1.30.2010

Episódio 1

Em dois mil estreava um filme português, primeira obra de um cineasta marcante na cinematografia portuguesa, João Pedro Rodrigues. O filme de nome Fantasma é das obras mais convulsas e viscerais, que Portugal viu nos últimos anos. Selecção Oficial no festival de Veneza, o filme fez parte, na última segunda feira, de um ciclo da cinemateca composto por primeiras obras (exibido conjuntamente com Parabéns, curta realizada antes desta longa).
Ao contrário do que é normal nestas exibições, os espectadores que ocupavam a sala Luís de Pina tiveram o privilégio da presença do realizador, assim como dois dos seus actores habituais e mais que isto, a presença da nova (e gaguejante) directora da Cinemateca, Maria João Seixas.
Antes da apresentação dos filmes, tivemos portanto uma agradabilíssima 'conversa' a uma só voz, onde a directora expressou a sua ligação especial (e carinhosa) para com filme e para com o seu realizador, o qual teve o privilégio de julgar (no tempo do ICA) para a atribuição do subsídio para a produção de Morrer como um Homem (recentemente estreado nas salas portuguesas).
Uma década depois, o filme mantém-se actualíssimo, não se verga nem um centímetro ao tempo, continua cru, chocante, mas profundamente maduro, senhor de uma consciência social e um conhecimento profundo da natureza humana. Retrato arrepiante da obsessão; este é um espelho de cada um de nós, na nossa mais obscura e decadente forma. Mas lembremos, esta morte interior sobre a qual o filme se constrói é fruto dos mais puro dos sentimentos: o amor.

1.27.2010

Um ano de filmes

Menções Honrosas (por ordem alfabética): 4 Copas, Changeling, Coco Chanel & Igor Stravinsky, Home (Ursula Meier), Låt den rätte komma in, Sinecdoche, New York, The Visitor, Um Amor de Perdição, Up, Waltz with Bashir, Welcome

Top 15

15 - Rachel Getting Married de Jonathan Demme
14 - Les Plages d'Agnés de Agnés Varda
13 - Happy-go-Lucky de Mike Leight, ex aequo com L'heur d'été de Oliver Assayas, ex aequo com Un Prophete de Jacques Audiard
12 - The Curious case of Benjamin Button de David Fincher,
11 - Milk de Gus van Sant

10 - Revolutionary Road de Sam Mendes,

9 - Limits od Control de Jim Jarmush, ex aequo com Ne Change Rien de Pedro Costa

8 - Guerrilla de Steven Soderbergh

7 -Gake no ue no Ponyo de Hayao Miyazaki

6 -The Hurt Locker de Katherine Bigelow

4 - Afterschool de Antonio Campos , ex aequo com La Mujer sin Cabeza de Lucrecia Martel, ex aequo com Public Enemies de Michael Mann

5 -The Wrestler de Darren Aronofsky

3 -Two Lovers de James Gray

2 -Aruitemo aruitemo de Hirokazu Kore eda, ex aequo com Singularidades de uma Rapariga Loura de Manoel de Oliveira, ex aequo com Gran Torino de Clint Eastwood

1 -Inglourious Basterds de Quentin Tarantino

P.S.: Devo acrescentar apenas que não vi: Valkiria, Frost/Nixon, Go Go Tales, Julia, Un Conte de noel, Religulous, Patti Smith, Adam Resurrected, A Corte do Norte, A Zona, Taking Woodstock, Morrer como um homem e A Christmas Carol.

