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8.24.2009

Cinema Português em Marcha: 1/6 - Introdução

Neste Bloco de 6 capítulos, serão apresentados um total de 15 filmes (longos) portugueses de realizadores nacionais a estrear ainda este ano ou no princípio do próximo, ordenados por ordem crescente de interesse (meu claro, o que torna subjectiva), sendo que espero não ter deixado nenhum título de fora. Apresentarei ainda 3 co-produções estrangeiras com o apoio português e ainda citarei 7 projectos que iniciarão a sua produção dentro em breve e que se espera estarem prontos para o ano, ou ainda para o outro.
Quanto às curtas metragens, publiquei recentemente um artigo sobre as curtas nacionais que se esperam que estreiem em sala este ano, fica só o acrescento: Arena de João Salaviza estreia dia 17 de Setembro, acompanhando a longa Taking Woodstock de Ang Lee (também apresentada em Cannes).
No Blog O Homem que sabia Demasiado, Victor Afonso escreveu sobre o facto de 2.6 milhões de euros terem sido distribuídos por quatro filmes (O Curioso Caso de Angélica de Oliveira, Operação Outono de Bruno de Almeida, Em Segunda Mão de Catarina Ruivo e Mistérios de Lisboa de Raul Ruiz), sobre o qual se iniciou uma pequena discussão sobre o cinema português e os apoios estatais, ao qual acrescentei o meu comentário que deixo a seguir:

Pois bem: quando se diz que o cinema português é mau, está-se a mostrar alguma ignorância, aceitável pela fraca e desconsiderada distribuição em sala dos filmes nacionais (lembremos o primeiro filme longo de Sandro Agilar -A Zona- que esteve só uma semana numa só sala em todo o país e por isso não chegou a ter mais de 500 espectadores).
Por outro lado, basta ver o último filme de Oliveira (Singularidades de uma Rapariga Loira) e perceber porque é que ele é o maior cineasta português, cheio de inovação e destreza narrativa, sem ceder ao facilitismo do populismo comercial (Lembro-me de Corrupção), mantendo o seu estilo e portanto dando alma ao filme (coisa que Michael Bay não deve saber se quer o que é, no entanto gasta 200 milhões nos seu último filme e ,pelos resultados das bilheteiras, o público parece adorar - com um orçamento daqueles, Portugal tinha dinheiro de sobra para apoiar o cinema nacional durante mais de uma década).
Tenho ainda que acrescentar que é também um mito a ideia de que novos cineastas não têm dinheiro: Vicente Alves do Ó acabou de filmar a sua primeira longa (Quinze pontos na Alma), obra com um orçamento de 900 mil euros, assim como João Nuno Pinto filmou a sua primeira longa (América) com um orçamento de 1.4 milhões, ou ainda Ivo M. Ferreira que filmou recentemente a sua primeira Longa (Águas Mil) ou ainda Marco Martins que vai na sua segunda longa (depois de Alice vem How to draw a perfect circle).
Acredito que haja espaço para todos, novos cineastas, grandes nomes (como Oliveira, Fernando Lopes, Vasconcelos, Paulo Rocha, João Mário Grilo, Botelho) e ainda para o cinema comercial (Contraluz de Fernando Fragata ou Uma Aventura na casa Assombrada de Carlos Coelho da Silva são filmes que chegarão dentre em breve às salas portuguesas).
Não me alongando mais devo acrescentar que de facto a atribuição de subsídios pelo ICA é irregular (vejam-se os filmes de Francisco Manso - A ilhas dos escravos e O Último condenado à morte- obras sem sucesso de público, nem crítico, nem em festivais, e no entanto tem apoios para um terceiro filme). Há que lembrar a criação do FICA administrado por uma instituição privada (lobbies ficam em casa) em colaboração com os canais televisivos de sinal aberto ou ainda as novas produtoras como Filmes Fundo ou Ukbar filmes que se têm vindo a destacar-se pela qualidade e ainda a existência de fundos internacionais como o Ibermédia para os países de língua portuguesa e espanhola.

Peço desculpa pela extensão do comentário, mas há coisas que me incomodam e dizerem mal do cinema português é uma delas.

7.13.2010

Cinema Português em Marcha: 1/23 - Introdução

Pelo terceiro ano consecutivo (1 e 2), faço uma antecipação dos filmes portugueses (este ano centrar-me-ei nas longas de ficção, mas haverá um artigo dedicado às curtas e documentários), este ano será o maior dos empreendimentos com 22 longas de 21 realizadores desde novas vozes na longa como Pedro Caladas e Paulo Rebelo a nomes consagrados como Paulo Rocha e Manoel de Oliveira.

Apesar do número surpreendente de produções poder dar a ideia errada, estes são momentos difíceis para o cinema português, depois do manifesto, da paralisação do FICA e agora com os cortes cegos do Ministério da cultura, 20% do PIDDAC, 10% do ICA e a alienação do património social do estado na TOBIS (adoro este eufemismo de privatização) o cinema nacional geme neste preciso momento com rodagens paradas, pós-produções em espera, sendo que muitos dos filmes que vos apresento poderão mesmo nunca chegar a estrear por os subsídios já contratualizados pelo estado nunca virem a ser pagos.

Há que compreender que o cinema em Portugal vive dos apoios estatais e será sempre não-lucrativo do ponto de vista unicamente financeiro, daí que seja de facto extraordinária a ideia peregrina de que se iria construir uma industria audiovisual sustentável com o FICA (não que eu seja contra o fundo, mas poucos são o filmes de lá vindos que merecem esse nome). No entanto a ideia de que o estado deve ser responsável pelo cinema é demagógica e perigosa (não esquecer que os júris do ICA não são propriamente imparciais e são de uma incompetência extraordinária a analisar orçamentos ou a justificar o porquê das suas decisões), há que acreditar no sector privado da mesma forma que o cinema do Brasil vem fazendo (lembrar que em Portugal a percentagem do PIB para a cultura é de 0.4% e no Brasil é de 1%), isto é, através de benefícios fiscais para as empresas que apoiem projectos culturais, sendo que a Petrobras é mesmo a maior 'produtora' de cinema no Brasil; cá caminha-se no sentido oposto, com a redução dos benefícios fiscais para os privados e empresas.

