dark Knight) que deste modo pretendiam atrair mais público; a coisa saiu furada, porque o grande sucesso do ano era nomeado à partida, ficou Distict 9 como parente pobre no top 10 (não aparecendo The Hangover ou Star Treck, que no entanto está nomeado numa série de categorias técnicas). Por outro lado este alargar tinha como objectivo mostrar ao público que a academia está atenta ao panorama cinematográfico e disso o top é bom exemplo, com a nomeação de Serious Man dos irmãos Coen ou An Education de Lone Scherfig. Lembrar ainda que a categoria de melhor filme animado também foi alargada de 3 para 5 nomeados, e na mesma proporção a categoria para melhor canção original.

Segunda: a concentração dos nomeados em meia dúzia de filmes (hábito que não é novo) e que vem contradizer a ideia de que a academia está atenta aos filmes que se fazem. Pois veja-se Moon que merecia uma nomeação para melhor argumento, banda sonora e actor, não apareceu se quer, Where the wild things are não apareceu em melhor guarda roupa ou maquilhagem ou lá como eles fizeram os bichos, Tetro não foi considerado para melhor fotografia, Ponyo não foi seleccionado para melhor filme de animação (no entanto um filme que ninguém conhecia, The Secret of Kells, foi nomeado, o que é sempre saudável), The Road não foi nomeado para melhor fotografia, nem Capitalism: A Love Story nem September Issue foram considerados para a sua categoria (não descurando os nomeados), da mesma forma, nem La Nana nem Los Abrazos Rotos foram nomeados (e eu nem gostei muito do filme de Almodóvar, lembrar que Espanha para além da nomeação de Penelope, co-produziu El Secreto de Sus Ojos e The Milk of Sorrow; sendo que The Lady and the Reaper é uma curta de animação espanhola que está nomeada) e a lista seria tanto mais extensa quanto maior fosse a minha memória e conhecimento. O que pretendo dizer é simplesmente que a academia acha que se nomear em grandes números (ainda para mais empatando o número entre os dois grandes concorrentes, vai aumentar as audiências, e se Cameron e Bigelow tivessem sido casados, isso é que era ...); é triste que em vez de se celebrar o cinema se festeje as audiências (lembrar que os prémios de carreira já não serão distribuídos com vista a encurtar a cerimónia - passam a ter uma entrega à parte), mais um sinal de decadência. Agora só há uma salvação, é não fazer a vontade ao senhor Cameron e de preferência premiar o grande Tarantino (sonhar não faz mal).

2.01.2010

Tomar atenção: 1 de 3

Numa época de prémios, que invariavelmente prestigiam os filmes comerciais, ou, que pelo prestigio, vão ter sucesso nessa área, é importante virar os olhos para aqueles objectos mais longínquos, também vencedores de prémios, mas a uma escala mais pequena, e que por isso não recebem a visibilidade que outros títulos auguram.

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La Nana (imdb,variety,rotten95)
O quê: Raquel é uma empregada, doméstica e ama de uma família há mais de 25 anos, passando a fazer (mais ou menos) parte da família, isto, até que uma nova empregada é contratada, e Raquel que era uma santa, mostra as suas garras.
Porquê: Nomeado para melhor filme estrangeiro nos Globos (e quase certo na mesma categoria dos Oscars, grande concorrente de Los Abrazos Rotos e Das weisse Band), vencedor de melhor filme e melhor actriz em diversos festivais e círculos de críticos, este foi vencedor do Grande prémio do jurí em Sundance (para o World Cinema) e prémio especial do júri para o desempenho de Catalina Saavedra. Além disto, um filme com uma tagline como: She's more or less family, vale a pena só por isso.