1.14.2010

Posters do Ano - I

Les Herbes Folles de Alain Renais


Ricky de François Ozon

1.11.2010

Porque Rohmer não morreu

Já não havia um dia em que achasse que o mundo do cinema tivesse ficado tão pobre, assim de um momento para outro, como hoje (da última vez, acho que foi aquando da morte de Pollack), a morte de Rohmer é coisa inqualificável!, faz espécie, pensar que indivíduos de tamanha genialidade sejam mortais como cada um de nós, mas sabe sempre bem perceber que afinal não é bem assim, alguns, mais do que outros, mantêm-se vivos enquanto houver memória (que é sempre refrescada pelas edições em dvd, as quais são bastantes completas no que a Rohmer diz respeito) da sua obra.
Rohmer nunca morrerá!, ou pelo menos enquanto eu viver, se há cineasta que me tocou a um nível que é raro acontecer esse senhor é Eric Rohmer, um brilhante ensaísta, director da mais prestigiada revista de cinema, um dos fundadores da nouvelle vague e dono da mais pura, singela e (convenhamos) perfeita cinematografia.
Apesar da sua idade (faria os 90), há dois anos estreou um filme (Les Amours d'Astree et Celadon, na imagem) que é sinal da enorme radicalidade do seu autor, tudo filmado ao primeiro take, sem ensaios nem nada, cinema puro, virgem, cru. Filme cheio de ALMA, tão imberbe e ao mesmo tempo a escorrer lições de vida, tão aparentemente simples e ao mesmo tempo cheio de inovação (basta lembrar o trabalho digital de A Inglesa e o Duque).
Não só por estas coisas, mas também, até algumas horas Rohmer era o meu cineasta (vivo) de eleição, agora, por imposição biológica perdeu o posto, mas nunca perderá um adorador (ou pelo menos enquanto eu viver, e desta forma manter-se-há vivo, no matter what - ou usando o idioma francês, para que ele, onde quer que esteja, perceba melhor - quel que soit)

1.10.2010

Semelhanças - LIV

Uma Abelha na Chuva (1972) de Fernando Lopes

O Delfim (2002) de Fernando Lopes

P.S.:O novo filme de Fernando Lopes (Sorrisos do Destino), faz também rimas com O Delfim (uma cena em que se agita o whisky com os dedos), no entanto as proximidades entre as duas obras a cima, são muitas mais que a evidenciada, a lagoa (Uma Abelha na Chuva, O Delfim), as mulheres sexualmente frustradas, o assassínio e tantos mais. Já agora, dois filmes Maiores.

1.06.2010

Um ano passou: o que a memória não apagou - II

A Piores traduções do ano

Slumdog Millionaire - Quem Quer ser Bilionário?


















Butterfly on a wheel - Atormentados


















The Unborn - Espírito do Mal


















Knowing - S1nais do Futuro


















Fireflies in the Garden - Um Segredo Muito Nosso



















New in town - De Malas Aviadas
















All the boys love Mandy Lane - Sedução Mortal


















State of play - Ligações Perigosas

















The life before her eyes - Sem Medo de Morrer


















The Haunting in Connecticut - O Mensageiro dos Espíritos


















Wolke neun (Cloud 9) - Nunca é tarde Demais para Amar


















The Ugly Truth - ABC da Sedução

















Ghosts of girlfriends past/As minhas adoráveis ex-namoradas


















What doesn't kill you /As teias do crime

















Deception/ No limite da Ilusão



















What just Happened/ Pânico em Hollywood


















The Hurt Locker/ O Estado de Guerra


















Personal effect/ Por Amor


















Beyond a Reasonable Doubt/A Verdade e o Medo


















Major Movie Star/ Batom... e Botas da Tropa


















Last Chance Harvey/a um Passo do Amor


















Nuit de Chien/Esta Noite


















P.S.:Como já tinha feito o ano passado, este ano juntei aqueles que pareceram os maiores atentados que as nossas salas de cinema viram no último ano (no que traduções diz respeito), não inclui títulos por si maus (como A Esperança está onde menos se espera), nem subtítulos (como Religulous- que o céu nos ajude). Há que salientar State of Play e The Hurt Locker que não são péssimas traduções, não fosse, por um lado nada haver no título original que justifique a versão portuguesa, mas por outro lado, já haver filmes com esses título (no caso de Ligações Perigosas esta é já a terceira edição). O Próximo ano não nos augura nada de positivo:
  • Os homens que matam cabras só com o olhar (The men who stare at goats)
  • Tudo pode dar certo (Whatever works)
  • Chovem Almondegas (Cloudy with a chance of Meatballs)