Um Funeral à Chuva, apesar de todas as suas dificuldades técnicas e do argumento, é sintomático de uma situação em que o desejo de fazer cinema é superior àquele que o estado tem de o apoiar e através de investimentos dos próprios e auxílios de inúmeras empresas do zona da Covilhã, surgiu um filme independente e despretensioso que conseguiu mais nas bilheteiras que muitas [trampas, leia-se 100 volta e Fascínio] obras financiadas.

Mas vamos aos filmes que é isso que importa, pão e circo.

P.S.:A partir de amanhã, e diariamente, será feita a antecipação, em 20 publicações, de 22 longas, ordenadas pelo interesse que tenho por elas (começa com as mais fraquinhas e vai aumentando), no final sairá um artigo sobre os documentários e as curtas mais antecipadas e depois uma conclusão.

8.26.2009

Cinema Português em Marcha: 3/6

11# O Assalto ao Santa Maria. Francisco Manso é um homem que desperta controvérsia, realizador de filmes de época como A Ilha dos Escravos e o recentemente estreado O Último Condenado à Morte, teve pelos três filmes que realizou apoios do ICA, no entanto os seus filmes não tiveram sucesso nem em festivais, nem por parte da crítica, nem se quer por parte do público. Então porque razão se continua a apoiar o seu cinema? Deixemos a resposta em branco, mas devo dizer que este poderá ser uma agradável surpresa.
Quanto ao filme em si, retrata um episódio histórico marcante da mitologia recente portuguesa, ou seja, quando Henrique Galvão ocupou um dos mais prestigiados paquetes turísticos portugueses na Venezuela e daí deu a conhecer ao mundo a opressão do regime Salazarista e Franquista. Com Carlos Paulo como Galvão, Leonor Seixas, Pedro Cunha e Victor Norte. Fica aqui uma visita às filmagens em Viana do Castelo (no navio/museu Gil Eannes) pelo Fotograma e aqui outra semelhante.

10# Quinze Pontos na Alma é o primeiro filme do realizador Vicente Alves do Ó, que depois de conhecer pela reportagem do fotograma, me parece um senhor com um ego maior do que é habitual no cinema português e que provocará polémica (diz que já está farto de filmes sobre pobrezinhos), argumentista de Kiss me, Os Imortais e Assalto ao Santa Maria. O seu filme retratará a elite lisboeta (os ditos elegantes) e as suas vidas que não são ausentes de sofrimento. Um filme que se fortalece na fotografia cuidada, nos decors ricos e no guarda roupa 'glamourouso', com a participação de Rita Loureiro e João Reis nos principais papeis, Ivo Canelas, Dália Carmo, Ana Moreira e Rui Morrison em papeis mais secundários. Podem seguir os dias de rodagem (que acabaram em Março) no blog do realizador: Desejo e Destino. O sitio da produtora fica ukbarfilmes.com

9# A Bela e o Paparazzo é o título do novo filme de António Pedro Vasconcelos, depois de Call Girl com Soaria Chaves, a amizade permaneceu e a actriz regressa como protagonista do filme, também com Marco d'Almeida (Equador) e com as participações de Nuno Markl (aqui fica a opinião do comediante no seu blog e aqui algumas das primeiras imagens) e Pedro Laginha. Segundo o realizador, que desde o primeiro dia de filmagens vem escrevendo sobre o filme semanalmente no jornal SOL, este é uma comédia romântica com o seu quê de Praça da Alegria, mas com coreografias em passadeiras, cachorrinhos queridos, anões e cozinheiros de sushi. Para uma melhor compreensão da trama, este excerto do Só Visto da rtp e ainda um outro vídeo da rodagem do Fotograma e ainda um extensa reportagem do ípsilon.

8# América, mas porque razão chamar América a um filme sobre Portugal? Pois bem: Portugal é a América dos pobres, o El dorado que acaba por ser um embuste, um sítio onde ficam presos aqueles que buscavam liberdade. Realizado pelo estreante João Nuno Pinto (publicidade), este é um projecto que já conta com 6 anos, adaptação de um guião de Luisa Gomes Costa, que conta uma história dramática e irónica sobre um Portugal de imigrantes. Com os portugueses Fernando Luis, Raul Solnado e Dinarte Branco, a russa Chulpan Khamatova, a espanhola María Barranco e o brasileiro Cassiano Carneiro, a banda sonora está entregue aos Dead Combo e a Fotografia a Carlos Lopes (Alice). Filmado na Cova do Vapor, este é uma co-produção (com orçamento de 1.4 milhoes) protuguesa (Filmes Fundo, Garage filmes e Ukbar filmes), espanhola (Morena Films, produtora de Che), brasileira (Dezanove) e russa (Urubus e 2Plan2), apoiada pelo ICA, pela RTP, pelo programa Ibermedia, pela ANCINE, pelo ICAA (espanha). Podem visitar a rodagem (que se iniciou o ano passado em Novembro) com este vídeo do Fotogrma

9.24.2008

Cinema português em Marcha (mas sem Pedro Costa)

Com a 'reentre' vem o cinema português à boca dos portugueses. Com excepção de Aquele Querido ... , o ano não nos trouxe nada de especial (a ilha dos escravos - mausito segundo a crítica-, The Lovebirds - um dos melhores portugueses dos ano segundo quem viu-, Lobos que não passava do simpático e o Cristóvão Colombo do Oliveira que também não vi mas que não chegava ao nível de outras obras mas que satisfazia as bocas mais sedentas), no entanto agora temos uma catrafezada de filmes (de ficção, que não sou muito dado ao documental) que vêm a caminho, estreando neste ano ou pelo menos para breve.

Para que a informação seja mais clara e correspondente ao meu pensar e ansiedade, coloco os filmes em duas fornada (simultâneas mas separadas no espaço virtual da página electrónica pelo paragrafo - esta frase ficou bonita), na primeira coloco os 7 filmes que tenho bastante interesse e na segunda coloco os 5 que tenho menos.

Fornada I

How to draw a perfect circle (o que mais interesse me desperta) de Marco Martins (Alice)


Entre os Dedos de Tiago Guedes e Frederico Serra (Coisa Ruim) apresentado no festival de cinema de San Sebastian

Os dois realizadores e Rodrigo Guedes de Carvalho (o argumentista deste e também de coisa Ruim) em primeiro plano

A Corte do Norte de João Botelho (Corrupção) esteve ou vai estar no New York Film Festival


A Arte de Roubar de Leonel Vieira (Zona J/ A Selva) trailer


Um Amor de Perdição de Mário Barroso (fotografo de grande parte dos filmes de Oliveira), o filme fez a abertura de Locarno e esteve em competição.