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The Messenger (imdb,rotten90,filmcritic3,variety,Roger Ebert3.5)
O quê: Acompanhamos um militar destacado para uma equipa que anda pelos estados unidos a dar as condolências às famílias dos militares mortos na guerra.
Porquê: Apresentado em Berlim, onde ganhou prémio da paz e leão de ouro para melhor argumento, ficou em águas de bacalhau até ao final do ano até ser estreado nos EUA onde tem vindo a ganhar grande notoriedade, com 3 nomeações nos Independent Film Awards, uma nomeação para os Globos e vencedor de melhor actor secundário e spotlight award pela National Board of review. Woody Harrelson tem vindo a ser o mais homenageado (apesar do realizador Oren Moverman ser digno de nota, que apesar de ser estreante nestas andanças, foi o argumentista de I'm not There), neste ano que é de ouro para o actor que depois do sucesso comercial de Zombieland e 2012, da antecipação de Defendor, este filme indie que lhe vai dar (quase certo) uma nomeação para o Oscar de melhor secundário.

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Humpday
(imdb,rotten79,filmcritic3.5,variety,RogerEbert3.5)
O quê: Dois amigos de faculdade reencontram-se passados vários anos e por uma série de eventos azarados, inscrevem-se num concurso de vídeos pornográficos; depois de muito pensar consideram que a única coisa que lhes resta fazer é ter sexo, apesar de ambos serem heterossexuais e um deles casado.
Porquê:Vencedor do prémio especial do Júri em Sundance (o ano passado) e nomeado para o prémio Cassevetes pelo seu realizador/argumentista/produtor Lynn Shelton. O filme tresanda (no bom sentido, se isso é possível) a comédia indie, filmada sem artifícios, baseia-se exclusivamente na química que os actores conseguem gerir; como é normal tenta-se brincar com os tabus de forma adulta e descomplexada (podemos pensar que é a versão indie e gay de Zack and Miri make a porno), retorcendo os clichés que quase automaticamente surgem no género. Lembrar apenas que o filme é em grande parte fruto de improviso. Tem andado nos calendários com data de estreia há mais de três meses, tendo sido adiado consecutivamente, quem sabe o indie lhe pegue.

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Bronson (imdb,rotten78,filmcritic3,variety,RogerEbert3)
O quê: Bronson é o nome do alter-ego de Michael Peterson, um jovem de 19 que vai parar à prisão e lá cresce para se tornar o mais perigoso presidiário inglês, sentenciado a 7 anos, passa lá 34, 30 dos quais na solitária. Acompanha-se um homem desequilibrado e a sua sede por notoriedade. O filme passeia-se pelo filme de terror, humor negro, gore, sendo no fundo um tratado sobre uma personalidade perturbada.
Porquê: Ao que se conta, Tom Hardy faz uma papel de partir paredes (literalmente), na pele de um presidiário louco; venceu melhor actor nos British Independent Film Awards. O filme foi nomeado para o prémio do Júri em Sundance o ano passado. Realizado por Nicolas Winding Refn (realizador da Trilogia Pusher) e que desde este filme já fez Valhalla Rising (apresentado em Toronto com pouca aceitação), este realizador pelo que se percebe tem um gosto especial por violência (gratuita ?), sendo que Bronson não é excepção.

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Panique au village (imdb,rotten86,filmcritic2,variety,RogerEbert3.5 )
O quê: A história de três bonecos de plástico, chamados vaca, cowboy e índio respectivamente, e das suas aventuras na sua aldeia, onde vivem numa casa rural que atrai todos os mais estranhos acontecimentos, entre eles o ataque de pinguins mecânicos. Tudo isto envolto numa história de amor entre o cavalo e uma égua. Há ainda que lembrar que todas as vozes do filme são aceleradas.
Porquê:Este é um filme sobre o qual tenho um interesse desmesurado, primeiro porque já estou farto de cinema de animação, todo repinocado (a pixar apesar de tudo é uma excepção), segundo, porque é fruto de uma liberdade criativa invulgar e de um humor invulgar (só alcançável pelo auxílio de drogas, creio eu). Sem actores famosos, sem história comoventes, sem efeitos de computador, um filme divertido e despretensioso. Ainda mais, é o primeiro filme de stop-motion apresentado em Cannes e vencedor do Audience Award no Fantastic Fest em 2009.

P.S.:Os títulos levam aos trailers