Singularidades de uma rapariga loura de Manoel de Oliveira

Edição recente do Livro no qual o filme se baseia (Livro de Eça) que é editado pela Guerra e Paz

A Mal Nascida de João Canijo (Sapatos Pretos/Noite escura) trailer apresentado em Veneza o ano passado na secção Orizzonti


Fornada II

Assalto ao Santa Maria (o que mais interesse me desperta nesta classe do menos interessantes) de Francisco Manso (Ilha dos Escravos)
O Último condenado à morte também de Francisco Manso
Amália (também me suscita algum interesse mas vou esperar mais algum tempo para apoiar ou não) de Carlos Coelho da Silva (Crime do Padre Amaro)
Second Life de Nicolau Breyner e Miguel Gaudêncio
O Contracto (Hitman à portuguesa) de Nicolau Breyner


P.S.: a ordem é aleatória, só o primeiro em cada fornada corresponde ao que mais interesse me desperta, não querendo dizer que isso aconteça com o que está em segunda posição, terceira e daí em diante.
Costa, Villaverde, Fonseca e Costa, Fernando Lopes entre outros não têm projectos planeados para breve, no entanto ouvi dizer que Lopes estava a preparar um tal de Sorrisos do Destino, mas não tenho qualquer confirmação.

8.25.2009

Cinema Português em Marcha: 2/6

15# A esperança está onde menos se espera é um filme de Joaquim Leitão sobre o qual li o ano passado por volta do natal, a semana passada, quando fui ver o filme do senhor Mann, deparei-me com um enorme cartaz (enorme não só para um filme português) publicitando a estreia já em Setembro. O sitio oficial é muito completo, só que o trailer é quase impossível de ver, por isso fica aqui o trailer do youtube. O trailer tem o narrador mais horrível da história do cinema português e tudo indica que isto seja um produção muito televisiva. Com Virgilio Castelo e Ana Padrão e uma trupe de jovens actores Carlos Nunes, Alcida Vaz e José Carlos Cardoso.

14# Quero ser uma estrela é uma produção da Marginal filmes e da TVI o que logo dá a entender um pouco do que poderá ser o filme. Realizado por José Carlos de Oliveira, trata das redes de escravatura sexual que são um problema crescente; filmado em Moçambique e África do Sul durante o mês de Julho e Agosto deste ano, prevê-se uma estreia para Dezembro. Com Dália Carmo no papel principal e vários actores Moçambicanos. Fica um vídeo de um programa da televisão moçambicana Fike com entrevistas durante o primeiro dia de rodagem.

13# Backlight, Fernando Fragata (realizador do Sorte Nula) volta com um filme mainstream, em inglês, com actores estrangeiros e com um género que atrai muita gente, um filme de acção apocalíptico, em que toda a humanidade corre o risco de se extinguir. Com Joaquim de Almeida, uma menina da televisão americana Skyler Day, outro menino do mesmo sítio, Scott Bailey. O trailer pode ser visto no sapo e o site oficial também mostra o trailer (o outro é mais rápido) e o poster.

12# Uma Aventura na Casa Assombrada, adaptação cinematográfica da série de literatura infanto-juvenil de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada que teve direito a umas séries televisivas e agora salta para o grande ecrã pelas mãos do realizador português, possivelmente de maior sucesso comercial, Carlos Coelho da Silva (Crime do Padre Amaro, Amália e alguns episódios da dita série). A história é relativamente fiel ao livro, tem que ver com um diamante inca com poderes mágicos que se esconde numa casa assombrada. Os protagonistas são formados nos Morangos com Açucar, mas são acompanhados de alguns nomes mais sonantes como Ricardo carriço, Ana Padrão, Sofia Grillo e Sandra Barata Melo. Fica aqui o storyboard das cenas incas, o sitio da Valentim de Carvalho Filmes (que se mostra na senda de produzir sucessos comerciais), ainda uma notícia do cinema-sapo e uma reportagem da sic (canal que apoia financeiramente o filme) sobre a rodagem do filme.

8.28.2009

Cinema Português em Marcha: 5/6

4# How to draw a Perfect Circle, o mais do que esperado regresso de Marco Martins, depois de Alice, o jovem realizador retorna à sala de cinema com um drama sobre a relação (também sexual) entre dois irmãos gémeos (Rafael Morais e Joana Verona - o primeiro fazia do irmão Manuel em Um Amor de Perdição e a segunda veio dos Morangos com Açúcar, tendo participado na Corte do Norte) e a forma como reagem ao desenvolvimento físico e intelectual de cada um. Com Gonçalo Waddington, Beatriz Batarda e Daniel Duval em papeis respectivamente de carteiro, mãe e pai. Podem ver o vídeo do cartaz das artes da Sic noticias, ou ainda ler os artigos sobre o filme do Jornal de Noticias, do Ípsilonflash e da reportagem do Ípsilon 1 e 2 e Diário de Noticias ou visitar o sitio da produtora Ukbar filmes.

3# Morrer como um homem, é a última obra de João Pedro Rodrigues, depois de O Fantasma e Odete, regressa com este filme sobre um travesti - Tonia- que luta pela mudança de sexo (para satisfazer o seu namorado). Esteve presente em Cannes, estará em Toronto e no New York Film Festival, abrirá o Queer Lisboa. Com Alexandre David e Gonçalo Ferreira de Almeida. O site da produtora Rosa Filmes nada adianta, mas enfim, fica aqui para quem quiser consultar.

2# Os Sorrisos do Destino é o regresso do grande Fernando Lopes, desta vez com uma comédia dramática sobre a história de um casal à beira da ruptura, em que o marido enganado descobre o amante da mulher e entre eles cria-se uma bela relação de amizade. O primeiro filme do realizador em Digital que tem como objectivo filmar a forma como as relações humanas são afectadas pelas novas tecnologias da comunicação (fica aqui um vídeo com cenas das filmagens e uma entrevista a Lopes sobre essa tal afectação pelo fotograma). Com Alexandra Lencastre, Rogério Samora, Ana Padrão e Rui Morison. O sitio da clap filmes tem alguma informação sobre o filme.

1# A Religiosa Portuguesa, primeiro filme em português de Eugéne Green (hà uns anos homenageado no Indie como heroi independente) é um senhor com uma ligação muito estreita a Portugal, propôs-se fazer uma adpatação aos dias de hoje de um dos clássicos da literatura, Cartas Portuguesas de Guilleragues, no entanto, uma nota do realizador no site da Som e Fúria, adverte que essa obra é só mais uma de muitas referências. Também nesse sitío podem ler uma sinopse do filme, ver 3 clip de video e consultar uma breve bibliografia do realizador. O filme passou dia 10 deste mês em Locarno com muito boa recepção. Com Leonor Baldaque, Ana Moreira, Beatriz Batarda e presença especial de Camané (clip 1) e Aldina Duarte. O filme conta a história de uma actriz que vem a portugal filmar uma adaptação do dito livro de Guilleragues (clip 3), no entanto fascina-se durante a sua estadia em lisboa por uma freira.

8.27.2009

Cinema Português em Marcha: 4/6

7# Águas Mil, foi o filme português que esteve quer na secção de competição nacional, quer internacional da última edição do indie, realizado por Ivo Ferreira que faz com este filme a sua segunda longa (depois de Em volta), retrata o pos-25 de abril de 74 abordando os acontecimentos que ficaram escondido pela euforia e alegria de uma revolução tão marcante para Portugal. O artigo do publico aborda o tema e explica que a trama trata de um jovem, na actualidade, que busca pelo pai desaparecido aquando da revolução. Com Gonçalo Waddington no principal papel. Fica aqui o site oficial com um pequeno trailer.

6# Duas mulheres é uma co-produção Luso-Brasileira com a Costa do Castelo filmes, realizado por João Mário Grilo, filme o qual pretende explorar a condição humana deste novo século: a predação, o canibalismo social. O filme será o primeiro de uma trilogia sobre a condição humana, realizada por Grilo. O filme conta a história de um bem sucedido banqueiro e a sua mulhuer que serve de acessório social em jantares e festas, a qual toma conta da sua insignificancia quando conhece um modelo, simbolo de tudo o que podia ter sido; daqui surge uma relação amorosa entre ad duas mulheres, até que o marido descobre. Podem ler uma sinopse no sitio da Castelo Lopes, ou a reportagem do DN, ou ainda ver o video que do expresso publicou sobre um dia de gravações. Com Beatriz batarda no principal papel, Joana Amorim, Virgilio Castelo, Nicolau Breyner e Sofia Grilo.

5# Olhos Vermelhos é o filme que marca o regresso de um dos nomes sonantes do novo cinema português (novo em 1963 quandro estreou Os Verdes Anos), Paulo Rocha. Este é um filme puzzle, como nos informa uma longa reportagem do ipsilon nas filmagens, que retrata aspectos da vida do realizador desde a sua infancia à actualidade. Uma co-produção Luso-brazileira com Isabel Ruth e Márcia Breia, filmado em Ovar, Arouca e Porto, que se prevê estar pronto no Outono. A história conta com um casal formado por uma portuguesa convertida ao islamismo e um iraquiano, uma professora que investe numa fábrica de calçado, e um conjunto de camponese de há dois séculos (que serão os antepassados de Rocha), sendo que as histórias de alguma forma vão desembocar na aldeia onde nasceu o paí do realizador (intrepertado por Chandra Malatitsch enquanto novo e o actor brasileiro Lima Duarte quando mais velho).

9.14.2009

Cinema Português em Marcha: O Anexo

Nos seis capítulos apresentados anteriormente (1, 2, 3, 4, 5 e 6), dei a conhecer 15 filmes portugueses (organizados por ordem crescente de interesse) e mais três co-produções estrangeiras.
Agora tomei conhecimento de mais dois filmes já terminados ou em fase de pos-produção que estrearão em breve: Cinerama de Inês Oliveira e Efeitos Secundários de Paulo Rebelo.

Cinerama é uma primeira obra de Inês Oliveira, realizadora da multi-premiada curta O Nome e o N.I.M. (Vison Globale, Grande Prémio do Festival de Angers, Melhor curta portuguesa em Vila do Conde, Prémio Revelação no 7º Festival Luso-Brasileiro), que agora se estreia nas longas com a produção da Clap filmes de Paulo Branco. Diogo Dória, Ricardo Aibéu e Sofia Marques constituem os protagonistas do filme que estará presente na secção competitiva para novos realizadores da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, sendo que a estreia se prevê para 2010. Depois do suicídio de um amigo, um conjunto de amigos querem que a empresa onde o amigo trabalhava assuma a sua responsabilidade pelo acontecimento, num gesto desesperado raptam o director da dita empresa; ao que parece a história não é linear e tudo se passa num mundo alternativo, por exemplo os estafetas da empresa em vez de entregarem as encomendas numa carrinha, fazem 'parkour' (fica aqui o depoimento do grupo de 'traceurs' que participou no filme como estafetas e ainda um vídeo disponibilizado pelo mesmo grupo com algumas cenas da rodagem).

Efeitos Secundários é também a primeira Longa de Paulo Rebelo, argumentista de O Fantasma e Odete, assim como o montador desses dois filmes de João Pedro Rodrigues, assim como de Terra Sonâmbula. Este é um filme apoiado pelo ICA e pela RTP e produzido pela C.R.I.M. (Christine Reeh e Isabel Machado são as fundadoras, às quais se juntou Joana Ferreira), para a qual este projecto também é a primeira longa, sendo que o filme era para estrear em 2008 e isso só virá a acontecer em 2010. O filme conta com as participações de Nuno Lopes, Maria João Luís e Rita Martins. A trama gira em volta de uma mulher, cabeleireira, viúva e solitária, que passa a vida a ajudar os animais abandonados (podem consultar a escola de cães - Azeicão - donde o cão-actor do filme vem, analisando o curriculum do snow-ball, na imagem), quando um dia decide ajudar um miúda (abandonada) seropositiva, deste evento criam-se uma série de complicações ajudadas pela romance com um pescador. No Making Of Europa, podemos ver um vídeo da rodagem, uma entrevista com o realizador, outra com a produtora, uma com a directora de fotografia e ainda duas com Nuno Lopes e Maria João Luís. Podem ainda ler uma entrevista ao realizador do Notícias do Norte onde nos é explicado que da mesma forma como Fassbinder transpôs Tudo o que o céu permite para Munique em O Medo come a Alma, Rebelo propôs-se a passar o filme de Sirk para a Costa da Caparica onde foi inteiramente filmado. O filme também foi selecionado para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A banda sonora está a cargo da jovem banda 'Os Tornados'.

7.18.2010

Cinema Português em Marcha - 6/23

16# Assalto ao Santa Maria/ O Cônsul de Bordéus, estes são os novos filmes de Francisco Manso, homem que desperta controvérsia, realizador de filmes de época como A Ilha dos Escravos e O Último Condenado à Morte, que sempre recebeu pelos filmes que realizou apoios do ICA, sem que, no entanto, os seus filmes tivessem sucesso em festivais, por parte da crítica ou por parte do público. Então porque razão se continua a apoiar o seu cinema?
Quanto ao primeiro, retrata-se um episódio histórico marcante da mitologia recente portuguesa, ou seja, quando Henrique Galvão ocupou um dos mais prestigiados paquetes turísticos portugueses na Venezuela e daí deu a conhecer ao mundo a opressão do regime Salazarista e Franquista. Com Carlos Paulo como Galvão, Leonor Seixas, Pedro Cunha e Victor Norte. Fica aqui uma visita às filmagens em Viana do Castelo (no navio/museu Gil Eannes ancorando em Viana do castelo onde toda a rodagem decorreu) pelo Fotograma e aqui outra semelhante. Produzido pela Take 2000 com apoios do ICA, MC, FICA, RTP e TVGaliza.
O segundo é co-dirigido com João Correa (um dos argumentistas) e tem como figura história o diplomata Aristides de Sousa Mendes, aquele que salvou milhares de judeus falsificando documentos para que estes pudessem fugir aos nazis. Também com Victor Norte, o filme teve rodagem em Outubro do ano passado. As noticias são por demais (Público, JN, IOL, CM, Câmara Municipal de Viana do Castelo, Mundo Português).
Orçamentado em 3 milhões de euros (vindos do ICA, RTP, MC, ICAA, IBERMedia e produzido pela Take 2000), usando mais de 1200 figurantes, filmado em Viana do Castelo, Bordéus e na fronteira entre França e Espanha, esta é uma grande produção que deveria já ter estreado, para assinalar em Junho os 70 anos do episódio retratado.

8.03.2010

Cinema Português em Marcha - 22/23 (Curtas e Docs)

Para começar há que explicar que se a informação sobre as longas já é escassa, para as curtas (e documentários) é absolutamente inexistente, daí que daqui sairá apenas uma lista de títulos a tomar em consideração.

Curtas:
Da esquerda para a direita: Vicky and Sam, Senhor X, Os Olhos do Farol, Pickpocket, Voodoo

Manhã de Santo António de João Pedro Rodrigues (o brilhante realizador de O Fantasma e de curtas como Parabéns! e China China)
Canção da Manhã de Cláudia Varejão (a realizadora das curtas, Um dia Frio e Fim-de-Semana)
Voodoo e Mercúrio de Sandro Aguliar (realizador da longa, A Zona e de curtas como Corpo e Meio; Voodoo esteve no Indie e Mercúrio em Vila do Conde)
Na Escola de Jorge Cramez (realizador da maravilhosa longa, O Capacete Dourado)
Senhor X de Gonçalo Galvão Teles (realizador de Antes de amanhã)
Vicky and Sam de Nuno Rocha (realizador da curta 3x3 que ganhou o prémio Zon que incluia um ano de estudos nos Estados Unidos de onde surgiu este trabalho)
Os Olhos do Farol de Pedro Serrazina (realizador de Estória do gato e da lua)
Pickpocket de João Figueiras (realizador de Paisagem Urbana com Rapariga e Avião, mas que é o produtor do mais recente trabalho de Pedro Caldas)
Nenhum Nome de Gonçalo Waddington (primeira obra para o conhecido actor)
[Rafa seria o próximo trabalho de João Salavisa, mas segundo o próprio, o seu seguinte projecto é já uma longa]

Docs:
Da esquerda para a direita: Cidade dos Mortos, Pelas Sombras, Sem Companhia, 48

48 de Susana de Sousa Dias (vencedor do Festival Cinéma du Réel)
A casa que eu quero de Joana Frazão e Raquel Marques (presente no segundo Doc_Europa)
A Cidade dos Mortos de Sérgio Trefaut (do realizador de Lisboetas)
100 Mil Cigarros de Pedro Costa (do consagrada realizador de Casa de Lava, No Quarto de Wanda, Juventude em Marcha e do documentário Ne Change Rien)
José & Pilar de Miguel Gonçalves Mendes (filme de abertura do DocLisboa deste ano)
Sem Companhia de João Trabulo (produtor de Fantasia Lusitana do Canijo e Tebas do Rodrigo Areias)
Pelas Sombras de Catarina Mourão (Vencedor do prémio do Público no último Indie)
A Última vez que vi Macau de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata (ambos os realizadores tinham rodado a curta China, China já sobre a comunidade asiática de Lisboa)
Lisboa Domiciliaria de Marta Pessoa (realizadora da curta Dia de Feira)
Guerra ou Paz de Rui Simões (realizador de documentários como os 'clássicos' Bom Povo Português e Deus Pátria Autoridade e o recente Ilha da Cova da Moura)
Singificado - A musica Portuguesa se gostasse dela própria de Tiago Pereira (o único que vi e sobre o qual escrevi aqui)

8.02.2010

Cinema português em Marcha - 21/23

1# Embargo. O filme português mais antecipado do ano está previsto para estrear a 30 de Setembro; no King Triplex já estão afixados posters e o trailer já passa nas salas. O filme foi apresentado em Janeiro no Fantas (faltava à data o trabalho do som) sendo que ficou pronto em Abril deste ano, passados mais de 6 meses não só a informação abunda (FaceBook, Twitter, IOL, JN, Diário de Coimbra, Rua de Baixo) como o mercado estrangeiro começa a olhar para o filme com curiosidade (o Twitch film fez um artigo sobre o filme, comparando-o aos filmes dos Coen); aconselho a visita ao sitio oficial, ao contrário da maioria dos projectos nacionais este é deveras completo, traduzido em várias línguas, com vídeos, galerias de fotos, biografias dos envolvidos, entre outros. [e já agora o sítio da produtora].
Este filme tem uma série de pontos positivos, a começar pelo facto de receber do estado um minúsculo apoio destinado a uma curta (43 mil euros, comparando com os 700 mil euros do último filme do Oliveira), tem um orçamento total de uns míseros 250 mil euros (o dinheiro vem em parte de Espanha pela Vaca Filmes e do Brasil pela Diler & Associados e claro está, Portugal pela Persona non grata Pictures e pela Zed Filmes) e a sua produtora não está nem em Lisboa nem no Porto, descentranlizando os centros de produção nacional para Coimbra (mais propriamente Cernache). Além disto, este é um filme realizado por António Ferreira que depois da longa (para televisão que acabou por passar positivamente nos cinemas) Esquece tudo o que te disse e da multi-premiada curta (que também passou em sala) Deus não quis - maravilhosa se me é permitido frisar, tem agora a sua segunda longa adaptada de um conto de Saramago, projecto que vem elaborando desde os tempos de estudante e que com a greve dos camionistas em 2008 lhe pareceu ser mais actual que nunca.
A história de Saramago é curtíssima, por isso a longa será algo mais complexo; a descrição oficial apresenta-nos um homem, Nuno (Filipe Costa) que inventa uma máquina que revolucionará a industria do calçado, só que fá-lo numa crise petrolífera quando por algum motivo estranho se sente incapacitado de sair do seu carro. [Podem ver o trailer e o teaser]
Podem ainda ver uma visita à rodagem feita pela equipa do Fotograma, ver uma extensa entrevista de meia hora (em três episódios, 1,2,3), ler uma entrevista com o realizador para o ípsilon, uma crítica da Visão e ainda ver o videocilp de uma música que J. P. Simões fez para para o filme.

7.27.2010

Cinema Português em Marcha - 15/23

7# Trans-Europa é a primeira aventura na ficção do Franco-Português Brasileiro Sérgio Trefaut, realizador de Lisboetas (melhor filme nacional de 2004 no Indie), que se mantém no tema da emigração, mas agora pelos desempenhos de Maria de Medeiros (que foi colega de liceu de Trefaut) e Isabel Ruth; a história é inspirada na experiência da professora de russo do realizador, mulher ucraniana, que em 1998, vem passar o natal com o marido senegalês, ambos médicos, que trabalha em Portugal na construção civil, só que por uma série de mal entendidos, ninguém fala russo e a mulher não fala português, acaba por ficar retida no aeroporto durante mais de 36 horas até ser obrigada a embarcar para um país que não o seu (Rússia) em Business Class (era para ser este o título original), pagando do seu bolso a viagem.
O filme foi rodado maioritariamente em Serpa, localidade querida de Trefaut, onde se organiza o Doc's Kingdom e que providenciou estadia, alimentação, transporte e acesso aos edifícios da câmara para as filmagens. Grande parte do aeroporto é de facto a biblioteca municipal de Serpa, que por ser um edifício novo, minimalista, branco, quase asséptico, era o ideal para o realizador, que tenta criar um ambiente em que tudo o que é externo às personagens seja reduzido, para que as emoções venham ao de cima mais puras; segundo o próprio realizador, as fotografias de Richard Avedon, nomeadamente o livro In The American West, foram as maiores influências estéticas.
Com um director de fotografia Brasileiro (Edgar Moura - Jaime, A Outra Margem), Maria de Medeiros que fala seis línguas e teve que aprender russo para este papel, Makena Diop que faz de marido, Lyubyy Mekhaylo que já vinha de Lisboetas, a multicultaralidade é uma marca forte que artigo da visão evidencia.
"É um filme que tenta mostrar como todas as personagens que vivem dentro de uma rotina e convencidas de que estão certas, às vezes, sendo até muito simpáticas, podem destruir a vida de outras pessoas. Sem consciência e apenas pela obediência ao ritmo dos outros, às hierarquias e às funções"; estas são as palavras de Trefaut em relação à inspectora da polícia, papel desempenhado por Isabel Ruth.
Fica ainda um artigo do Alentejo Popular e uma reportagem do Expresso que inclui um vídeo com cenas da rodagem.

7.28.2010

Cinema Português em Marcha - 16/23

6# Olhos Vermelhos é o filme que marca o regresso de um dos nomes sonantes do novo cinema português (novo em 1963 quando estreou Os Verdes Anos), Paulo Rocha. Este é um filme puzzle, como nos informa uma longa reportagem do ípsilon nas filmagens, que retrata aspectos da vida do realizador desde a sua infância à actualidade. Uma co-produção Luso-brasileira com Isabel Ruth e Márcia Breia, filmado em Ovar, Arouca e Porto, que se prevê estar pronto no Outono. A história conta com um casal formado por uma portuguesa convertida ao islamismo e um iraquiano, uma professora que investe numa fábrica de calçado, e um conjunto de camponeses de há dois séculos (que serão os antepassados de Rocha), sendo que as histórias de alguma forma vão desembocar na aldeia onde nasceu o pai do realizador (interpretado por Chandra Malatitsch enquanto novo e o actor brasileiro Lima Duarte quando mais velho).
Produzido pela Gafanha Filmes, este filme recebeu o apoio do ICA (no valor de 600 mil euros) em 2008 conjuntamente com o Religiosa Portuguesa e Duas mulheres (estreados este ano), assim sendo espera-se para breve a estreia.

7.23.2010

Cinema Português em Marcha - 11/23

11# 15 Pontos na Alma é o primeiro filme do realizador Vicente Alves do Ó, que depois de conhecer pela reportagem do fotograma, me parece um senhor com um ego maior do que é habitual no cinema português e que provocará polémica (diz que já está farto de filmes sobre pobrezinhos), argumentista de Kiss me, Os Imortais e Assalto ao Santa Maria. O seu filme retratará a elite lisboeta (os ditos elegantes) e as suas vidas que não são ausentes de sofrimento. Um filme que se fortalece na fotografia cuidada, nos decors ricos e no guarda roupa 'glamourouso', com a participação de Rita Loureiro e João Reis nos principais papeis, Ivo Canelas, Dália Carmo, Ana Moreira e Rui Morrison em papeis mais secundários. Podem seguir os dias de rodagem (que acabaram em Março do ano passado) no blog do realizador: Desejo e Destino.
Produzido pela Filmes do Fundo com apoios do ICA, MC e RTP, o filme trata de uma Simone que conhece o amor da sua vida momentos antes deste tentar suicidar-se e da relação que daí se estabelece. Podem consultar a página do FaceBook do filme e ver este, este ou este teaser.

7.17.2010

Cinema Português em Marcha - 5/23

17# O Barão, novo filme de Edgar Pêra, realizador na área do vídeo com filmes como A Janela (nomeado para uma série de Globos de ouro incluindo melhor filme) e Homem Teatro ambos seleccionados para o festival de Locarno, Movimentos Perpétuos (melhor longa portuguesa, prémio do público e melhor fotografia no Indie) ou Rio Turvo adaptado de um livro de Branquinho da Fonseca e seleccionado para o Indie e Fantas. [Podem consultar a filmografia do realizador, o seu canal do youtube ou na BlipTv, nos quais podem ver excertos e algumas curtas].
O Barão é também uma adaptação de Branquinho da Fonseca, de um conto homónimo e de outro, O Involuntário; a adaptação é de Luisa Costa Gomes e o filme conta com 900 mil euros para (sempre em estúdio, o que é raro no cinema português) contar a história de um inspector que vem investigar os estranhos comportamentos de uma professora e é arrastado para os domicílios do Barão, homem poderoso da zona. A descrição dá a entender uma obra surrealista com tunas e rituais dionisíacos.
Produzido pela Cinemate com apoios do ICA e da RTP, foi filmado em Setembro da ano passado, o filme conta com Nuno Melo no papel de Barão. A antena 1 fez uma reportagem que podem ouvir aqui, assim como o DN.

7.29.2010

Cinema Português em Marcha - 17/23

5# Sangue do meu Sangue; falar deste filme é falar da situação actual de contenção, uma vez que esta foi a primeira e mais visível consequência da redução de 20% do PIDDAC e da redução dos apoios do ICA em 10% para todos os contractos de 2010, pois à sexta semana de rodagem (e com mais duas em falta) o terceiro pagamento do ICA (no valor de 100 mil euros) não chegou e a Midas viu-se obrigada a interromper a rodagem e deixar em águas de bacalhau 46 profissionais entre actores e técnicos. [nos últimos tempos, pelas notícias que ouvi, pareceu-me que a retoactividade dos cortes foi deixada, assim sendo só novos contractos terão o dito corte de 10%, deste modo estou em crer que a rodagem continuará]
João Canijo, o realizador de Noite Escura, Sapatos Vermelhos, Mal Nascida, Ganhar a Vida e Fantasia Lusitana, tem neste filme um projecto com mais de dois anos, escrito em 2008, o argumento foi ensaiado com os actores nessa altura e desde então vem sendo re-escrito e re-ensaiado, o filme conta com uns habitués de Canijo, Rita Blanco, Anabela Moereira e Fernando Luís, assim como Nuno Lopes e Rafael Morais. Tudo se passa no Bairro Padre Cruz (numa casa cedida pela GEBALIS), uma família pobre ("Pareceu-me uma evidência que num meio social onde a luta pela sobrevivência ocupa o tempo todo, não há reflexão consciente sobre os sentimentos, não há uma elaboração intelectual. Donde, os sentimentos saem de uma maneira mais visceral. Daí a escolha da classe social, de um bairro suburbano" ) composta por uma mãe (de dois filhos) e sua irmã, uma é cozinheira e outra cabeleireira, a filha estuda enfermagem e trabalha como caixa e o filho é um traficante de pequena monta, tudo se complica quando a filha se apaixona por um professor (podem ler a sinopse completa no blog do filme).
"Canijo explica que o projecto inicial era um díptico: dois filmes ligados [Sangue do meu Sangue, Sangue da minha Alma], cada um centrado em diferentes elementos da família do subúrbio - um na relação mãe e filha, outro na relação tia e sobrinho (Anabela Moreira e Rafael Marques). No final, uma montagem dos dois filmes resultaria numa série de televisão de quatro episódios. A proposta foi apresentada à RTP, que nunca respondeu, e ao FICA (Fundo de Investimento do Cinema e Audiovisual), que está deficitário, devido a problemas de gestão. Por falta de investimento, o realizador abandonou a ideia."
Podem ainda ver estas imagens da rodagem e ver a reportagem do Janela Indiscreta [a partir do 15º minuto].

7.20.2010

Cinema Português em Marcha - 8/23

14# Águas Mil foi o filme português que esteve quer na secção de competição nacional, quer internacional da edição do indie de 2009 (antes desta estreia nacional, tinha já passado em Roterdão), realizado por Ivo Ferreira que faz com este filme a sua segunda longa (depois de Em volta), retrata o pos-25 de Abril de 74 abordando os acontecimentos que ficaram escondido pela euforia e alegria de uma revolução tão marcante para Portugal. O artigo do publico aborda o tema e explica que a trama trata de um jovem, na actualidade, que busca pelo pai desaparecido aquando da revolução, pelas palavras do autor "Essa fatia da história foi eclipsada. A Revolução dos Cravos foi uma grande festa que deu uma grande ressaca, e eu queria saber o que se construiu depois disso". Com Gonçalo Waddington no principal papel. Fica aqui o site oficial com um pequeno trailer, entrevista ao realizador e fotografias do filmes, assim como a conta do Twitter do filme e uma reportagem da SIC aquando das filmagens da manifestação anual na Avenida da Liberdade.
Produzido pela Filmes do Tejo II com dinheiros do ICA, MC e RTP, foi rodado no Alentejo, em Espanha na zona de Almeria, em Vila Real de Santo António, na Costa da Caparica e em Lisboa.
O filem era suposto ter estreado em sala pouco depois da passagem pelo indie, passou um ano, mais um 25 de Abril e ainda nada, se calhar só para o próximo.

8.29.2009

Cinema Português em Marcha: 6/6 - Co-produções estrangeiras e Longshots

O Último Voo do Flamingo, é um livro de Mia Couto que agora recebe a sua conversão cinematográfica. João Ribeiro, realizador moçambicano dirige esta adaptação, depois de um curta (Tanzana) que já adaptava um conto do mesmo autor e de produzir A costa dos Murmurios. Um thriller sobre a morte misteriosa de combatentes da ONU que pretende reflectir o que foi (e é) Moçambique depois da guerra civil. Co-produção (com arçamento de 1 milhão) entre Moçambique (State One), Portugal (Fado filmes, ICA, RTP), Espanha (Potenza Films), França, Brasil (Videofilmes de Walter Salles) e Itália (Carlo d'Urzi Produzione). Iniciou as rodagens este ano em Março e espera-se que esteja pronto antes do final do ano. Adaptado pelo português Gonçalo Galvão Teles, esta é a segunda longametragem filmada em Moçambique por um moçambicano depois da independência. Para mais informações fica aqui o forum DVD Manias.

Cendres et Sang, é o primeiro filmes da actriz francesa Fanny Ardant (8 femmes), escrito por ela e por Paolo Sorrentino (escritor e realizador da comédia italiana Il Divo), foi um dos filmes seleccionados para Cannes fora de competição. Co-produzido por França (arte, Hirsh, DD Produtions), por Portugal (Alfama filmes do Paulo Branco) e Roménia (Libra Films). Trata da história de uma mulher, separada da sua familia desde que se exilou depois de assassinar o seu marido, que regressa a custo aos seus filhos a propósito do casamento de um deles, sendo que as rivalidade precistem. O sitio oficial contem dois clips, uma pequena galeria de imagens, um sinopse e uma entrevista com a realizadora.

No Meu lugar, primeira longa do crítico brasileiro Eduardo Valente, apresentada em Cannes, 7 anos depois de lá ter ganho o premio da Cinefundation com a sua primeira curta (podem ver aqui uma conversa com o realizador à altura e agora em 2009). Uma co-produção Brasil (Videofilmes e Petrobrás) e Portugal (Fado Filmes), com apoio do ICA. O filme conta a história de um polícia que durante uma situação de refens compreende que as suas acções terão profundas consequencias na sua vida e de mais 2 familias. Fica aqui o Trailer do filme que em Inglês tem o título Eye of the Strom.

Longshots:

Mistérios de Lisboa (filme e mini-serie) de Raul Ruiz
Operação Outono de Bruno de Almeida (The Lovebirds)
Em Segunda mão de Catarina Ruivo (André Valente)
O Estranho Caso de Angélica de Manoel de Oliveira
O Grande Kilapy de Fernando Vendrell
Margarida de Licínio Azevedo

Ver a lista de filmes opiados pelo ICA (1 e 2)

7.25.2010

Cinema Português em Marcha - 13/23

9# Efeitos Secundários é também a primeira Longa de Paulo Rebelo, argumentista de O Fantasma e Odete, assim como o montador desses dois filmes de João Pedro Rodrigues, assim como de Terra Sonâmbula. Este é um filme apoiado pelo ICA e pela RTP e produzido pela C.R.I.M. (Christine Reeh e Isabel Machado são as fundadoras, às quais se juntou Joana Ferreira), para a qual este projecto também é a primeira longa, sendo que o filme era para estrear em 2008 e isso só virá a acontecer em 2010. O filme conta com as participações de Nuno Lopes, Maria João Luís e Rita Martins. A trama gira em volta de uma mulher, cabeleireira, viúva e solitária, que passa a vida a ajudar os animais abandonados (podem consultar a escola de cães - Azeicão - donde o cão-actor do filme vem, analisando o curriculum do snow-ball, na imagem), quando um dia decide ajudar um miúda (abandonada) seropositiva, deste evento criam-se uma série de complicações ajudadas pela romance com um pescador. No Making Of Europa, podemos ver um vídeo da rodagem, uma entrevista com o realizador, outra com a produtora, uma com a directora de fotografia e ainda duas com Nuno Lopes e Maria João Luís. Podem ainda ler uma entrevista ao realizador do Notícias do Norte onde nos é explicado que da mesma forma como Fassbinder transpôs Tudo o que o céu permite para Munique em O Medo come a Alma, Rebelo propôs-se a passar o filme de Sirk para a Costa da Caparica onde foi inteiramente filmado. O filme também foi seleccionado para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A banda sonora está a cargo da jovem banda 'Os Tornados'.
Podem consultar a página do facebook do filme e descobrir que este já foi seleccionado para o New York International Independent Film and Video Festival, 8º Festival de Cinema da União Europeia, 28º Festival Cinematográfico Internacional do Uruguai e o Bergamo Film Meeting.

7.21.2010

Cinema Português em Marcha - 9/23

13# Filme do Desassossego é a adaptação do Livro do Desassossego de Bernardo Soares (compilação de textos deste que é um dos (semi)heterónimos de Fernando Pessoa), o projecto está nas mão de João Botelho, realizador de filmes como Tráfico, A Mulher que acreditava ser Presidente dos Estados Unidos, Quem és tu?, O fatalista, Um adeus Português, Corrupção (não creditado), A Corte do Norte e Conversa Acabada, este último (sua primeira ficção) era já sobre Pessoa, quase 30 anos depois Botelho volta a um dos ícones da Portugalidade.
O ano passado aquando na comemoração dos 120 anos do nascimento de Pessoa, Conversa Acabada foi editado em DVD e anunciou-se este filme, que meses mais tarde ganharia o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, monetário (200 mil euros) e logístico, podem ver um vídeo da assinatura do protocolo com participação de Inês Pedrosa (directora da Casa Fernando Pessoa), do produtor Alexandre Oliveira e do Realizador, assim como do presidente da câmara António Costa.
Botelho justificou-se na realização deste filme com três ideias do livro, uma sobre a luz (a luz que ilumina os sapatos das pessoas deve ser a mesma que ilumina as caras dos santos), sobre o tempo (o tempo no cinema é como nos sonhos, nunca é o tempo real) e por fim sobre a necessidade de ler em voz alta o livro do desassossego para compreender toda a sua essência.
Produzido pela Ar de Filmes (podem visitar o sitio oficial do filme com uma nota de intenção, um sinopse, imagens, informação sobre a produtora, sobre Botelho e sobre Pessoa) com a apoio da Câmara de Lisboa e do ICA. Ficam aqui uma série de fotos da rodagem e uma reportagem.
Prevê-se que estreie nos finais de Outubro deste ano.